No mercado há 19 anos, CartaCapital apresenta a partir de 3/5 novo projeto gráfico de sua edição impressa, assinado por Mariana Ochs. Além de mudanças em logo e leiaute, a revista estreará as seções QI, esta comanda por Nirlando Beirão, colunista da revista desde julho passado; e Economia, que será apresentada em um só bloco, e não mais dispersa pelo conteúdo da edição. QI abordará viagens, bem-estar, consumo, culinária e vida saudável, e já tem confirmados como colunistas os médicos Drauzio Varella, Riad Yunes e Rogério Tuma, com dicas de saúde; o ex-jogador de futebol Afonsinho, escrevendo sobre a modalidade; e Márcio Alemão, que discorrerá sobre gastronomia. O site da revista também estará de cara nova. Sob o comando de Lino Bocchini, terá uma área de vídeos, mais interatividade e informação e novos colunistas e blogueiros.
O ?Carandiru literário? de Mona Dorf
Profissional há mais de 30 anos, boa parte deles dedicados ao jornalismo sobre Literatura, Mona Dorf comanda, com a colaboração de Thiago Mioni, o projeto Encontro com Autores e Ideias. Patrocinados pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (Proac), os encontros vêm reunindo, ao longo deste ano, público e autores em bate-papos na Biblioteca de São Paulo, onde funcionava o presidio do Carandiru. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, ela – que recentemente se desligou da rádio Eldorado, onde desde 2007 apresentava as pílulas Letras&Leituras – conta mais sobre o projeto, a carreira e a dificuldade de manter no ar um programa sobre Literatura. Confira: Portal dos Jornalistas – Como nasceu o projeto Encontro com Autores e Ideias? Mona Dorf – Eu vinha sendo convidada para mediar debates e encontros [sobre Literatura], até que descobri que estava aberto um edital do Proac de incentivo à leitura, saraus literários e bibliotecas, e resolvi concorrer. Estava acostumada a fazer bate-papos com autores, mas decidi estruturar o projeto de forma diferente, ressaltando o gênero em que esse autor é mais forte. Por exemplo, o Carrascoza é mais contista do que romancista, então o convidamos para falar sobre conto. Já o Humberto Werneck é mais conhecido pelas crônicas do que pelos outros livros… Na verdade, o gênero é um pretexto para abordar a obra do autor e se aprofundar um pouco na literatura dele. Outra ideia que me agrada é a do formato interativo e participativo da plateia, que fica livre para perguntar a qualquer momento do bate-papo. Não é aquela coisa fechada, com um tempo determinado para perguntas e respostas no fim da exposição. Portal dos Jornalistas – Este é o primeiro ano do projeto, que segue até outubro. Há perspectivas de que seja continuado ano que vem? Mona Dorf – Claro que eu tenho interesse em levar o projeto para outros lugares, outras cidades, inclusive já houve contato para isso. Mas esse projeto é fechado em dez meses, até porque o dinheiro só dá pra isso! E já fizemos bastante coisa: além do encontro em si, tem o site no qual os vídeos dos eventos e de outros momentos importantes de minha carreira estão disponíveis. Eu resolvi fazê-lo como agregador de vários conteúdos literários meus. Fizemos um conteúdo a mais do que estava no edital, e é um arquivo perene. Se o projeto acabar, ele vai continuar na internet. É um ponto de encontro permanente. Portal dos Jornalistas – A escolha dos protagonistas foi sua mesmo? Como chegou a esses nomes? Mona Dorf – A curadoria foi minha. Desde 2007, quando iniciei o Letras & Leituras, tenho ido a feiras literárias, convivendo e ouvindo esses autores. O foco é sempre o estímulo à literatura brasileira. Eu tenho um livro chamada Autores e Ideias (lançado pela Benvirá), que também reproduziu minhas entrevistas antigas do Letras & Leituras. No programa, durante dois anos, fiz quase 500 entrevistas. Então, estou muito por dentro do assunto e, ao mesmo tempo, percebo que as pessoas desconhecem literatura brasileira. Portal dos Jornalistas – Qual é a principal contrapartida desse projeto para o público? Mona Dorf – O objetivo é justamente facilitar para que as pessoas se interessem mais por literatura brasileira. Quando se faz um encontro – numa biblioteca que fica na Zona Norte [de São Paulo], onde ficava o Carandiru –, ele é filmado, vai para a web e redes sociais, ajuda a difundir o tema. Os autores sempre me falam que a internet é uma ferramenta incrível para a divulgação da literatura brasileira. O projeto não é uma coisa restrita às pessoas que comparecem fisicamente. Portal dos Jornalistas – E como tem sido a receptividade do público que vai aos eventos? Mona Dorf – Muito boa! Temos lotado o auditório, embora seja em uma biblioteca que poucas pessoas conhecem e que é distante do centro. Mas o mais curioso é que as pessoas me pedem para incluir autores, dão sugestões de quem poderia estar lá para um bate-papo também, às vezes querem apresentar seus próprios livros. E eu explico que, por enquanto, é um projeto fechado, mas que estamos abertos a novas parcerias. A gente está dando o primeiro passinho para que a coisa aconteça. Portal dos Jornalistas – Sobre sua saída da rádio Eldorado, a que atribui essa dificuldade em encontrar patrocinadores para um programa de cunho literário em rádio, ainda que em formato reduzido? Mona Dorf – É difícil falar, até porque nem eu entendo direito. Lamento muito. Acho que há muita competição entre os meios, rádio, rádios em internet… O departamento comercial teve muita dificuldade em vender. Houve anos em que eu fiquei como parceira, sem ganhar nada, porque foi um projeto que levei e eles me aceitaram. Só posso atribuir à enorme quantidade de veículos, a uma crise na imprensa, porque é um produto que as pessoas adoram, comentam… As pílulas faziam tão ou mais sucesso do que o programa quando era em formato talk show literário. Mas acho que há outras possibilidades, como a de fazer o próprio Letras & Leituras via internet ou mesmo filmado. Eu sou produtora de conteúdo, tenho muitos projetos na cabeça. E se não rolou esse agora, daqui a pouco aparece outra coisa. Acho uma pena por acontecer em um período em que o Brasil é tão valorizado por sua literatura lá fora (em Bologna, Londres, Paris). SERVIÇO Encontro com Autores e Ideias, por Mona Dorf Próximo evento: 27/4 (sábado) Horário: 11 horas Local: Biblioteca de São Paulo (av. Cruzeiro do Sul, 2640) Convidado: João Anzanello Carrascoza, sobre Conto Mais informações em http://autoreseideias.wordpress.com
Catraca Livre vira case de estudo em Harvard
O site Catraca Livre, projeto idealizado por Gilberto Dimenstein, acaba de se tornar case de estudo da Harvard Business School pela sua contribuição social e educacional no Brasil, e por promover a cidadania e sustentabilidade na internet. Sob a coordenação da professora de Administração da universidade Rosabeth Moss Kanter, o case tem cerca de 15 páginas e conta com depoimentos de Raphael Vasconcellos, diretor de Soluções Criativas do facebook para América Latina e do renomado cientista Nicholas Negroponte, fundador do Massachusetts Institute of Technology. Segundo Negroponte, o valor da plataforma está no uso das redes para criação de comunidades de aprendizagem. “Propor a cidade como uma escola e a população como seus professores é a melhor forma de interação social. Essa é a beleza do Catraca Livre”. Desenvolvido em uma incubadora de projetos sociais da Universidade Harvard, o Catraca Livre ganhou em 2012 o prêmio de Melhor Projeto Digital de Cidadania em Língua Portuguesa, concedido na Alemanha, pela Deustche Welle.
Jornal Gente comemora 35 anos no ar
No ar desde 18 de abril de 1978, o programa comemorou na última 5ª.feira 35 anos no ar. A edição especial de aniversário relembrou Joelmir Beting, que fez parte do trio original de apresentadores, ao lado José Paulo de Andrade e Salomão Ésper, que estão presentes na bancada desde o início. Rafael Colombo, que há três anos divide a bancada com Zé Paulo e Ésper, diz que é um prazer dividir o programa com “dois mestres” e que ali aprende muito mais que em um longo curso de pós-graduação. Opinativo, Jornal Gente é um debate entre os apresentadores sobre os principais destaques do dia. A atração também conta com os correspondentes Luiz Megale, em Nova York, e Milton Blay, em Paris, e participação dos colunistas José Silvério, de Esportes, e do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto. Jornal Gente vai ao ar de 2ª a sábado, das 8h às 10h, pela Rádio Bandeirantes.
