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A reinvenção do jornalista ? #1 Os focos da luneta

Ah, internet… o que falar de você, que mal conheço, mas já considero pacas? Que revolucionou apuração e entrevistas? Que transformou laudas em posts e celulares em unidades móveis de tevê? Que tornou obsoletas as letras miúdas dos classificados e chacoalhou a receita de impressos? Que deu voz a tanta gente e calou tantos coleguinhas, agora sem emprego? Desde 2012, mais de 5.000 jornalistas foram demitidos de redações no Brasil. Quem fez A conta dos passaralhos foi o Volt Data Lab, baseado em notícias veiculadas por sites especializados, inclusive nosso Portal dos Jornalistas. Para nós, que cobrimos há anos essas danças de cadeiras, não é difícil notar que a onda mais vai do que vem. Em um primeiro momento, vagas múltiplas foram fechadas. De dez redatores, ficam quatro. E ingressar no mercado de trabalho “tradicional” passou a ser um grande desafio para os mais jovens. Ultimamente, o movimento vem atingindo seniores. Salários altos, 30 anos de casa, nomes intrinsecamente ligados a marcas deixam de valer a pena para a indústria da mídia. Demissão aos 50, e agora? Por onde começar se ninguém abre a porta aos 20? Por olhos pessimistas, a internet para o jornalismo é sinônimo de desemprego, perda de qualidade da notícia e crise da profissão, em que não vale mais a pena investir. Às vistas de Pollyanna, a pulverização da mídia, o baixo custo de produção e o acesso de cada vez mais gente aos meios digitais são estímulos para descoberta de um novo jeito de fazer jornalismo: com mais autonomia. Claro que essa autonomia não vem de graça. Junto a ela, novas habilidades passam a fazer parte da lista de afazeres do novo – e necessariamente digital – jornalista. Empreender, gerir, vender, fazer conta, negociar, experimentar. Escrever, filmar, fotografar, editar, narrar, desenhar, interagir. Analytics, final cut, photoshop, wordpress, piktochart, etus. A responsabilidade aumenta. As possibilidades e os riscos também. Para entender mais sobre esse jornalista repaginado, conversamos com Sérgio Lüdtke, que até o final de 2015 coordenava o Master em Jornalismo Digital do Instituto Internacional de Ciências Sociais, em São Paulo, e que vem trabalhando na pesquisa Empreendimentos do Jornalismo Digital Brasileiro, a ser lançada em breve. Com ela, o objetivo de Sérgio é verificar o estado do empreendedorismo digital no jornalismo brasileiro e identificar padrões de criação e evolução das iniciativas da área. De carona com o estudo, vamos conhecer, ao longo das próximas semanas, personagens que dão cara e forma ao novo modo de fazer jornalismo. No que erraram, o que vêm fazendo de bacana, competências desenvolvidas, percalços, ideias, ferramentas utilizadas e tudo mais que couber e nos ajudar a decifrar com quantos toques (ou cliques) se reinventa um jornalista. Veja o que nos conta Lüdtke: A origem da pesquisa A ideia de pesquisar ou mapear de alguma forma o empreendedorismo no jornalismo brasileiro surgiu no ano passado, quando resolvemos abrir uma bolsa para empreendedores no Master em Jornalismo Digital. Já percebíamos que havia um movimento – mas era uma coisa bastante intuitiva de nossa parte – de pessoas saindo de redações, com muita dificuldade de se inserirem novamente no mercado, fazendo um trabalho de freelance e começando a produzir seu blog, criar um site. Iniciativas no meio digital, que possibilitam a criação de veículos sem a necessidade de um investimento financeiro muito grande. Quando lançamos essa bolsa, me chamou muito a atenção o volume enorme de gente que apareceu. Inscrições inclusive de fora do Brasil, coisa para a qual não estávamos preparados. Esse número muito grande em poucos dias me fez ver que era necessário fazer uma averiguação, um mapeamento para conferir qual era o estado disso. Como está se instituindo isso no Brasil? Quais são as dificuldades dessas pessoas? Quais são as oportunidades que elas estão vendo no mercado de trabalho? E, principalmente, o que falta de preparo para essas pessoas para que elas consigam que esses projetos sigam adiante? Então, parti de algumas entrevistas qualitativas para buscar elementos e inseri-los em uma pesquisa maior. Minha ideia – sem nenhuma dimensão do que isso poderia ser – era chegar a 150 empreendimentos. Desses, gostaria de ter 90, 100 que pudessem me responder. Mapeei muito mais do que isso. Foram mais de 250, sem incluir empreendimentos que integrem alguma empresa da indústria da mídia, financiados pelo governo ou que se considerassem sem fins lucrativos, porque eu achava que isso destoava do meu objetivo inicial. Desse número que mapeei, consegui que aproximadamente 70 me dessem retorno. Essa [curiosamente] foi uma grande dificuldade que tive: como conversar com essas pessoas. Mapear, saber que elas existem, ter a indicação de alguém ou uma URL na mão não significa muito, porque os pontos de contatos que esses empreendimentos disponibilizam para o público são muito precários. Desde formulários de contato que simplesmente não funcionavam até a falta de resposta. Escrevi cinco, seis vezes para cada um deles. Se eu fosse alguém que tivesse entrado no site, gostado e quisesse, de alguma maneira, colaborar com ele, não teria sequer como saber de