Correspondente em Paris da BandNews FM, Milton Blay lança o livro Direto de Paris – coq au vin com feijoada. Formado em Direito e Jornalismo pela USP, mestre em Economia e doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Paris, Blay vive na capital francesa desde 1979, onde atuou como correspondente da revista Visão, da Folha de S.Paulo, da Rádio Eldorado e como redator-chefe da Rádio França Internacional. Com 35 anos de histórias acumuladas, na obra ele relata momentos marcantes como os encontros com Orson Welles e com o general francês Aussaresses, responsável por passar técnicas para tortura a militares da ditadura brasileira. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, Blay falou um pouco sobre o livro, como surgiu a ideia de escrevê-lo e o critério usado para selecionar algumas, entre tantas, histórias: Portal dos Jornalistas – Como surgiu a ideia de fazer esse livro? Milton Blay – Direto de Paris, coq au vin com feijoada surgiu da necessidade de exorcizar o passado recente, que havia deixado um gosto amargo. As primeiras páginas não passavam de meros acertos de conta, de exercícios de catarse. Mas superado esse momento, devidamente deletado, foram surgindo histórias, lembranças de momentos vividos ao longo de mais de trinta anos em Paris, que me transformaram em um ser híbrido: franco-brasileiro-migrante, coq au vin com feijoada. Quis contar historietas de um cidadão-correspondente brasileiro em Paris, que como muitos chegou à França no final dos anos 1970 para passar dois anos, no máximo, e que aqui se encontra, a poucos quilômetros da Torre Eiffel, há mais de trinta. Sem arrependimento, porém com o sentimento onipresente de que amanhã será o dia do retorno. Como quase todo imigrado, que pensou milhões de vezes em voltar e outros tantos milhões em ficar, preparei o retorno, que nunca concretizei. Talvez seja assim até o fim, talvez esse livro seja um início de resposta. Tornei-me parisiense, uma cidadania diferente de qualquer outra. Portal dos Jornalistas – Com tantas histórias acumuladas nesses 35 anos em Paris, como fez para selecionar as que comporiam o livro? Milton Blay – Optei por acontecimentos que talvez pareçam menores, mas que, por razões diversas, me tocaram, me fizeram rir, chorar, me deixaram feliz ou indignado, me tiraram o sono. Quis também rascunhar, em breves pinceladas, esse país de contradições – a França –, sobre o qual muito se fala e pouco se sabe, e que, apesar de sentimentos ambivalentes, também é o meu. Ao escrever, quis apenas tirar ao acaso, da caixa de memória, histórias como aquelas que animavam as noitadas de jornalistas das antigas, quando ao sair da sala de redação, após o fechamento da edição, nós nos reuníamos no boteco do Alemão para jogar conversa fora e depois, no jantar da alta madrugada, nos paulistanos Sujinho, Gigetto, Giovanni Bruno ou Piolin, para relembrar causos. Deixei de lado reportagens de guerra, como a da Bósnia-Herzegovina e do Oriente Médio, e coberturas de fatos marcantes, como a chegada do aiatolá Khomeini a Teerã, os atentados de Paris cometidos nos anos 1980 pelo argelino GIA – Grupo Islâmico Armado, a greve do Sindicato Solidarnosc liderado por Lech Walesa, em Gdansk, pedra inaugural do desaparecimento da cortina de ferro, o encontro desencontrado do polonês com Lula, ambos ainda sindicalistas, um querendo sair do comunismo, o outro querendo abraçá-lo, o lançamento do satélite Brasilsat 1 pelo foguete Ariane, da base de Kourou, na Guiana, ou a morte trágica de Lady Diana no túnel da Ponte Alma, em Paris, quase em frente à nossa embaixada, entre tantas outras. No lugar, publiquei encontros com Orson Welles, Ionesco, Chagall, o general Aussaresses (que ensinou a tortura aos nossos militares), Le Pen, Lula, FHC, Mitterrand, histórias inusitadas. Como a do general-presidente Figueiredo, que anulou um jantar oficial no Elysée para cair na gandaia na noite parisiense. Não tive a pretensão de escrever um livro exaustivo sobre a minha carreira de correspondente internacional, talvez a mais longa do jornalismo radiofônico brasileiro, nem dar conselhos para jovens que se lançam na profissão com o sonho de abraçar o mundo. Mesmo assim, a