Reportagem do Pioneiro (RS) resulta em seis adoções
Uma reportagem publicada no Natal do ano passado no jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, viabilizou a adoção de seis adolescentes nos últimos quatro meses. Produzida pelo repórter Adriano Duarte, a reportagem trouxe as histórias de três menores que não encontravam famílias dispostas a adotá-los, por estarem fora da faixa etária de interesse de pais adotivos. Após sua veiculação, leitores procuraram a Casa Lar Padre Oscar Bertholdo, de Farroupilha, e que havia sido citada na matéria, dando início a processos de aproximação. Além dos três menores mostrados na edição de dezembro, outros três acabaram conquistando famílias gaúchas e catarinenses, e no último final de semana uma nova matéria foi publicada pelo jornal, mostrando como está um dos meninos adotados. Esta não é a primeira reportagem de Adriano sobre adoção. No ano passado o repórter já havia sido condecorado com prêmios de direitos humanos por abordar o mesmo tema em outras reportagens.
Auto Motor Vrum chega também ao Rio Grande do Norte
O programa Auto Motor Vrum, comandado há 13 anos por Jorge Morais e exibido nos estados de Pernambuco e Paraíba, passa a contar a partir do próximo domingo (28/4) também com uma edição exclusiva para o Rio Grande do Norte. Dentre as novidades da atração, que irá ao ar semanalmente a partir das 10h pela Band Natal, destaque para um quadro de entrevistas comandado por Fernando Siqueira, editor e colunista do caderno de Veículos da Tribuna do Norte, de Natal, e reportagens de Bruno Vasconcelos (81-2122-7501 e [email protected]), editor-assistente do caderno de automóveis do Diário de Pernambuco, ao lado de Jorge, também seu editor. Além de material exclusivo para o público potiguar, o programa contará com as reportagens especiais realizadas para as outras duas praças. Em sua estreia no RN, o público poderá acompanhar matéria produzida no Centro de Testes do Grupo Fiat, em Arjeplog, na Suécia, que levou um grupo de jornalistas brasileiros ao Círculo Polar Ártico no começo de março. “Os quadros já consagrados nos 13 anos de programa também estarão em Natal, como Meu carro, minha paixão, que conta a história de amor entre os carros antigos e os seus donos, e Planeta Carro, revelando os segredos das montadoras”, explica Morais.
Luiz Eduardo Rezende é o novo gerente de Jornalismo da Band-RS
A Band-RS anunciou na última semana o nome de Luiz Eduardo Rezende como novo gerente de Telejornalismo da emissora. Ele deixa o SBT, onde desde 2010 era editor executivo do SBT Rio Grande, e havia ajudado a implantar a versão matutina do jornalístico, e por lá também acumulou a função de chefe de redação. Esta será sua segunda passagem pelo grupo, onde em 1994 começou sua carreira como redator na Rádio Bandeirantes. Esteve por 12 anos no Grupo RBS, onde editou e dirigiu os programas Galpão Crioulo, Garota Verão, Anonymous Gourmet e Patrola, e durante três anos, atuou no Canal Rural. Antes de sua ida para o SBT, atuou em 2008 como editor do Balanço Geral, da TV Record. Em entrevista ao Coletiva.net, o Luiz Eduardo falou sobre esse novo desafio. “A Band respira Jornalismo e tem muita tradição no ramo, o que é inspirador e renovador para qualquer jornalista. O desafio, junto com meus novos colegas da emissora, é fazer o respeitado Jornalismo da Band chegar a novos lares, conquistando mais telespectadores, sem perder suas diretrizes”, explica.