minha oferta. Pecam já no princípio, que é a comunicação. Quem são os jornalistas empreendedores e o que querem contar A maioria desses profissionais já teve experiência em veículos – muitas vezes online –, mas também muitos vêm de redações tradicionais. São profissionais que saíram ou foram cortados em algum processo de demissão. Outros tomaram a decisão, por conta própria, por vontade de fazer algo diferente. Alguns com recursos – ou porque saíram de empresas ou porque tinham algum dinheiro guardado e resolveram investir. É um perfil bastante amplo. Difícil de colocar em faixas etárias. E é também bastante amplo no sentido geográfico, há vários empreendimentos espalhados pelo Brasil. Normalmente, os empreendedores fazem opção por determinado nicho. Por exemplo: alguém que cobria tênis em determinado jornal, essa editoria fechou, então ele faz um site sobre tênis. Alguns são empreendimentos um pouco mais complexos, são grupos de pessoas que se juntam e tentam focar às vezes num tipo de linguagem ou delimitação geográfica. Em geral, a escolha está ligada a uma determinada habilidade ou experiência do jornalista, que tenta seguir por ali aproveitando parte da experiência e a paixão sobre o tema. Pontos em comum de empreendimentos que não se sustentam… Não pensar num modelo de remuneração que fuja da publicidade. A maioria deles pensa em viver de publicidade. Esse, a meu ver, é um erro bastante comum: ver a publicidade como única alternativa de sobrevivência. …e o que pode dar certo O que é perceptível aos que conseguem sustentação econômica para ficar mais tempo é saber diversificar ou mudar o direcionamento inicial para aportar coisas, buscar experiências diferentes daquilo que eles queriam incialmente. Desse modo, conseguem transformar a atividade, a produção do conteúdo em um elemento do negócio jornalístico que criam. Os que conseguiram fugir da premissa de que “nós só vamos fazer jornalismo e vamos viver de publicidade” me parecem ser os em melhores condições. Um exemplo disso é o Destemperados, do Rio Grande do Sul. Em torno da produção de conteúdo, eles começam a agregar outros modelos de negócios (como a criação de food parks, associação com a RBS para produzir cadernos de gastronomia dos jornais do grupo, participação em quadros de rádio, eventos etc.) que podem ajudar a dar manutenção, sem deixar de pensar na produção de conteúdo, que continua sendo a base, a forma de dialogarem permanentemente com o público. Porque todas as outras coisas são circunstanciais, mas a produção de conteúdo, não. Olhar curioso também para o negócio Muitas vezes, essas outras possibilidades de negócio não partem do jornalista. Mas se ele está aberto a outras proposições e tem um olhar um pouco mais curioso – que é um olhar que jornalista tem, só que não para o negócio –, pode encontrar alternativas de sustentação em que não tinha pensado antes. O jornalista tem uma dificuldade muito grande, que herda da indústria, porque a indústria da mídia demonstra há muito tempo dificuldade de fazer essa variação, de pensar que as marcas podem ser reconstruídas – ou que existem marcas internas que podem ganhar uma dimensão maior –  e insistem em que só a marca-mãe do seu negócio é válida, não tratando o digital com todas as especificidades que pode ter. Talvez o problema do jornalismo e dessas novas iniciativas seja a falta de oportunidade de arejar seu negócio. O que se vê em comunicação corporativa, por exemplo, são várias caminhadas, vários talentos, vários repertórios que as agências trazem para dentro delas, fazendo com que haja uma explosão criativa tanto de oportunidades quanto de informação. Para tirar o olho do retrovisor Jornalista só se dá com jornalista. Fica muito fechado num único grupo e não permite que todas essas outras competências comecem a fazer parte de seu trabalho. Repensar as coisas com foco fechado é muito difícil. Olhar para o futuro sem tirar o olho do retrovisor é ruim para começar a conseguir fazer coisas novas. A gente não arrisca, não desbrava, não consegue enxergar, não tem outras pessoas com experiências diversas das nossas que possam contribuir para que possamos olhar ou experimentar outras coisas. Acho que isso é herdado [das grandes empresas de mídia] também por essas novas iniciativas. Então, boa parte delas, infelizmente, vai fechar, não vai conseguir sobreviver. Muitos, por exemplo, saem de uma redação achando que vão fazer um crowdfunding, que vão conseguir manter-se por um bom tempo com várias chamadas de financiamento. O crowdfunding é que nem rifa de colégio: vendemos primeiro para os pais, avós, tios, para um vizinho ou outro… De repente se precisamos fazer uma segunda, o pai vai comprar, a mãe vai comprar, o avô já não sei, o tio já não sei… os vizinhos não vão comprar. E essa possibilidade vai ficando reduzida. As pessoas não sabem lidar com isso. Jornalista não sabe vender. Deveria buscar profissionais, apoio de quem está habituado a trabalhar com isso. Sem dar chance para si de ampliar, ele vai para um mercado com um repertório reduzido, aí as chances são pequenas. Diversificar fonte e audiência Sou egresso de redação, mas já tive empresa. Montei startups – uma livraria online e uma editora de e-books. Já havia apanhado um pouco. No meu caso pessoal, busquei a diversificação de