Reinaldo Azevedo pede demissão da Veja e Jovem Pan após grampo com Andrea Neves

Reportagem de Filipe Coutinho no BuzzFeed nesta terça-feira (23/5) confirmou em primeira mão o pedido de demissão de Reinaldo Azevedo da revista Veja. Reinaldo teve conversas suas com Andrea Neves, irmã de Aécio Neves, grampeadas e anexadas ao conjunto de áudios que provocou o afastamento do senador e a prisão dela. Segundo a Polícia Federal, não há indício de crime nas conversas.

O que possivelmente tornou insustentável a relação entre o colunista e a publicação da Editora Abril foram críticas que ele fez à revista por uma reportagem de capa com Aécio. Em determinado trecho da conversa ele chama de “nojenta” a abordagem da semanal.

Os áudios foram gravados em abril, quando os irmãos eram investigados e estavam sendo grampeados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça. Em entrevista ao BuzzFeed, Reinaldo criticou a decisão da PGR: “Há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo”.

Ele ainda não definiu para onde será direcionado seu blog. Confira a íntegra da reportagem do BuzzFeed, com a carta de Reinaldo comentando sobre sua decisão.

Sobre a saída da Jovem Pan, onde apresentava o Pingo nos is, ele disse ao colunista Flávio Ricco, do UOL: “As razões da minha saída da rádio antecedem a agressão de que estou sendo vítima. Embora vá se misturar tudo”. Ele, porém, seguirá como comentarista do RedeTV News, da RedeTV

A Abraji deu razão a Reinaldo no episódio e criticou a PGR pelo uso dos áudios. Em nota, a entidade afirmou que “a Lei 9.296/1996, que regula o uso de interceptações telefônicas em processos, é clara: a gravação que não interesse à produção de provas em processo deve ser destruída. O próprio Ministério Público, aliás, é que deveria cuidar para que isso aconteça. A inclusão das transcrições em processo público ocorre no momento em que Reinaldo Azevedo tece críticas à atuação da PGR, sugerindo a possibilidade de se tratar de uma forma de retaliação ao seu trabalho. A Abraji considera que a apuração de um crime não pode servir de pretexto para a violação da lei, nem para o atropelo de direitos fundamentais como a proteção ao sigilo da fonte, garantido pela Constituição Federal”.

Também em nota, a PGR negou que tivesse incluído a gravação no conjunto de áudios. Mas a Folha de S.Paulo apurou que a transcrição da ligação foi tornada pública, junto com outras 2.200 ligações, pelo despacho do ministro Edson Fachin que suspendeu o sigilo sobre o caso da JBS.

1 comment

Get RSS Feed
  1. NK

    Para mim, o mais mal vestido do recanto, Reinaldo Azevedo, ja’ foi tarde. Ele estava pisando na bola ja’ havia bastante tempo. Va’ pela sombra, tio Reinaldo. Melhor sorte para voce, e menos deslumbramento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *