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segunda-feira, abril 20, 2026

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Inteligência artificial e reputação marcam debate em comemoração aos 30 anos de Máquina e J&Cia

Inteligência artificial e reputação marcam debate em comemoração aos 30 anos de Máquina e J&Cia
Ricardo Gandour (esq.), Carla Araújo, Givanildo Menezes, Marcelo Sakati, Sérgio Dávila e Silva Araújo (Crédito: Divulgação/Máquina)

Foi realizado em 14/8 o debate Reputação na Era da Hiperexposição, evento em celebração aos 30 anos deste J&Cia e da Máquina, agência focada em reputação e comunicação corporativa. O encontro, que reuniu especialistas, comunicadores e líderes de redação de todo o País, discutiu os caminhos para se construir uma boa reputação em um mundo pautado pela desinformação e pela ascensão de novas tecnologias, como a inteligência artificial.

Ao abrir o evento, Eduardo Ribeiro, diretor do J&Cia, declarou: “Ao longo dessas três décadas, acompanhamos de perto as transformações do jornalismo, a chegada de novas tecnologias, a evolução das redações e as mudanças nas relações entre imprensa, empresas e públicos. Mudou a forma, mudou a velocidade, mas não mudou a essência:
a credibilidade e a qualidade da informação continuam sendo nosso norte”.

No painel de abertura, Camila Achutti, CEO da Mastertech, falou sobre o uso da IA pelas agências, e em que medida a tecnologia pode ser útil ou prejudicial à reputação da empresa: “Quando falamos de IA, é inevitável ficarmos com um sentimento de receio, algo que na maioria das vezes parece negativo. E devemos nos adaptar a esta tecnologia, da forma mais rápida possível. Porém, acredito que o uso propriamente dito da IA não arranha a reputação. O risco, na verdade, está na falta de transparência, no como, no onde e no quando o uso da IA foi feito”.

Camila Achutti (Crédito: Máquina)

“Não há nada de errado em utilizar essa tecnologia. O importante é informar esse uso (e como foi feito esse uso) para as pessoas”, refletiu Camila. “Então, é essencial que as agências se atenham aos seguintes pontos: atualizar sempre os clientes sobre o que fazem e como fazem; utilizar a IA com ética e reponsabilidade; e atuar sempre com transparência”.

A inteligência artificial foi um dos temas que percorreu o debate principal do evento, no qual participaram lideranças de tradicionais veículos da imprensa brasileira: Carla Araújo, editora-chefe do UOL Brasília; Givanildo Menezes, diretor de jornalismo da CNN Brasil; Marcelo Sakati, editor-chefe da Bloomberg Línea; Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha de S.Paulo; e Silva Araújo, editora executiva do Broadcast/Agência Estado. A mediação foi de Ricardo Gandour, professor da ESPM e ex-Estadão, Folha de S.Paulo, CBN, Diário de S. Paulo e Editora Globo.

Silvia Araújo declarou que a reputação no jornalismo se refere à credibilidade do trabalho da imprensa, em coberturas e apurações feitas com ética e aliadas aos fatos. Para ela, os jornalistas não podem nunca abrir mão dessa credibilidade: “Nós, enquanto jornalistas, somos prestadores de serviços também e, no caso, informamos. No jornalismo de negócios, por exemplo, temos a ponta de maximizar o valor para a empresa, mas também temos a outra ponta, que se refere ao telespectador, ao leitor, e devemos nos atentar aos fatos. Então, dependendo do setor em que a empresa atua, é isso que vai ditar a reputação dela. A credibilidade, a essência e a reputação do jornalismo são intocáveis”.

A editora do Broadcast/Agência Estado destacou também que a imprensa deve saber ir “além dos releases”, pois muitas vezes, em relatórios enviados aos jornalistas, os números lá destacados não correspondem à realidade, e cabe ao jornalismo saber filtrar o que é importante e reportar o que de fato está acontecendo: “É importante sempre termos isso em mente, quando recebemos releases e relatórios. Como lidar com o envio desses documentos, pensando também na relação empresa/imprensa. Às vezes, os números destacados nem sempre correspondem à realidade, números extremamente positivos não mostram o que de fato está acontecendo”.

Sérgio Dávila vê a inteligência artificial como uma aliada do jornalismo, se bem aplicada e de forma moderada. Ele comentou que, a partir do momento em que começou a se falar sobre inteligência artificial, a Folha de S.Paulo criou um núcleo específico sobre o tema, para analisar e avaliar o seu uso no dia a dia: “Desde a ascensão da tecnologia, criamos um núcleo e analisamos como poderíamos usá-la. Transcrição de entrevistas, legendagem, descrição de vídeos, resumir matérias em tópicos, transformar textos em gráficos. No que ela puder ser usada para ajudar o jornalista a se dedicar ao que ele faz mais de valioso, que é ir atrás de informação exclusiva e fazer reportagens, vamos usar sem medo. Mas nada vai ao ar sem que tenha passado por uma verificação de olhos humanos. Então, mesmo fazendo essas traduções, descrições, com IA, nada vai ao ar sem passar pela verificação e validação humana”.

O diretor de redação da Folha alertou porém para os impactos negativos que o uso excessivo da inteligência artificial pode gerar no jornalismo, principalmente por parte das big techs: “A IA causa uma grande disrupção no nosso negócio, pois com os mecanismos de pesquisa e resultados perdemos muita audiência e cliques, e as pessoas têm acesso aos nossos conteúdos sem que recebamos por isso, sem que tenhamos algum tipo de retorno. Então, é preciso regulamentar isso, impedir que a IA faça com que o jornalismo deixe de ganhar em termos financeiros e de audiência”

Nesse contexto, Marcelo Sakati reiterou a importância do jornalismo manter o seu diferencial e a sua essência, que é a busca pela informação, ética e bem apurada: “Cada vez mais fica evidente a diferença entre influenciadores/produtores de conteúdo e o trabalho dos jornalistas, com ética, imparcialidade e atenção aos fatos. E precisamos garantir a precisão da informação, que é fundamental, mesmo com o uso da IA. Na Bloomberg, usamos a tecnologia para ganho de produtividade, em entrevistas, transcrições, resumos e descrições. Fazemos uso apenas nesses casos, não se pode nunca substituir o raciocínio humano, pois é isso que gera valor”.

O editor-chefe da Bloomberg Línea destacou também a importância de o jornalista trazer em sua bagagem referências e conhecimentos, que serão necessários inclusive para julgar se de fato são interessantes e revelantes os conteúdos de releases e relatórios: “A maneira como o jornalista retrata, como escreve determinada reportagem, deve ser feita com franqueza e transparência. O jornalista deve pensar em várias coisas: o público-alvo, se é interessante, se é confiável e viável, são muitas variáveis. É importante ir além dos branded contents, no sentido de ver o que de fato está acontecendo, e não necessariamente o que a empresa quer passar”.

Ricardo Gandour (esq.), Carla Araújo, Givanildo Menezes, Marcelo Sakati, Sérgio Dávila e Silva Araújo (Crédito: Divulgação/Máquina)

Givanildo Menezes comentou sobre o uso da IA no dia a dia da CNN Brasil e reiterou que a tecnologia não substitui os trabalhadores, mas sim serve como ajuda em determinadas tarefas mais mecanizadas: “Deixamos claro que a IA não vai substituir jornalistas e sim otimizar nosso tempo. Na CNN, desenvolvemos ferramentas próprias na casa, não podemos usar as open sources por questões de contrato. Mas estamos indo bem, usamos em entrevistas, descrições, transcrições, traduções, a IA tem ajudado muito. A IA não é fonte, não é apurador e muito menos um repórter. Nos ajuda com processo braçal e de certa forma ‘libera’ nossos cérebros para que possamos focar em apurar e correr atrás da informação, e melhorar assim o conteúdo”.

Sobre reputação e credibilidade, o diretor de jornalismo da CNN Brasil afirmou que, para além de construir um bom relacionamento com empresas e leitores/consumidores de notícias, através da transparência, ética e veracidade dos fatos, é muito importante que os veículos se atentem ao que seus próprios funcionários estão publicando nas redes, e se os conteúdos condizem com as crenças da empresa: “Devemos cuidar da reputação dos nossos funcionários, dos nossos repórteres. Se, por exemplo, um determinado jornalista publica coisas na internet que não condizem com os valores do veículo, da emissora, é algo preocupante. É essencial que a gente mantenha esse aspecto no radar também”.

Por fim, Carla Araújo destacou a importância dos relacionamentos na construção da imagem e da reputação de uma empresa, incluindo as jornalísticas, principalmente no jornalismo político, focado na cobertura dos Três Poderes: “A dinâmica de Brasília é baseada nos relacionamentos, então a credibilidade e a reputação são essenciais para que tenhamos acesso a informação de qualidade, checagem e acesso às fontes. Isso é essencial e não tem como substituir. Os governos mudam, políticos e autoridades vão e deixam cargos, e a relação com essas fontes é baseada inteiramente em sua reputação e credibilidade, então é muito importante cultivá-las e preservá-las”

A editora-chefe do UOL em Brasília destacou que as relações devem sempre ser pautadas pela transparência: “A transparência é tudo. A relação com empresa e imprensa deve ser direta e reta. Muitas vezes, recebemos sugestões de pautas que nada têm a ver com nosso trabalho, nossas especializações, nossos públicos-alvo. Então, é importante que os assessores saibam filtrar e enviar as informações certeiras para as pessoas que de fato estarão interessadas nisso. A reputação e o relacionamento vão se construindo assim, sempre, é claro, com muito respeito”.

43º Prêmio Rei da Espanha recebe inscrições até 21 de outubro

Estão abertas até 21 de outubro as inscrições para a 43ª edição do Prêmio Rei da Espanha de Jornalismo Internacional, que reconhece e valoriza trabalhos jornalísticos na Espanha e na América Latina, com foco em reportagens em espanhol e português. O prêmio é organizado pela agência EFE e pela Secretaria de Estado da Cooperação Internacional, por meio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid, na sigla em espanhol).

As categorias são Jornalismo Narrativo, Cooperação Internacional e Ação Humanitária, Meio Ambiente, Cultura, Fotografia e Mídia Ibero-americana. Podem ser inscritos trabalhos em texto, áudio, vídeo e digital, publicados entre 1º de setembro de 2024 e 31 de agosto deste ano. 

O júri do prêmio elegerá três finalistas por categoria e, posteriormente, serão escolhidos os vencedores, que receberão cada um 10 mil euros (cerca de R$ 63 mil) e uma escultura de bronze feita pelo artista Joaquín Vaqueros Turcios. Os vencedores serão anunciados no primeiro trimestre de 2026 e a cerimônia de premiação será realizada entre maio e junho do ano que vem.

Vale lembrar que, em abril, o repórter fotográfico brasileiro Fabio Alarico Teixeira venceu o prêmio na categoria Fotografia com o trabalho Os Desabrigados da Humanidade, publicado pela Plataforma 9.

Confira o regulamento do prêmio e inscreva-se aqui.

Codesinfo 2025 abre inscrições para apoiar projetos de Inteligência Artificial no jornalismo

Codesinfo 2025 abre inscrições para apoiar projetos de Inteligência Artificial no jornalismo

O Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo abriu inscrições para a edição deste ano do Codesinfo – Fundo de Inovação para o Jornalismo, que apoiará iniciativas e projetos sobre a aplicação de inteligência artificial em redações jornalísticas. As inscrições vão até 13 de setembro.

O objetivo da iniciativa é apoiar e incentivar projetos inovadores que utilizem a IA para o desenvolvimento de aplicações que melhorem a dinâmica das redações. Serão priorizadas iniciativas que proponham ferramentas originais, processos automatizados, novas aplicações de dados e soluções abertas que possam ser replicadas pela comunidade jornalística nacional.

Cada projeto selecionado receberá até R$ 160 mil para o desenvolvimento da iniciativa ao longo de sete meses, além de uma mentoria personalizada com especialistas. Para fazer a inscrição, é preciso que os projetos tenham uma descrição clara da solução proposta (que indique como a IA será empregada), além de orçamento, cronograma e plano de compartilhamento das soluções para a comunidade. Os selecionados serão anunciados em 13 de outubro.

Confira o regulamento completo e inscreva-se aqui.

Diretora-geral do Aqui Agora, do SBT, deixa o telejornal após duas semanas da reestreia

Diretora-geral do Aqui Agora, do SBT, deixa o telejornal após duas semanas da reestreia
Letícia Flores (Crédito: LinkedIn)

Letícia Flores, diretora-geral do Aqui Agora, do SBT, deixa a emissora apenas duas semanas após a reestreia do telejornal policial. Leonor Corrêa foi anunciada como a substituta de Flores na direção do programa. Segundo o Notícias da TV (UOL), existe a possibilidade de outras dispensas nas próximas semanas.

A reportagem do Notícias da TV apurou que a saída de Flores ocorreu após a presidente do SBT, Daniela Beyruti, classificar como baixo o desempenho da nova versão do Aqui Agora, que ainda não conseguiu fazer frente a outros telejornais policiais, como o Brasil Urgente, da Bandeirantes. Flores estava no SBT desde 2016, atuando na coordenação de criação de conteúdo, checagem e pauta e gerência de edição de programas da casa. Leonor Corrêa, que assume a direção do Aqui Agora já a partir desta semana, é irmã de Fausto Silva e tem vasta experiência na TV. Ela retorna ao SBT após sete anos, quando atuou como roteirista da série Z4.

A nova versão do Aqui Agora aposta em reportagens mais curtas, gravadas em plano sequência, com repórteres em movimento, além de preservar elementos nostálgicos como a vinheta e a assinatura dos repórteres dizendo seus nomes “para o Aqui Agora”. Inicialmente, a nova versão foi ao ar como edição comemorativa de aniversário, mas após sucesso de audiência, ficou permanentemente na grade. Apesar de exibido apenas em São Paulo, não está descartada a ideia de expandir nacionalmente.

Jota Júnior anuncia aposentadoria após 50 anos de carreira

Globo demite Jota Júnior após 24 anos de casa
Jota Júnior

O narrador esportivo José Francischangelis Júnior, mais conhecido como Jota Júnior, anunciou na semana passada a sua aposentadoria do microfone, após 50 anos de carreira. Trabalhou por 24 anos no Grupo Globo, à frente de transmissões de importantes eventos esportivos.

A decisão da aposentadoria foi anunciada em entrevista para o UOL. “Eu já havia tomado essa decisão há algum tempo. Parei. Não dá mais”. Aos 76 anos, ele iniciou a carreira como narrador em rádios do interior de São Paulo. Na capital, trabalhou na Gazeta e na Bandeirantes. Chegou à Globo em 1999, a convite de Galvão Bueno, onde permaneceu até 2023. Ultimamente, narrava jogos da segunda divisão do Campeonato Brasileiro e de times paulistas.

Em suas redes sociais, Jota chegou a publicar um texto sobre a aposentadoria, dizendo que não sentia mais o mesmo ânimo e que acreditava que não renderia tanto quanto um dia rendeu: “Primeiramente, que os convites quase desaparecem por causa do etarismo e da filosofia correta de renovar o quadro de narradores. Depois vem a autoavaliação e o reconhecer que a garganta não é mais a mesma. E aí vem a conclusão de que chegou a hora. A dinâmica numa transmissão é incrível. Exige muito da cabeça. Transmitir ao vivo não tem script. É puro e total improviso. Atenção extrema. Confesso que hoje não estaria apto a desenvolver um trabalho com a quase perfeição que se exige”.

Leia a entrevista de Jota Júnior ao UOL aqui.

