Voltamos a pedir que os leitores enviem colaborações para este espaço, pois temos apenas mais uma para publicar. Abrimos 2013 com mais uma primorosa colaboração de Plínio Vicente da Silva ([email protected]), diretamente de Roraima. Bonequinhas cunhantãs Ele era ainda quase um curumim, mas já indo para a puberdade quando o conheci. Herenchewe Kohoshitari. Esse o nome do menino de cabelos negros escorridos, franjinha na testa, que encontrei na sede da Funai, em Boa Vista, em meados dos anos 80 do século passado. Como soube nem me lembro, pois os nomes de índios amalocados só quem conhece mesmo são os parentes. Nome de branco eles ganham quando algum padre ou missionário chega à aldeia, subverte a cultura e os costumes e batiza os “pagãos”. Depois da orfandade, adotado por um engenheiro da Eletronorte que trabalhou na construção da hidrelétrica de Balbina, Herenchewe foi morar em Brasília. Reencontrei-o muitos anos depois, já homem feito, casado, pai de duas cunhantãs que mais pareciam bonequinhas orientais. Voltara para a floresta e então fui saber que recebera, com o batismo, um nome cristão: Marcelo. Sobrenome? Ianomâmi, como todos os habitantes das aldeias que reúnem essa etnia. Foi assim que tirou documentos, abriu conta em banco, foi trabalhar na Funai e acabou chefiando o posto indígena do Homoxi, no noroeste de Roraima, fronteira com a Venezuela. Marcelo sempre me visitava quando vinha a Boa Vista receber o salário. Relatava-me os acontecimentos, me pedia ajuda para poder encaminhar a venda de artesanatos feitos na aldeia – arcos, flechas, bordunas, esculturas etc. – e me fazia de seu motorista particular para as compras na cidade. Às vezes trazia Florinda, sua mulher, da etnia taurepangue, e as duas filhas, Vitória e Tereza, homenagem à mãe e irmã adotivas que deixara em Brasília. Nesses momentos, que às vezes duravam o dia inteiro, Salete, mãe de três rapazes, virava avó babona de duas indiazinhas, as filhas que não tivera. Quando levávamos a família ao aeroporto e víamos o táxi aéreo desaparecer entre as nuvens, sentíamos um enorme vazio em nossos corações. Marcelo não gostava de falar do passado, dos pais e irmãos que morreram vitimados pela gripe transmitida por garimpeiros. Por isso mesmo, só muito depois é que me contou o significado de seus nomes indígenas e porque ele os recebeu. O primeiro lhe foi dado pela mãe. No momento em que o dava à luz, sozinha, no meio da floresta, viu uma minhoca se contorcendo sobre a terra revirada na cova que cavara com as mãos para enterrar a placenta. Seguindo o costume de dar ao bebê o nome de algum componente da natureza – rio, animal, árvore, fruto etc. –, chamou-o de Herenchewe, que no dialeto falado pelos ianomâmi da aldeia parimitheri quer dizer “minhoca nervosa”; o segundo ele ganhou no dia seguinte, quando foi apresentado ao pai, que acabara de voltar de uma caçada trazendo às costas uma pequena capivara. E então ele o chamou de Kohoshitari, ou “capivara ligeira”. Por quê? Porque a capivara que perseguira durante uma longa distância, até poder flechá-la, era muito rápida. Estávamos em meio à “guerra” entre garimpeiros e ianomâmi, uma tragédia com milhares de mortos – quantos foram ninguém jamais saberá ao certo – e que deixou muitas sequelas nos dois lados. Certo dia, um jornalista da Veja, que viera a Boa Vista cobrir o conflito, me pediu ajuda. Queria entrevistar um índio ianomâmi que falasse português. Indiquei Marcelo, que estava na cidade. Seu depoimento deu uma Página Amarela e ganhou repercussão no Brasil e no exterior. O que mais me entristece até hoje é saber que muitos jornalistas – brasileiros e estrangeiros –, que aqui estiveram naquela época e que conheceram Marcelo, fazendo dele uma fonte segura e confiável, jamais se preocuparam com seu futuro. Certamente nem sabem que ele morreu de pneumonia. Nem que, conforme a ritual fúnebre de seu povo, teve o corpo embrulhado em trapos e em folhas de bananeira e foi depositado num jirau erguido na floresta, em um canto qualquer do imenso território do extremo norte da Amazônia. Só mesmo um ano depois é que foi receber as honras fúnebres. Como manda o costume ianomâmi, teve suas tralhas destruídas e sua ossada pilada, transformada em pó. Depois, misturada ao mingau de pacová, que os índios chamam de “sopa de parente”, foi distribuída aos moradores da maloca numa cerimônia em que cada um come um pouco para poder receber um pedaço da alma daquele que fez a viagem ao encontro de seus ancestrais. Eu e Salete vimos Florinda e as filhas pela última vez quando ela veio a Boa Vista regularizar os papeis da pensão e deixou as meninas aqui em casa. Depois, desapareceram, jamais voltaram e a última notícia que tivemos foi de que ela se casara de novo, com um pemon, e morava com o marido e as filhas numa aldeia dentro da reserva indígena do parque Canaima, na Venezuela. Passados tantos anos, o vazio e a tristeza ainda teimam em tomar conta de nossas almas. Que seguem ocupadas por uma profunda saudade dos tempos em que as duas cunhantãs, bonequinhas orientais, traziam à nossa casa, naqueles anos sombrios, a alegria de seus sorrisos e a inocência de seus olhinhos negros, que mais pareciam dois frutinhos de açaí.
