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“Jornalismo ambiental não é só sobre Amazônia ou COP30, é sobre a vida”

“Jornalismo ambiental não é só sobre Amazônia ou COP30, é sobre a vida”

Jornalistas&Cia e ESPM realizaram nessa segunda-feira (28/4) o segundo encontro do ciclo O presente e o futuro do jornalismo – Insights, cujo tema foi No rastro da COP30: O Jornalismo, o meio ambiente e as catástrofes ambientais – A dura missão de lutar contra o negacionismo e o poder econômico. O evento, no auditório da ESPM Tech, em São Paulo, reuniu jornalistas, estudantes e acadêmicos interessados em jornalismo ambiental e sua importância para o trabalho da imprensa.

A mesa foi composta inteiramente por mulheres, referências na cobertura de pautas climáticas e do meio ambiente: Daniela Chiaretti, do Valor Econômico, Kátia Brasil, da Agência Amazônia Real, e Verónica Goyzueta, correspondente de veículos internacionais no Brasil e professora da ESPM. A moderação foi da professora Maria Elisabete Antonioli, coordenadora do Curso de Jornalismo da ESPM.

“Elas foram escolhidas não por serem mulheres, mas de fato pela relevância e representatividade no tema”, explicou Eduardo Ribeiro, diretor deste J&Cia, na abertura. “É preciso analisar o presente, que dá os caminhos para esse futuro, e nem sempre com muitas alegrias. A mesa debaterá o papel do jornalismo na crise climática, como podemos contribuir para informar e sensibilizar a sociedade frente a esta crise, como combater inverdades e como cobrir catástrofes climáticas de forma consciente e ética”.

Ao longo do debate, foram abordados diversos temas essenciais para o jornalismo ambiental, como a COP 30 (incluindo a preparação para a cobertura do evento, a cobertura em si e o que ocorrerá pós-encontro); a cobertura de catástrofes climáticas; e a importância de não considerar o jornalismo ambiental como uma editoria isolada e separada dos outros assuntos dentro da redação.

Maria Elisabete Antonioli, Daniela Chiaretti, Eduardo Ribeiro, Verónica Goyzueta e Kátia Brasil

Kátia Brasil destacou a importância de relatar o que de fato está acontecendo, valorizando o compromisso do jornalista com a verdade. No começo do evento, ela exibiu um vídeo sobre as consequências de queimadas e secas na Amazônia em 2023.

“Nós, da Amazônia Real, íamos entrevistar ribeirinhos que estavam sem água potável devido à seca. Antes disso, durante a madrugada, eu acordei às 3h da manhã, e havia fumaça por todos os lados. Não dava para enxergar nada. Então, aproveitando que já tínhamos essa cobertura, decidi gravar esse vídeo para mostrar o impacto da fumaça e das queimadas”, explicou Kátia. “Quando o jornalista está contando essas histórias, ele não está sendo ativista, ele está contando a verdade. Pois somos também cidadãos, é preciso contar o que está acontecendo, seguindo nosso compromisso com a democracia. Isso é só um exemplo do que acontece na Amazônia hoje. Daqui a pouco todo mundo esquece tudo isso, mas os sintomas permanecem por muitos e muitos anos, por isso é importante registrar e relatar o que de fato está acontecendo”.

A cofundadora da Amazônia Real também falou sobre a segurança dos jornalistas durante coberturas ambientais e a importância de denunciar ameaças e ataques: “Muitos empresários e grandes empresas acabam processando jornalistas e veículos que cobrem a Amazônia e a crise climática, pois não gostam do que é divulgado. A imprensa tradicional sofre também, mas eles têm departamento jurídico para cuidar do caso, diferentemente da maioria dos veículos de jornalismo independente. É importante relatar ameaças aos jornalistas. A maior parte da imprensa só divulga quando são jornalistas da casa, mas é importante que a mídia dê visibilidade a toda e qualquer ameaça e ataque a jornalistas, ao jornalismo. O Brasil é um dos países que mais ameaça e ataca jornalistas no mundo”, refletiu Kátia.

