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sexta-feira, abril 10, 2026

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World Press Photo abre exposição com imagem polêmica

A exposição de fotojornalismo World Press Photo 2012, que teve abertura em 20/5, este ano veio cercada de polêmica. O sueco Paul Hansen, do jornal Dagens Nyheter, grande vencedor do concurso com a fotografia do funeral de crianças mortas durante um ataque à Faixa de Gaza, foi acusado de manipulação dessa imagem, que seria a sobreposição de três diferentes flagrantes. A organização contratou uma perícia e, com base nesse parecer, o júri decidiu manter o prêmio. Na categoria Vida cotidiana, o que surgiu foi um retrato realista da crise por que passa a União Europeia. O ganhador, o português Daniel Rodrigues, estava desempregado e vendendo o equipamento para pagar as contas. Com a notoriedade, logo conseguiu trabalho na Câmara de Lisboa. Além dessas e outras fotos, O Globo apresenta, pelo quinto ano, o salão Sem legendas, com a projeção das melhores fotos publicadas no jornal em 2012, e três documentários em full HD produzidos por fotógrafos da casa. A mostra fica até 23/6 na livraria da Caixa Cultural (av. Almirante Barroso, 25). No dia 2/6 haverá um debate no Oi Futuro (rua Visconde de Pirajá, 54, 3º), com a presença do brasileiro Felipe Dana, da Associated Press, e do belga Frederik Buyckx, da National Geographic, ambos recebedores de menção honrosa por fotos sobre segurança pública no Rio, já na edição 2013. O encontro será mediado por Ricardo Mello, editor de imagens multiplataforma de O Globo, com a participação de Alexandre Sassaki, editor de Fotografia do jornal.

ESPN prepara ampla cobertura da final da UEFA Champions League

Pelo 19º ano consecutivo os canais ESPN farão uma cobertura completa da final da UEFA Champions League. O jogo entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique, no próximo sábado (25/5), terá equipe in loco, exibição em 3D em mais de 50 salas de cinema espalhadas por 26 cidades do País e transmissão também pela Rádio ESPN (www.espn.com.br/radio), no Watch ESPN e no portal ESPN.com.br. A narração será de Paulo Andrade, com comentários de José Trajano, Paulo Vinicius Coelho e Mauro Cezar Pereira. João Castelo Branco acompanha dos treinos do Borussia em Dortmund e Mendel Bydlowski cobre o Bayern direto de Munique.

Os dois repórteres seguem para Londres nesta 5ª (23/5) com as duas delegações. A equipe vem fazendo entradas ao vivo nos principais programas do canal, que também exibe até 6ª.feira edições especiais do Fora de Jogo, às 15h, e, na sequência, reapresenta jogos históricos em O melhor da UEFA Champions League. No sábado (25/5), a programação começa às 13h com mais um Fora de Jogo, dessa vez com a análise do confronto decisivo, seguida do Abre Jogo. A partida começará às 16h45, com transmissão de ESPN,  ESPN HD e ESPN+, direto de Wembley. Logo após o final do jogo outro Fora de Jogo especial trará análises e repercussões da decisão, com a participação dos profissionais que estarão na Europa.

Luiz Sérgio Guimarães terá coluna de Finanças no Brasil Econômico

Luiz Sérgio Guimarães estreia na próxima 2ª.feira (27/5) uma coluna diária no Brasil Econômico. Integrante da primeira equipe do Valor Econômico, onde manteve por oito anos uma coluna sobre juros e câmbio, ultimamente era colunista da CartaCapital. Luiz Sérgio entrará na equipe de Finanças da editora Josette Goulart, também ex-Valor, que chegou recentemente ao jornal e ao Rio de Janeiro, para onde foi transferida a sede do periódico. “Estamos em nova fase e estreamos o novo projeto gráfico há duas semanas”, diz ela. “O publisher Ramiro Alves está apostando em uma equipe renovada, sob a liderança  da editora-chefe Sonia Soares (ex-editora-executiva de O Globo)”. Apesar da mudança do jornal para o Rio de Janeiro, Luiz Sérgio Guimarães continuará publicando seus textos a partir de São Paulo.  

