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segunda-feira, abril 20, 2026

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BM&C News anuncia Paula Moraes como nova CEO e publisher

A BM&C News, veículo especializado em mercado financeiro, política e negócios, anunciou Paula Moraes como sua nova CEO e publisher. Com a mudança, Luiz Messici passa a atuar como chairman da empresa. As novidades fazem parte de uma nova etapa da BM&C News, visando a expansão do negocio.

Na prática, Paula passa a atuar com foco na operação do canal, trabalhando também o relacionamento da emissora com o mercado e o desenvolvimento de novas frentes de negócio. E Luiz será responsável direto pela visão estratégica e posicionamento da companhia. A ideia é, nos próximos meses, consolidar a audiência qualificada, aprofundar a monetização do ecossistema BM&C e expandir institucionalmente a marca por meio de novos produtos, formatos e projetos estratégicos.

Paula é uma das fundadoras da BM&C News, tendo atuado como âncora do canal, entrevistando personalidades do mundo da economia e dos negócios. Antes, trabalhou por mais de 11 anos no jornalismo da RecordTV, atuando como apresentadora, repórter e correspondente internacional em Nova York, nos Estados Unidos. E Luiz, também fundador da BM&C News, ao lado de Paula, atuou como CEO e presidente do conselho da empresa. Foi também diretor do InfoMoney, de 2014 a 2017.

Com vocês, os +Admirados da Imprensa Automotiva 2026!

Último dia para escolher os +Admirados da Imprensa Automotiva 2025

Em uma de suas edições mais disputadas dos últimos anos, o prêmio +Admirados da Imprensa Automotiva anuncia em primeira mão nesta edição especial, os 39 jornalistas e 12 veículos vencedores de 2026. A disputa foi tão intensa que a Comissão Organizadora do prêmio decidiu ampliar de 25 para 30 o número de profissionais homenageados entre os +Admirados Jornalistas do Ano.

“É um prêmio que vem crescendo ano após ano e atraindo cada vez mais a atenção dos profissionais e das marcas que fazem deste um setor tão competitivo”, destaca Vinicius Ribeiro, diretor de Projetos da Jornalistas Editora e responsável pela Comissão Organizadora do prêmio. “Foi um movimento natural de crescimento, que já adotamos em outras premiações da série +Admirados e que, graças ao apoio de nossos patrocinadores, também chegou para destacar ainda mais o trabalho dos jornalistas da área”.

Dentre os profissionais, destaque para o excelente desempenho das mulheres, especialmente em um setor que ainda registra predominância masculina. Dos 39 profissionais homenageados, 14 são mulheres. Elas também dominaram as categorias especiais, estando presentes em todas, sendo maioria entre os Jornalistas Especializados em Duas Rodas e Jornalistas Especializados em Veículos Comerciais, e ocupando as primeiras posições na recém-criada categoria Jornalistas Especializados em Negócios Automotivos.

Igualmente foram três entre quatro dos profissionais homenageados em outra categoria que não os TOP 30: Andrea Ramos (Vozes do Transporte), em Jornalistas Especializados em Veículos Comerciais, e Alzira Rodrigues (AutoIndústria) e Giovanna Riato (Jornal do Carro), em Jornalistas Especializados na Cobertura Automotiva. Entre os homens, aparece o campeão geral de 2025 Boris Feldman (AutoPapo), que também está concorrendo em Colunista.

Nas categorias dedicadas às publicações, o destaque ficou para a marca Autoesporte, que terá produtos seus homenageados em três categorias: Áudio, com CBN Autoesporte, e em Periódico e Site/Portal, com as versões digital e impressa da Autoesporte. Curiosamente, seu “coirmão”, o programa Auto Esporte, da TV Globo, também está novamente entre os três vencedores da categoria Vídeo.

Na cerimônia de premiação, marcada para 11 de maio, em São Paulo, além das homenagens a todos os vencedores, serão conhecidos os TOP 5 +Admirados Jornalistas do Ano e o primeiro colocado de cada uma das oito categorias temáticas.

