O jornal O Fluminense montou este ano um canal de tevê a cabo, a TV O Flu, que vai ao ar pela operadora Sim, pertencente ao grupo Band, com atuação em Niterói e São Gonçalo. Há planos de, até o final de 2012, chegar também à capital do Estado. Liliane Souzella, diretora de Multimídia do grupo O Fluminense, responde pela operação do canal. Ela tem na equipe cerca de 15 pessoas na parte técnica ? todos os produtores são jornalistas ? e duas repórteres exclusivas para televisão, Flávia Abranches e Flávia Tenente. Na produção, estão Renan Barreto ? que também apresenta um programa sobre games, assunto que ele domina ? e Eduardo Carvalho, entre outros. Na edição de imagens, Fabiano Castellar e Fabiano Guedes. O impresso contribui com todas as editorias e, da Rádio Fluminense AM, o repórter Flávio Oliveira gera material específico para a tevê. O coordenador de programação da rádio, Cristian Ferraz, acumula o mesmo cargo na tevê. No ar das 6h da manhã à meia-noite, o canal tem foco em notícias. Aline Novaes é a apresentadora dos telejornais da casa.
Jal celebra 24ª edição do Troféu HQMIX
Chega à 24ª edição o Troféu HQMIX, premiação que está entre as mais importantes das artes gráficas na América Latina e é protagonista nacional no reconhecimento de quadrinistas, cartunistas, ilustradores e outros profissionais da área, bem como editoras, publicações e trabalhos de pesquisa. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, o cartunista José Alberto Lovetro, o Jal, um dos idealizadores do evento, fala sobre a criação do prêmio, a evolução do trabalho e da pesquisa sobre quadrinhos e as homenagens a Primaggio Mantovi e a Marcatti, este escolhido Grande Mestre da edição. Portal dos Jornalistas ? Como surgiu a ideia do prêmio? Jal ? Eu e o Gualberto Costa tínhamos uma coluna de quadrinhos no programa TV MIX 2 e TV MIX 4 na TV Gazeta de São Paulo, em 1987. O primeiro era apresentado por Astrid Fontenelle e o segundo, por Serginho Groisman. Era ao vivo e falávamos dos lançamentos, além de fazermos entrevistas com os cartunistas e editores. Achamos que era necessário um troféu para a categoria e acertamos com o Museu da Imagem e do Som (MIS) para realizarmos o primeiro evento. A votação foi pela então nova Associação dos Cartunistas do Brasil, que organizamos Brasil a fora. A partir do segundo, que foi na casa de shows Aeroanta, em Pinheiros, Serginho foi o apresentador. Desde então ele se tornou nosso padrinho. Portal ? Hoje esse é considerado o mais importante prêmio de quadrinhos da América Latina. A que atribui esse sucesso? Jal ? Em primeiro lugar, por ter passado dos fatídicos dez anos de existência. Estamos no 24° e evoluindo na organização e na forma de votação da categoria. Temos uma Comissão Organizadora com pessoas importantes da área que são voluntários para trabalhar o ano todo. Muitos desenhistas estrangeiros, como Manara, Robert Crumb, Will Eisner, Neil Gaiman, Joe Sacco e Milazzo valorizam o troféu e divulgam-no em seus países. Portal ? Que evoluções percebe no trabalho dos cartunistas ao longo desses 24 anos? Jal ? O mercado brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico vem crescendo pelos independentes e pequenas editoras. Em nosso levantamento contamos mais de 700 lançamentos. É maior do que em muitos países. Para ter uma pequena ideia, os americanos fizeram festa quando a revista do Homem Aranha bateu seu recorde de venda, com 200 mil exemplares. Enquanto isso, Mauricio de Sousa chegava a vender 500 mil exemplares só da revista da Turma da Mônica Jovem. Acredito que nosso mercado pode crescer pelo menos três vezes mais do que o atual. Portal ? Como está o andamento do projeto de lei 6.060/2009, que promove incentivos para quem produzir mais de 20% de quadrinhos nacionais? Jal ? O projeto está na comissão de Educação e Cultura da Câmara para votação do novo texto do relator, o deputado Rui Costa, após encontros entre as partes interessadas, que melhoraram muito a redação final. A proposta pede reserva de mercado de 20% para o quadrinho brasileiro, mas dá a contrapartida de incentivos fiscais e possibilidade de verba destinada pelo BNDES para quem publicar o produto