Morreu em 23/9 o jornalista e político Sebastião Nery, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Com a saúde debilitada há meses, ele faleceu de causas naturais. A cerimônia de cremação foi realizada nesta terça-feira (24/9), às 8h, no Crematório do Cemitério do Carmo, no bairro do Caju.
Natural de Jaguaquara (BA), Nery iniciou a carreira no jornalismo em 1950, quando se mudou para Minas Gerais. Em 1963, foi eleito deputado estadual na Bahia, mas no ano seguinte teve o mandato cassado pelo regime militar, período em que ficou preso por alguns meses. Tentou reassumir o mandato, mas perdeu os direitos políticos.
Como jornalista, teve passagens por TV Globo, Folha de S.Paulo e TV Bandeirantes. Após a anistia, ao lado de Leonel Brizola, no Partido Democrático Trabalhista (PDT), tornou-se deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1983. Deixa três filhos.
Um dos temas recorrentes em todos os encontros sobre rádios públicas é a dificuldade das emissoras em entender e plataformas digitais como o TikTok para alcançar novas audiências. Mas, o programa Because News, da emissora canadense CBC, já acumulou 34 milhões de visualizações na plataforma.
O programa semanal, com perguntas e respostas, já está em sua nona temporada na programação da rádio, mas também se expandiu para um evento com plateia ao vivo e um podcast. No entanto, o foco recente tem sido a sua presença no TikTok, conforme afirmou a produtora executiva Elizabeth Bowie. Segundo ela, essa mudança foi intencional e gerou resultados expressivos, alcançando novos públicos que dificilmente encontrariam o programa por meio da rádio tradicional.
Bowie, com mais de duas décadas de experiência em rádio, destacou que as emissoras precisam ser criativas para atrair públicos mais jovens. Para ela, a questão vai além da mídia, seja rádio ou áudio, e se trata de encontrar o público onde ele estiver. Um exemplo prático dessa mudança é sua própria mãe, uma ouvinte devota da rádio CBC, que não substituiu seu rádio quebrado e agora ouve a programação online.
A produtora também revelou que o programa já havia explorando outras plataformas, como Instagram e YouTube, há sete anos, mas o impacto dessas iniciativas não se comparou ao sucesso imediato no TikTok. Em apenas dois meses, a audiência no TikTok superou todas as visualizações acumuladas nas outras redes. A estratégia envolve cortar clipes em segmentos curtos, em vez de compartilhar episódios inteiros.
O sucesso no TikTok foi alcançado graças ao trabalho da equipe, especialmente da produtora associada Jess Klimowski, responsável por gerenciar a conta na plataforma. Klimowski, que iniciou sua trajetória na CBC como estagiária, propôs uma mudança no formato de distribuição de conteúdos, focando em uma cadência de postagens ocasionais e em cortes de vídeos mais objetivos. A rádio pública, tradicionalmente acostumada fornecer muito contexto em suas narrativas, teve que ser adaptada ao formato rápido e conciso do TikTok, em que a atenção do usuário precisa ser capturada nos primeiros segundos.
Outro ponto que contribuiu para o sucesso foi a utilização de hashtags hiperlocais, como a #Brampton, que ajudou a direcionar vídeos para públicos específicos em áreas determinadas. Segundo Bowie, essa abordagem permitiu um alcance inédito e mais eficiente do que os métodos tradicionais da rádio pública.
Entretanto, a equipe descobriu que tentar seguir as tendências do TikTok não trazia os mesmos resultados. O conteúdo original, cuidadosamente planejado e gravado, foi mais eficaz do que a tentativa de adaptação aos modismos dos usuários da plataforma.
Além da estratégia de produção, a interação com o público também se mostrou essencial. A seção de comentários do Because News é ativa, e Klimowski, além de gerenciar as postagens, frequentemente entra para responder aos seguidores, criando um tom irreverente e engajado, alinhado com o estilo do programa. A interação nas redes sociais é vista como uma forma de construir relacionamentos com o público, algo que Bowie considera crucial para o sucesso no ambiente digital.
A experiência do Because News mostra que a adaptação ao TikTok não é apenas uma questão de estar presente na plataforma, mas de entender as demandas e comportamentos de seus usuários. A rádio pública, tradicionalmente associada a formatos mais longos e detalhados, enfrenta o desafio de se reinventar para competir e se destacar em novos espaços digitais.
Álvaro Bufarah
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.
A CNN Brasil estreia em 4 de novembro o CNN Brasil Money, novo canal focado em notícias sobre mercado financeiro, negócios e macroeconomia. A plataforma terá cerca de 12 horas de conteúdo ao vivo, unindo TV e streaming, com a cobertura do funcionamento dos mercados do Brasil e do exterior.
