Carlos Maranhão deixa o dia a dia das redações

Carlos Maranhão acaba de se despedir do dia a dia das redações da Abril, após quatro décadas em que se dividiu entre Placar, Playboy, Veja, Veja São Paulo e Vejinhas. Em decisão longamente amadurecida, como ele próprio diz, fez um acordo com a editora para trocar o vínculo trabalhista pelo de colaborador, tendo já pela frente um trabalho ligado à memória da empresa. Com a saída dele, as funções executivas que exercia foram repartidas entre a diretora de Redação de Veja São Paulo Alecsandra Zaparolli e o diretor de Redação de Veja Rio Maurício Lima. Alecsandra, além da revista, em sua versão impressa e iPad, e do site Vejasp.com, vai cuidar das Vejinhas regionais – edições especiais em nove cidades brasileiras – e ficará responsável pela estratégia digital das revistas. Maurício, além de Veja Rio, responderá por Veja Brasília e Veja BH. Maranhão, nessas quatro décadas, trabalhou em Placar, onde entrou correspondente em Curitiba e saiu diretor de Redação; Playboy, em que foi editor de entrevistas e perfis e depois diretor de Redação; Veja (editor-assistente) e, sobretudo, a partir de 1991, Veja São Paulo, ocupando inicialmente o cargo de editor-executivo e, depois, diretor de Redação. Nos últimos anos, foi diretor Editorial das Vejinhas semanais (além de Veja São Paulo, Veja Rio e as duas que ajudou a criar, Veja BH e Veja Brasília, ao lado do diretor comercial Cláudio Ferreira) e das edições regionais Comer & Beber, que chegou a ter dezoito em um ano. Nestes anos em que ele esteve à frente de Veja São Paulo, a publicação tornou-se a segunda maior revista da Editora Abril em faturamento publicitário, lucratividade e circulação, atrás apenas de sua “mãe”, a Vejona. No campo da literatura, Maranhão lançou, em 2004, pela Companhia das Letras, Maldição e Glória, biografia do escritor Marcos Rey, que, ao lado de Walcyr Carrasco, foi o primeiro cronista da Vejinha. Mais antigo funcionário jornalista da Abril Em depoimento que deu ao Portal dos Jornalistas, Carlos Maranhão disse: “Sou grato a todos com quem tive o privilégio de trabalhar, à diretoria da empresa, à família Civita, ao meu chefe e amigo Eurípedes Alcântara, aos meus mestres Thomaz Souto Corrêa e José Roberto Guzzo e às secretárias que me acompanharam com tanta paciência. Mas ressalto que não me aposentei, não parei de trabalhar e não me afastarei da Abril. O meu e-mail, por sinal, continua o mesmo. Estou apenas dando uma guinada na minha vida profissional e pessoal. Por isso, não houve despedidas”. Vale aqui um registro: desde que o diretor de Arte Carlos Grassetti se aposentou, no ano passado, Maranhão tornou-se o mais antigo funcionário jornalista da Abril. Para os que gostam de fazer contas, tentando calcular a idade dele, costuma dizer, como informou ao Portal dos Jornalistas uma amiga dele, que iniciou a carreira na época em que o trabalho infantil era tolerado – e, de fato, sabe-se que ele guarda como um troféu a primeira carteira de trabalho, em que foi registrado na função de auxiliar de escritório, em Curitiba, aos 16 anos.  “Tenho orgulho de tudo isso, de ter coberto oito Copas do Mundo – estarei a postos na nona, na equipe de Veja – e cinco Olimpíadas, e de ter contribuído no recrutamento e na ajuda da formação de inúmeros profissionais, muitos dos quais se tornaram meus amigos”. Nomes hoje consagrados da imprensa brasileira deram os primeiros passos profissionais ao lado dele, casos, entre outros de Sérgio Dávila, Mônica Bergamo, Marcelo Duarte, Alfredo Ogawa, Kiko Nogueira, Sérgio Ruiz e os fotógrafos Ricardo Corrêa e Mário Rodrigues. E também da própria Alecsandra Zapparoli, que hoje lidera Veja São Paulo, e de Maria Rita Alonso, que foi repórter de Vejinha, assinou por vários anos o Terraço Paulistano, dirigiu Criativa e Estilo, e hoje atua no mundo da moda.