nacional. Claro que essa parte será desenvolvida pelo Executivo depois que passar pelo Legislativo. Portal ? Qual a importância da aprovação desse projeto? Jal ? A princípio as editoras não aprovaram a obrigatoriedade dos 20% por acharem uma ingerência nos negócios particulares de cada uma. Os desenhistas também não são defensores de porcentagem obrigatória. Mas todos sabemos que o Governo precisa exigir uma contrapartida para dar facilidades e defende que cotas são normais para várias áreas culturais. Analisando o mercado, vemos que quase todas editoras já cumprem os 20% e que também podem cumprir facilmente essa cota pela área digital. Com poucos custos. Portal ? Como foi a escolha de Primaggio Mantovi, criador do palhaço Sacarrolha, para ser o homenageado com a escultura do troféu? Jal ? A cada ano temos um personagem brasileiro homenageado na escultura do troféu. É um charme o nosso troféu, e vira objeto do desejo pela arte que o escultor Olintho Tahara consegue realizar. O Primaggio ficou muito conhecido por ter trabalhado por muitos anos no departamento de quadrinhos da Editora Abril. Cuidava das publicações nacionais e deu muitos conselhos para os jovens artistas que ali publicavam. Sacarrolha, porém, foi criado para a Rio Gráfica Editora anos antes, e depois publicado na Editora Abril também. O HQMIX tem essa ação de resgatar a memória criativa da história das HQs no Brasil. Portal ? E a escolha de Marcatti como Grande Mestre, homenageado nesta edição? Jal ? A cada ano a Comissão Organizadora, discute quem poderá ser homenageado como Grande Mestre. O nome de Marcatti veio à tona quando percebemos que ele virou referência do underground nacional e lançou outros tantos em suas revistas que rodava em uma impressora própria instalada em seu quarto. É um consenso do momento, já que temos muitos a serem homenageados como mestre, mesmo que só escolhamos artistas atuantes. Portal ? Desde 2006 o troféu conta com as categorias Doutorado, Mestrado e TCC. O que pensa sobre a pesquisa acadêmica na área? Como foi a evolução dentro do prêmio? Jal ? Fomos a primeira premiação mundial, na área, a abrir esse item. Neste ano, até o prestigiado Eisner Awards começa a premiar teses. É evidente que é na universidade que os quadrinhos começam a ganhar força. Foi dentro de universidades que surgiram revistas históricas como Balão (USP), Capa (Mackenzie e Boca (FAAP). Toda uma geração surgiu aí. Neste ano também a professora doutora Sonia Luyten completa 40 anos de vida profissional. Além de ser a coordenadora da Comissão de Teses, foi a criadora da Gibiteca e do curso de quadrinhos dentro da disciplina de Editoração na ECA-USP. A boa notícia é que editoras estão se interessando em publicar essas teses. As inscrições para teses de Doutorado, Mestrado ou TCC do Troféu HQMIX ficam abertas até 15/5 (3ª.feira). São aceitos trabalhos nas áreas de quadrinhos ou humor gráfico, defendidas em 2011. Os arquivos digitais devem ser enviados para nobuchinen@gmail.com. A cerimônia de premiação será no dia 30/6, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo. Mais informações no blog do Troféu.
Editora Novo Meio prepara lançamento de Carro e Vida
A Editora Novo Meio finaliza a primeira edição da revista Carro e Vida, produzida em parceria com a BR Distribuidora. Bimestral, a publicação terá tiragem de 200 mil exemplares, distribuídos gratuitamente nos postos Petrobrás. No comando da nova revista está o diretor de Redação Claudio Milan, que conta na sua equipe com a editora Perla Rossetti e a repórter Adriana Chaves. “Não será uma revista técnica, que vai falar de produto. Suas reportagens terão foco comportamental e em serviços. Queremos mostrar, por exemplo, os benefícios da inspeção veicular ao meio ambiente e à população ou falar de segurança para pedestres, ciclistas e motoristas”, afirma Milan. Outra novidade na Novo Meio, é que ela também vai produzir o primeiro Diário do Salão do Automóvel, jornal customizado para o evento, semelhante aos trabalhos que ela já vem desenvolvendo com outras feiras promovidas pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, como Automec, Fenatran e Fenabrave.
Vaivém das redações!