Memórias da Redação – A morte misteriosa de Castelo Branco
A história desta semana é uma reprodução autorizada de um trecho do livro Eu vi, que Helle Alves lançou na última semana em São Paulo. A morte misteriosa de Castelo Branco Na tarde de 1° de abril de 1964, ao chegar ao jornal vi meus colegas alvoroçados, amontoados numa mesa com o rádio ligado. Eram notícias da Revolução de 64, só anunciada dia 1° de abril, mas com os fatos apontando a véspera, 31/3, dia por que ficou conhecida. O Brasil ingressava numa fase escura, que iria durar 21 anos. E apenas 19 anos depois da abertura de 1945. O primeiro presidente da República nomeado pelo Congresso Nacional, já “limpo” de seus representantes “nocivos”, foi Humberto de Alencar Castelo Branco, um cearense nascido em Fortaleza, no dia 20/9/1887. Homem duro, austero e de fisionomia trancada, foi muitas vezes a atos públicos em São Paulo e outras cidades. Todos diziam que ele era competente e honesto e não sei de nada que conteste essa opinião geral. Apenas uma vez ele me marcou como uma pessoa insensível. Foi em Campinas, na inauguração de um conjunto habitacional que o governo entregou aos operários e o fato não tem nada a ver com as palavras dos discursos, iguais a todas. Foi depois, quando ele já esperava o carro oficial, numa esquina. Havia escolas na rua, de duas delas vieram correndo até ele bandos de crianças, gritando a plenos pulmões: “presidente, presidente”. Acompanhei bem: ele não deu atenção, sequer viu ou ouviu as crianças que chegaram a encostar nele. O presidente simplesmente entrou no carro e partiu, inatingível. Quero contar como foi a minha cobertura sobre a misteriosa morte de Castelo Branco e do acidente aéreo que o matou, em Fortaleza, no dia 18 de julho de 1967, apenas quatro meses depois de ele passar a faixa ao marechal Costa e Silva, segundo presidente da Ditadura Militar. Cheguei na redação às 12h de um dia muito frio de inverno e recebi ordens de fazer o necrológio do ex-presidente, falecido havia poucas horas em Fortaleza, de desastre aéreo. Nem comecei a pesquisa e fui chamada às pressas com a ordem de estar no aeroporto de Congonhas para pegar um voo para Fortaleza às 13 horas. Também recebemos ordens, eu e meu fotógrafo, de pegar na TV Associada de Iá um vídeo gravado contendo a reportagem que eles fizeram no local do acidente. Lá fomos nós, eu vestida como um urso: uma saia e um grosso pulôver de Iã em cima do corpo, sem blusa por baixo, o que não era meu costume, botas longas e meias de Iã. Eis como fui parar no Ceará. Lá, diretamente para o velório do ex-presidente, trabalhei o dia todo. O VT do acidente aéreo foi trazido a São Paulo pelo governador Abreu Sodré, meu velho conhecido desde seus tempos de deputado estadual, e que estava presente ao velório. Nosso governador regressou a São Paulo em avião oficial no mesmo dia e nós ficamos em Fortaleza para cobrir o funeral e levantar os detalhes do acidente. Fizemos a cobertura do velório, com a presença de muitos governadores e ministros e no dia seguinte continuamos depois de comprar roupas de verão (que alívio!). Em nosso trabalho levantamos sérias suspeitas de que o acidente aéreo que matou Castelo Branco tinha sido tramado. Assistindo ao enterro do piloto do avião acidentado, encontramos a família muito revoltada. Ouvi da esposa, de familiares, amigos e colegas presentes a seguinte história: o ex-presidente havia regressado há pouco do exterior e fora visitar sua amiga, Raquel de Queiroz, em Quixadá, de trem. Mas o trem em que Castelo viajava havia sofrido um atentado. Por isso, ele não quis voltar de trem e pediu ao governador que mandasse o jato buscá-lo. O ex-presidente estava sendo perseguido pela ala chamada “linha dura” do presidente Costa e Silva, a quem não havia apoiado e foi voto vencido na cúpula militar. A família do piloto morto tinha a certeza de que o acidente não foi casual, mas provocado. Contaram-me como as coisas aconteceram e eu anotei com todos os nomes e os depoimentos entre aspas. Pediram-me inclusive que procurasse no hospital o copiloto, que sobreviveu ao acidente e estava internado. Procurei-o e ele me confirmou toda a história: o avião já estava entrando no campo de pouso do aeroporto de Fortaleza quando encontrou um treinamento da Aeronáutica constituído de cinco jatinhos voando em formato de estrela. Nesse tipo de voo, só o avião-madrinha controla o trajeto; os outros quatro jatinhos voam de olho na asa do madrinha. Naquele dia especificamente, o jatinho lateral que colidiu com o avião sinistrado era pilotado por um cadete filho de militar do grupo de Castelo (a ala chamada da Sorbonne), enquanto o piloto do avião madrinha pertencia à “linha dura”, ala de Costa e Silva. Com o acidente e morte do ex-presidente, quem iria responder pela colisão seria o cadete do jatinho lateral, cuja inocência seria facilmente comprovada e a colisão considerada acidente, e o complô ficaria impune. Além disso, aquele espaço aéreo era especifico da aviação comercial. Ninguém sabia explicar porque naquele dia estava sendo usado para manobras militares. Com esta explicação, colocando todos os respectivos nomes e entre aspas todas as conclusões, ilações e deduções, mandei a matéria para o meu jornal, em São Paulo. Por sorte, meus chefes barraram a publicação dessa reportagem. Caso contrário, eu teria sido presa e mandada para Fernando de Noronha, onde o colega Helio Fernandes, do jornal carioca Diário de Notícias, já estava cumprindo pena por artigo sobre o expresidente. Hoje escrevo o caso como me foi contado na época, mas sem dar nomes aos personagens.