Fernanda Gentil assina com a CazéTV até 2028

Fernanda Gentil assina com a CazéTV até 2028
Crédito: Instagram

A apresentadora Fernanda Gentil assinou um novo contrato com a CazéTV e seguirá na emissora até 2028. Ela deve ser um dos principais nomes da cobertura da Copa do Mundo do ano que vem. A ideia colocar Fernanda à frente de grandes eventos esportivos do canal in loco.

A CazéTV adquiriu os direitos de transmissão de todos os jogos da próxima Copa do Mundo, e Fernanda deve atuar como apresentadora de jogos e programas na cobertura do torneio. A emissora quer superar a audiência obtida nas transmissão da Copa do Mundo de Clubes, com mais de 50 milhões de dispositivos alcançados no YouTube e mais de 100 milhões de contas alcançadas nas redes sociais.

Fernanda já havia trabalhado anteriomente na CazéTV, cobrindo a Copa do Mundo Feminina, em 2023, e os Jogos Olímpicos, em 2024.

VII Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados anuncia finalistas

VII Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados anuncia finalistas

A organização da sétima edição do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados anunciou os trabalhos finalistas em suas quatro categorias. A iniciativa visa a valorizar e incentivar o jornalismo de dados no País. A cerimônia de premiação está marcada para 17 de outubro, às 19 h, no Goethe-Institut, em São Paulo. O evento ocorre um dia antes da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br).

Confira a seguir a lista completa dos finalistas:

Dados Abertos

 

Inovação

Investigação

 

Visualização


Leia também: Prefeito de Macapá (AP) agride equipe de reportagem durante visita a obra de hospital

Prefeito de Macapá (AP) agride equipe de reportagem durante visita a obra de hospital

Dr. Furlan (de capacete branco) agarra o pescoço de Iran Froes (de boné laranja), um dos integrantes da equipe de reportagem. Crédito: X/Twitter

O prefeito de Macapá (AP), Dr. Furlan (MDB), agrediu uma equipe de reportagem no domingo (17/8), durante uma visita do político à obra do Hospital Municipal de Macapá, localizado na zona norte da capital. A confusão ocorreu após um questionamento do jornalista Heverson Castro, que fez uma pergunta ao prefeito sobre um suposto atraso na construção do Hospital.

“O senhor lançou essa obra em 2023. O que tá acontecendo? A gente já está em 2025, e essa obra tá demorando. E aí, prefeito?”, questionou o jornalista. Furlan não respondeu à pergunta e partiu para cima de Iran Froes, um dos integrantes da equipe de reportagem. Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra o momento em que o político agarrou o pescoço de Froes, e a confusão se instaurou. Apoiadores do prefeito também agrediram os jornalistas.

Em nota, a prefeitura afirmou que a atitude do prefeito foi uma resposta a uma suposta agressão verbal e tentativa de agressão física feita pela equipe de reportagem. O texto diz ainda que os jornalistas agrediram duas servidoras, que denunciaram o caso na Delegacia da Mulher. O comunicado, porém, não informa quando e onde essas agressões teriam ocorrido. Herverson Castro e sua equipe foram detidos pela Guarda Civil Municipal após a confusão.

Maurício Pereira, advogado de Heverson Castro, afirmou que não houve agressão por parte da equipe de reportagem: “Pelo contrário, os agredidos foram jornalistas e seus companheiros, que inclusive foram arbitrariamente algemados e colocados em um camburão”. Vale lembrar que Castro publicou nos últimos meses conteúdos críticos à gestão do prefeito Dr. Furlan.

Entidades defensoras da liberdade de imprensa repudiaram o ocorrido. Katia Brembatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se solidarizou com os jornalistas agredidos: “Uma autoridade, um político eleito que representa a sociedade precisa ter uma postura adequada ao cargo. É inadmissível qualquer reação que envolva violência. A Abraji repudia a atitude do prefeito de Macapá e se solidariza com os profissionais de imprensa envolvidos no caso”.

