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Memórias da Redação – A página esquecida da cultura brasileira

Reproduzimos esta semana, com a permissão do autor, a coluna que Elio Gaspari publicou na Folha de S.Paulo de 16 de junho. A página esquecida da cultura brasileira Morreu Jacob Gorender, tendo deixado seu magnífico Combate nas Trevas, em que conta as ilusões armadas da esquerda brasileira nos anos 70. Com ele foi-se um pedaço da memória da usina de livros e fascículos da editora Abril, produto da visão empresarial de Victor Civita. “Seu” Victor achava que a história segundo a qual brasileiro não lê era uma lenda e decidiu lançar uma coleção intitulada Gênios da Literatura Universal. A cada semana, punha nas bancas de jornais um grande romance, acompanhado por um fascículo com a vida do autor. Começou com Irmãos Karamazov, anunciando que a série teria 50 volumes. Deram-no por doido, pois se o primeiro livro vendesse menos de 50 mil exemplares a coleção iria a pique. Ele informou: “Vocês são contra, mas eu tenho 51% das ações e isso será feito”. Dostoiévski vendeu 270 mil exemplares. Seguiram-se os Gênios da Literatura Brasileira, os Economistas e os Pensadores. Platão vendeu 250 mil exemplares. As coleções da Abril levaram para as bancas de jornais cerca de 12 milhões de livros e ela tornou-se a maior editora de livros de filosofia do mundo. Nesse empreendimento estiveram o diretor da operação, Pedro Paulo Poppovic, e a rede de intelectuais por ele mobilizada. Nela havia 300 professores que a ditadura deixara sem trabalho. Jacob Gorender traduzia filósofos alemães numa cela do presídio Tiradentes e Pedro Paulo publicava seu trabalho com o nome da mulher, Idealina. Libertado, tornou-se funcionário da Abril Cultural, trabalhando ao lado de uma jovem que gostava de teatro, chamada Maria Adelaide Amaral. A coleção dos pensadores foi dirigida pelos filósofos José Américo Motta Pessanha (posto para fora da UFRJ), com o apoio de José Arthur Giannotti (cassado pela USP). A redação dos fascículos era dirigida por Ari Coelho, professor de química expulso da Universidade de Brasília. Poppovic calcula que a polícia visitou a Abril Cultural em pelo menos quinze ocasiões. Em alguns casos os redatores valiam-se de uma rota de fuga. Ele lembra que em nenhum momento Civita perguntou-lhe quem trabalhava lá, nem o que a polícia queria. Um dia alguém resgatará a história do maior empreendimento cultural ocorrido durante a ditadura, com o mais absoluto sucesso.

Motor Show anuncia novidades em seu estafe editorial

Após 16 anos na equipe da Motor Show (Editora Três), a editora Ana Flávia Furlan ([email protected]) está de saída da publicação para tocar um novo projeto que deve ser anunciado nos próximos dias, e se despede da revista onde começou a carreira ainda como estagiária. Com a saída dela, a equipe da revista passou por algumas mudanças: o subeditor Flávio Silveira, já com oito anos de casa, foi promovido a editor – seu antigo posto não será ocupado –, enquanto o cargo de redator-chefe, que havia sete anos estava congelado, após a saída de Ricardo Dilser (hoje na Fiat), será reativado. Para ele chega Sérgio Quintanilha, que vinha colaborando com a Editora Três como colunista e editor do aplicativo IstoÉ na Copa e irá integrar a equipe do diretor de Redação Douglas Mendonça, que conta também com o repórter Rafael Dhea. Quinta continuará produzindo material para o aplicativo até 30/6 e no dia seguinte (1º/7) assume oficialmente o posto na Motor Show. Esta será a quarta revista na área automotiva em que ele atuará, tendo passado anteriormente por Quatro Rodas, Carro e, mais recentemente, Motor Quatro. “Será um prazer a voltar a trabalhar com o Douglas, com quem atuei na Quatro Rodas”, comenta Quinta. “É muito bom trabalhar em uma revista com circulação alta, plano editorial muito bom e que me agrada, e respaldado por uma editora forte como é a Editora Três. Também é um alívio saber que vou ter de me preocupar apenas com a parte editorial, diferentemente do que foi na Carro e na Motor Quatro, onde minhas atribuições iam além da redação”. Quinta dará continuidade ao site Motor 4 (www.motor4.com.br), que recentemente passou por reformulações de leiaute e conteúdo. 

Pesos de arquivos para envio pelo site foram ampliados

Alterações promovidas no site do Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade para a edição 2013 permite que o sistema aceite arquivos mais pesados do que os das edições anteriores. Veja a seguir os limites de pesos para envio dos trabalhos pelo www.premiojornalistasecia.com.br com a ficha de inscrição: Jornais e revistas: formato PDF de até 15 Mb Televisão: formato MP4 de até 80 Mb ou por meio da indicação de link na própria ficha de inscrição online Rádio: formato MP3 de até 15 Mb ou por meio da indicação de link na própria ficha de inscrição online Webjornalismo: link para site, para matéria específica em site ou para blog inscrito Imagem – Fotografia: fotografias em formato JPG ou GIF, em baixa resolução, com arquivos de até 10 Mb, mais as matérias em que foram publicadas, em formato PDF de até 15 Mb Imagem – Criação Gráfica: materiais físicos em formato PDF de até 15 Mb ou materiais digitais por meio de link na própria ficha de inscrição online O período de publicação ou veiculação dos trabalhos vai de 1º de setembro de 2012 a 31 de agosto de 2013. As dúvidas técnicas podem ser esclarecidas pela equipe da Maxpress, que dá apoio ao prêmio em horário comercial pelo telefone 11-3341-2799. Dúvidas sobre regulamento podem ser esclarecidas com a coordenadora Lena Miessva ([email protected] ou 11-2679-6994).

De papo pro ar – Japoneses em festa

Em 1908, a indústria fonográfica era uma criança de seis anos no Brasil. Em 1908, mais precisamente no dia 18 de junho, desembarcava no porto paulista de Santos a primeira leva de imigrantes japoneses. Ainda nenhuma música havia sido gravada em homenagem a São João. Curiosamente, os japoneses foram surpreendidos com fogos de artifício iluminando a noite. Ficaram felizes, pensando que era uma festa só para eles. Não era, era uma 5ª.feira junina, daí os fogos etc.. Ao saberem disso, caíram na risada. Fica o registro.

David Carr, colunista do NYT, estará no Congresso da Abraji

A Abraji confirmou a participação de David Carr, colunista de Mídia e Economia do The New York Times, no seu 8º Congresso de Jornalismo Investigativo. No ano passado, ele também esteve presente, quando palestrou sobre perspectivas do jornalismo. Nos últimos 25 anos, Carr escreveu sobre mídia e suas intersecções com negócios, economia, cultura e política. Teve passagens por Inside.com, Washington City Paper, The Atlantic Monthly e New York Magazine. O Congresso da Abraji será realizado de 12 a 15/10, no Rio de Janeiro, com apoio institucional de Jornalistas&Cia.

Agência Estado lança Broadcast Político

Em cerimônia realizada no final da tarde desta 3ª.feira (18/6) no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, a Agência Estado apresentou a parlamentares e a representantes dos poderes Executivo, Judiciário e do corpo diplomático o Broadcast Político, serviço de informações em tempo real dedicado à cobertura de assuntos de interesse da área.

O novo serviço estende à política a experiência e a tecnologia na cobertura instantânea do mercado financeiro que o AE Broadcast faz há 22 anos. Entretanto, diferentemente deste, que Hélcio Gaertner e David Burrel Davies criaram em 1987 e que o Grupo Estado adquiriu já funcionando em 1991, o Broadcast Político é um serviço novo e, até onde se sabe, sem similar no mercado brasileiro.

O Broadcast Político trará em tempo real os bastidores das três esferas do Poder e a cobertura dos principais acontecimentos do dia. As notícias do universo político serão produzidas por profissionais do Grupo Estado em Brasília, Rio e São Paulo.

O produto também contará com comentários e análises de colunistas da AE e do Estadão como Dora Kramer, Felipe Recondo, Fernando Dantas, João Bosco Rabello, João Domingos, José Roberto de Toledo e Marcelo Beraba; além de parcerias com serviços especializados – como o Análise Política e o site Migalhas –, vídeos, um monitoramento do que é veiculado em publicações pelo País e pelo mundo, e áudios da Rádio Estadão.