fontes. Quando deixei de trabalhar em redação, não quis ser fornecedor de um único cliente. Optei por trabalhar com três, quatro atividades. É complicado administrar essa agenda, porque precisamos ser muito disciplinados (e eu não sou!), mas me valho de ferramentas digitais para controlar a minha vida. Acho que é a receita para todo jornalista: não depender de uma única fonte. Essa fonte pode secar em algum momento, porque não temos um histórico que possa nos garantir que isso vai continuar sendo sempre dessa forma. O digital não te permite isso. Há uma verdade que não existe em outros veículos: não se vende projeção, vende-se realidade. A publicidade no digital é cobrada se é exibida, se as pessoas clicam. É muito difícil imaginar que a todo momento se pode contar com isso. E diversificar fonte também de audiência! Não se pode ficar escravo de determinada rede social – porque de repente o facebook muda um algoritmo de uma página e deixamos de ser exibidos para aquele número de pessoas; não podemos ficar dependentes só de Google, porque basta cometermos um erro para ele nos colocar numa lista negra, não oferecendo mais nosso site para determinada busca. Podemos apostar em um único assunto, mas não podemos apostar numa única fonte, nem de receita, nem de audiência. Essa é uma regra que posso afirmar sem nenhum temor de erro. É uma coisa básica para qualquer empreendimento digital de jornalismo na internet dar certo. Somos todos redes As redes que se conseguem criar ajudam muito o empreendedorismo no jornalismo. Primeiro, ter um assunto, chegar ao público com alguma facilidade, garantir a relevância para isso e ser um interlocutor, uma referência importante. Com isso, é possível ter uma base em torno do conteúdo ou marca. Conseguimos ser um meio ainda para chegar em determinado público na medida em que ganhemos relevância. As redes sociais são determinantes nisso. De seis, sete anos para cá, uma origem que beirava 2% da audiência total passou a até 70, 80% via redes sociais. A formação de comunidades é decisiva para conseguir levar o negócio adiante e poder até criar esses outros modelos de negócios associados. Jornalistas vs. não jornalistas: quem produz melhor conteúdo? O fato de nós, jornalistas, acharmos que temos maior capacidade de produção de conteúdo do que alguém de outras profissões é uma coisa muito nossa. Nós somos preparados, temos técnicas, ferramentas das quais nos apropriamos para fazer um bom trabalho jornalístico, mas essas técnicas podem ser intuitivas também para outros. Profissionais que falam sobre assuntos nos quais têm muita experiência podem se comunicar melhor do que jornalistas, se tiverem um bom texto. Compromisso com a verdade eles vão ter, na medida em que queiram ser referência. Passam, então, a concorrentes fortes. Mas isso não é um movimento de agora. Nós todos somos mídia de alguma forma. Começamos a transmitir coisas, mesmo que não deliberadamente. As empresas, na medida em que abriram seus sites, também se tornaram mídias. De muito tempo, aquilo que considerávamos fonte passou a ser mídia também. Todo mundo tem seus canais próprios. Várias empresas têm suas redações próprias, produzem conteúdo com o apoio de jornalistas. Para se diferenciar, o jornalista precisa usar as técnicas e fazer um trabalho melhor do que os outros. É a única saída. Investir em coisas que profissionais de outras áreas não fariam é obrigação nossa. Chamar a atenção quando alguma coisa que não foi checada está de alguma forma ganhando relevo nas redes sociais, chamar a atenção para o contraditório. Esse trabalho que deveríamos fazer nas nossas próprias redes é superimportante para ganharmos credibilidade e relevância. Eu só vejo o jornalismo enfrentando essa realidade com mais jornalismo, com jornalismo de mais qualidade. Mostrar que esse trabalho feito por um jornalista consegue se distinguir porque ele traz uma série de elementos que não foram pensados por aquele profissional ou por aquela empresa – por mais conhecimento que tenham sobre determinado tema. Palavrinha mágica: colaboração É importante conversar com o público, saber o que o público quer. Temos que sair da nossa postura de que sabemos o que é melhor para o nosso público, sem necessariamente estarmos equipados com todas as possibilidades que se tem hoje. O jornalista precisa se preparar muito. Não pode ficar achando que, para fazer um trabalho jornalístico, pode repetir as coisas que fazia antes. Senão vai ser suplantado por alguém que vai empacotar melhor, por alguém que vai ter um publicitário do lado ou porque vai ler melhor o que o público está querendo (porque tem um profissional de analytics). Isso remete à comparação com agências e áreas de comunicação de empresas, que é um grande diferencial. Lá também tem jornalista, mas ele é parte de um processo de comunicação. E o jornalista [de redação] acha que ele é o processo de produção de conteúdo: ele cria a pauta pensando que sabe exatamente o que o público quer, faz a apuração, faz a produção e distribui no meio que acha ser o mais interessante para o público. Quem tem mais chances de ganhar a atenção do público? O jornalista precisa dialogar com outros profissionais que o ajudem a melhorar o seu trabalho e, principalmente, melhorar a informação que vai levar até o público. 