Confira o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo (capital e interior), Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia.São Paulo: O UOL acertou a contratação do repórter Gabriel Correia para reforçar a cobertura das Eleições 2012. Será a sexta atuação de Gabriel (11-3038-8100 / 9329-3636) em pleitos eleitorais. Ele foi apresentador e repórter de CBN, Estadão/ESPN, Globo e outras emissoras de rádio e tevê da capital e do interior.Vanessa Pessoa deixou o Agora São Paulo, onde atuava como editora de Primeira Página, e começou como assessora de Comunicação da Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo. A vaga de editor de Primeira Página foi extinta. Os novos contatos de Vanessa são imprensa@emtu.sp.gov.br e 11-3113-4796.Outra novidade no Agora São Paulo é a chegada da repórter Simei Morais (11-3224-3442), vinda do jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, à editoria Nas Ruas.Com o encerramento do Aconteceu, da Rede TV, o apresentador do programa e substituto no Leitura Dinâmica e RedeTV News Laerte Vieira deixou a emissora. Ele continua como a ?voz oficial? da CBN e procura por novas oportunidades (laertevieira@gmail.com).O caderno Esporte da Folha de S.Paulo começou na última 4ª.feira (2/5) uma nova ordem de publicação de suas colunas. Inaugurou com Rodrigo Bueno, que antes escrevia sobre futebol internacional às 5as.feiras. Fábio Seixas (automobilismo) passa de 6ª para 5ª.feira e Edgar Alves (esportes olímpicos) de sábado para 2ª.feira. A coluna Los Gringos, que saía às 3as, será suspensa, e a seção Numerada trará aos sábados a programação do final de semana e às 2as, a crítica do esporte na tevê. As demais não mudam. São Paulo ? Interior: Repórter da Agência Estado no interior paulista há nove anos, Gustavo Porto está de mudança para a sede da empresa, na capital. Seu último trabalho na atual função foi a cobertura da feira Agrishow, que terminou na última 6ª.feira (4/5) em Ribeirão Preto. Na nova posição em São Paulo, ele deve se afastar das pautas de agronegócios. Minas Gerais: Jorge Luiz e Mateus Rabelo deixaram o portal O Tempo e agora integram a equipe da BandNews FM.Larissa Faria é a nova produtora do Caleidoscópio, da TV Horizonte. Outra novidade na casa é Yara Fantoni, que chega para o esportivo Jogada de Classe. Yara começou como estagiária na Rádio Alvorada, onde atuava como comentarista de esportes especializados no Só Esportes, de Flávio Carvalho.Com a saída de Sabrina Abreu da revista Ragga, Flávia Denise assumiu a edição da revista. Até agora editora do caderno Ragga Drops, ela foi substituída por Guilherme Ávila.Aline Gonçalves deixa o caderno Gastrô de O Tempo para se dedicar a projetos pessoais. Lorena Martins, ex-Pampulha, fica como repórter da editoria.Durval Guimarães é editor-chefe da revista Matéria Prima, que circula em sua 30ª edição. A publicação traz assuntos de interesse para o público mineiro, debatendo política, economia, educação e cultura. A redação fica na rua Canopus, 11, conj. 5, em BH ? tel. 31-2534-0600. Rio Grande do Sul: Grávida de oito meses, Fernanda Zaffari deixa a apresentação do TVCOM Tudo+, na TVCOM RS, posto que Sara Bodowsky passa a acumular com suas funções na Rádio Gaúcha, onde desde 2004 comanda a primeira parte do Brasil na Madrugada, que vai ao ar da meia-noite às 3 horas. Sara começou na Gaúcha em 2002, como produtora do Chamada Geral. Fernanda continuará como editora-chefe do TVCOM Tudo+ até entrar em licença-maternidade. O programa vai ao ar de 2ª a 6ª.feira, das 20h30 às 22 horas. Bahia: Paulo Droppa, que por quase quatro anos ficou no comando da Record Bahia, volta para São Paulo, onde assume novos projetos na emissora. Em caminho inverso, chega para assumir como novo diretor-executivo Carlos Alves, que já atuou na direção de outras praças da Rede, como Santos, Belo Horizonte e Belém.A propósito, a Record Bahia tem novo programa, sob o comando da dupla Ana Paula e Ana Portela. A Bahia que a Gente Gosta tem conteúdo sobre cultura, turismo, economia, sustentabilidade e esportes radicais. Exibido aos domingos, das 9h às 9h30, é gravado não só em Salvador, mas também no interior do Estado.Gerson Brasil (gersonbrasil@gmail.com) é quem fica na coordenação do Mundo Vip, da Tribuna da Bahia, que desde 21/4 se transformou num caderno, aos sábados.