Os assinantes do serviço, que é pago, ainda terão acesso antecipado às principais reportagens do Estadão e à coluna diária de Dora Kramer, além de poderem comunicar-se uns com os outros, em tempo real, através do AE Chat. Segundo a empresa, “o novo serviço expõe os assuntos de maneira clara, organizada, em uma única tela, com navegação simples e acessível de qualquer lugar – computador, celular ou tablet”.

Fustigado pelo Valor Econômico, que lançou há alguns meses o Valor-PRO para concorrer com o Broadcast da Agência Estado, o Grupo Estado dá mostras de que fortalecerá e ampliará os serviços em tempo real. Rabello, que será um dos protagonistas do novo serviço, deixou a direção da sucursal de Brasília do Grupo Estado após 23 anos e se transformou em parceiro da empreitada, associado ao grupo Análise Política.

Luciano Suassuna, Rubens de Almeida e Jackson Bezerra deixam o iG

Deixaram o iG na última 2ª.feira (17/6) os diretores Luciano Suassuna, de Entretenimento, Rubens de Almeida, de Integração, e Jackson Bezerra, chefe da Sucursal do Rio de Janeiro. A empresa decidiu rescindir o contrato dos três executivos e no comunicado interno que veiculou agradeceu a todos pela colaboração no período em que lá estiveram, sem ter sinalizado que serão substituídos. Luciano estava havia quase quatro anos na empresa, os três primeiros como diretor de Jornalismo. Antes, ele ficou por 16 anos da Editora Três, onde foi chefe da Sucursal Brasília, redator-chefe da IstoÉ, primeiro diretor de Redação da  IstoÉ Gente e por último diretor Editorial adjunto. Em 1996, sua matéria Conversas fulminantes, com a revelação da fita mostrando o tráfico de influência na disputa pelo projeto Sivam, ganhou o Prêmio Esso de Reportagem. Escritor, publicou três livros: O repórter e o poder: uma autobiografia (Alegro, 1999), com Fernando Bardawil; Como Fernando Henrique foi eleito presidente (Contexto, 1994), com Luiz Antônio Novaes, o Mineiro, atual editor-executivo de O Globo; e Os fantasmas da Casa da Dinda (Contexto, 1992), com Luís Costa Pinto. Por este último, ganhou o Prêmio Jabuti 1993, na categoria Reportagem. Seu e-mail pessoal é [email protected]. Jackson Bezerra, que estava no iG desde outubro de 2009, trabalhou por 13 anos na Playboy, entre São Paulo e Rio de Janeiro, cidade em que acabou se fixando e onde, depois, viria a atuar como editor de Jornalismo da Paradiso FM e diretor da Caras. Nesta, além de chefiar a sucursal, também coordenou a cobertura de eventos como Ilha de Caras (em Angra), Castelo de Caras (em Nova York), Caras Neve (em Bariloche) e Villa de Caras (em Gramado). Rubens de Almeida, outro dos que saem, também estava no iG desde 2009. Antes, atuou em projetos e assessoria com sua própria empresa, Linkers Editora; foi da Urban Systems, especializada em análise de dados em mapas digitais; e trabalhou por muitos anos na Editora Pini, empresa que tem em seu portfólio publicações técnicas nas áreas de arquitetura e construção. Agora, volta ao mercado com a Gisbi, uma empresa própria de geomonitoramento e inteligência de mercado, e está abrindo uma editora de livros especializados.