eles dedico algumas linhas vindas de outro século, antes da internet, em que nem sonhávamos com o mundo virtual. Para as chamadas “putas velhas” do jornalismo, ofereço lembranças de como era trabalhar no tempo em que a palavra “reportagem” tinha som de máquina de escrever (mecânica), gravador de fita, mancha de carbono nos dedos, sabor de cafezinho requentado. Portal dos Jornalistas – Quanto tempo levou para escrevê-lo e quais dificuldades encontrou? Milton Blay – A ideia do livro surgiu há mais ou menos cinco anos. Fui um escritor bissexto, sem nenhuma rotina. Escrevi quando e onde me dava vontade, às 3 da madrugada, à meia-noite ou às 4 da tarde, dependendo da necessidade. De repente, escrever se tornava uma necessidade imperiosa, inadiável. Um problema foi encontrar alguns documentos. Durante meses não escrevi uma só linha, pois estava à procura dos arquivos da revista Visão, para a qual trabalhei. Ninguém tinha, nem sequer Henry Maksoud, o último proprietário da revista. Fui encontrar o arquivo, caindo aos pedaços, quase esfarelado, na ECA, a escola de Jornalismo da USP. Apesar do livro, não me sinto um escritor. Sou apenas um repórter que viveu algumas historias que, ao seu ver, mereciam ser contadas. Nada mais, nada menos.
Vaivém das Redações!
Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais: São Paulo Ana Paula Ribeiro deixou a IstoÉ Dinheiro e começou como repórter de Finanças da sucursal paulista de O Globo. Formada em Jornalismo pela Metodista de São Paulo, tem MBA em Informações Econômico-financeiras e Derivativos pela FIA, e deve concluir, ainda este ano, graduação em História pela USP. Antes da Dinheiro, onde era editora assistente, passou por Brasil Econômico, Agência Estado, Folha.com e Agência Folha, na qual começou a carreira como redatora em 2000. Seu novo contato é [email protected]. Em função da ida do editor Alexandre Nobeschi para Veja-SP, a revista da TAM anunciou a contratação de Marcos Nogueira para o lugar dele. Ainda por lá, após um ano atuando como editora da publicação, Priscila Pastre assumiu neste mês o posto de editora-chefe da revista. Como parte da estratégia de aumentar sua programação focada em economia e novos negócios, a BBC promoveu a chegada a São Paulo de sua nova correspondente de negócios, a repórter Katy Watson. Na organização desde 2007, ela atuou anteriormente como correspondente em Hong Kong, México e Chile, e antes foi repórter da Bloomberg News. Marina Amaral deixou a Radioweb, onde era coordenadora de Jornalismo, e foi substituída por Daniela Madeira ([email protected] e 11-3266-3515). Distrito Federal Também deixaram o Correio Braziliense na semana passada (ver http://migre.me/jaB7P) os diagramadores Arlindo Ferreira e Leni Soares. No Aqui DF, registro para a saída do editor Renaro Cardoso, também na semana passada. Quem está no cargo interinamente é o sub Anderson Costolli. Minas Gerais Na ausência de Carina Tavares, produtora da Globo Minas, em férias até a primeira semana de junho, pautas podem ser enviadas para a chefe de Produção Gil Carvalho ([email protected]). Na CBN, a produtora Adriana Ferreira também tira alguns dias de descanso e até 21/5 está sendo substituída por Marcelo Guedes ([email protected]) e Shirley Souza ([email protected]). Outra que está de férias até o fim do mês é Nádia de Assis, repórter do Diário do Comércio. Luciane Montes ([email protected]) assumiu a função por esse período. Na ancoragem do Jornal Minas 1ª Edição da BandNews FM, Antonelio Souza está de folga até 27/5 e Fabiano Frade ([email protected]) o substitui temporariamente. Por fim, Teresa Caram, do Estado de Minas, também está em férias até o fim do mês; pautas devem ser encaminhadas para [email protected]. E Fernando Torres, da revista Viver Brasil, só retorna à Redação na primeira semana de junho.Vaivém-MG. Pedro Grossi, repórter de Economia de O Tempo, deixou o jornal para se dedicar a projetos pessoais e foi substituído por Thaís Pimentel, ex-BandNews FM. Temporariamente, ela usa o e-mail [email protected] para recebimento de pautas. Ainda não há quem a substitua na rádio. Leia mais + Vaivém das Redações! + Vaivém das Redações! + Vaivém das Redações!
