Sérgio Quintella entrevista Andreas von Richthofen

Repórter da Rádio Estadão conseguiu com exclusividade entrevistar Andreas von Richthofen, irmão de Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002

Ele conseguiu. Sérgio Quintella, repórter da Rádio Estadão, conseguiu contato com o jovem Andreas von Richthofen, 27 anos, irmão de Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato de seus pais. A entrevista foi ao ar em 6 de março.

Na horripilante história real, com contornos que até Hitchcock duvidaria, a menina, então com 18 anos, planeja, junto ao namorado e ao irmão dele, a morte de Marísia e Manfred von Richthofen para ficar com a herança. Era outubro de 2002. Andreas, aos 15 anos, perdeu pai, mãe e a única irmã – presa uma semana depois do crime.

Reservado (e obviamente traumatizado), Andreas nunca havia falado com a imprensa desde episódio, que voltou à tona no dia 25/2, quando as chamadas do novo programa de Gugu Liberato, na TV Record, davam conta de uma entrevista exclusiva com Suzane.

Dias depois, o promotor Nadir de Campos Jr., desta vez no Superpop, da RedeTV, associava o nome de Manfred, que era engenheiro da Dersa, a um desvio de dinheiro público para contas na Suíça – em nome (adivinha?) de Suzane!

Macabras, sensacionalistas, especulativas ou não, as duas entrevistas colaboraram para o furo de Sérgio, que há muito pesquisava sobre Andreas, na tentativa de um contato, de descobrir como se havia desenrolado a vida do jovem.

“Fui pesquisando pela internet, demorou, mas achei e mandei um e-mail para Andreas von Richthofen, deixando meu telefone”, disse Sérgio Quintella ao Portal dos Jornalistas. “Estava tentando contato fazia tempo. Sempre quis isso, é o ideal de todo repórter arrumar uma fonte assim”.

E o telefone tocou. Do outro lado da linha, Andreas identificou-se e pediu um encontro em uma hora, numa lanchonete no Centro de São Paulo: “Primeiro, eu quis ver se era realmente ele e o que ele tinha para falar. Não tive muito tempo para pensar, porque ele disse para ir encontrá-lo naquele momento”.

Mas o que teria feito o reservado Andreas se expor a um repórter? “Eu acho que foi o fato de eu ter mandado o e-mail no dia seguinte ao que rolou aquela entrevista [do Superpop], que eu nem tinha visto ainda. Havia pedido uma entrevista para ele, me apresentei, falei que sou repórter e que queria falar dele, Andreas. Não era para falar do crime e nem da irmã. Queria falar como é a vida dele. Não sei se isso o cativou, mas ele deve ter percebido que eu não queria fazer sensacionalismo, saber de ‘Sandrão’ ou coisas assim. Então, ele me procurou e perguntou se eu poderia ajudá-lo a entregar a carta [que foi publicada na íntegra pelo Estadão], e consegui conversar com ele algumas coisas que estão na reportagem”.

E Sérgio conitnua: “Ele me pareceu um cara tranquilo, normal, mas que está ‘puto da vida’. Esse caso do dinheiro desviado da Dersa é antigo, mas nada foi provado. Não tem nenhuma investigação em aberto no Ministério Público. Já teve, mas não havia provas”.

Notadamente feliz com o resultado de seu trabalho, Sérgio Quintella comemora os números de audiência de sua matéria: “Fiz um levantamento no Google Trends e na 6ª.feira (6/3) a expressão ‘Andreas von Richthofen’ foi a segunda mais procurada, empatando com o dia das mulheres e ganhando de ‘Lava Jato’”. Formado pela Uniban em 2007, Sérgio começou como estagiário do Grupo Bandeirantes (rádio Bandeirantes, Sulamérica Trânsito), em que também atuou como repórter. Passou ainda pelo site de Milton Neves, além das rádios América e Jovem Pan. Em fevereiro de 2011 ingressou como repórter na equipe da Rádio Estadão.