Múltiplos ângulos de um mesmo fato

* Por Fernando Soares, com colaboração de Mariana Ribeiro e Georgia Aliperti O que se viu nos primeiros dias dos protestos em São Paulo foi uma certa indiferença, carregada de desconfiança, tanto por grande parte da sociedade quanto pela imprensa, que aparentemente via as manifestações como um movimento que em nada se diferenciava de tantos outros já realizados na Cidade. Apenas no terceiro dia do protesto (11/6), quando houve violência de parte a parte, entre manifestantes e polícia, foi que a imprensa abraçou a cobertura com vigor. Ao dar manchetes aos estragos causados por malfeitores travestidos de manifestantes, generalizando as acusações, vários veículos foram alvo de críticas e protestos nas redes sociais. A Folha de S.Paulo foi inicialmente um dos principais alvos, após sua capa do dia seguinte ao protesto (12/6) estampar a manchete Contra tarifa, manifestantes vandalizam centro e Paulista, e também publicar na mesma página a chamada para um texto a respeito das manifestações da Turquia com o título Polícia da Turquia reprime ativistas em praça de Istambul. Essa postura, também adotada por outros veículos, foi tema da crítica publicada no último domingo (16/6) pela ombudsman Suzana Singer. No artigo Faroeste Urbano (http://bit.ly/19FYyck) ela afirma: “De fato, Folha, Estado e Jornal Nacional só tinham olhos para a destruição provocada pela turba. Não há dúvida de que a notícia principal era o ânimo incendiário de parte dos ativistas, mas o erro foi ter generalizado. Não se dimensionou qual era a parcela dos manifestantes que estava ali apenas para depredar nem se deu o devido destaque aos demais”. No artigo Redes sociais, boatos e jornalismo (http://bit.ly/11lf0u8), publicado nesta 3ª.feira (18/6) no Observatório da Imprensa, a professora da Universidade Federal Fluminense e autora do livro Repórter no volante Sylvia Debossan Moretzsohn também corrobora a crítica em relação à postura inicial da imprensa, que segundo ela “forneceu mais um estímulo a quem propõe o abandono da ‘velha mídia’ em nome das redes sociais”. Em seu texto ela afirma: “De fato, os episódios dos últimos dias deixaram claro, mais uma vez, que a grande imprensa elege um lado, distorce os fatos, silencia as vozes dissonantes e, diante das evidências – as cenas de barbárie da quinta-feira (13/6), em São Paulo –, tenta atabalhoadamente correr atrás do prejuízo, sem entretanto conseguir livrar-se do jornalismo meramente reativo e declaratório: não consegue ser crítica às fontes oficiais, apenas reverbera seus discursos, mesmo os mais estapafúrdios, como o que assevera não ter havido excessos na repressão aos protestos no Maracanã, no domingo (16/6), ou o que informa sobre o cadastramento de jornalistas para as próximas manifestações, que usariam coletes de identificação – algo impensável mesmo em tempos pré-internet, quando o número de meios de comunicação era infinitamente menor”. Dois dias depois, a mesma Folha de S.Paulo teve sete de seus repórteres feridos durante a cobertura do quarto dia dos protestos, dois deles, Giuliana Vallone e Fábio Braga, atingidos por balas de borracha na região do rosto. Outro caso grave registrado no mesmo dia foi do repórter fotográfico Sérgio Silva, da Futura Press, que foi atingido também por uma bala de borracha no olho e corre risco de perda de visão. A mudança na postura da publicação foi imediata, mas defendida por Suzana também em seu artigo do último domingo, explicando não ter sido a violência sofrida por seus repórteres que fez o jornal mudar sua postura em relação à cobertura dos eventos: “Essa acusação, de corporativismo, é injusta. A edição refletiu uma passeata diferente das anteriores, na qual os militantes estavam incrivelmente bem-comportados e a polícia, muito mais agressiva”. E foi essa agressividade da polícia registrada na última 5ª.feira que, além de gerar material suficiente para subir índices de audiência para vários veículos, também se transformou no dia mais duro para a atuação da imprensa, que naquele momento já dava mais visibilidade e acompanhava as manifestações em maior número. Antes mesmo de ter início a passeata, que saiu das escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, o repórter da CartaCapital Piero Locatelli foi preso por carregar vinagre em sua mochila. A atitude truculenta da polícia foi filmada pelo próprio repórter e se viralizou (http://bit.ly/1a9HwSE), tanto que essa onda de protestos que mais tarde chegou a várias cidades do Brasil tem sido apelidada ironicamente por alguns internautas como “Revolta do Vinagre”. Abadá da bala Também nesse dia foram