Paulo Leandro deixa Secretaria de Redação do Correio
Paulo Leandro deixou o cargo de secretário de Redação do Correio. Divergências editoriais sobre maior popularização do jornal é que motivaram a sua saída, segundo apurou Jornalistas&Cia. ?Um contrato bilateral pode ser rompido por qualquer uma das partes a qualquer momento e a Diretoria de Redação do Correio entendeu que já não correspondia à confiança que eles tiveram em mim, ao me chamar para fazer parte da equipe que reinventou o jornal e o colocou na liderança de mercado, algo inacreditável em julho de 2008?, disse Leandro ao informativo. Numa carta emocionada que enviou à redação, Leandro despediu-se, assumiu seus erros, relembrou seus méritos e reiterou que continua amigo próximo do diretor de Redação Sérgio Costa. Lembrou que havia entrado no jornal pela primeira vez em 1985, como estagiário da editoria de Esportes, e que voltara em 2008 para chefiar a mesma editoria na reformulação do jornal, sendo posteriormente promovido a secretário. Leandro, que tem doutorado em Cultura e Sociedade, foi professor de Jornalismo e editor dos jornais A Tarde e Gazeta Mercantil, entre outros. Ele informa que seu CV está no facebook, dipõe-se a mudar de Estado e que seus contatos são 75-9133-2194 e pauloleandro.jor@uol.com.br. Sua vaga no Correio permanece aberta, mas Costa afirma que deve ser preenchida até meados deste mês. Ainda por lá, o repórter Jairo Costa Júnior foi promovido a editor de Política. Ele continua assinando a coluna Satélite, que sai às 2as.feiras, sobre os bastidores do cenário político baiano. A vaga na reportagem ainda não foi preenchida.
J&Cia lança edição Memória da Cultura Popular
Jornalistas&Cia, em parceria com o Instituto Memória Brasil, lançou nesta 2ª.feira (7/5) a primeira edição do informativo mensal Jornalistas&Cia Memória da Cultura Popular, que tem na produção de conteúdo o próprio presidente do instituto, Assis Ângelo (assisangelo@uol.com.br), sob o comando do diretor de J&Cia Eduardo Ribeiro e edição-executiva de Wilson Baroncelli. Em sua edição de estreia, o especial traz como tema o Roteiro musical da cidade de São Paulo, resultado de duas décadas de pesquisas e que tem por finalidade mostrar que é possível contar as muitas histórias da cidade por meio da música. A edição completa da primeira edição do Jornalistas&Cia Memória da Cultura Popular, você confere aqui.
Diários Associados compra publicação na Grande BH
Com dez anos de mercado e mais de 300 mil leitores na Grande BH, a revista Encontro é a nova aquisição dos Diários Associados. A informação, que já havia sido adiantada pelo informativo Jornalistas&Cia há algumas semana, é de que o grupo adquiriu 50% da participação na revista, que continua contando com Direção de André Lamounier. A sociedade faz parte de um projeto de expansão dos Diários Associados que teve início com a inauguração da TV Alterosa Leste, no ano passado, e novos investimentos no parque gráfico do Estado de Minas. Integram o Grupo DA em Minas os jornais Estado de Minas, Aqui BH e Aqui Betim, Guarani FM, TV Alterosa, portais Uai, Vrum, Lugar Certo e Admite-se e as revistas Hit e Ragga.