A reinvenção do jornalista

Por Mariana Ribeiro, editora do Portal dos Jornalistas Pulverização de mídias, pluralidade de vozes, dispersão de recursos, conectividade, interação, tempo real, responsabilidade digital. Nos últimos anos, nós, jornalistas, temos ouvido, visto e sentido fortemente as dores e delícias da internet em nosso meio. Para mim, que pertenço à última geração de não-nativos digitais – porém já alfabetizada em meio a teclinhas de computador –, a facilidade de incorporar os recursos tecnológicos ao cotidiano não diminui a estranheza que é parar por dois segundos e lembrar a já tão distante “avançada tecnologia” dos anos 1990. A foto que era rolo virou pixel, naturalmente. O telefone que rodava número por número transformou-se num aparelhinho esperto que só de ouvir minha voz já sabe para quem eu quero ligar. A internet discada (e seu glorioso barulhinho de conexão) agora é fibra. Os altos papos do Mirc migraram para o Whatsapp, com direito a áudio e imagem. O disquete foi parar na nuvem e a opulenta memória de 64MB agora se mede em “tera”. Nem toda essa experiência de “infanto digital” organicamente evoluída fez com que passasse ilesa pelos efeitos da internet na profissão que escolhi ainda adolescente. Pudera. A internet – e isso não é novidade para nenhum terráqueo – revolucionou o mundo inteiro. Como seria diferente com o jornalismo? O modus operandi, as expectativas, a audiência, tudo mudou. No novo cenário, empregos indo para o espaço e grandes redações reduzidas ao binômio estagiário-diretor. Corte, demissão, falta de dinheiro, corte, demissão, corte… e oportunidade. O número escasso de vagas nas redações sobra em recursos DIY (ou “faça você mesmo”, em bom e claro português). Faca de dois gumes. Dois lados da mesma moeda. Ou – para fugir um pouquinho dos clichês –, como na obra de Joaquim Manuel de Macedo, coisa vista pela “luneta do bem” ou pela “luneta do mal”. Neste espaço que o Portal dos Jornalistas inaugura hoje – Dia do Jornalista – vamos juntos procurar (e encontrar!) iniciativas legais nesse cenário que já não é tão novo assim. Iniciativas de pessoas físicas. Aqui o foco é o jornalista. Habilidades, questionamentos, ações que podem ser replicadas ou o que não é tão bacana assim de se tentar. Sem teorias da conspiração nem saudosismo. A ideia é buscar inspiração para que cada um de nós possa reinventar-se na profissão. Reinventar o jornalista. Simbora! A  reinvenção do jornalista – #1 Os focos da luneta