registradas algumas imagens de ataques à imprensa, que provocaram impacto e alguma comoção. Em uma delas, policiais miram e atiram contra um grupo formado por jornalistas que cobriam o confronto no cruzamento da avenida Consolação com a rua Maria Antônia (http://bit.ly/1522pJP). Mesmo com os gritos em que os profissionais se identificavam como da imprensa, vários tiros foram disparados contra os repórteres. Com um saldo de 15 profissionais feridos e três detidos, a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo, em reunião com associados, decidiu pela distribuição de coletes para o próximo dia de confronto, tendo em vista a segurança de seus profissionais. Horas antes do quinto dia de protesto, nesta 2ª.feira (17/6), cerca de 70 vestes da cor azul foram distribuídas para associados e não associados da entidade, número que acabou sendo pequeno diante da grande quantidade de fotógrafos que compareceram para cobrir a manifestação. “É uma atitude vergonhosa ter que usar colete para diferenciar o profissional, mas foi uma decisão tomada em conjunto com os associados para que os policiais não tenham a desculpa de que não sabiam que éramos profissionais trabalhando. Não sou a favor dessa iniciativa, mas a decisão respeitou a vontade da maioria dos associados”, explicou o presidente da entidade Inácio Teixeira. A mesma sugestão chegou a ser feita pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo aos jornalistas em geral, mas foi prontamente rechaçada. “O Governo do Estado ofereceu coletes mas os jornalistas recusaram, inclusive os apelidando de ‘abadá da bala’, nome que eu acho bastante adequado. Não é possível que jornalista tenha que usar colete para o policial saber em quem ele mira e atira”, comentou o editor da CartaCapital Lino Bocchini. Aos profissionais da TV Record foram oferecidos coletes à prova de bala. “A recomendação de uso foi da nossa Chefia de Reportagem, mas não recebemos nenhuma preparação especial para cobrir essa manifestação”, disse Nathália Cury, repórter do Hoje em Dia. Darlisson Dutra, repórter do SBT, contou que por lá a preparação foi baseada em informações dos próprios colegas jornalistas: “O Ricardo Antunes, nosso cinegrafista, foi atingido por spray de pimenta na última manifestação. A foto dele, inclusive, circulou pela internet, mas ele está bem e pôde continuar seu trabalho normalmente. Então, hoje nós trouxemos máscaras e óculos de proteção para um eventual conflito”. Apesar da preocupação de novos problemas com a polícia, os protestos desta 2ª.feira foram mais tranquilos para a atuação da imprensa. A exceção ficou para as equipes da TV Globo. E, nesse caso, a culpa não foi da polícia. Os próprios manifestantes que se concentravam no Largo da Batata quiseram expulsar o repórter especial Caco Barcellos e a equipe de seu Profissão Repórter do local enquanto eles tentavam entrevistar algumas pessoas. Caco e os repórteres Valéria Almeida, Danielle França, Daniel Paranayba e Newman Costa foram cercados pelos manifestantes que bradavam palavras de ordem contra a emissora carioca. O refrão “o povo não é bobo / abaixo a Rede Globo”, que marcou época com os caras-pintadas de 1992, foi o mais ouvido também agora em 2013. Os gritos, porém, em momento algum foram nominais ao repórter. Após cerca de 20 minutos de confusão, a equipe se dispersou, mas não desistiu da pauta. Um outro repórter da emissora, que não quis se identificar, disse que a reação de manifestantes contra a Globo é comum, mas que nunca havia visto algo tão agressivo. Já Caco afirmou que fazia parte de seu trabalho passar por esse tipo de situação. Em um segundo momento, alguns repórteres da Globo que também cobriam o evento retiraram os cubos de identificação de seus microfones para conseguir produzir suas matérias. Mea culpa No Jornal Nacional desta 2ª.feira, a âncora Patrícia Poeta chegou a comentar as críticas feitas pelos manifestantes à emissora: “A TV Globo vem fazendo reportagem sobre as manifestações desde o seu início e sem nada a esconder. Os excessos da polícia, as reivindicações do Movimento Passe Livre, o caráter pacífico dos protestos e quando houve depredações e destruições de ônibus. É nossa obrigação e dela não nos afastaremos. O direito de protestar e se manifestar pacificamente é um direito dos cidadãos”. Um dos motivos que levou aos protestos contra a emissora foi uma análise veiculada no Jornal da Globo em 12/6, em que o colunista Arnaldo Jabor fez duras críticas aos manifestantes do Movimento Passe Livre, comparando-os ao PCC e chamando-os de ‘filhinhos de papai’ e ‘revoltosos de classe média’ (http://bit.ly/15ZzyIx). Cinco dias mais