Carlos Maranhão recebe título de Cidadão Paulistano
Por iniciativa do vereador Andrea Matarazzo, a Câmara Municipal de São Paulo concederá nesta 3ª.feira (20/5) o título de Cidadão Paulistano a Carlos Maranhão, profissional que há mais de 40 anos atua na editora Abril, com passagens por Placar, Playboy e Veja São Paulo. Paranaense, Maranhão vive na capital paulista há 41 anos. Cobriu cinco Olimpíadas, e participará da cobertura de sua nona Copa do Mundo no próximo mês, desta vez como colaborador de Veja. Atualmente, prepara a biografia de Roberto Civita, fundador de Veja e presidente do Conselho de Administração da Abril, falecido em 2013. O evento será a partir das 19h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo (viaduto Jacareí, 100).
Prêmio Internacional reconhece reportagens sobre saúde materna e infantil
Profissionais de Brasil, China, Índia e Rússia que trabalhem em jornal, revista, tevê, rádio ou online podem inscrever-se até 26/5 no concurso de reportagens sobre saúde materna e infantil promovido por Johnson & Johnson e o Centro Internacional para Jornalistas. As pautas podem incluir redução de mortalidade materna e infantil; redução de transmissão de doenças de mãe para filho; prevenção de desnutrição; melhoria na prestação de cuidados e infraestrutura para a saúde maternal e infantil; e abordagens inovadoras na distribuição de vacinas.
Cada país terá um vencedor, que receberá prêmio US$ 1.000, além de viagem com todas as despesas pagas aos Estados Unidos para participar de encontros com especialistas de saúde em Washington, Atlanta e Nova York. As matérias devem ter sido veiculadas entre 1°/12/2013 e 19/5/2014. O concurso também é aberto a jornalistas freelancers afiliados ao CIJ. Inscreva-se!
Jornauto faz balanço do setor em especial de 25 anos
Já está em circulação o especial de 25 anos da revista Jornauto, de Gilberto Gardesani. A edição, de nº 200, traz matérias que contam o que aconteceu nesse período tanto no mercado de caminhões e ônibus como no de transporte, na indústria de peças e prestação de serviços e na de automóveis. “Atingimos amplamente o objetivo de contar com a participação das empresas que sempre foram nossas parceiras, fruto do prestígio que a publicação conquistou nesses 25 anos de circulação”, comemora Gilberto. “Vamos continuar fazendo o mesmo trabalho de sempre, divulgando tudo o que é relevante nesse dinâmico e importante mercado automobilístico, com foco principal em transporte, peças e serviços”. A edição contou com a participação especial de cinco profissionais do mercado descrevendo as mudanças na atividade em cinco diferentes setores: Ricardo Conte (Produção de caminhões), Luciana Duarte (Transporte de cargas), Hélio Luiz de Oliveira (Transporte de passageiros), Alexandre Akashi (Autopeças e serviços) e Fernando Calmon (Automóveis). O especial da Jornauto está disponível em www.jornauto.com.br.
Thais Villaça começa no Jornal do Carro
Depois de dois anos e meio atuando como free-lancer para diversas publicações, entre elas o Jornal do Carro, do Estadão, Thais Villaça foi efetivada em 15/5 na equipe de repórteres do caderno. Formada em 2003 pela Universidade Mackenzie, ela começou no Agora São Paulo e teve passagens pelo site Carpress, revistas Car and Driver e Motor Quatro, além das assessorias de imprensa Textofinal e da Mitsubishi Motors.