Verónica Goyzueta falou sobre a importância de apoiar os veículos jornalísticos, principalmente a mídia independente, que faz reportagens de fôlego muitas vezes sem qualquer apoio jurídico ou plano de segurança para seus repórteres: “O jornalismo investigativo, feito em campo, precisa de dinheiro. A imprensa independente, principalmente, está precisando recorrer a instituições para conseguir aportes financeiros, mas se as pessoas doassem mais, esses veículos não teriam tantas dificuldades. O dinheiro também ajuda a pensar em planos de segurança, para garantir a integridade física de nossos repórteres, pois eles cobrem temas delicados, que mexem em assuntos que denunciam corrupção, desmatamento, exploração, e com grandes empresas, com ricos, com poderosos”.

A professora da ESPM também refletiu sobre a forma equivocada como as pessoas (e até a própria imprensa) enxergam o jornalismo ambiental, como se fosse algo focado apenas na Amazônia, catástrofes e cobertura de grandes encontros: “Jornalismo ambiental é muito mais do que isso. É sobre vida, sobre natureza, sobre ciência. A cobertura do clima não pode ser isolada de outros assuntos, pois é algo transversal, que percorre todas as editorias, de saúde, política, economia, entre outros. E isso é fundamental que as direções das redações tenham em mente. Às vezes sinto que muitos veículos colocam notícias sobre meio ambiente só para ter mesmo, cumprir tabela, como uma simples burocracia e não uma necessidade. É preciso mudar a mentalidade da grande mídia”.

Maria Elisabete Antonioli, Daniela Chiaretti, Verónica Goyzueta e Kátia Brasil

Verónica falou também sobre a cobertura de catástrofes. Ela chamou a atenção para uma espécie de “profundidade seletiva”, na qual a imprensa foca e dá mais atenção a determinadas catástrofes, em detrimento de outras: “As enchentes no Rio Grande do Sul, por exemplo. É uma catástrofe avassaladora e foi fundamental ter a cobertura que teve. Mas inúmeras catástrofes também acontecem a todo momento, todo o ano, em diversos lugares do País. Temos problemas muito sérios que ocorrem em todo o Brasil frequentemente. Na grande imprensa, tenho a impressão de que certas crises são mais importantes que outras. Todas essas catástrofes, crises, devem ter a mesma profundidade de cobertura”.

Daniela Chiaretti destacou o compromisso do jornalista que cobre pautas ambientais: mostrar o que de fato está acontecendo, com profundidade, fontes confiáveis e ética, mas, acima de tudo, mostrar para o público as soluções, as alternativas para os problemas relatados.

“O jornalismo deve mostrar os caminhos para a mudança. Outras catástrofes virão, isso é inevitável. Então, como podemos combater esse sentimento pessimista de que tudo vai acabar, o mundo vai acabar?”, questionou ela. “É preciso enfrentar os problemas. Simplesmente tem que mudar. A rota em que estamos é uma rota de desastre. Quando ouvimos cientistas e pesquisadores renomados dizendo que estão apavorados é porque a situação está feia mesmo. Estamos frente a um desafio civilizatório. E não vamos fazer nada? Precisamos mudar. É preciso discutir como quebrar, descobrir outras maneiras, quais são as outras maneiras. Existem muitas respostas por aí. Então, acho que o papel do jornalista, em especial o que cobre meio ambiente, é seguir tentando encontrar soluções e mostrar essas soluções para o público, mostrar que há esperança”.

Daniela afirmou que uma das formas de se conseguir isso é ficarmos atentos à COP30 e seus desdobramentos, focando em temas discutidos no evento que devem ocupar o debate público por muitos e muitos anos: “Será muito importante se o jornalismo conseguir pegar um tema da COP que gerará anos de discussão, algo essencial para nossas vidas e gerações futuras. Um desses temas pode ser o petróleo, por exemplo, e outras alternativas de combustível aqui no Brasil. Nós, como jornalistas, precisamos trazer esses temas para os leitores, principalmente para aqueles que não querem ler mais, pois só leem catástrofes”.

A repórter do Valor Econômico destacou também a importância de maior transversalidade do jornalismo ambiental nas redações e como é preciso que o repórter climático esteja sempre atualizado no que se refere a termos e conceitos científicos que usará em seus textos.

“Nós, jornalistas que cobrimos clima, estamos sempre aprendendo, com cientistas, pesquisadores, referências na área. Precisamos nos atualizar com termos científicos, assuntos, pesquisas, sempre para buscar a verdade nas informações”, explicou Daniela. “Afinal de contas, clima é algo que entra em todas as esferas da nossa vida. No esporte, vemos atletas que perdem performance devido a altas temperaturas, isso afeta Copas do mundo, grandes eventos etc. Na educação, esses temas entram na grade curricular com muita força. Na tecnologia, discute-se a energia solar para abastecer maquinários, e assim por diante.