tarde, o colunista veiculou na CBN a coluna Amigos, eu errei. É muito mais do que 20 centavos (http://glo.bo/14cYBXr), em que faz um mea culpa por sua posição inicial em relação aos protestos. Ainda assim, a postura de Jabor foi criticada por grande parte dos manifestantes e também por alguns profissionais da imprensa. Em post publicado no Diário do Centro do Mundo, Kiko Nogueira comenta o caso. “O colunista Arnaldo Jabor fez um dos mea culpa mais espetaculares na história do jornalismo mundial, notável em dois aspectos: pela convicção e truculência do primeiro comentário, devidamente renegado; e pela velocidade da mudança de ideia”. Mas os protestos não se restringiram à TV Globo. Também foram alvo dos manifestantes a revista Veja, que teve sua conta no twitter e de seu redator-chefe Lauro Jardim hackeadas; e, no caso mais emblemático, o apresentador do Brasil Urgente José Luiz Datena, da Band, criticou duramente a manifestação e fez uma pesquisa ao vivo perguntando se a população era a favor daquele tipo de protesto. Ao notar que a maioria das pessoas que respondiam à enquete se diziam favoráveis, visivelmente desconfortável, o apresentador ainda comentaria ao vivo: “Será que formulamos mal a pergunta: Você é a favor de protesto com baderna?…Faça a pergunta do jeito que eu pedi, por favor”. O resultado foi ainda mais discrepante, com mais que o dobro de pessoas respondendo que sim, em relação aos contrários ao protesto. Na marcha desta 2ª.feira, em São Paulo, foi possível ver manifestantes com placas criticando o apresentador e uma delas desafiava: “Datena, faz mais uma enquete”. Nesta 3ª.feira (18/6) o trabalho voltou a ficar complicado para parte da imprensa, principalmente para as equipes da TV Record, que teve um caminhão link incendiado e alguns de seus profissionais atacados por um grupo exaltado de manifestantes. Minutos após o ataque, a apresentadora e repórter Rita Lisauskas postou na sua conta no twitter a seguinte mensagem: “Jogaram vinagre nos meus olhos, não deixaram eu entrar ao vivo direito e ouço todos os xingamentos possíveis. Fogo no carro da Record. Triste”. Em comunicado emitido poucas horas após o ataque, a emissora informou que todos seus profissionais que ali trabalhavam escaparam ilesos da cobertura dos protestos. “A grande maioria dos manifestantes já tinha deixado o local em passeata. Por isso, a Record tem a certeza de que foi atacada por uma minoria de vândalos. Antes que o carro saísse, um grupo atacou o veículo com pedras e depois colocou fogo nos equipamentos”, informou o comunicado. “Eu me solidarizo aos profissionais da Record. Os repórteres estão sendo agredidos durante as manifestações como se fossem os culpados. Nós é que estamos dando a possiblidade desse movimento aparecer”, comentou Jorge Pontual durante transmissão ao vivo da GloboNews na noite desta 3ª.feira (18/6). Por falta de segurança na região, jornalistas chegaram a se abrigar na Secretaria de Segurança Pública. Sindicato – Por causa das agressões e prisões registradas na cobertura das manifestações em São Paulo, a direção do Sindicato dos Jornalistas está convidando os profissionais agredidos pela Polícia Militar para uma reunião nesta 5ª.feira (20/6), às 11h, na sede da entidade (rua Rego Freitas, 530 – sobreloja). O Sindicato informa estar à disposição para eventuais ações individuais e coletivas solicitando indenização por danos físicos, morais e materiais. Mais informações em 11-3217-6299. Jornalismo colaborativo – Diante da onda de protestos e do desencontro de informações nas redes sociais, um grupo de 30 a 40 repórteres que já vinham se reunindo havia alguns meses aproveitou a oportunidade para dar forma ao projeto Repórter da Internet. Com presença nas principais redes sociais, a iniciativa busca valer-se de todas as facilidades criadas pelas novas tecnologias para fazer uma cobertura confiável e independente dos acontecimentos, a fim de servir de contraponto à boataria que nesses momentos inunda as redes sociais. “Durante os protestos nos dividimos, com alguns profissionais na rua e outros na central, e ali recebíamos as informações e as replicávamos. A intenção era fazer algo diferente da imprensa e ao mesmo tempo mais confiável do que os relatos na internet”, explica um dos integrantes do grupo que, em nome de manter o foco no grupo e no trabalho coletivo que realizam, prefere não se identificar. Em cinco dias, a página do serviço no facebook (facebook.com/ReporterDaInternet) já conta com mais de 2.500 assinantes. A iniciativa também está presente no twitter (@repdainternet), instagram (reporterdainternet) e youtube (/Reporterdainternet).