O conteúdo do CNN Brasil Money ficará a cargo da equipe de Economia da CNN Brasil. Além da movimentação do mercado financeiro, o novo vai disponibilizar também índices importantes para o mundo financeiro durante 24 horas, por meio de um moderno dashboard configurado pela equipe de Economia da emissora. O conteúdo terá total sinergia com a CNN Internacional.
Para a implementação do novo canal, a CNN Brasil vai investir na reforma e ampliação de seus estúdios na avenida Paulista, com mudanças na infraestrutura de transmissão e adição de ferramentas de inteligência artificial.
Já estão confirmados na equipe do CNN Brasil Money jornalistas que integram o time de economia da CNN Brasil, como William Waack, Thais Herédia e Daniel Rittner. Outros jornalistas especializados e analistas ainda serão contratados. O canal deve ter também correspondentes internacionais, que serão anunciados em breve.
A CNBC Brasil, cuja estreia será em novembro, anunciou as contratações de Renan de Souza e Rafael Ihara, que passam a integrar o time de apresentadores do novo canal de notícias focado em jornalismo de negócios.
Souza é especializado na cobertura de política internacional. Trabalhou por 11 anos no SBT, onde atuou como head da editoria de Internacional. E de 2020 a 2022, foi analista internacional da CNN Brasil. Foi reconhecido pela ONU como uma das 100 pessoas afrodescendentes mais influentes do mundo com menos de 40 anos, em 2020 e 2024. É autor do livro Private Military Companies And The Outsourcing Of War, que se tornou best-seller na categoria de política internacional. Atualmente, atua também como advisor para assuntos de comunicação do governo da Arábia Saudita.
Souza inclusive denunciou um caso de racismo na CNN e ganhou um processo de indenização. Após discordar de um corte em uma reportagem sobre o assassinato de George Floyd, em 2020, o então editor-chefe Asdrúbal Figueró Júnior teria dito que Souza só discordava da edição “porque é preto, está querendo defender preto, e você não entende nada de racismo”.
Ihara trabalhou como repórter no Grupo Globo durante seis anos, cobrindo o dia a dia da região metropolitana de São Paulo. Fez reportagens e entradas ao vivo para os telejornais Jornal Nacional, Jornal Hoje, Bom Dia Brasil, entre outros. Trabalhou também na FSB Holding como editor-chefe da Bússola Exame, plataforma de produção de conteúdo sobre economia, negócios e reputação. É diretor-geral e fundador da plataforma de educação Oriente Educação.
A CNBC Brasil estreia em novembro, com mais de 15 horas de jornalismo ao vivo, com foco em negócios e finanças, além de programas de entretenimento que abordarão temas relevantes para a economia.
Lígia Sato despediu-se neste início de setembro da Latam Airlines, após 14 anos na empresa, período em que atuou com Sustentabilidade, Meio Ambiente, Relações com a Imprensa e Relações Governamentais/Institucionais. Enquanto define os próximos passos profissionais, vai atuar como consultora de sustentabilidade da PWTech, startup que possibilita a chegada de água tratada a regiões remotas do País e do mundo por meio de um inovador sistema de purificação compacto e portátil.
Em publicação no Linkedin, Sato demonstrou entusiasmo com a nova fase de sua carreira:
“Estou muito animada com este novo desafio! Gostaria de agradecer Fernando Silva e Sergio Trombin pela oportunidade de contribuir com o trabalho desta start-up que traz impactos positivos tão significativos para a sociedade, possibilitando água tratada para regiões remotas no Brasil e no mundo.”
As transformações e tendências do jornalismo digital e de dados estarão na pauta do 2° Diálogos Agrojor. O encontro, promovido pela Rede Brasil de Jornalistas Agro, será em 29 de outubro, a partir das 9h, no Auditório da FIA – Fundação Instituto de Administração (Avenida Doutora Ruth Cardoso, 7.221), em São Paulo.
Com formato híbrido (presencial e online), a edição 2024 do encontro já tem as presenças confirmadas do consultor em Comunicação Marc Tawil e de Kátia Brembatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A mediação e apresentação será de Lilian Munhoz.
“Diálogos tem um propósito diferente dos eventos tradicionais da Agrojor: ele traz a visão de colegas que não atuam no Agro”, explica Vera Ondei, presidente da Rede Agrojor. “Neste sentido, construímos uma programação que busca atender às ‘dores’ dos jornalistas do setor, com um debate que trará insights sobre o papel dos comunicadores frente às grandes mudanças do digital”.
As inscrições estão abertas no Sympla, com condições exclusivas para associados da entidade.
