Prossegue a violência contra jornalistas no Rio

Nesta 4ª feira (16/11), tanto a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) como o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro denunciaram a agressão sofrida por repórteres que cobriam o protesto de servidores públicos em frente à Assembleia Legislativa. As propostas restritivas ao funcionalismo feitas pelo Governo do Estado, na tarde desse mesmo dia, foram chamadas, pelas categorias descontentes, de “pacote de maldades”. Da insatisfação que já dura alguns meses para as manifestações de agressividade contra tudo e contra todos, foi um passo. Guilherme Ramalho, de O Globo, foi atacado com pontapés quando manifestantes identificaram um adesivo do jornal em seu telefone celular. Ele correu, mas foi atingido com socos e perdeu os óculos. Logo depois, Caco Barcellos, da TV Globo, foi cercado e expulso do local, sob objetos atirados por manifestantes, como garrafas de plástico e cones de trânsito. Com ele, estava o cinegrafista Luiz Felipe Saleh, do programa Profissão Repórter, da TV Globo. Ajudado por PMs, Barcellos correu para a entrada dos fundos do Fórum, e conseguiu se abrigar. De um repórter do G1 tentaram retirar a máscara antigases. Gustavo Maia, do UOL, e um repórter fotográfico da agência O Dia também sofreram agressões. A nota da Abraji diz que “repudia esses ataques e apela aos manifestantes para que preservem o trabalho da imprensa. A livre informação é a principal arma de uma sociedade em luta democrática”. E orienta os repórteres a registrarem as agressões junto à Polícia Civil, pede que os agentes investiguem as ocorrências e, aos policiais militares, pede que ajudem os profissionais da imprensa a fazerem a cobertura dos protestos com segurança. A nota do Sindicato reitera: “Nós, jornalistas, repudiamos veementemente a prática da violência, que nada acrescenta à informação devida à população, função inerente ao nosso trabalho e um dos pilares de sustentação da nossa tão combalida democracia brasileira”. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) consideraram os atos intoleráveis e uma afronta ao direito de acesso à informação de interesse público. A ABI entende que esses atos representam uma grave ameaça à liberdade de imprensa e ao livre acesso a informação, assegurados pela legislação em vigor, e afirma em sua nota esperar que “esses episódios de violência não se repitam diante da péssima repercussão que sempre produzem na imagem do País, onde o jornalismo no Brasil é visto, no exterior, como uma atividade de risco”. A situação falimentar do Estado do Rio tem sua face mais cruel na massa de funcionários, ativos e aposentados, que não recebe salários nem pensões. Aí incluída a Polícia, numa cidade quase sitiada. E pagam os jornalistas.