Assista à íntegra do debate.

Próximo encontro debaterá fake news e desinformação

Está marcado para 26 de maio (uma segunda-feira) o terceiro encontro do ciclo O presente e o futuro do jornalismo – Insights, cujo tema será O Jornalismo sob o impacto da desinformação – Qual o tamanho dessa batalha e os riscos para a democracia?. Farão parte da mesa Eurípedes Alcântara, diretor de Redação do Estadão; Ana Dubeux, diretora de Redação do Correio Braziliense; e Marília Assef, diretora de Jornalismo da TV Cultura. As inscrições serão abertas na próxima semana.

Mariah Morais lança livro sobre vida e trajetória de Cafu

Mariah Morais lança livro sobre vida e trajetória de Cafu

Mariah Morais, jornalista e escritora que foi a primeira mulher a comentar partidas de futebol na televisão brasileira, lançou o livro A Saga Cafu: O Grande Sonho (Trend Editora), que conta a trajetória do ex-jogador e capitão da Seleção Brasileira Marcos Evangelista, o Cafu, passando pelas dificuldades como as reprovações em peneiras, desafios para treinar na juventude, falta de recursos para se manter como jogador, até seu auge como capitão da seleção pentacampeã mundial.

O livro, que marca a estreia de Mariah como biógrafa, contém relatos do próprio Cafu, além de depoimentos de familiares, amigos e jogadores que atuaram com o craque. Os relatos são acompanhados de QR codes que levam para as versões em vídeo dos depoimentos, com o objetivo de “aproximar ainda mais os fãs do ícone do esporte brasileiro”, diz a autora, que cobriu duas Copas do Mundo e 11 Libertadores da América.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (parte 3)

Por Assis Ângelo

Machado de Assis foi um gigante da literatura brasileira. A sua obra corre mundo até os dias de hoje. E creio não ser exagero meu dizer que a sua obra inspira e direciona caminhos de poetas, contistas e romancistas de todos os naipes, desde que partiu, na manhã de 29 de setembro do já distante ano de 1908.

Tão grande como Machado foi o português José Saramago.

Machado de Assis

O “bruxo” do Cosme Velho, como era à boca miúda chamado Machado, começou a publicar seus escritos quando ali alcançava os 15 anos de idade. A primeira publicação foi um soneto dedicado a uma mulher que até hoje ninguém sabe quem.

Saramago (1922-2010) começou a publicar quando já respirava do alto dos seus sessentinha. Era bruxo como Machado, no campo da literatura.

Machado virou bruxo, segundo a lenda, por ter o hábito de queimar num tacho, no quintal da casa onde morava, coisas de que não gostava.

Lenda é lenda.

Saramago bruxo?

A pecha de bruxo a Saramago deve-se ao fato de que tirava da imaginação histórias do arco da velha. Com modificações, com começos e fins inimagináveis por seres ou leitores quaisquer. Parecia ser ele um ser de outro mundo.

Há grandes coisas e momentos em comum entre esses dois craques da literatura clássica.

José Saramago

Machado nasceu em berço paupérrimo. Seu avô era escravo e o pai nascido livre. A mãe morreu muito cedo e no seu lugar o pai pôs outra mulher. Essa foi de extrema importância na vida do nosso bruxo. Foi ela, uma doceira, que o alfabetizou.

Saramago também nasceu de pais pobres, no interior de Portugal. Estudou até os 12, 13 anos de idade. A grana da família não dava para bancar seus estudos. Virou serralheiro, desenhista e funcionário público antes de tornar-se quem se tornou.

Machado, como muita gente deve saber, era jornalista e funcionário público. Aliás, foi como jornalista que Saramago começou a ser conhecido no seu país.

Joaquim Maria Machado de Assis teve problemas seriíssimos com os olhos. Saramago também, só que sem gravidade.

Em 1995, José de Souza Saramago publicou Ensaio sobre a Cegueira. Saiu e continua saindo em várias línguas mundo afora. No Brasil, foram à praça cerca de 500 mil exemplares. Virou filme dirigido por Fernando Meirelles.