O jornal O Politécnico, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), completou 80 anos de trabalho. Fundado em 1944, é um dos jornais universitários mais antigos do Brasil.
Para celebrar o marco, a Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, do Memorial da América Latina, recebe até 30 de setembro uma exposição que destaca alguns dos exemplares históricos do jornal. Passaram por O Politécnico estudantes da Poli-USP que mais tarde se tornariam figuras conhecidas no Brasil, como o ex-governador de São Paulo Mário Covas, o ator Carlos Zara, o fotógrafo Thomaz Farkas e a empresária Cristina Junqueira (fundadora do Nubank).
Após paralisação iniciada na segunda-feira (16/9), os jornalistas da Editora Três, responsável por revistas como IstoÉ, IstoÉ Dinheiro e Motor Show, voltaram ao trabalho em 18 de setembro. O retorno às atividades ocorreu após a maior parte dos salários atrasados ter sido quitada.
Segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), a reunião dos profissionais também aprovou a continuidade das negociações e a manutenção da assembleia permanente até que seja definida pela empresa uma nova data para o pagamento da metade do 13º salário do ano passado e das parcelas devidas aos funcionários, com quitação total prevista até o final de novembro. A empresa concordou em pagar a parcela em atraso e seguir o cronograma acordado entre ambos para os pagamentos restantes.
Leandro Conti despediu-se neste início de setembro da Hotmart, companhia em que esteve por 4 anos e onde exercia o cargo de vice-presidente global de assuntos corporativos. Antes, liderou a comunicação corporativa e assuntos afins em companhias como UnitedHealth Group Brasil, Syngenta (Brasil e Suíça), Bayer, Henkel, Philip Morris e Nextel.
Mariana Rosa, gerente de comunicação corporativa, segue na liderança da comunicação da empresa.
Em mensagem que publicou no Linkedin, comunicando a saída da empresa, Conti diz:
“A empresa optou por dividir a minha responsabilidade e equipe com outras áreas e eliminou minha posição. Tudo com muito respeito, transparência e compensações justas. Fiquei triste, claro. E bastante emocionado com as muitas mensagens de agradecimento e carinho que recebi dos colegas. Saio com imensa gratidão, mantendo as portas abertas, com um legado construído e novos conhecimentos, habilidades e relacionamentos que dificilmente teria conseguido de outra forma. E que, agora, me abriram tantas possibilidades que poderei escolher os próximos passos com tranquilidade.”
Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro
Um grupo de empresários da comunicação negocia o relançamento da TV Tupi, possivelmente no primeiro semestre de 2025. Os responsáveis não se identificam sob o pretexto de a operação ser sigilosa. Tão sigilosa que eles foram fontes de Na telinha do UOL, e do site Seu crédito digital, entre outros. Não é coincidência que a divulgação se dê justamente na data de fundação da Tupi, como um teaser.
Inaugurada por Assis Chateaubriand em 18 de setembro de 1950, foi a primeira emissora brasileira, e se manteve no ar até 1980. Chamada A Pioneira, inventou a telenovela, exibida em capítulos como um folhetim. Fizeram história os programas Sítio do Picapau Amarelo, O céu é o limite, Os Trapalhões e o Repórter Esso. A marca faz parte das mídias dos Diários Associados, que incluem os jornais Correio Braziliense e Estado de Minas, e a rádio Tupi no Rio. Nos antigos estúdios da Tupi em São Paulo, no Sumaré, funciona hoje o canal ESPN Brasil.
Assis Chateaubriand inaugura a TV Tupi em 18/9/1950
A ideia de relançar a Tupi vem embasada em números do Kantar Ibope, que apontam o grupo demográfico com mais de 50 anos como dominante na audiência atual da TV aberta. Esse nicho pode ser explorado, resgatando a memória afetiva da antiga emissora. Sendo assim, a nova Tupi só teria programas para os mais velhos, descartando a programação para os jovens.
O processo avança. Houve contatos com um estúdio em São Paulo para gerar programação 24 horas, e com um teatro reformado há pouco para sediar programas de auditório com transmissão ao vivo. Inicialmente, a grade de programação da nova Tupi seria transmitida no YouTube, permitindo um alcance digital imediato. A etapa seguinte seria colocar a rede à disposição de retransmissoras independentes do País, que foram procuradas e demostraram insatisfação com a programação atual.
Pode soar estranho que, quando o meio TV se volta para o streaming, e os canais abertos sofrem com a falta de audiência e publicidade, alguém ainda queira relançar uma TV aberta. Comenta-se no mercado um paralelo com a tentativa frustrada de reviver o Jornal do Brasil em papel. Porém, não é demais lembrar que a Record ressuscitou e deu certo.