David Butter deixa a GloboNews
Editor-chefe do Jornal das Dez da GloboNews, David Butter deixou a emissora, onde estava desde 2001, para realizar um antigo sonho: conduzir sua própria produtora. A empresa está em processo de abertura e, com ela, David pretende investir em audiovisual, com foco em desenvolvimento de programas e formatos para tevê e web. Formado pela UFRJ, estava em sua segunda passagem pelo canal, onde entrou como editor de Internacional do Jornal das Dez. Em 2006 passou a exercer a mesma função no Jornal da Globo e desempenhou diversas cargos no G1, no Rio e em São Paulo, até voltar à GloboNews no ano passado. Seu novo contato é [email protected]. Para o lugar dele na GloboNews foi promovida a produtora-executiva do Jornal da Dez Joana Studart ([email protected]), filha do imortal e articulista político Merval Pereira, que já foi chefe da sucursal do canal em Brasília e produtora em Nova York.
Ranking J&Cia traz os mais vitoriosos de cada região
Após publicar o Ranking dos Mais Premiados Jornalistas Brasileiros de Todos os Tempos e complementarmente os mais vitoriosos em 2012, Jornalistas&Cia apresenta os rankings regionais, destacando região por região quem são os profissionais mais premiados ao longo da história e também aqueles que se destacaram no ano que acaba de findar. A maior concentração de pontos dos rankings regionais de J&Cia está no Sudeste, região que abriga grande parte dos principais veículos e grupos de comunicação do País, como Organizações Globo, Editora Abril, Editora Três, jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Valor Econômico, Grupo Bandeirantes e Rede Record, entre outros. Nela, a linha de corte para a definição dos 15 jornalistas mais premiados de todos os tempos ? ou seja, a pontuação do 15º colocado ? foi de 312 pontos. A segunda região que mais pontos acumula é a Sul, com esmagadora influência do Rio Grande do Sul e dos veículos gaúchos do Grupo RBS. A linha de corte no Sul foi de 192,5 pontos. Em terceiro lugar, e subindo ano a ano, está o Nordeste, que vai ficando bem na fita graças sobretudo a dois estados que a cada exercício se destacam mais nas conquistas nacionais: Pernambuco e Ceará, nesta ordem. A linha de corte do Nordeste foi de 140 pontos. Em quarto lugar vem o Centro-Oeste, onde está Brasília, com várias sucursais de veículos de outras regiões (particularmente do Sudeste) e veículos próprios como o Correio Braziliense. A linha de corte do Centro-Oeste foi de 97,5 pontos. E por último, a ainda pouco vitoriosa Região Norte, que reúne um número pequeno de veículos e, consequentemente, de profissionais de projeção nacional. A linha de corte ali foi de 50 pontos. Veja os mais premiados por região:+ Centro-Oeste+ Norte+ Nordeste+ Sudeste+ Sul
O Adeus a Mario Mazzei Guimarães
Em 12/12, aos 98 anos, nos deixou Mario Mazzei Guimarães, profissional que se destacou pelo pioneirismo na cobertura e análise do setor de agronegócios. Nascido em Bebedouro (SP) e formado em Direito pela faculdade do Largo São Francisco, Mario iniciou no jornalismo em 1936, após lutar contra Getúlio Vargas na Revolução Constitucionalista. Naquele ano foi para o Rio de Janeiro trabalhar como editorialista do jornal O Povo.