Site do Estadão fora do ar no dia do enterro de Ruy Mesquita

Não bastasse a situação gerada pelo falecimento de seu diretor Ruy Mesquita nesta 2ª.feira (21/5), o site do Estadão vem apresentando uma série de problemas funcionais nos últimos dias chegando a ficar totalmente fora do ar por algumas horas entre ontem e hoje (22/5). Na madrugada de domingo para 2ª.feira, a home principal saiu do ar por volta das 3h e só voltou depois das 7h da manhã, enquanto a página de Economia & Negócios só voltou a funcionar após às 21 horas, ficando o dia inteiro desconectada. A certa altura, quem clicava em Economia era direcionado para o portal de Política e os blogs ficaram todos desconfigurados. Por pouco, o site do próprio jornal não foi furado pela concorrência na notícia da morte de seu diretor e quem quis saber o horário do enterro de Ruy Mesquita, por exemplo, (marcado para as 15h, no Cemitério da Consolação), tinha o consolo de encontrar a informação na concorrência, no UOL, em manchete de home. Os problemas refletem, segundo funcionários, a política de falta de investimentos em tecnologia.

O adeus a Ruy Mesquita

Foi enterrado nesta 4ª.feira (22/5), no Cemitério da Consolação, o corpo de Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S.Paulo que faleceu na noite de ontem no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele estava internado desde 25/4 para tratamento de um câncer detectado em estado avançado na base de sua língua. Dr. Ruy, como o chamavam, era o principal nome da família Mesquita no comando do Grupo Estado desde a morte de seu irmão Júlio de Mesquita Neto, em 1996, e o único representante ainda vivo e na ativa da terceira geração dos Mesquita.  Com 60 anos de atuação no Grupo Estado, seu primeiro trabalho no jornal O Estado de S.Paulo deu-se na editoria de Internacional, ao lado de Giannino Carta (pai de Mino Carta), nos anos 1950. Nessa época, durante a revolução cubana, foi o único jornalista brasileiro a entrevistar Fidel Castro, por quem chegou a ser homenageado no ano seguinte e de quem mais tarde se tornaria um crítico contumaz, por discordar dos caminhos trilhados pela revolução do “comandante”. Um dos momentos mais fulgurantes de sua carreira foi a criação do Jornal da Tarde, em 1966, com Mino e companhia, que acabou marcando a história do jornalismo brasileiro pela ousadia da proposta editorial, combinando pautas brilhantes, visual refinado e um aprimorado e requintado texto, muitas vezes fazendo fronteira com a literatura. Enquanto teve forças, conseguiu manter o JT como um dos mais importantes jornais brasileiros, mas com os prejuízos financeiros se acumulando e as mudanças ocorridas na gestão da empresa, viu seu projeto perder espaço, desfigurar-se e se esvair progressiva e continuamente, até fechar em definitivo, de forma melancólica, no final do ano passado. As informações de que ele havia sido submetido a uma delicada cirurgia de garganta, para a retirada do tumor, correram discretamente o mercado desde sua internação. Pela idade avançada, já se anteviam as dificuldades de sobrevida. Segundo informa o próprio Estadão, Dr Ruy manteve até a véspera de sua internação uma rotina constante de trabalho no jornal, reunindo-se diariamente com os editorialistas para traçar as linhas gerais dos artigos do dia seguinte. Sua biografia, a consagrada história de vida que construiu por quase nove décadas, nunca foi registrada em livro. Não por falta de oportunidades, mas por decisão dele próprio, que sempre se mostrou avesso às incursões a respeito. Em 2007, Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas, num encontro com ele, em que esteve na companhia de Audálio Dantas, Dr. Ruy agradeceu o interesse da Mega Brasil em fazer um livro com a sua biografia, descartou a hipótese por não cogitar que isso acontecesse em vida e adiantou que, se um dia cedesse, daria esse privilégio ao Carmo Chagas, ex-profissional da casa com quem há anos já havia se comprometido. Nem a família o demovia dessa decisão, como revelou o filho Ruyzito também num encontro com Eduardo. “Tenho aqui em casa pilhas de documentos sobre o meu pai e sua história de vida. E cederei com a maior alegria para um livro com a sua biografia. O problema é que ele não quer e não há o que o demova dessa decisão. Se vocês conseguirem, terão o meu apoio”, disse então. Com a morte do Dr. Ruy, os olhares dos colaboradores e do mercado voltam-se para os próximos passos da família Mesquita, que, dividida e com dezenas de herdeiros, tem em mãos uma empresa que enfrenta um momento difícil e delicado e que, pela revolução em curso na atividade jornalística, também tem pela frente um futuro repleto de complexos desafios e muitas incertezas. Casado com Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, Dr. Ruy deixa os filhos Ruyzito, Fernão, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto. Ironia do destino, no mesmo Hospital Sírio Libanês, onde Ruy Mesquita esteve internado por quase um mês, outro ilustre paciente da imprensa brasileira, capitão da mídia como ele, está sob cuidados médicos há semanas: Roberto Civita, presidente executivo do Grupo Abril, por coincidência um fã declarado dos editoriais do Estadão, como declarou a Jornalistas&Cia, em 2007, numa extensa entrevista para a série Protagonistas da Imprensa Brasileira (www.jornalistasecia.com.br/protagonista09.htm). Civita sofreu um aneurisma abdominal e foi internado para uma cirurgia de implantação de stent na veia aorta. Uma hemorragia de graves proporções, no entanto, tornou o quadro de saúde dele grave, prolongando por prazo indeterminado sua internação e os cuidados médicos a que vem sendo submetido. Isso levou a empresa, inclusive, a comunicar ao mercado seu afastamento temporário e a nomeação interina de seu filho Giancarlo Civita, o Gianca, para a Presidência Executiva do Grupo. Influentes formadores de opinião e dirigentes de dois dos mais importantes grupos de comunicação do País, Civita e Mesquita são personagens relevantes da imprensa brasileira desde a segunda metade do Século XX. Com a ausência de Ruy, perde a imprensa brasileira um dos mais notáveis protagonistas de sua história, herdeiro das tradições de seus antepassados. Homenageado pela Mega Brasil em abril de 2004 com o Prêmio Personalidade da Comunicação, em concorrida solenidade no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, Ruy Mesquita fez um dos mais duros discursos contra o que chamou de murdochização da mídia, em alusão ao megaempresário Rupert Murdoch, então acusado de adotar uma postura mercantilista e negocial nas empresas jornalísticas que adquiriu e que comandava. No ano seguinte, o mesmo prêmio foi concedido a Roberto Civita. Confira na edição de Jornalistas&Cia que circulou no final da tarde desta 4ª.feira (22/5) a íntegra desse discurso e mais detalhes da morte do Dr. Ruy.

