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quinta-feira, fevereiro 22, 2024

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Eliane Brum e Natalia Viana são as +Premiadas Jornalistas de 2016

Rosental Calmon Alves, do Centro Knight da Universidade do Texas, completa o pódio na terceira posição

Pela segunda edição consecutiva o Ranking dos +Premiados Jornalistas do Ano termina com um empate na primeira colocação. Se em 2015 o feito coube aos repórteres fotográficos Domingos Peixoto (O Globo) e Dida Sampaio (Estadão), neste ano duas mulheres terminam na liderança: Eliane Brum (El País) e Natalia Viana (Agência Pública).

Ambas somaram 137,5 pontos, referentes a três prêmios. Curiosamente, houve uma semelhança muito grande no perfil das conquistas, com cada uma ganhando um prêmio de votação direta, um nacional em equipe e um internacional.

Além do Mulher Imprensa de Jornalista de Mídias Sociais (30 pontos), Eliane venceu no começo de dezembro como Hours Concours do Direitos Humanos de Jornalismo/MJDH (22,5), com Vítimas de uma guerra amazônica, reportagem sobre os impactos da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, pela trajetória de dois moradores locais.

Já em A mais maldita das heranças do PT, atuando como colunista do El País, texto que faturou o SIP na categoria Opinião (85), Eliane analisou o dia seguinte às grandes manifestações contra Dilma Rousseff, em março de 2015: “Nele busquei analisar as razões pelas quais o PT perde as ruas – e os significados disso para pelo menos duas gerações de esquerda. Porém, mais do que isso, o que movia as parcelas da população que não se situavam em nenhum dos pólos”.

Natália venceu o Comunique-se de Repórter Mídia Escrita (30), e com o Especial 100 levou o Vladimir Herzog – Internet (22,5). Sem informações a respeito das desocupações resultantes das obras para os Jogos Olímpicos Rio 2016, a equipe da Pública, em parceria com a ESPM Rio, entrevistou 100 famílias desalojadas no Rio de Janeiro, e montou a base de dados mais completa do mundo sobre remoções ligadas às Olimpíadas.

Também explorando a região Amazônica, ela produziu São Gabriel e seus demônios. O especial faturou o Prêmio Gabriel Garcia Márquez de Melhor Texto (85), e para sua produção ela foi até o Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas, em busca de entender por que o município mais indígena do Brasil é também o que tem o maior índice de suicídios. “É um assunto difícil de conversar, e ainda mais difícil de entender, processar, e transformar em texto. Acho que o resultado, uma longuíssima reportagem, conseguiu reunir elementos que contam uma história profunda: a história das diversas violências enfrentadas por esses povos indígenas em nome da construção do Brasil”.

Na terceira posição, o levantamento trouxe um dos principais acadêmicos brasileiros do jornalismo. Diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas, Rosental Calmon Alves alcançou o posto devido à conquista de uma das mais importantes e antigas condecorações do Jornalismo no mundo, o Maria Moors Cabot, que lhe rendeu 100 pontos no Ranking.

“O Cabot é o prêmio de jornalismo internacional mais antigo do mundo e foi criado, em 1938, para premiar pessoas que, pelo jornalismo, contribuíram de forma significativa para o entendimento interamericano”, destaca Rosental. “O júri avaliou não apenas meu trabalho de uma década como correspondente internacional neste hemisfério, mas também o trabalho que venho exercendo na Universidade do Texas, onde criei até hoje dirijo o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas. Daqui temos ajudado milhares de jornalistas, principalmente da América Latina, com vários programas, inclusive cursos online e conferências. Além disso, publicamos o blog trilíngue Jornalismo nas Américas, que cobre temas relacionados com a imprensa na América Latina e no Caribe. O Prêmio Maria Moors Cabot foi um dos mais importantes reconhecimentos que recebi na minha carreira. Fiquei muito emocionado e o recebi com humildade e gratidão”.

O curioso é que, por nove anos, Rosental integrou o júri do prêmio: “Durante anos, indiquei outros colegas para o prêmio. Acho que escrevi tantas cartas de recomendação que na Universidade de Columbia eles acabaram notando que eu existia. Mas, em vez do prêmio, na época me deram um lugar no Cabot Board, o júri que escolhe os ganhadores do prêmio”, brinca.

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