Papa Francisco

É livro que prende o leitor do começo ao fim. Começa com um motorista que se vê obrigado a parar diante de um farol vermelho. Ao virar verde, o farol se abre para os veículos. Um desses veículos continua parado e o motorista, em desespero, não sabe o que fazer. Esfrega os olhos e diz simplesmente: “Estou cego!”.

Machado nasceu pobre, Saramago nasceu pobre e aquele que se tornaria o Papa Francisco também nasceu pobre. Estudou, encheu a cabeça e boca de línguas virando professor de literatura. Falava latim, francês, espanhol, português, italiano e alemão. Inglês falava pouco, de modo reticente. Dá até para juntar sílabas e distribuí-las em linhas ou pés como versos são assim também chamados:

 

Originais do Brasil

Portugal e Argentina

Os três nasceram livres

Pra cuidar da própria sina

Pensando e discutindo

Nossa vida severina

 

Em 1991, Saramago publicou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, romance que deixou a Igreja de cabelo em pé. Um tanto nervoso, Saramago chamou o papa de plantão, Bento XVI, de cínico. E palavras de baixo calão não usou para classificar Bento porque, diga-se de passagem, era moço de boa família e bem educado.

O fato é que esse livro de Saramago provocou a fúria dos católicos mais retrógados.

A fúria aumentou quando o escritor falou numa entrevista que “Bíblia é manual de maus costumes”. Disse, em seguida, que “o pecado foi inventado pela Igreja”.

Quando morreu nas Canárias, Espanha, Saramago foi alvo de pesadas críticas no L’Osservatore Romano.

Dez anos depois disso, o mesmo jornal tece loas sobre o escritor. Título: Saramago e a Miopia do Mal.

O último texto publicado sobre Saramago no L’Osservatore Romano teve caráter de paz entre o escritor e a Igreja.

Guerra da Igreja com autores ao longo do tempo não teve passo para trás, pelo menos até 1966. Nesse ano, o Índex foi oficialmente suspenso. Mas autores como Shakespeare, Maquiavel, Galileu, Descartes, Voltaire, Sartre e Vitor Hugo continuam com obras indesejáveis à visão da Igreja.

 

O mundo todo o viu

Tranquilamente rezar

Pedindo mais tempo a Deus

Para entre nós ficar

Seu desejo era fazer

À Terra a paz voltar

 

O Francisco papa foi chamado de o melhor representante da Igreja Católica. Era popular, estava sempre ao lado do povo. Pra ele, todos éramos iguais: preto, branco, gordo, magro, alto, baixo, careca e cabeludo… Masculino, feminino e gêneros outros que formam a nossa sociedade desde sempre.

Em junho de 2016, em audiência pública no Vaticano, o Papa aqui dito lembrou a história do cego de Jericó. Uma história fantástica. Nessa história, o personagem é Bartimeu, nascido cego. Cristo o curou.

O cego, como o sertão de Guimarães Rosa, está em toda parte.


Contatos pelos [email protected], http://assisangelo.blogspot.com, 11-3661-4561 e 11-98549-0333

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O InfoMoney, portal especializado em economia, investimentos e negócios, lançou em 28/4 o InfoMoney Premium, newsletter gratuita com curadoria exclusiva de conteúdos publicados no site. A proposta é oferecer uma seleção especial de reportagens, entrevistas, artigos e análises sobre economia, negócios e finanças, escolhidos entre os mais de 25 mil conteúdos produzidos anualmente pelo veículo.

A iniciativa integra o projeto de lançamentos editoriais em comemoração aos 25 anos do InfoMoney. Na edição de estreia, os assinantes receberam um artigo exclusivo do economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, além de outros conteúdos especiais. O acesso pode ser solicitado aqui.

João Camargo, sócio da CNN Brasil, compra participação na Agência Infra

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O empresário João Camargo, presidente do think tank Esfera Brasil, adquiriu uma parte da Agência Infra, veículo de notícias especializado em infraestrutura. A participação deve ser anunciada oficialmente em 6 de maio, durante um evento na Casa ParlaMento, em Brasília. O percentual da aquisição e o valor da transação não foram divulgados. As informações são do Poder360.

Fundada em 2017, a Agência Infra é dirigida pelos jornalistas Dimmi Amora e Leila Coimbra. Conforme o expediente disponível no site do veículo, a redação é atualmente composta por 12 profissionais.