Banco de dados de Zero Hora mostra radiografia do Legislativo Brasileiro

O jornal Zero Hora acaba de lançar em seu site uma radiografia do Poder Legislativo Brasileiro, onde é possível comparar e avaliar o grau de transparência, dados funcionais e financeiros das 26 assembleias dos estados brasileiros e da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Dentre os itens avaliados pelo serviço, que está disponível em http://bit.ly/14JZUh2, estão informações como valor do orçamento, número de servidores ativos e inativos, cargos de confiança e concursados, gasto anual com pessoal, diárias e publicidade, subsídios, benefícios e verba de gabinete.

Segundo Juliana Bublitz, repórter da editoria de Política de ZH responsável pela captação do material, as informações foram solicitadas às assembleias estaduais com base na Lei de Acesso à Informação, mas o retorno nem sempre foi como esperado. “Foram mais de 40 ligações e 95 e-mails enviados nesses dois meses de elaboração, mas ainda assim onze dessas assembleias não responderam. Com isso fomos buscar nos sites, mas muitos deles são ruins e ainda deixam a desejar em termos de transparência, mas a agente vai seguir em busca dessas informações”, explica.

Além da base de dados e do serviço para os leitores o levantamento vem gerando, desde sua publicação, uma série de reportagens e artigos para o jornal sobre os custos do Poder Legislativo no país. A partir dos dados levantados, é possível cruzar informações e ver, por exemplo, que no Distrito Federal cada parlamentar custa em média R$ 16,5 milhões aos cofres públicos enquanto em São Paulo o valor cai para R$ 8,9 milhões.

As discrepâncias também aparecem quando o assunto é a média de funcionários por parlamentar, com 86 no Ceará, 39 em São Paulo, e 27 no Rio Grande do Sul. Implantado em 2012 em Zero Hora, o projeto de jornalismo de dados da publicação já possui hoje diversos números e análises sobre variados temas locais e nacionais, como o acompanhamento da situação dos suspeitos de ligação com a tragédia na boate Kiss, o mapa de furto e roubo de veículos em Porto Alegre, e as características urbanas das cidades gaúchas.

Esses e outros estudos também estão disponíveis na página de Zero Hora, em http://zerohora.clicrbs.com.br.