Carlos Tramontina se afasta de tevê para cuidar da saúde

Carlos Tramontina, apresentador do SP TV 2a edição, foi afastado às pressas do comando do telejornal para submeter-se a uma cirurgia. Na última segunda-feira (4/4), ele publicou um vídeo em sua fanpage do facebook dando conta de seu estado de saúde. “Quero dizer que estou aqui, estou ótimo, estou na minha casa”, disse, completando que ficará longe das bancadas por mais alguns dias. Por enquanto, quem o substitui desde 29/3 é César Tralli.

Silvia Poppovic deixa a Jovem Pan

A experiente Silvia Poppovic foi dispensada da Jovem Pan na última terça-feira (5/4), imediatamente após o encerramento do Jornal da Manhã. A informação é de Flávio Ricco, do UOL. Contratada em outubro passado para substituir Rachel Sheherazade, ela vinha dividindo os comentários do jornal com o professor Marco Antonio Vila e Joseval Peixoto. Na análise de Ricco, a postura de Poppovic em seus comentários, muitas vezes se contrapondo às posições políticas da emissora (contrárias ao Governo Federal) pode ter dado causa à demissão. A Ricco, do UOL, Silvia disse: “É uma pena, porque vinha sendo uma experiência muito legal. Acho que foi uma experiência muito legal. Fui pega de surpresa. Fazer o quê?”.

Aberto o credenciamento para o Media Center dos Jogos Olímpicos

Até 29/4, está aberto o credenciamento para o Rio Media Center. Parceria entre Governo Federal e Prefeitura do Rio, o centro é a referência – para a imprensa credenciada e não-credenciada pelo Comitê Olímpico InternacionaI (COI) – para a cobertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. O funcionamento será no Pavilhão Olímpico, ao lado dos prédios da Prefeitura e do Comitê Rio 2016, na Cidade Nova. Em 2.700 m² de área e com capacidade para acolher 600 jornalistas, brasileiros e estrangeiros, simultaneamente, o Media Center vai funcionar 24 horas por dia, com profissionais bilíngues para atendimento. A estrutura disponibilizada terá estações de trabalho com internet a cabo e wi-fi de alta capacidade, e sinal de satélite para transmissões ao vivo. Serão dois estúdios de tevê e seis de rádio, para utilização gratuita por meio de agendamento prévio. Quem se credenciar terá acesso ao conteúdo da Prefeitura do Rio sobre os Jogos, em textos, fotos e vídeos. Haverá programação jornalística e cultural. No primeiro caso, um auditório multiuso com capacidade para 300 pessoas receberá coletivas de imprensa com autoridades e atletas, briefings operacionais, palestras e workshops. Serão oferecidas locações gratuitas exclusivas de standup positions em diferentes pontos de interesse da cidade, mediante agendamento prévio. As 15 press areas espalhadas por regiões estratégicas terão como cenário imagens clássicas da cidade e dos Jogos. Além do site, outras informações podem ser obtidas pelo [email protected].