Koichiro Matsuo receberá Troféu Luiz Carlos Secco – Pelo terceiro ano consecutivo a Comissão Organizadora da eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva homenageará um profissional do setor com o Troféu de Contribuição à Imprensa. Desta vez o prêmio especial será concedido a Koichiro Matsuo, que fundou e dirige há mais de 40 anos a Textofinal de Comunicação.

Criada em 2024, a primeira edição do Troféu foi entregue a Luiz Carlos Secco. Após a morte dele, em janeiro de 2025, o prêmio foi rebatizado e ganhou seu nome. A primeira homenageada no ano passado, já com a nova denominação, foi Alzira Rodrigues, cofundadora e diretora do portal AutoIndústria.

A eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2026 conta com os patrocínios de Bosch, Ford, Honda, Renault e Volkswagen Caminhões e Ônibus, os apoios de Pirelli, Volkswagen, Portal dos Jornalistas e PressID, a colaboração da Scania e o apoio institucional da Abraciclo.

Confira a lista completa dos vencedores.

Carro Esporte Clube celebra dez anos de estrada

O Carro Esporte Clube, projeto criado por Thiago Ventura, completou 10 anos de atividade no último sábado (21/3). O canal nasceu com a proposta de produzir conteúdo independente, com foco no consumidor e linguagem simples, aproximando o público das informações sobre carros, mobilidade e trânsito.

Atualmente, a plataforma conta com conteúdo veiculado em site, YouTube, redes sociais, que, somadas, ultrapassam 500 mil seguidores; e em rádio, na América FM 107,1, de Belo Horizonte, com uma coluna semanal.

Thiago Ventura, criador do Carro Esporte Clube

“Desde o início, a ideia foi construir um canal de jornalismo automotivo independente, com linguagem direta e foco no consumidor. Chegar aos 10 anos mostra que existe espaço para um conteúdo especializado, mas que conversa de forma simples com quem gosta de carro”, afirma Thiago Ventura, que ao longo de sua carreira também acumula passagens por Estado de Minas, portal Vrum, TV Alterosa e DomTotal, e atualmente colabora com noticiário automotivo para a CNN Brasil e TV Bandeirantes.

Jornalista da comunicação do Psol denuncia perseguição e ameaças

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

Texto publicado originalmente por Letycia Bond, repórter da Agência Brasil, em 31 de março.

O jornalista Fernando Busian, integrante da equipe de comunicação do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), denuncia que tem sido alvo de ameaças desde a última quarta-feira (25). 

O caso foi registrado na segunda-feira (30) na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo, e o comunicador acredita que a motivação é violência política. “Discurso bem de extrema-direita”, classifica em entrevista à Agência Brasil.

Busian conta que os ataques começaram depois do envio de um comunicado à imprensa sobre a troca de comando da Federação PSOL-Rede. O texto foi enviado a uma lista com 1,7 mil destinatários de diferentes partes do país.

No mesmo dia, mensagens sobre cemitérios e serviços funerários começaram a chegar, e um perfil falso em seu nome foi criado na plataforma GetNinjas, usada para a contratação de prestadores de serviços. A partir desse cadastro, ele relata que recebeu orçamentos de mais serviços funerários e de empresas de segurança.

“Bloqueei o primeiro [orçamento falso], o segundo. O terceiro já veio com um portfólio de serviços de segurança. Aí, disse, opa. Com cemitério e serviço de segurança, eu fiz o link”, conta.

Endereço e familiares

A situação se agravou ainda na quinta-feira (26), quando mensagens anônimas no WhatsApp fizeram referência à região onde o jornalista mora e ao nome de sua mãe.

“Ela sabe que o filho dela é um lixo?”, dizia uma das mensagens, segundo o comunicador, que acredita que as ameaças tenham conotação política por conta de sua atuação profissional junto ao Psol.

“Só para começo de conversa: não sou filiado, nada. Inclusive, o pessoal me contratou por isso, porque já trabalhei para outros políticos, outras tendências políticas e tenho trânsito na imprensa. Então, tenho um bom nome, credibilidade. Não sou uma pessoa militante”, afirma.