Defensoria Pública do RS divulga vencedores de seu Prêmio de Jornalismo

A Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul divulgou na última semana os vencedores da segunda edição de seu Prêmio Adpergs de Jornalismo. Distribuída em cinco categorias, a premiação reconheceu os trabalhos que se destacaram sobre os temas Defensoria Pública, Acesso à Justiça e Sistema Prisional. Na categoria TV, Roberta Salinet, da RBS TV/RS, foi a vencedora com a reportagem O Pior lugar do mundo; em Rádio, o primeiro lugar ficou com Wendell Rodrigues da Silva, da Jovem Pan/PB, com Anjos sem asas; na categoria Impresso, Nathalia Ziemkiewicz de Carvalho, da IstoÉ, foi a vencedora com o trabalho Histórias que assustam a ONU; em Fotojornalismo o primeiro colocado foi Mateus Bruxel, do Diário Gaúcho, com Preso por engano: A luta de uma mãe para libertar o filho; e em Novas Mídias, Paola Bello do Diário Catarinense Online, foi agraciada pelo trabalho Um mês sem Defensoria.

Procuram-se fotos antigas…

Barnabé Medeiros Filho, que está escrevendo 1964 – O golpe que marcou a ferro uma geração (Nova Alexandria), e a editora nVersos, que está produzindo Coisas que vivi, biografia da atriz Norma Bengell, estão à procura de imagens antigas para ilustrar essas obras. No caso da biografia da artista, célebre por gravar o primeiro nu frontal da televisão brasileira, a editora está em busca de fotografias tiradas por profissionais durante a carreira dela. Além de aumentar o número de imagens publicadas, a iniciativa visa a reconhecer e dar crédito a muitas outras que serão utilizadas mas que atualmente não têm identificação do autor. Interessados podem entrar em contato com Camila Caldas pelo [email protected]. Já a obra de Medeiros, que foi militante trotskista e preso político durante a ditadura, e passou pelas redações de Folha de S.Paulo, Editora Abril e O Globo, traz um retrato da geração que cresceu e se tornou adulta no período que vai de 1961 (renúncia de Jânio Quadros) a 1981 (atentado do Riocentro). “É um livro ‘com’ memórias, mas não é um livro ‘de’ memórias e sim um grande painel de época, que fala de política, economia, música, moda, televisão, cinema, teatro”, explica o autor. “Estou à cata de fotos que possam ajudar na ilustração do meu livro, que tenham a ver com aquele período”. Interessados podem entrar em contato com Medeiros pelo [email protected].

Saem os vencedores do Top Etanol

O 4º Prêmio Top Etanol divulga os vencedores desta edição. Patrocinado pelo Projeto Agora, formado por empresas e entidades do agronegócio, o concurso tem cinco categorias de trabalhos jornalísticos e cada uma recebe R$ 10 mil. A comissão responsável pela análise e julgamento desses trabalhos, formada por Geraldo Magella, Márcio Polidoro, Moisés Rabinovici, Niels Andreas e Silvia Yokoyama, elegeu: Jornal – Marcela Ulhoa, do Correio Braziliense, com o trabalho Terra ruim para alimentos, mas boa para etanol; Revista – Clivonei Roberto, da revista Canamix, com Cana leva progresso e esperança ao Centro-Oeste; Veículos eletrônicos – Anderson Viegas, do portal Cananews, de Campo Grande (MS), com As mil faces da cana; Radiojornalismo – Carolina Rodrigues, da CBN Campinas, com O sobe e desce do etanol no Brasil; e Telejornalismo – Richeli Bezerra e Cristina Cavaleiro, da TV Tambaú, afiliada SBT na Paraíba, com A energia da cana. A cerimônia de premiação será em 27/6, no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, durante o Ethanol Summit, um dos principais eventos do mundo sobre energias renováveis, particularmente o etanol e os produtos derivados da cana-de-açúcar.

Carta a Ari Cipola, onde quer que esteja

Por um justo motivo, esta semana tomamos a liberdade de furar a pequena fila de colaborações que temos para este espaço. A propósito do julgamento dos ex-seguranças de PC Farias na semana passada, pedimos a Mário Magalhães ([email protected]), autor de Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, autorização para reproduzir um texto que ele publicou em seu blog no último dia 11 de maio.

Ele próprio contextualiza: “Em 1999, Ari Cipola, Paulo Peixoto e eu, então repórteres da Folha de S.Paulo e da Agência Folha, cobrimos a reabertura das investigações sobre as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, ocorridas em 1996. A rigor, publicamos as informações que impediram o arquivamento do processo e fizemos a cobertura do ‘novo’ inquérito policial. Nosso trabalho foi reconhecido com alguns prêmios jornalísticos. Na semana passada, quatro ex-seguranças de PC foram julgados por causa dos homicídios. No meu blog no UOL (http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br), escrevi sobre o julgamento. Ao conhecer o veredicto, comentei-o veiculando uma carta para Ari, morto de causas naturais aos 42 anos, em 2004. Ari foi um tremendo repórter e um grande sujeito. Quando Jornalistas&Cia pediu para republicar a carta, fiquei feliz: conhecer a história do Ari só há de fazer bem às novas gerações de repórteres.”