?Focas? do Correio de Minas celebram 50 anos de jornalismo
Em almoço recheado de histórias de um tempo no qual o jornalismo era bem diferente de hoje, cerca de 20 convidados, entre ex-profissionais do Correio de Minas e acompanhantes, reuniram-se em Belo Horizonte no final de abril, para celebrar os 50 anos de fundação do extinto jornal e de suas próprias carreiras. O reencontro reuniu profissionais como Adauto Novaes, Carmo Chagas, Hélio Fraga, José Salomão David Amorim, Guy de Almeida, Marton Victor do Santos e José Maria Mayrink. Entre conversas e abraços, além de memórias, algumas análises sobre jornalismo. O Correio de Minas foi criado em Belo Horizonte, em 1962, pelo então proprietário do Banco da Lavoura Gilberto Faria. Mayrink narra como isso aconteceu no livro Três vezes Trinta, em que é coautor: ?O jornal Correio de Minas e a revista 3Tempos nasceram com a Empresa Brasileira de Divulgação para sustentar a recondução de Juscelino Kubitschek à Presidência da República. Não era uma intenção explícita, mas a gente sabia quem estava por trás do empreendimento?. Sob o comando Hélio Fraga, Estácio Ramos, Samuel Dirceu, José Salmão David Amorim, Dídimo Paiva e Guy de Almeida, a primeira edição saiu em 25 de março de 1962, espelhando-se no modelo bem-sucedido criado pelo Jornal do Brasil. Logo no início da impressão, um susto: o papel enroscou na boca da rotativa, problema logo superado. Extinto apenas dois anos depois, o jornal deixou boas lembranças nos profissionais que participaram de sua criação: ?Foi a melhor escola para todos aqueles focas que começavam a trabalhar ali. Prova disso é que, depois do seu término, a maioria dos repórteres foi para Veja, Jornal da Tarde e Estado de São Paulo?, conta Marton. Mayrink compara o que aprendeu no começo da carreira com o jornalismo de hoje: ?Fiz parte da primeira turma de Jornalismo da UFMG, na Faculdade de Filosofia. Naquela época, os repórteres tinham formações muito variadas, o que lhes dava um bom preparo. Hoje, as faculdades, no geral, não oferecem formação suficiente. Os estudantes têm que aliar o curso e a prática ao mesmo tempo para serem bons jornalistas?. Marton concorda: ?Antigamente, a formação acadêmica mais diversa dava aos jornalistas uma excepcional condição profissional, ao contrário de hoje. Apesar da agilidade, os atuais cursos de Jornalismo não dão tanto background para o repórter?. Adauto Novaes diz ver outra grande mudança no trabalho do jornalista nesses 50 anos: ?Quando começamos, éramos pessoas muito comprometidas com o fato e sua análise, não nos limitávamos apenas a narrar o acontecimento. Hoje, a matéria está muito ligada apenas ao fato em si?. Herdeiros da tradição do jornal impresso, os ?focas? divergem quando o assunto são as novas tecnologias da informação. Se para alguns a internet trouxe maior agilidade na disseminação da informação, a maioria a considera uma grande armadilha. Entre debates e espontâneas trocas de livros dos autores ali presentes, o que ficou do almoço foi a emoção do reencontro de velhos amigos de redação. Organizador do almoço, Mayrink resume o espírito do encontro: ?Sempre quis rever as pessoas que trabalharam comigo em Belo Horizonte. Além da alegria de localizá-los, estamos comemorando 50 anos de jornalismo?. A foto que ilustra essa matéria é de Célio Apolinário, que também trabalhou no Correio de Minas em 1962.
Marcelo Goto começa no Carro Online
Marcelo Goto (marcelo.goto@motorpressbrasil.com.br) chega à equipe da Motorpress Brasil para coordenar as ações do site Carro Online, que publica conteúdo das revistas Carro e Carro Hoje, além de material exclusivo. Ele também vai gerenciar as atividades em facebook e twitter e colaborar para a versão impressa da Carro.