A Capital Federal também se rende aos ativistas

Por Kátia Morais A mobilidade urbana e a aplicação dos recursos para a Copa foram as principais reivindicações dos manifestantes ouvidos pelo Portal EBC nesta 2ª.feira (17/6). Os cerca de cinco mil participantes concentraram-se a partir das 16h no Museu da República, desceram a Esplanada dos Ministérios e o gramado, até alcançarem, à noite, a cúpula de cobertura do Congresso Nacional. Corre nas redes sociais e na imprensa que a dimensão tomada pelos protestos pegou o Governo Federal de surpresa. Até à noite de 2ª.feira, auxiliares próximos à presidente Dilma Rousseff ainda custavam a traçar um diagnóstico claro da situação. De um lado, alguns se queixavam de uma “coincidência de fatores que deu ao assunto projeção nacional”. Do outro, estavam aqueles que se mostravam mais preocupados com o risco de os protestos alimentarem o discurso dos partidos de oposição. Até que, na mesma noite, a presidente Dilma declarou “legítimas e democráticas as manifestações pacíficas”. No momento em que os manifestantes alcançaram cúpula do Congresso, a PM chegou a posicionar-se para o caso de uma invasão, mas, seguindo o teor pacífico da manifestação, o grupo foi, ao longo da noite, desocupando a área de posicionamento restrito do governo. Do lado de cá Segundo Iolando Lourenço, presidente do Comitê da Imprensa do Congresso Nacional, o principal dano aos jornalistas que trabalhavam no local na noite de 2ª foi o desligamento da energia elétrica por volta das 21h30, que praticamente inviabilizou o trabalho das equipes presentes, especialmente as de televisão, obrigadas que foram a permanecer no local até mais de meia noite. O estrago na Câmara, embora preocupante pelo que representou, materialmente foi insignificante, com dois vidros quebrados, um na Vice-Presidência e outro próximo à Secretaria Geral da Mesa; a cúpula do Congresso pichada; e alguns mármores da laje arrancados. O Senado Federal, por meio de sua assessoria de imprensa, emitiu Nota Oficial do presidente Renan Calheiros: “O Congresso Nacional reconhece a legitimidade de manifestações democráticas como as havidas hoje, desde que as instituições sejam preservadas. Pessoalmente dei ordens à Polícia Legislativa para que não reprimisse a manifestação popular e que em nenhuma hipótese usasse de violência, mantendo apenas a ordem necessária. O Congresso Nacional continuará aberto às vozes das ruas e recolherá todos os sentimentos das manifestações a fim de encaminhar soluções no que lhe couber, como não poderia ser diferente em um ambiente democrático”. O carro de reportagem da Record Brasília foi apedrejado por manifestantes durante o ato público. A cobertura da emissora na Capital Federal foi feita por Carol Andrade e Henrique Amaral. A repórter Maria Ferri ficou presa no veículo da emissora, e foi impedida de trabalhar na cobertura do protesto. 

Rio de Janeiro: ?Fui chamada de X-9?