Violência contra jornalistas

Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificam o caso como grave, por envolver ameaças de morte que se estendem a familiares do jornalista, além de vigilância e vazamento de dados pessoais.

“Trata-se de um episódio gravíssimo, que não pode ser naturalizado. O SJSP e a Fenaj prestam toda a solidariedade e apoio ao jornalista e cobrarão das autoridades a devida investigação, em especial no âmbito dos crimes virtuais e do uso indevido de dados pessoais, para que os responsáveis sejam identificados e punidos.”

Em seu último relatório sobre violência contra jornalistas, a Fenaj contabilizou 144 ataques contra esses profissionais em 2024, número que representa diminuição em relação aos anos anteriores.

Durante a pandemia de covid-19 e o governo de Jair Bolsonaro, os ataques chegaram ao patamar recorde de 430 casos, em 2021, número que caiu para 181 em 2023.

GetNinjas

Em nota, o GetNinjas afirma que identificou o uso indevido de dados, prestou assistência à vítima e a orientou a registrar boletim de ocorrência. A companhia diz ainda estar disponível para colaborar com o que for necessário.

“A plataforma reforça que conta com rigorosos mecanismos de validação e monitoramento. Diante de qualquer atividade atípica, age prontamente para interromper suspeitas e fortalecer controles. O GetNinjas reitera que o uso indevido de dados por terceiros é contrário às políticas da plataforma e reafirma o compromisso com a segurança e a privacidade.”

*Reportagem ampliada às 17h para acréscimo de posicionamento da plataforma GetNinjas.

(Com informações da Agência Brasil)

Prêmio Cremilda Medina de Pesquisa e Formação em Jornalismo valoriza trabalhos de conclusão de curso

Seguem abertas até 5 de abril as inscrições para o 1º Prêmio Cremilda Medina de Pesquisa e Formação em Jornalismo, organizado pela Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ), que valoriza, incentiva e premia Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) da área de comunicação. O objetivo da iniciativa é dar o devido destaque ao campo acadêmico, sobretudo da graduação em jornalismo.

O prêmio tem duas categorias: Monografia e Memorial de Produto. Podem se inscrever estudantes ou egressos que tenham defendido seu TCC em 2025 com a nota mínima de 8,5. Não há limites para a quantidade de trabalhos inscritos por instituição. Para fazer a inscrição, além do trabalho, é preciso anexar no formulário de inscrição a ata de defesa em banca. Os vencedores serão anunciados durante o 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), entre os dias 22 e 24 de abril, na Universidade de Brasília.

O nome do prêmio faz homenagem a Cremilda de Araújo Medina, pesquisadora e professora titular sênior da Universidade de São Paulo, autora de livros e coletâneas nas áreas de comunicação, jornalismo e literatura. É uma das grandes responsáveis pela implementação dos TCCs de Jornalismo na USP.

“A ideia do projeto pioneiro foi de José Marques de Melo (1943-2018), então chefe do Departamento de Jornalismo da ECA/USP em 1986-87. E eu, que então voltava à USP após dez anos de afastamento por conta da ditadura militar, fui nomeada pelo saudoso colega, junto com Ciro Marcondes (1948-2020) e Jerusa Pires Ferreira (1938-2019) para organizar o regulamento dos TCCs. Meus parceiros propunham um trabalho de cunho teórico (monografia), mas eu acrescentei a possibilidade de uma reportagem-ensaio com um anexo de interrogantes teóricas, o que deu corpo à divisória do atual regulamento que vocês anunciam”, relembrou Cremilda.

Chico Lang deixa a TV Gazeta após 30 anos

O comentarista Chico Lang está de saída da TV Gazeta após mais de 30 anos de trabalho. Ele estava na Fundação Cásper Líbero, dona da TV Gazeta, desde 1990, e atuou em diversas funções, como repórter, além de comentarista. Em nota, a emissora agradeceu o profissional pelos anos de trabalho.