João Camargo também possui 30% da CNN Brasil e preside o conselho da emissora. Para ele, “infraestrutura é o chão onde o Brasil pisa e a base de tudo que queremos transformar”, e o acordo representa uma “união entre informação qualificada e ação concreta”. Em 2024, a CNN Money e a Infra já haviam firmado uma parceria editorial.

Trilhas da Cobertura Climática abre inscrições para etapa presencial, com palestras e oficinas

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Estão abertas as inscrições para a etapa presencial do projeto Trilhas da Cobertura Climática, realizado pelo Instituto Bem da Amazônia em parceria com a iniciativa Amazônia Vox. A formação integra o programa Diálogos de Comunicação e ocorrerá nos dias 8 e 9 de maio, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em Belém. O evento contará com painéis e oficinas gratuitas, com palestrantes de diversas regiões do país.

Além dos painéis, o Trilhas promoverá um diálogo com Ana Toni, secretária nacional de Mudanças do Clima e diretora executiva da COP 30, que abordará os compromissos do Brasil na área climática e o papel da comunicação no engajamento da sociedade. Os participantes também terão acesso a oficinas sobre jornalismo e clima, além de conhecer ferramentas para a cobertura jornalística do tema.

As inscrições para as oficinas serão realizadas presencialmente no momento do credenciamento. O evento terá transmissão ao vivo pelos canais do Instituto Bem da Amazônia e da Jornada COP+. Confira a programação completa aqui.

ABP abre inscrições para 11º Prêmio ABP de Jornalismo

Jornalistas com trabalhos sobre saúde mental podem se inscrever até 15 de setembro no 11º Prêmio ABP de Jornalismo, promovido pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Serão reconhecidas produções que contribuam para a conscientização e o combate ao estigma relacionado às doenças mentais.

Ao todo, são seis categorias: Canal (podcasts/YouTube), Influencer, Mídia Impressa, Online, Rádio e Televisão. Podem ser inscritos materiais publicados ou veiculados entre 10 de agosto de 2024 e 15 de setembro de 2025. O primeiro colocado de cada categoria receberá um troféu e prêmio em dinheiro no valor de R$ 7 mil.

A cerimônia de premiação ocorrerá em 5 de novembro, durante a abertura do XLII Congresso Brasileiro de Psiquiatria, no Rio de Janeiro. Interessados devem consultar o edital antes de realizar a inscrição.

Rainan Peralva é o novo narrador esportivo da TV Bahia

Rainan Peralva é o novo narrador esportivo da TV Bahia
Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Depois de seis anos na TVE Bahia, Rainan Peralva é o novo narrador esportivo da TV Bahia. Ele se destacou ao narrar o Campeonato Baiano desde a retomada das transmissões pela emissora pública, em 2021. Além de narrar os jogos, assume o quadro de esporte do Jornal da Manhã, comandado por Ricardo Ishmael e Camila Oliveira. Rainan também vai substituir o titular do Globo Esporte, Danilo Ribeiro, durante as férias e folgas deste.

Esta será a segunda passagem dele pelo Grupo Globo. Entre 2015 e 2019, foi narrador do SporTV, onde transmitiu jogos das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, MLS, estaduais e diversos esportes olímpicos, incluindo sua atuação como um dos narradores dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Morre Maurício Schleder

Morre Maurício Schleder

Mauricio Schleder morreu em 19/4, aos 79 anos, de um câncer agressivo diagnosticado há poucos meses. O enterro, no dia seguinte, foi no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Schleder era viúvo, deixou dois filhos – o deputado estadual Guilherme Schleder e o também jornalista Gustavo Schleder –, além de quatro netos.

Trabalhou em O Globo, O Dia, Jornal do Brasil e revista Veja. Seu ótimo texto levou-o a ser professor na UFF e na ECO-UFRJ. Chegava sempre às redações com muitos papéis, jornais e pastas, tudo dobrado debaixo do braço, um conjunto de textos de repórteres para revisão e trabalhos dos alunos. Mais recentemente, esteve na assessoria de Comunicação do Governo do Estado e dedicou-se a traduções.

Boêmio, torcedor do América e da Império Serrano, era considerado pelos companheiros um bom conversador, não apenas sobre futebol e samba, mas ainda sobre política – militante que foi do PCB na juventude – e assuntos ligados à cultura.