Por Cristina Vaz de Carvalho Rótulo de alcaguetes pode provocar revide dos manifestantes em futuras manifestações As manifestações no Rio, como em todo o País, chocaram bastante os profissionais envolvidos na cobertura dos fatos. Sob esse ponto de vista, a expectativa é de que a situação vai piorar. As autoridades devem usar as imagens para identificar os que realizaram atos de vandalismo – internacionalmente chamados de Black Blocs, grupos que questionam o sistema, mascarados para impedir a identificação pelas autoridades – e essas imagens provêm da cobertura que os jornalistas fizeram. Portanto, a persistir a movimentação, os manifestantes devem intensificar contra eles suas hostilidades. Veja registrou que uma equipe da TV Globo foi encurralada por manifestantes, e um grupo a atacou com xingamentos como “ei, Globo, vai tomar …”. Jogaram sacos de lixo e a equipe só não foi mais maltratada por estar protegida por seguranças da emissora, conforme relato do jornal O Globo. Seguranças da emissora? Equipes acompanhadas por seguranças é algo novo no Rio, cidade já tão habituada às zonas de conflito. Luiz Carlos Azenha, no seu site Vi o mundo,  postou que “repórteres da Globo não usaram o cubo que identifica a TV quando estavam próximos dos manifestantes”. Na 2ª feira (17/6), o carro do radialista Fabrício Ferreira, um Ford 1993, foi o primeiro a ser queimado pelos manifestantes (e exaustivamente mostrado em imagens de tevê). Fabrício é operador de áudio, trabalha à tarde na Rádio Tupi e à noite na Rádio Manchete (que funciona na rua da Assembleia nº 10), e estaciona seu carro ao lado da Assembleia Legislativa (Alerj). Assistiu a tudo pela janela, desolado: o carro ainda não estava quitado nem tinha seguro. A primeira reação partiu dos amigos que fizeram uma “vaquinha” online. Ele mora na Baixada Fluminense, a renda da família é complementada por sua mulher que vende lingerie, e transportava a mercadoria no carro incendiado, o que aumentou seu prejuízo. Mas, no dia seguinte, Fabrício teve solidariedade inesperada no programa Show do Pedro Augusto, da Tupi, quando o apresentador se ofereceu de público para lhe dar um carro novo. O jornal O Globo teve três equipes na rua, com Antônio Werneck, Gustavo Goulart e Vera Araújo. Vera, que esteve nas manifestações de 5ª.feira da semana passada e nesta 2ª, lembra: “A gente se sentiu ali participando da História. Em mais de 20 anos de profissão nunca vi coisa parecida. A parte inicial foi emocionante, 100 mil pessoas piscando luzes. O final foi grotesco, 200 ou 300 destruindo tudo em volta. Olha que eu subo morro, no meio de tiroteios, e nunca vi isso. Era pedra para tudo quanto é lado. Eu filmando, e pedras vindo na minha direção, quebrando os holofotes dos monumentos em volta. Éramos vistos como inimigos pelos dois lados. Fui chamada de X-9”. Depois da manifestação de 13/6, quando foram usadas bombas de gás lacrimogêneo, as equipes pediram máscaras e óculos, e foram atendidas pela Chefia de Redação. A avaliação dos que os usaram é que ajudou bastante. Aziz Filho, editor-chefe de O Dia, comemorava aniversário na 2ª.feira e convidou os amigos para um pub na Lapa. Passou a noite trabalhando e, sem outra alternativa, sugeriu que a festa fosse transferida para o ano que vem. A capa do jornal, com foto da manifestação pacífica na diagonal, diferente da que foi amplamente veiculada (do “repórter aéreo” Genilson Araújo), ganhou elogios. Os repórteres acreditam que havia muitos agentes infiltrados ali. E alguns se lembravam do caso do RioCentro, a cada pedra que passava perto da sua cabeça, achando que poderia ser uma bomba. Um fato os marcou: no meio do caos, certas pessoas tentavam se organizar. Houve tiros de verdade, e quem cobria viu os estudantes de Medicina da UFF, presentes à marcha, acudindo os feridos. Outro grupo, no dia seguinte, convidava voluntários para fazerem uma limpeza dos prédios históricos pichados e depredados. Não se atacaram prédios pertencentes ao patrimônio histórico do Rio, mas à História do Brasil. Ao mesmo tempo que, em Brasília, manifestantes ocupavam a laje do Congresso, no Rio incendiavam a entrada da Assembleia Legislativa. O prédio foi construído para sediar a Câmara dos Deputados na então capital da República. O Palácio Tiradentes tem esse nome porque naquele terreno funcionou a cadeia em que o inconfidente passou seus últimos dias. Outro local atingido foi o Paço Imperial, construído por Dom João VI, que aqui chegou quando Napoleão invadiu Portugal. O mais provável é que o grupo de manifestantes não tivesse noção dos símbolos que agrediam. Na mesma 2ª feira, tanto na TV Record como na GloboNews, jovens repórteres disseram que esta foi a maior manifestação que já houve no Rio de Janeiro. O livro de Evandro Teixeira 1968 Destinos – Passeata dos 100 mil (editado por sua filha Carina Almeida) está aí para mostrar que o Rio já viu esse filme.

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