O presente e o futuro do Jornalismo – Insights: Quinto encontro debaterá Jornalismo Investigativo em 25/8

Crédito: Agence Olloweb/Unsplash

O quinto dos sete encontros da série O presente e o futuro do Jornalismo – Insights, que J&Cia realiza em parceria com a ESPM e o Portal dos Jornalistas como parte das comemorações de seu 30º aniversário, terá por tema o Jornalismo Investigativo e os debates procurarão trazer reflexões sobre Os caminhos e avanços das investigações jornalísticas com o Jornalismo de Dados e sob ataque do poder político e econômico.

Participarão Juliana Dal Piva (repórter do Centro Latinoamericano de Investigação Jornalística − CLIP e apresentadora do podcast A vida secreta do Jair), Luiz Vassalo (repórter do Metrópoles, autor da reportagem que denunciou os descontos ilegais do INSS) e Marcelo Soares (fundador e editor da Lagom Data, consultor Independente e membro do International Consortium of Investigative Journalists – ICIJ). A mediação será de Reinaldo Chaves, coordenador de Projetos da Abraji. O encontro está marcado para o dia 25 de agosto, das 9h30 às 12h30, na ESPM Tech (Rua Joaquim Távora, 1240, Vila Mariana, São Paulo). Inscrições gratuitas aqui. Vagas limitadas. O ciclo tem apoio institucional de ABI, Abraji, Ajor, Aner, ANJ, Projor.

Dorrit Harazim e Dom Angélico serão homenageados com o Prêmio Especial Vladimir Herzog

Dorrit Harazim e Dom Angélico serão homenageados com o Prêmio Especial Vladimir Herzog
Dorrit Harazim e Dom Angélico (Crédito: Prêmio Vladimir Herzog)

A Organização do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que chega à sua 47ª edição, anunciou os Premiados Especiais de 2025. Neste ano, serão homenageados a jornalista e documentarista Dorrit Harazim e o bispo católico Dom Angélico Sândalo Bernardino (in memoriam), falecido em abril.

Segundo os organizadores do prêmio, Harazim e Dom Angélico receberão o Prêmio Especial em decorrência de seus trabalhos que “fazem ecoar os princípios de solidariedade e respeito humano”, pelo jornalismo e pela defesa de vulneráveis.

Dorrit Harazim é uma das mais respeitadas documentaristas do Brasil. Iniciou a carreira como jornalista em 1966, como pesquisadora da revista semanal francesa L’Express, em Paris. Trabalhou por oito anos na revista Veja, de 1968, data de lançamento da publicação, até 1976, atuando depois em dois outros períodos na revista. Foi repórter, editora de Internacional, redatora-chefe, editora especial e chefe do escritório da editora Abril em Nova York.

Cobriu diversos acontecimentos importantes no cenário internacional, como o golpe militar no Chile, em 1973, quatro eleições presidenciais nos Estados Unidos e o 11 de setembro, em Nova York. Venceu quatro Prêmios Esso e foi a primeira brasileira a receber o Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo, na categoria Excelência. Foi co-fundadora, em 2006, da revista piauí, na qual atuou como editora até 2012. Produziu reportagens especiais para o jornal O Globo e tornou-se colunista de Opinião do veículo em 2010, função que ocupa até hoje. Foi eleita a +Premiada Jornalista de 2017, segundo levantamento deste Portal dos Jornalistas.

Ao longo da vida, Dom Angélico Sândalo Bernardino atuou pela defesa de vulneráveis, dos trabalhadores, dos movimentos sociais, da opção preferencial pelos pobres e da liberdade de expressão. Foi coordenador da pastoral do mundo do trabalho em São Paulo e diretor de jornais, como o Estadão, veículo no qual também atuou como colunista.

Dom Angélico foi um dos principais representantes do setor progressista da Igreja durante a ditadura militar. Participou de momentos históricos da luta por direitos humanos no Brasil, como a prisão de Madre Maurina (1969) e o assassinato sob tortura de Vladimir Herzog (1975). Dom Angélico morreu em 15 de abril de 2025, aos 92 anos.

O Prêmio Vladimir Herzog, inclusive, segue com inscrições abertas até 23 de setembro para a categoria extra: Defesa da Democracia, instaurada para marcar os 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog. Confira o regulamento e inscreva-se aqui.

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