100 anos de Rádio no Brasil: Spotify redefine a era do ecossistema de áudio digital

Por Álvaro Bufarah (*)

O Spotify, desde a fundação em 2008, tem desempenhado um papel central na transformação da indústria da música gravada. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como a maior plataforma de streaming musical do mundo − e, ao contrário de outras líderes do setor, permanece uma empresa independente, sem o respaldo de grandes conglomerados tecnológicos. Essa condição única forçou o Spotify a inovar constantemente em busca de sustentabilidade e rentabilidade, o que impulsionou sua evolução de um simples reprodutor de músicas licenciadas para um ecossistema multifacetado de áudio digital.

A primeira fase da empresa, o chamado Spotify 1.0, era marcada por um modelo claro e direto: oferecer acesso sob demanda a músicas licenciadas, com curadoria básica e personalização limitada. O foco estava no usuário que buscava as músicas que já conhecia, e na compensação direta aos detentores de direitos − que recebiam cerca de 70% da receita da plataforma. No entanto, esse modelo de custo fixo gerou tensões com investidores após a abertura de capital da empresa, devido à baixa margem de manobra e dependência das grandes gravadoras.

Na tentativa de romper essa limitação, o Spotify iniciou uma transformação estratégica que culminou no chamado Spotify 2.0. A partir de 2018, a plataforma passou a investir fortemente na diversificação de formatos e conteúdos. Essa nova fase foi marcada pelo crescimento de conteúdos não musicais, como podcasts, audiolivros e vídeos, além da introdução de formatos alternativos de música, como faixas de produção (também chamadas de “música de biblioteca”) e criações geradas por inteligência artificial − estratégia similar à adotada pela chinesa Tencent Music.

Com esse novo modelo, o Spotify passou a operar com uma estrutura de custos mais flexível e escalável, baseada em diferentes níveis de licenciamento e acordos diretos com produtores independentes. Um exemplo disso é o Modo Descoberta, que inverte o tradicional fluxo de receita do setor: em vez de pagar para acessar conteúdos, o Spotify passou a cobrar para promover faixas dentro do seu algoritmo de recomendação, transformando os detentores de direitos em seus clientes. Trata-se de uma inversão radical na lógica comercial do streaming.

O resultado foi uma plataforma centrada na hiperpersonalização algorítmica, onde o foco do usuário deixou de ser a conexão com artistas para tornar-se a experiência de consumo dentro do próprio ecossistema do Spotify. A curadoria automatizada, baseada em dados comportamentais, faz com que o algoritmo decida não apenas que tipo de música será ouvido, mas também se o conteúdo será musical ou não, a depender do contexto de uso do ouvinte.

O Spotify 3.0, que já começa a se desenhar, aponta para uma plataforma ainda mais autônoma em relação à indústria fonográfica tradicional. A tendência é que a empresa aprofunde sua aposta em conteúdos não musicais, valorize formatos alternativos e de menor custo de licenciamento, e simplifique sua proposta de valor a um ponto no qual o usuário não busca mais músicas específicas, mas confia que o Spotify entregará o conteúdo certo, no momento certo − seja ele uma música, um podcast, um audiobook ou qualquer nova forma híbrida de conteúdo.

Essa reconfiguração não ocorre isoladamente. Dados recentes da MIDiA Research e do relatório The Infinite Dial 2025 indicam que o áudio digital está em plena ascensão nos EUA, com 79% da população escutando áudio online mensalmente e 55% consumindo podcasts. O Spotify lidera como plataforma de streaming e também ganha espaço no mercado de podcasts, embora o YouTube tenha ultrapassado o serviço sueco como principal canal de escuta nesse formato, com 33% da preferência entre os ouvintes semanais.

Ao afastar-se progressivamente do modelo de dependência das grandes gravadoras e investir em modelos alternativos de receita, o Spotify demonstra não apenas adaptação, mas também visão de futuro. Se no passado a empresa foi fundamental para tirar a indústria fonográfica da crise da pirataria, agora ela caminha para ser um hub global de áudio e entretenimento multimídia, redefinindo o que significa “ouvir música” na era digital.

A metáfora utilizada no próprio mercado para descrever essa evolução é clara: se o Spotify 1.0 foi a lagarta e o 2.0 a crisálida, o 3.0 será a borboleta. Contudo, essa borboleta poderá bater asas não mais ao som da música tradicional, mas guiada por algoritmos, IA e formatos híbridos que transformam a própria noção de escuta.


Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

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