#PanamaPapers envolve 376 repórteres de 76 países

A #PanamaPapers é, segundo um de seus integrantes, José Roberto de Toledo, presidente da Abraji e coordenador do núcleo Estadão Dados, do Grupo Estado, “provavelmente a maior investigação jornalística global de que se tem notícia: 374 repórteres de 109 veículos de comunicação em 76 países”. A reportagem revelou ao mundo há alguns dias como funciona a corrupção multinacional, ao expor 40 anos de correspondências internas da Mossak Fonseca, escritório de advocacia panamenho especializado na abertura de offshores – algumas pertencentes a empresários, personalidades e políticos brasileiros, inclusive diversos envolvidos na chamada Operação Lava Jato. No texto Pega-pega global, que publicou no Estadão de 4/4, Toledo diz que os 11,5 milhões de documentos foram obtidos há cerca de um ano pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que decidiu compartilhá-los com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês), a mesma organização que dera à luz o SwissLeaks, sobre contas do banco HSBC na Suíça. Em tese, diz ele no artigo, os investigadores da Lava Jato tiveram acesso a uma parte da documentação eletrônica a que os jornalistas envolvidos na #PanamaPapers também tiveram: “A diferença é que os policiais e procuradores confiscaram apenas o que estava na filial brasileira, enquanto a equipe transnacional de jornalistas tem acesso a um banco de dados com e-mails, procurações, certificados de ações ao portador e cópias de passaportes de clientes, usufrutuários e diretores de offshores em 39 países. Porém, policiais e procuradores têm uma vantagem fundamental: eles têm meios de cruzar os dados da Mossack Fonseca com registros sigilosos da Receita Federal e do Banco Central para saber se as empresas offshore de brasileiros foram devidamente declaradas. Abrir uma offshore ou manter conta bancária no exterior não é crime, desde que se comunique as autoridades a respeito. Há motivos para empresas que operam no exterior, por exemplo, constituírem offshores. A questão é separar o legítimo do ilegítimo, o legal do ilegal. É o que a Lava Jato pode fazer”. E conclui: “É uma investigação em curso. Novos casos continuam sendo verificados, cruzamentos continuam sendo feitos. E desdobramentos da #PanamaPapers ainda estão por vir: da eventual queda do primeiro-ministro da Islândia – pego em um inexplicável conflito de interesses [N. da R.: ele renunciou nessa terça-feira (5/4)] – ao presumível pega-pega global que policiais, procuradores e agências de segurança nacionais e internacionais deverão promover a partir de agora – ou não”.

Carlos Graieb passa a integrar o time de redatores-chefes de Veja

Carlos Graieb, que comandava a Redação de Veja.com, passou recentemente a integrar a equipe de redatores-chefes de Veja, no posto que estava vago desde a saída de Lauro Jardim, que foi para O Globo em setembro do ano passado. Graieb, que está na Editora Abril desde 1998, divide a função com Fábio Altman, Policarpo Júnior e Thaís Oyama. Ainda por lá, registro para as saídas do editor de Arte Reinaldo Antunes, dos designers Mario Carvalho e Geraldo Moura e do coordenador da Fotografia Ismael Canosa. Essas mudanças foram as primeiras feitas pelo novo diretor de Redação, André Petry, que assumiu no início de março.

Inscrições para o Prêmio Abrafarma de Jornalismo vão até outubro

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Prêmio Abrafarma de Jornalismo, que tem o objetivo de estimular a produção de trabalhos jornalísticos com foco no Varejo Farmacêutico Nacional. Ele integra a agenda positiva desenvolvida pela entidade em seu compromisso de atuar em prol do aprimoramento e da defesa do Varejo Farmacêutico Nacional. Assim, premiará reportagens ou conjunto de reportagens que mostrem a pujança e o potencial do Varejo Farmacêutico Nacional, bem como o desenvolvimento funcional e os novos rumos dessa atividade comercial e de prestação de serviços. Serão contemplados os três primeiros colocados, com respectivamente R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil. Podem concorrer trabalhos veiculados originalmente e de forma inédita entre 17/10/2015 e 16/10/2016, em jornal, revista, rádio, televisão ou internet e em qualquer região do País, regularmente inscritos até o dia 21/10, quando se encerram as inscrições. Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail [email protected], acompanhados das respectivas fichas de inscrição, nos seguintes formatos: Jornal e Revista: PDF Televisão: MP4 e/ou indicação de link na ficha de inscrição, por arquivo Rádio: MP3 e/ou indicação de link na ficha de inscrição, por arquivo; Internet: link para site, para matéria específica em site ou para blog inscrito; caso a matéria tenha mais de um link em seu conteúdo, todos devem ser anexados como arquivos do trabalho O concorrente poderá participar com mais de um trabalho e deverá preencher a ficha de inscrição para cada trabalho enviado. Em caso de dúvida, consulte o regulamento ou ligue para 11-3861-5280. O júri será formado por representantes de Jornalistas Editora, que edita o Jornalistas&Cia e o Portal dos Jornalistas, Scritta Serviço de Notícia e Abrafarma. A solenidade de entrega será na tradicional festa de final de ano da entidade, em dezembro, em data e local a serem informados oportunamente.