A trajetória de Lang se confunde com a própria história da TV Gazeta. Ele iniciou sua passagem no canal como repórter do jornal A Gazeta Esportiva. Pouco depois, passou a atuar na equipe de esportes da emissora, como comentarista dos programas Gazeta Esportiva e Mesa Redonda, cargo que ocupou até sua saída.

No Mesa Redonda, inclusive, fez dupla marcante com o apresentador Roberto Avallone, potencializando a audiência do programa de debate nos anos 1990. Corintiano apaixonado, Lang ficou conhecido por comentários e críticas ao próprio time e conquistou o carinho de torcedores alvinegros. Nos últimos anos, o comentarista sofreu com alguns problemas de saúde e chegou a se afastar do dia a dia na Gazeta em algumas ocasiões.

100 anos de Rádio no Brasil: Rádio é o líder de confiança na mídia

(Crédito: Vecteezy)

Por Álvaro Bufarah (*)

Em um momento em que a confiança se torna um ativo cada vez mais escasso no ecossistema digital, um dado chama atenção – e, ao mesmo tempo, desafia previsões recorrentes sobre o “fim” dos meios tradicionais: o rádio segue como o veículo mais confiável entre os norte-americanos.

O resultado, apontado pelo estudo Media Trust Study 2026, conduzido pelo Katz Radio Group, revela que 85% dos entrevistados classificam o rádio como uma fonte “muito confiável” ou “confiável”. O índice coloca o meio à frente de jornais (77%) e televisão (73%), consolidando uma liderança que não se explica apenas por tradição – mas por resiliência.

(Crédito: Katzradiogroup)

A pesquisa, realizada com 600 adultos nos Estados Unidos, também evidencia um movimento importante: enquanto a confiança no ambiente digital vem se deteriorando – com três em cada quatro pessoas afirmando confiar menos no que leem online –, o rádio mantém estabilidade em todas as faixas etárias. Em um cenário marcado por algoritmos, desinformação e conteúdos sintéticos, essa consistência torna-se um diferencial estratégico.

Mas talvez o dado mais revelador esteja na ascensão dos podcasts. Segundo o estudo, cerca de 70% dos adultos consideram esse formato confiável – um índice que o coloca no mesmo patamar das revistas e a apenas três pontos percentuais da televisão. Não se trata mais de uma mídia emergente: os podcasts passam a ocupar um espaço consolidado no repertório informativo contemporâneo.

Essa aproximação entre rádio e podcast revela mais do que uma disputa entre formatos – aponta para uma convergência baseada em um elemento comum: a voz. Diferentemente das plataformas sociais, onde o conteúdo circula de forma fragmentada e descontextualizada, o áudio mantém uma relação mais direta, contínua e, sobretudo, humana com o público.

Não por acaso, as redes sociais aparecem na última posição do ranking de confiança, com apenas 49%. A distância de mais de 30 pontos percentuais em relação ao rádio não é apenas estatística – é sintomática. Ela evidencia uma ruptura crescente entre produção profissional de conteúdo e ambientes mediados por algoritmos, em que a curadoria é substituída por engajamento.

Esse cenário torna-se ainda mais relevante quando analisado sob a ótica geracional. O rádio apresenta índices de confiança praticamente homogêneos: 85% entre adultos de 35 a 54 anos e 83% tanto entre jovens de 18 a 34 quanto entre pessoas com mais de 55 anos. Trata-se de uma estabilidade rara em um ambiente midiático cada vez mais fragmentado.

Os podcasts, por outro lado, revelam um comportamento mais volátil. Embora atinjam 77% de confiança entre jovens e públicos mais velhos, o índice cai para 67% entre adultos de meia-idade. Essa oscilação sugere uma “lacuna de percepção” relevante – indicando que, embora os podcasts tenham expandido sua credibilidade para além de seu público original, ainda enfrentam resistência em segmentos mais ligados às marcas tradicionais de mídia.

Esse contraste ajuda a compreender o papel complementar que rádio e podcast passam a desempenhar no atual mix de mídia. O rádio mantém sua força como meio de alcance massivo, presença local e credibilidade consolidada. Já os podcasts avançam como espaço de aprofundamento, segmentação e consumo sob demanda.