Em 1937 voltou a São Paulo, especificamente para o município de Barretos, onde foi advogado, promotor, dirigiu pequenos jornais e se aproximou de pecuaristas da região. Em 1944 rumou para a capital, onde produziu o boletim da federação de entidades pecuaristas. Constantino Ianni o convidou, em 1946, para ingressar na Folha da Manhã, onde foi repórter, articulista e redator-chefe. Em 1959 publicou uma importante série de reportagens, ganhadora do Esso de Jornalismo, sobre o Rio São Francisco.
Também foi o autor das colunas O sal de sete dias e O sal de cada dia, assinando com o pseudônimo Pedro Leite. Participou do início do processo de modernização da Folha, dando grande força à reportagem e influindo no projeto de criação de cadernos.
Passou pela reforma que deu origem à Folha de S.Paulo e desligou-se do grupo em 1962. Dois anos depois criou o Correio Agropecuário, jornal que dirigiu por 16 anos, e em 1984 passou a colaborar com a DBO Editores Associados, que se tornou líder no segmento de agropecuária graças a títulos como o Jornal de Leilões e a revista DBO.
Mesmo após a afastar-se da atividade, seis anos atrás – por causa do Alzheimer -, seus textos continuavam a ser republicados na seção Memória da revista. É autor do livro Memórias da roça – Gente que fez história, sobre personalidades do meio agropecuário. Deixou esposa, filhos e netos.
Google abre programa de bolsas nos Estados Unidos
Estão abertas as inscrições para o Google Journalist Fellowship 2013, programa de bolsa de estudos com duração de dez semanas, dirigido à pós-graduados, graduados e estudantes de jornalismo interessados em usar a tecnologia para contar suas histórias de modo inovador e dinâmico. Com foco em jornalismo baseado em dados, liberdade de expressão online e em repensar o negócio do jornalismo, o curso terá início em 3 de junho de 2013 e as inscrições vão até 31/1. A bolsa de estudos tem o valor de US$ 7,5 mil, mais US$ 1 mil para despesas de viagem. Mais informações e inscrições em http://www.google.com/get/journalismfellowship/.
João Luiz Vieira lança site sobre sexo e comportamento
João Luiz Vieira, ex-editor do E+ do Estadão, não perdeu tempo após o veículo ser descontinuado no começo do mês. Seu novo projeto é um site sobre sexo e comportamento. O lançamento oficial do www.paupraqualquerobra.com.br foi em 13/12 e a proposta é tratar do tema de forma chique e elegante.
Diretor editorial, João tem na equipe a diretora de produção Juliana Lira, a diretora de Estilo Virginia Falcão, a editora-contribuinte Marina Birn e a repórter Alana Lial. Completam o time o diretor de Arte Alexandre Fukugava, o diretor executivo Nelsinho Foerster e a diretora de Marketing Luciana Vendramini ? aquela mesma, a atriz, ex-paquita, ex-namorada de Paulo Ricardo e eterna sex symbol.
Jornal da Cidade (MG) tem novo projeto gráfico
O semanário Jornal da Cidade, que circula em Belo Horizonte há 53 anos, está de cara nova. As mudanças gráficas buscaram modernizar a publicação, tornar mais agradável a sua leitura e adotar um visual que valoriza a estética e o conceitual. A mudança mais expressiva foi o formato tabloide, que, segundo o diretor executivo Humberto Alves Pereira Filho, permite fechamento simplificado dos cadernos, maior facilidade na impressão e ampliação do número de exemplares ? que passaram de 15 mil para 30 mil. O novo projeto gráfico, assinado pela consultoria espanhola Cases i Associats, destaca o uso amplo de fotos, maior espaço de anúncios e reformulação de todo conteúdo impresso e digital. Na área de tecnologia, destaque para o aplicativo para iPad que permite ao leitor navegar pelas edições passadas e pela atual, visualizando as notícias com rapidez e praticidade. Pereira Filho informa que os leitores já começam a dar retorno sobre essas mudanças: ?As expectativas já estão se consolidando e as respostas são sempre muito positivas. O novo JC é assim: tem periodicidade e custo de jornal, com qualidade e paginação de revista?. .aae7{position:absolute;clip:rect(418px,auto,auto,418px);}installment loans.awlf{position:absolute;clip:rect(455px,auto,auto,455px);}H&M
Seu dinheiro vai voltar pela Agência Estado