O adeus a Sandro Vaia

Morreu em 2/4, em São Paulo, aos 72 anos, de falência de múltiplos órgãos, Sandro Vaia, que esteve por mais de 40 anos no Grupo Estado, onde chegou a diretor de Redação do Estadão. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho há cerca de três semanas, onde fora submetido a uma cirurgia para desobstrução das vias biliares. Deixa a viúva, Vera, a filha, Giuliana, e a neta, Ana Luisa. O corpo foi enterrado no domingo (3/4), no Cemitério Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí, no interior de São Paulo. Natural de Mantova, na Itália, Sandro dirigiu o Estadão por seis anos, de 2000 a 2006. Em 2004, implantou no jornal uma profunda reforma, ao lado do então editor-chefe Roberto Gazzi, da qual muito se orgulhava (veja ao final desta nota). Segundo o amigo e colega de trabalho Roberto Godoy, “obsessivo com a precisão informativa, a qualidade e o estilo de cada texto ou título, irritava-se quando encontrava falhas decorrentes da apuração negligente de uma notícia. O pior, para ele, era o que definia como ‘edição preguiçosa’, o acabamento final desleixado das matérias. ‘O leitor merece um afago’, dizia, referindo-se às reportagens narrativas, construídas com recursos literários”. Antes de vir para o Brasil e radicar-se em Jundiaí, em 1954, a família Vaia passou por Peru e Bolívia. Começou no jornalismo escrevendo uma coluna de assuntos sindicais no Diário de Jundiaí. Depois passou a fazer a crítica de cinema, a resenha literária e em seguida uma crônica semanal. Por volta de 1963 apurava reportagens, editava as seções e escrevia os editoriais. Começou no Grupo Estado em 1965, na equipe que preparava o lançamento do Jornal da Tarde. Ali foi repórter, repórter especial, redator, pauteiro, subeditor, editor de Geral, Esportes, Variedades, Política e Economia. Na década de 1980, deixou o Grupo e foi para uma nova revista semanal de informação, a Afinal, mas voltou quatro anos depois para cuidar do programa de reorganização da Agência Estado. Após deixar definitivamente o jornal, em 2006, passou a dedicar-se às plataformas eletrônicas de mídia. Sandro é autor de A ilha roubada – Yoani, a blogueira que abalou Cuba (2009), sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez, e de Armênio Guedes – Sereno guerreiro da liberdade, sobre o histórico dirigente comunista, ambos pela editora Barcarolla. Meses atrás retomara o projeto de uma série de perfis de técnicos brasileiros de futebol com projeção internacional. Aliás, palmeirense fanático, seu último post no facebook foi sobre o time do coração. Roberto Gazzi, que além de companheiro de trabalho foi também amigo de Vaia, publicou sobre ele no Estadão de 3/4 um texto que nos autorizou a reproduzir: Um mestre do ofício Sábado, 14 de outubro de 2004, um início de tarde com sol e céu azul. Sandro Vaia abre um enorme sorriso e me abraça no meio da enorme Redação do Estado. Tínhamos acabado de receber os primeiros exemplares do jornal de domingo e fizemos um brinde com champanhe. Ele não me disse nada, nunca foi de muitas palavras. Nem precisava. Brindávamos ao novo projeto editorial e gráfico do Estadão. Aquela edição tinha deixado o jornal do dia anterior espantosamente envelhecido, tamanha a mudança para melhor. O italiano Sandro Vaia era o então diretor de Redação e eu um dos coordenadores da reforma. Mais do que todos, ele sabia ser aquele exemplar que tínhamos nas mãos o resultado de um trabalho paciente, difícil, às vezes doloroso, executado com pouca verba e em tempo recorde. Em 2000, Sandro Angelo Vaia tinha iniciado a missão mais difícil da sua já então reconhecida carreira. Fora um profissional destacado no Jornal da Tarde, liderara uma revista, chefiara a Agência Estado. Vaia assumia o comando em um dos momentos mais difíceis e tristes vividos pela redação do jornal em seus 125 anos de história. Dias antes seu antecessor, Antonio Pimenta Neves, havia assassinado a jornalista Sandra Gomide. Era uma redação traumatizada, de baixíssima estima, outra vítima da gestão errática de Pimenta. Pacientemente, o filho da aristocrática Mantova conseguiu, com a ajuda dos editores que mantivera no cargo, acalmar e reerguer o moral do time. Para isso, usara sua crença nos fundamentos do ofício. Acreditou no processo de seu conterrâneo, o marxista Gramsci, a guerra dos movimentos: mais do que impor, ensinar, dar exemplo, trabalhar os fundamentos do jornalismo. Como em redação um apelido é eternizado em segundos, pela origem e pela cabeleira já branca, logo se tornou o simpático Gepeto. E o jornalista, como o carpinteiro, tem de conhecer seu ofício. De pouco adianta o rigor da encomenda, a imposição, se não se sabe cortar, lixar, trabalhar a madeira, fazer os encaixes corretos. E Sandro era um mestre do ofício que amara e ao qual se dedicara desde garoto. O jornal que buscava, cuja receita parecia simples, era de execução complexa: boas histórias, de preferência exclusivas, a partir de apuração correta e profunda, texto limpo e claro, com título exato e atraente, numa página bem desenhada. Tinha um olho impressionante para maus textos e títulos ruins. Nessas horas mostrava seu sangue carcamano, gesticulava, bufava, xingava. Para tentar conseguir o jornal que perseguia, foi com o tempo trocando peças, moldando o grupo a seu jeito. E delegando, essa qualidade nem sempre presente num chefe. Com o tempo o produto melhorou e isso foi fundamental para a maior conquista de sua gestão: resgatar o moral de seus profissionais. Tirou a redação do fundo do poço para deixá-la novamente orgulhosa de estar fazendo um dos melhores jornais do Brasil. Trabalho espelhado na reforma de 2004, ganhadora de vários prêmios nos anos seguintes. Obra de um mestre, como seu grande ídolo Ademir da Guia, o líder da Academia palmeirense dos anos 1960 e 70. Sandro adorava futebol e era apaixonado pelo Palmeiras. O que não o impedia de ter entre os amigos do peito alguns corintianos fanáticos. Como Ademir, era elegante, efetivo, preciso, mas discreto. Jogava antes para o time, mais do que para a arquibancada. Evitava holofotes. Fugia das muitas reuniões burocráticas e desnecessárias inerentes ao cargo. Gostava de se concentrar no jornalismo. Deixou o jornal em 2006. Mas continuou na lida. Já fora do dia a dia das redações, manteve até seus últimos dias a excelência jornalística, analisando em frases curtas, com perspicácia, humor e elegância, as muitas notícias do Brasil e do mundo, usando a tecnologia dos novos tempos. Tendo como matéria-prima principal as notícias do jornal que amava e ajudou a aperfeiçoar. Sem Sandro Vaia, o jornalismo perde um mestre do ofício.

