Alexandre Garcia deixa a Globo e despista rumores sobre ser porta-voz da Presidência

Alexandra Garcia

Por Cristina Vaz de Carvalho, do Rio de Janeiro

Alexandre Garcia afastou-se da TV Globo no final de 2018, conforme comunicado do diretor geral de Jornalismo e Esportes Ali Kamel, divulgado pela emissora.

O motivo oficial da saída, depois de 30 anos na casa, foi “amenizar um pouco o seu ritmo frenético de trabalho” – ele está com 78 anos. Pretende dedicar-se aos comentários políticos transmitidos por 280 rádios de todo o Brasil, a escrever artigos para jornais e a publicar outro livro, no rastro do grande sucesso que foi Nos bastidores da notícia, de 1990.

Motivos e motivos

Motivos não oficiais, muitos apareceram, circulando na internet. Um atribuía o pedido para sair a ter sofrido advertências da emissora por se posicionar politicamente a favor de Jair Bolsonaro candidato, durante as últimas eleições, o que vai contra uma rigorosa política da casa para seus jornalistas. O pedido para sair é uma concessão do Grupo Globo aos bons funcionários de qualquer mídia, com generosa extensão de benefícios, se concordarem em não falar de demissão.

Outro motivo que circulou, este mais otimista, foi um eventual convite para ser porta-voz da Presidência da República. Garcia admite que houve sondagens, mas não aceitou porque prefere fazer rádio e ter seu canal nas redes sociais. Mas ele tem experiência na função. Por um ano e meio, entre 1979 e 1980, foi secretário de imprensa do último presidente do período da ditadura militar do Brasil, João Batista Figueiredo.

Mesmo diante da negativa ao convite, é de se notar a desenvoltura com que Garcia circulou no novo círculo de poder, com crachá de convidado. Isso contrasta com o tratamento recebido pela imprensa em geral, para a cobertura da posse do presidente (ver nota acima). Os jornalistas reclamaram desde o credenciamento, espernearam após o trabalho, mas a pauta não era opcional e todos tiveram que cumpri-la.

Na biografia, até condecoração da rainha Elizabeth

Alexandre Garcia é gaúcho e começou como radialista, trabalhando com o pai. Formou-se em Comunicação Social pela PUC-RS e passou ao jornalismo impresso na sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre. Pelo JB, foi correspondente em Buenos Aires, na Argentina, por três anos. De volta ao Brasil, foi trabalhar na sucursal em Brasília, onde permaneceu por dez anos, firmando-se como repórter de política.

Em 1983, passou à extinta TV Manchete. É dele a antológica entrevista em que o presidente Figueiredo disse: “Eu quero que me esqueçam!”. Foi correspondente internacional, cobrindo, entre outras, a Guerra das Malvinas, o que lhe valeu a Ordem do Império Britânico, concedida pela rainha Elizabeth II.

Entrou para a TV Globo de Brasília em 1988. Teve um quadro no Fantástico, foi repórter especial de Jornal Nacional, Jornal Hoje e Jornal da Globo. Nas eleições de 1989, foi um dos mediadores do debate de segundo turno entre Lula e Fernando Collor, realizado em pool pelas quatro grandes emissoras de então – Band, Globo, Manchete e SBT. Entre 1990 e 1995, foi diretor regional de Jornalismo da Globo de Brasília, sem deixar de lado o trabalho diante das câmeras. Em 1996, passou a ter um programa na GloboNews, Espaço aberto.

Por dez anos, foi âncora do DF-TV. Nos últimos anos, tornou-se comentarista político do Bom dia Brasil, e fez parte do grupo de apresentadores que se revezava na bancada do Jornal Nacional aos sábados. Durante esse período, não houve cobertura de política no Brasil de que ele não participasse com destaque.

Vamos acompanhar a trajetória de Garcia, que ainda promete.

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