Memórias da Redação – A conversa entre Elio Gaspari e o dono do JB
A história desta semana é de Paulo Nogueira, atualmente vivendo em Londres, de onde escreve o blog Diário do Centro do Mundo, em que ela foi publicada em 9 de abril (veja aqui). Paulo foi editor-assistente da Veja, editor de Veja São Paulo, diretor de Redação de Exame, diretor-superintendente de uma Unidade de Negócios da Editora Abril e diretor Editorial da Editora Globo. Reiteramos o pedido para que os leitores nos enviem colaborações, pois só uma chegou na última semana. Grandes Momentos do Jornalismo: a conversa entre Elio Gaspari e o dono do JB A greve dos jornalistas de São Paulo tinha sido um fracasso em 1979. Acontecera o pior: os jornais noticiaram a greve. Os grevistas, no apogeu do entusiasmo pré-greve, sonhavam que os jornais simplesmente não sairiam porque não haveria gente para fazê-los. Mas saíram, feitos por fura-greves que, num efeito colateral trágico para todos os jornalistas, eles próprios incluídos, mostraram aos patrões que era possível trabalhar com redações bem mais enxutas do que as que existiam naqueles dias. Nem a famosa arma secreta prometida numa assembleia por Juca Kfouri – que fazia parte do comando de greve – foi capaz de salvar o movimento. Meu pai, Emir Nogueira, então editor de Opinião da Folha, estava – infelizmente — certo. Papai, veterano de outra greve, a de 1961, viu o que os demais jornalistas não enxergaram: não havia condições de vitória. Numa das maiores demonstrações de coragem que vi em minha vida, papai disse o que pensava perante uma multidão ávida por decretar greve. Foi vaiado e xingado. E naturalmente aderiu à greve tão logo ela foi declarada. O Brasil como que respirava greve, depois de mais de vinte anos de ditadura militar durante os quais parar era considerado subversivo. O gelo foi-se derretendo com o progressivo enfraquecimento dos militares no poder e com a aparição de operários aguerridos no ABC paulista, liderados por um certo barbudo de nove dedos conhecido como Lula. Os militares tinham beneficiado amplamente os ricos, e os trabalhadores começavam, enfim, a buscar mais espaço. O símbolo da desigualdade ficaria registrado numa frase de Delfim Netto, o poderoso ministro da Economia. Segundo ele, o bolo tinha que crescer primeiro para depois ser distribuído. Uma epidemia de greves tomou o País depois que os metalúrgicos abriram a porta. Umas foram bem-sucedidas. A dos jornalistas de São Paulo foi um monumental fracasso. O que era para ser uma festa transformou-se rapidamente num velório. Numa reação bem apropriada às circunstâncias, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro sugeriu que seus filiados usassem uma tarja preta numa quinta-feira em sinal de luto, numa demonstração de solidariedade aos colegas paulistas. Na redação do Jornal do Brasil, o lendário JB, muitos jornalistas acataram a sugestão. Entre eles estava um jovem de talento excepcional chamado Elio. Elio Gaspari. Aos trinta e poucos anos, depois de uma ascensão veloz a partir do cargo de assistente do colunista social Ibrahim Sued, Elio era editor de Política, editorialista e autor da coluna Informe JB, a mais importante da imprensa carioca e nacional naqueles dias. O jornalismo vivia o auge da Era do Papel: jornais e revistas ditavam a agenda do País. Não havia ainda a internet, e a televisão era para jornalistas de segunda classe. Inquieto, carismático, espirituoso, Elio já tinha os atributos de comandante de redação que lhe valeriam o apelido de General na década de 1980 em Veja, na qual ele formou com José Roberto Guzzo provavelmente a maior dupla que vi em ação, uma espécie de Lennon & McCartney do jornalismo nacional. Às 16h do dia do luto, os editorialistas do JB se reuniram, como sempre, com o dono do jornal, Nascimento Brito, o Doutor Brito, numa sala ampla, em que se destacava “uma portentosa mesa-redonda, que comportaria todos os ainda ministros da Dilma”, nas palavras de outro jovem brilhante da equipe do JB de então, Sílvio Ferraz, editor de Economia. “Os editorialistas diziam o que pensavam e ouviam o que o dono queria que dissessem, no clássico jogo de compensações”, como recordaria, anos depois, Sílvio. “O Dr.Brito cedia, os coleguinhas também”. (Para sorte minha, Sílvio seria meu chefe na redação de Veja pouco tempo depois. Era o chefe ideal para um iniciante como eu: competente e compreensivo. Adicionalmente, no julgamento justo e criterioso do jornalista José Nêumanne, era também o jornalista mais bonito do Brasil.) Naquela tarde de solidariedade aos colegas paulistas, logo que os editorialistas entraram na sala, Nascimento Brito viu o luto na camisa azul clara de Elio. Era o único que o portava. Travou-se, então, um diálogo antológico – e que conta muito sobre a personalidade vulcânica e independente de Elio Gaspari. “Que história é essa, Elio, virou comunista?”, perguntou Nascimento Brito, empostando a voz. “Comunista eu sempre fui, Dr. Brito”, respondeu imediatamente Elio. “Agora, a tarja na camisa é porque o meu sindicato é dos jornalistas. Se o senhor me der um punhado de ações do JB eu mudo de sindicato e arranco esse pedaço de pano agora”.