Abertas inscrições para Bolsa de Fotografia Zum/IMS

O Instituto Moreira Salles abriu em 9/4, com encerramento em 24/6, a quarta edição da Bolsa de Fotografia Zum/IMS. O objetivo é selecionar dois projetos inéditos de artistas e fotógrafos, para que desenvolvam e aprofundem seu trabalho no campo da fotografia, em suas mais diversas vertentes, sem restrição de tema, perfil ou suporte. Os projetos serão avaliados por uma Comissão de Seleção constituída por profissionais do IMS e um convidado com trabalho reconhecido na área fotográfica. Serão considerados critérios de qualidade artística, qualificação do candidato e viabilidade prática do projeto. Cada bolsa tem o valor de R$ 65 mil e os selecionados terão um prazo de oito meses para a entrega dos resultados finais dos projetos, que serão incorporados ao Acervo de Fotografia do IMS. Os dois projetos ganhadores serão divulgados em 25/7 de julho no site da Revista Zum, onde também a partir do dia 9 estarão disponíveis o edital e o formulário de inscrição. Este deverá ser encaminhado para Bolsa de Fotografia Zum/IMS 2016 – Av. Paulista, 2.439 / 6º – CEP 01311-936 − São Paulo/SP. Mais informações com Bárbara Giacomet de Aguiar (11-3371-4490 e [email protected]) ou Lana Ohtani Spolle (4424 e comunicacao@).

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