Carta a Ari Cipola (1962-2004)

Onde quer que esteja Salve, Ari, quanta saudade. Já são nove anos, desde aquele fim de manhã, começo de tarde, quando nos despedimos de ti no cemitério em Maceió, depois de o teu coração te pregar uma peça. Não faço ideia de se onde estás as notícias chegam rápido, por isso trato de contar as novidades. Terminou ontem à noite o julgamento relativo às mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino. Sim, demoraram 17 anos para julgar, e os meus tímpanos tremem só de pensar no teu vozeirão: “Dezessete anos? Para com isso, Marião!”.

Está aí uma coisa que eu nunca entendi: com o dobro do meu tamanho verticalmente e o triplo na horizontal, és tu que me chamas de Marião, e eu jamais te trato por Arizão. Um dia a gente conversa, e tu me explicas isso melhor. Os jurados decidiram que não houve o tal crime passional alardeado pela polícia em 1996, com o endosso de uma turma de peritos que bancou a versão de que Suzana teria assassinado PC e depois se suicidado. O júri popular concluiu que houve duplo homicídio, mas não puniu os quatro réus, aqueles policiais militares e seguranças do PC que tu conheceste.

Achei que gostarias de saber que não foi em vão o teu esforço, farejando pistas e revelando informações que contradiziam a versão oficial de 1996 sobre o crime. É isso mesmo: de acordo com a Justiça, o PC e a Suzana foram assassinados. Ela não deu um só tiro na madrugada ou na manhã de 23 de junho de 1996. Minha opinião sobre a absolvição? Acabei de escrever um artigo sobre isso. O juiz falou em “clemência”. É difícil acreditar que os PMs não tenham ouvido os disparos, mas, se condenados, haveria um incômodo: a punição de peixes pequenos, sem a identificação do mandante. Embora o júri tenha visto o óbvio, as provas ululantes de duplo homicídio, o julgamento consagrou a impunidade: a Suzana e o chapa do Collor foram mesmo eliminados, mas ninguém pagará por isso.

A culpa não é do júri, mas de uma “investigação”, assim, com aspas, em que, no calor do fato, antes de apurar, algumas autoridades já bradavam a tese de crime passional. Ok, sei que sabes disso tudo muito mais que eu. O laudo da equipe do Badan Palhares? O júri popular rejeitou-o, adotando o parecer da equipe do Daniel Muñoz, o legista, e do Domingos Tochetto, aquele gaúcho de sotaque italiano, especialista em balística forense. Imagino que devas estar recordando o perrengue que foi ficar, tu e a tua família, protegido pela Polícia Federal e a Polícia Militar por tanto tempo, depois das intimidações à época da reviravolta no caso, em 1999. Mas eu queria dizer, reitero, que valeu a pena tu não bajulares peritos, não te submeteres às primeiras versões oficiais, preferindo buscar dados novos, exercendo o trabalho do magnífico repórter que és.

A propósito, Ari, tem uma rapaziada de talento despontando na reportagem, mas tu fazes muita falta. Sei que poucos anos depois do Caso PC resolveste largar o jornalismo. Lamentei, mas respeitei a decisão. De todo o modo, tomara que cada vez mais jovens jornalistas conheçam os trabalhos que fizeste. Não haverá melhor inspiração. O Paulo Peixoto, nosso companheiro naquelas investigações de 1999, manda um abraço. Estivemos juntos outro dia, em BH. Continua igualzinho, o tempo tem sido generoso com ele. O Paulo escreveu na Folha uma análise sobre o episódio, talvez tenhas lido. Vou me despedindo, para ficar com a criançada. Depois do Caso PC, como sabes, ganhei uma segunda filha, tão adorável quanto a primeira. Quem não conheces é o caçula, que chegou depois daquela nossa despedida em Maceió. Ontem à noite eu falei de ti para ele, que começou a conhecer a tua história. É isso aí, Ari: enquanto houver quem se lembre da gente depois da partida, nunca morreremos. Abração do velho amigo que não te esquece, Mário

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