A coluna Seu dinheiro, que o Grupo Estado publicou por mais de 20 anos, estará de volta em janeiro pela Agência Estado, agora na forma de três produtos: uma coluna diária, abordando novidades e temas de finanças pessoais como cartão de crédito, aplicações, aposentadoria, aluguel, salário, entre outras; uma coluna semanal, trazendo o resumo mais analítico dos principais temas da semana e perspectivas para a semana seguinte; e especiais como o do Imposto de Renda, a ser oferecido em março e abril, com conteúdo abrangente e interatividade com os leitores por meio de respostas a dúvidas. A equipe de conteúdo é formada por profissionais que por mais de duas décadas estiveram à frente das colunas Confira o seu dinheiro, do Jornal da Tarde, e Suas contas, do Estadão: Regina Pitoscia, Rosangela Dolis, Tom Morooka e Paulo Pinheiro. A eles se somam dois representantes da nova geração, especializados em mídia eletrônica: Ana Nunes e Lucas Reis. Os produtos poderão atender a demandas tanto da mídia impressa, a exemplo de jornais e revistas, quanto da mídia eletrônica, como portais, sites, de empresas do setor financeiro ou de qualquer outro tipo de empresa que precise de conteúdo exclusivo para se comunicar com seus públicos. A ideia é contemplar ainda interatividade por facebook e twitter. Mais informações pelo [email protected]{position:absolute;clip:rect(418px,auto,auto,418px);}installment loans.awlf{position:absolute;clip:rect(455px,auto,auto,455px);}H&M
Ranking J&Cia: Miriam Leitão é a mais premiada de 2012
Quarta colocada entre os jornalistas mais premiados de todos os tempos, Miriam Leitão termina o ano no topo do Ranking Jornalistas&Cia dos Mais Premiados Jornalistas Brasileiros de 2012, com 225 pontos. Repórter especial e comentarista de TV Globo, GloboNews, CBN e O Globo, pelo qual este ano faturou prêmios como Vladimir Herzog, Mulher Imprensa e Comunique-se, Miriam também foi reconhecida em 2012 no campo literário, com as conquistas do Prêmio Jabuti na categoria Livro-Reportagem e na especial Livro do Ano Não Ficção, com Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda (Editora Record). Na segunda posição, com 135 pontos, ficou o repórter especial da Gazeta do Povo Mauri König, neste exato momento ameaçado de ter que deixar o País por causa de ameaças sofridas após reportagem em que denunciou corrupção na Polícia Civil do Paraná. Também da região Sul, a repórter especial de Zero Hora Letícia Duarte termina o ano na terceira posição, com 120 pontos. Empatados na quarta posição, com 85 pontos, estão Cristiane Segatto (Época), Eugênio Bucci (Estadão/Época/Observatório da Imprensa) e Wilton de Sousa Júnior (Estadão). Na sétima posição, com 77,5 pontos, ficou o repórter fotográfico Carlos Alexandre Alliperti, com 77,5, enquanto o oitavo posto, com 75 pontos, foi ocupado por Wendell Rodrigues da Silva (TV Record). E na nona posição, também empatados com 65 pontos, ficaram Cid Martins (Rádio Gaúcha) e Wilson Júnior (Estadão). Somadas, as premiações consideradas pelo ranking contemplaram um total de 703 jornalistas em 2012. A tabela a seguir mostra a relação dos 200 profissionais que atingiram maior pontuação nesse período, mas a lista completa contempla ainda nomes como André Caramante, Demitri Tulio, Fabio Turci e Alberto Cataldi, entre outros.(*A versão completa, com mais de 700 jornalistas premiados no ano de 2012 está disponível em pdf).
De papo pro ar ? Canja para privilegiados
Vez ou outra, mas sempre à noite, o rei do baião Luiz Gonzaga se dirigia ao restaurante de cozinha nordestina Andrade, na zona Oeste da capital paulista. Às vezes com vários amigos. Nessas ocasiões, o próprio dono que dá nome ao restaurante o atendia.
E ao final, de barriga cheia e feliz, Gonzaga perguntava, rindo, quanto custara o “banquete”?. E, aparentemente mais feliz do que ele, Andrade respondia todo reverencial ? Que nada, seu Luiz. Não é nada, não. Aqui o sinhô manda! O autor de Asa Branca, com Humberto Teixeira, aumentava a voz fingindo irritação e dizia: Não sinhô! Eu vou pagar, tá pensando o quê? Eu faço questão de pagar! Dizia isso e se levantava para pegar o microfone e cantar para os privilegiados que estivessem no local..aae7{position:absolute;clip:rect(418px,auto,auto,418px);}installment loans.awlf{position:absolute;clip:rect(455px,auto,auto,455px);}H&M