Ambos, no entanto, compartilham um ativo cada vez mais raro: a construção de vínculo. A familiaridade com vozes, apresentadores e narrativas cria uma relação de confiança que dificilmente é replicada em ambientes digitais automatizados. Em um feed algorítmico, o conteúdo aparece; no áudio, ele acompanha.

(Crédito: Vecteezy)

Esse aspecto ganha ainda mais relevância diante do avanço de tecnologias como inteligência artificial generativa e deepfakes, que ampliam a capacidade de produção de conteúdo – mas também intensificam a desconfiança do público. Quanto mais abundante e automatizada se torna a informação, maior tende a ser o valor atribuído àquilo que é percebido como humano, contextualizado e verificável.

Do ponto de vista do mercado, as implicações são diretas. A confiança passa a operar como um ativo econômico. Em ambientes midiáticos considerados confiáveis, mensagens publicitárias não apenas alcançam o público – elas são mais facilmente assimiladas, acreditadas e convertidas em ação. É o chamado “efeito halo”, no qual a credibilidade do meio se transfere para a marca anunciante.

Nesse contexto, o rádio não sobrevive apenas por inércia histórica. Ele se reposiciona como uma das poucas infraestruturas de confiança estável em um sistema comunicacional marcado pela volatilidade.

E talvez seja justamente essa a principal inversão do cenário contemporâneo: enquanto novas tecnologias prometem eficiência, escala e personalização, são os meios mais antigos – baseados em presença, recorrência e relação – que seguem sustentando o que há de mais difícil de construir na comunicação: a confiança.

Fontes de pesquisa

 

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (49)

Por Assis Ângelo

Guerra por guerra ou isso mesmo no plural, há registro na história dando conta de que algumas centenas de soldados franceses foram obrigados a voltar para casa com olhos cegos. A luta de que participaram teve lugar no Egito do século 13, ali pelo ano de 1254. Foram cegados pelos sarracenos. A partir daí, o rei Luís IX (2014-1270) criou o que se pode considerar a primeira entidade construída especialmente para o acolhimento de soldados cegados em batalhas e civis em geral.

Luís IX é visto pela história como um rei honesto e justo. Três décadas depois da sua morte, foi canonizado e virou santo no pontificado de Bonifácio VIII. Curiosidade: esse rei acabaria por dar nome à cidade brasileira de São Luís do Maranhão.

Muitas outras coisas doidas foram registradas nas páginas da história.

Obviedades à parte, não é demais lembrar que foi no século 13 que grandes descalabros passaram a ser cometidos por poderosos malucos da Igreja Católica. Não foram poucas as vítimas que sucumbiram envoltas nas redes da Inquisição.

Alguns dos representantes do maldito Santo Ofício andaram com olhos grandes e mal intencionados pelo solo brasileiro, visitando algumas das principais regiões do nosso país, como Nordeste e Sudeste.

Essa história marcou época e registro no romance brasileiro.

Alguns dos nossos grandes escritores criaram personagens que os inquisidores agradeceriam ao Diabo caso tivessem tido a oportunidade de pegá-los.

Antes de Jorge Amado carregar nas páginas dos seus livros personagens portadoras de dons como feitiço, outro baiano antecipou-se. Seu nome: Francisco Xavier Ferreira Marques (1861-1942).

Esse Francisco, nascido na Ilha de Itaparica, assinava suas obras simplesmente como Xavier Marques. É dele, por exemplo, o romance O Feiticeiro (1922).

Em 1871 o escritor cearense José de Alencar levou à praça O Tronco do Ipê. O primeiro capítulo desse livro começa sob o título O Feiticeiro.

O feiticeiro de Alencar é, como se pode dizer, do bem. Chama-se Pai Benedito, africano octogenário há muito vivendo num casebre localizado nas imediações de uma espécie de lagoa brava e encantada.

