allTV comemora 15 anos com foco na ampliação de canais

Alberto Luchetti Neto diz que, em 2002, quando teve a ideia de criar a allTV, primeira emissora de tevê brasileira com programação 24h na internet, não sabia bem como ela iria funcionar – e, menos ainda, explicar: “Só sabia que o caminho era fazer TV na internet. Então, precisei conceituar, inclusive para mim mesmo”. Surgia ali um modelo pioneiro de interatividade que ele até registrou para efeitos de direitos autorais: um veículo de comunicação multimídia, com conteúdo de jornal, linguagem de rádio, imagem de TV e a interatividade da internet.

Agora em maio, quando a allTV completa 15 anos, Luchetti enfrenta dúvida similar: tem o portal, canais em Facebook, Twitter e YouTube, mas acredita que o futuro do seu negócio está em ampliar a distribuição do conteúdo por WhatsApp e Messenger, além do próprio FB; só ainda não conceituou, como fez em 2002: “Hoje está havendo uma ‘uberização’ da produção audiovisual na internet; todo mundo faz. Então, a allTV precisa inovar, chegar ao público de forma personalizada, via mobile. Não sei bem ainda como nem qual será o resultado, mas começamos uns testes no final de abril e este mês vamos ampliar. É um experimento como a allTV foi 15 anos atrás. Não sei onde estou pisando. Só sei que estou mexendo com veículos de comunicação e com conteúdo e que conteúdo funciona em veículos de comunicação”.

Os testes a que ele se refere foram transmissões de comentários de colunistas do canal, como Afanásio Jazadji (que fala sobre política) e James Akel (TV, entretenimento e política), que foram exponencialmente compartilhados. “A ideia é usar chatbots (robôs que interagem com os internautas) para cadastrar quem tiver interesse em receber conteúdos, segundo a preferência de cada um. Ainda não posso dar detalhes”.

Além de Afanásio e Ackel, a allTV tem como colunistas Ricardo Viveiros (artes, livros), Ronaldo Luiz (economia e agronegócios), Fabrício Ravelli (música, principalmente rock), Arthur Hendler (todos os esportes), Marcel Naves (metrópoles, principalmente São Paulo), Antoninho Rossini (publicidade), Wagner Belmonte (esportes), Felipe Campos (comportamento) e Luiz Marcos Barreiro (poemas eróticos). Todos gravam em casa, pelo celular, praticamente todos os dias.

Naves e Belmonte, a propósito, tiveram mudanças recentes na carreira: o primeiro deixou após alguns anos o Grupo Estado, onde teve participações em rádio, jornal e site, e assumiu a coordenação da allTV. Na próxima segunda-feira (15/5), recebe o Prêmio APCA como melhor repórter de radiojornalismo de 2016. Wagner deixou o comando da TV Câmara, mas deve apresentar um programa na Casa e segue como professor na Fapcom.

A allTV fica sintonizada 24 horas por dia, sete dias por semana, com um total de 31 programas, cobrindo jornalismo, tecnologia, esportes, variedades, música, artes, comportamento, gastronomia e prestação de serviços. A audiência participa em tempo real por chat, e-mail, Skype, Twitter, Facebook ou qualquer outra ferramenta de interatividade.

A empresa está instalada em uma casa na av. Giovanni Gronchi, no Morumbi, onde Luchetti diz ter investido cerca de R$ 400 mil, principalmente na construção de dois estúdios de gravação, com seus respectivos switchers, que servem também à Infinity, sua produtora de vídeo. O único senão é que o investimento foi projetado em cima de recursos que viriam da campanha política para as eleições municipais e estes ainda não foram pagos. “Está sendo um baque, mas temos de ir em frente, pois legalmente temos como acionar os responsáveis, já que há assinaturas pessoais de confissão de dívida, como exige a legislação”.

Ele conta que houve aí uma coincidência infeliz, pois a Infinity faz a TV Câmara de São Paulo, a TV Assembleia e a cobertura jornalística de eventos da Prefeitura: “Câmara nova, Assembleia nova e Prefeitura nova, mandaram reduzir os contratos entre 20 e 30%. Tivemos que cortar as equipes: 15 na Câmara, 20 na Assembleia e 12 na Prefeitura. Isso nos pegou de calças curtas”.

Ele, porém, está confiante em novos projetos e concorrências em curso, que, mesmo não sendo contratos muito lucrativos, podem ser uma vitrine importante para a conquista de outros clientes, sobretudo na esfera pública. “Nesse caso, não dá para ganhar muito dinheiro, mas é como um cartão de visitas. Quero aprofundar a especialização nesse ramo de TV corporativa pública”.

Antes de criar a allTV, Luchetti teve passagens por Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, rádios (Jovem Pan e Rádio Bandeirantes) e televisão (Canal 21, TV Bandeirantes e Rede Globo, onde foi diretor de núcleo).

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