Memórias da Redação – O texto do Didi
Vicente Alessi, Filho, editor-chefe da Autodata ([email protected]), presta uma homenagem a Edilson Coelho, falecido no último dia 6/4. O texto do Didi Concordo amplamente com a síntese que Zé Paulo Kupfer fez do personagem Didi, Edílson Gomes Coelho, no J&Cia 892. Conheci a figura em 1982, na redação de Quatro Rodas, ainda na rua do Curtume. Ele se apresentava como estudante de jornalismo e aprendiz de jornalista e sua função era auxiliar o mal-humorado Waldemar Shoen na produção gráfica da revista na própria redação, numa época ainda de laudas e pestapes, na companhia do louquinho Duílio – tudo sob a coordenação do Gordo Luizinho, Luiz Antônio Pereira Franco. A primeira vez que seu nome saiu no expediente foi na edição de abril de 1982. O Didi cumpria, então, a sua via dolorosa de trabalhar e de frequentar a faculdade, e logo, logo, ficou claro que seus escritos requeriam muito, muito lustro. Sou testemunha disso: cansei de redigir trabalhos de escola para ele. Didi sobreviveu até os 54 anos driblando as dificuldades da vida, irmão mais velho que criou os mais novos dentro da rota da melhor civilidade enquadrando um a um, mas naquela época, escrever, para ele, era exercício além das suas capacitações. Mas todos nós dávamos força ao garotão que desejava abandonar o aprendizado para tornar-se militante. A oportunidade surgiu quando a revista Moto, trimestral, ganhou periodicidade mensal: lá se foi o Didi, feliz como criança, achando que agora se tornaria jornalista. Aquele foi seu primeiro emprego como repórter, é verdade, e terminou em poucos meses com o insucesso da revista nas bancas e a sua descontinuação. Era preciso buscar recolocações para as pessoas e o primeiro alvo eram as outras redações da própria Editora Abril. Sabia que o amigo e companheiro Wílson Palhares, um dos editores da revista Exame – dirigida por Guilherme Velloso, Zé Roberto Nassar e Rui Falcão – tinha uma vaga de repórter júnior e tratei de vender a ida do Didi para lá. Foi uma negociação um pouco confusa pois implicava que eu não dissesse a verdade toda ao Palha, que tinha uma boa pergunta a fazer a respeito do candidato: “Mas ele sabe escrever?”. Escapei dizendo que Didi tinha as deficiências típicas de qualquer iniciante e que se destacava pelo caráter, pela lealdade, pela solidariedade, pelo empenho, pela vontade de aprender. Ele acreditou, Didi foi elevado ao décimo-segundo andar do Edifício Panambi e eu logo sumi de circulação diante da fúria do Palhares ao descobrir que Didi tinha algumas deficiências a mais do que aquelas consideradas comuns. Edílson voltou à escola, fez cursos e, com a assistência e a paciência de Cida Damasco e do próprio Palhares, e de tantos outros, tornou-se, sim, o jornalista militante que perseguia ser descrito pelo Zé Paulo. E eu perdi um amigo que não precisava se identificar ao telefone. Ele só dizia: “O Palhares ainda está atrás de você!”.
Jornalista encabeça campanha para doação de sangue e medula óssea
Jornalistas e publicitários de Rondônia lançam a Campanha nacional casa comigo: sou doadora de sangue e medula óssea para estimular essas doações em todo o País. A iniciativa é de Lu Braga ([email protected]), que, ao doar sangue, em 2012, descobriu que o hemocentro local só contava com uma bolsa de sangue do seu tipo. Ela, então, se deixou fotografar ao lado de bolsa de sangue com um cartaz dizendo Casa comigo? Sei fazer miojo e sou doadora de sangue. A imagem foi compartilhada com o Ministério da Saúde e virou meme na internet. Este ano, a ideia se tornou vídeo, que você confere aqui.