O enredo traçado por José de Alencar lembra um pouco da trama desenvolvida no segundo romance da carreira bem sucedida de Jorge Amado: Cacau (1933). Nesse livro, o personagem Sergipano vê-se obrigado a trocar a terra onde nasceu por outra onde julgava viver melhor. Isso porque o pai, ao morrer, teve todos os bens usurpados pelo irmão, deixando-o à mingua junto com a mãe e uma irmã. Foi para a Bahia, mas lá deu tudo errado. Poderia ter sido o contrário, caso aceitasse a proposta espúria da filha do patrão. Prepotente e sem escrúpulo, essa mulher, ao topar com um cego na rua, atirou-lhe uma moeda como alguém que cospe na cara de alguém. O gesto transtornou Sergipano.

O preto velho de O Tronco do Ipê guarda consigo muitos segredos. Um deles vem à tona quando o personagem Mário salva de afogamento a menina Alice, filha do dono da fazenda onde esse personagem passou a morar após a morte do pai, José Figueira.

O Tronco do Ipê é cheio de muito amor, ódio e feitiço.

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A rigor, bem a rigor, o cacau entra como riqueza na obra de Amado a partir de 1933.

Em 1931, ele havia estreado na literatura com o romance O País do Carnaval. Nesse livro mostra com clareza com que olhos passaria a ver a vida operária do nosso povo. Até o velho barbudo Marx é citado por um dos personagens. Prostíbulos e mulheres ditas da vida se acham no decorrer das páginas.

Um dos personagens mais marcantes do livro é o jornalista Pedro Ticiano, esquerdista de atuação extremada, em cujos textos publicados no jornal que dirigia não poupava figurões da elite do seu tempo. O fim do enredo tem um quê de nostalgia: Ticiano acaba morrendo cego na casa de um filho.

Exatos 30 anos depois de lançado O País do Carnaval, Jorge Amado ganha cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Abraji repudia ameaças e ataques misóginos à Andréia Sadi

A Abraji divulgou uma nota repudiando de forma veemente as ameaças de intimidação e de violência física e sexual à Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews, e a seus familiares. Os ataques tiveram início após o programa Estúdio i, apresentado por Sadi, exibir um infográfico em 23/3 mostrando supostas relações políticas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na Operação Compliance Zero por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Os ataques teriam se intensificado dias mais tarde, quando a apresentadora leu ao vivo uma nota de retratação da emissora. “A Abraji tem como missão proteger a liberdade de imprensa e o livre exercício do jornalismo, que segue preceitos claros, inclusive o da publicação de retratação. Críticas e discordâncias fazem parte de todo ambiente democrático, mas ataques pessoais e tentativas de intimidar ou silenciar jornalistas e seus familiares são intoleráveis em uma sociedade que preza pela democracia, além de cruzarem a barreira da legalidade”, destacou a nota.

Vale lembrar que Andréia Sadi é casada com o também jornalista André Rizek, apresentador do canal SporTV.

Pesquisadores identificam sala onde suicídio de Vladimir Herzog foi encenado

Uma equipe de historiadores, arqueólogos e arquitetos encontrou a sala onde foi encenado o falso suicídio de Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975. A pesquisa, feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conseguiu encontrar o local exato da encenação, um mistério que durava mais de 50 anos.

A descoberta ocorreu graças à analise de estruturas do prédio do Destacamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), incluindo paredes, piso e teto. Após essa análise, os pesquisadores fizeram o cruzamento dessas informações com registros históricos e imagens da época. Eles destacaram que o som oco de uma parede ajudou a revelar um espaço escondido e levou à identificação do ambiente. A pesquisa também encontrou marcas feitas por um prisioneiro para contar os dias no cárcere, escondidos sob camadas de tinta e azulejo.

Os pesquisadores analisaram principalmente a foto histórica do suicídio forjado de Herzog, na qual ele aparece pendurado com uma corda. A ideia é conseguir identificar onde a foto teria sido tirada. O grupo analisou o piso de madeira, a janela com blocos de vidro e grade, marcas na parede e dobradiças de porta que não foram substituídas. Os pesquisadores destacaram ainda que, devido a reformas no prédio, as estruturas originais foram alteradas, o que dificultou a identificação do local.

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