Luís Perez passa a escrever sobre caminhões no Agora SP
Além de atuar na nova Top Carros e de continuar editor do site Carpress, Luís Perez passa a escrever semanalmente sobre veículos comerciais, caminhões e ônibus para o Agora São Paulo, com o qual já vinha colaborando uma vez por mês com reportagens sobre taxistas. Antes do Agora, por três anos ele escreveu sobre a mesma área, como colaborador, no Diário de S.Paulo, onde segue integrando o time de blogueiros do www.diariosp.com.br/automoveis. Apesar das novas atribuições, seguirá colaborando para outras publicações especializadas do setor.
Miriam Leitão, para adultos e crianças
Tempos de escravidão e ditadura militar unidos pela magia da ficção em uma fazenda em Minas Gerais. Miriam Leitão, que obviamente dispensa apresentações como jornalista de Economia, deixa fluir a imaginação e publica sua primeira obra de ficção para adultos: Tempos extremos, pela Intrínseca. Ficção sim, mas costurada por dilemas históricos. “Ele [o livro] trata da escravidão e da ditadura com toda a sua complexidade e sua dor. São momentos diferentes, mas no livro vai se criando um paralelismo“, disse em seu blog no último dia 8 de maio. “O jornalismo também me ajudou muito a escrever esse livro. Fiz reportagens sobre a arqueologia da escravidão, no Valongo e no Cemitério dos Pretos Novos, por exemplo. Fui também a uma exposição na Casa de Rui Barbosa, Registros privados da escravidão, que mostrava o dia a dia daquela época. Além disso, produzi reportagens especiais sobre a ditadura, como a que tratava do desaparecimento de Rubens Paiva. Quis mostrar os sentimentos de um torturado, de um escravo. São temas pesados que são tratados de forma leve, com técnicas de ficção”, explicou. Mas as surpresas preparadas por ela não param por aí. Além de (agora) romancista, Miriam reafirma seu talento no trato com crianças e lança também seu segundo infantil, A menina de nome enfeitado, pela Rocco. Nele, tia Nininha e sua sobrinha Nathália têm a missão de seduzir os pequenos ao encantador mundo da leitura. São Paulo receberá o lançamento do romance e do infantil, respectivamente, nos dias 22 e 25/5, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073). O de Tempos extremos será numa 5ª.feira, às 19 horas. A menina de nome enfeitado chega ao público num delicioso programa de domingo, às 15h, para a criançada não perder o abraço da vovó Miriam. Leia mais + Diretora da CBN faz nova incursão na literatura infantil + O Ato e o Fato, de Cony, ganha releitura + José Marques Melo lança Teoria e Metodologia da Comunicação
Imprensa falha ao se comunicar com anunciantes na web
Pesquisa que o Midialinks – plataforma especializada em conectar o departamento comercial dos veículos às agências de publicidade e anunciantes – fez com três mil sites de emissoras de tevê, rádio, jornais, revistas e portais em todo o Brasil revelou que 73% deles não oferecem mídia kit para download com informações essenciais para que as agências usem em seu planejamento de mídia e que quase 80% das empresas jornalísticas sequer deixam um arquivo com a tabela de preços de seus formatos de anúncios.
“Curiosamente, descobrimos que os sites especializados em levar informação aos seus leitores não estão fazendo o dever de casa ao se comunicarem com os anunciantes”, diz Fábio Walker, sócio fundador do Midialinks. “Percebemos que eles não dão informações importantes, como contato, audiência, perfil de público, entre outras, que poderiam ajudar a gerar interesse das agências”. Segundo ele, os resultados evidenciaram também outra falha dos veículos, que em 98% dos casos não apresentam sua equipe comercial nem alguma forma de os anunciantes entrarem em contato com elas.
De acordo com o estudo, 65% das empresas jornalísticas também não divulgam o telefone de seu departamento comercial, preferindo deixar apenas o telefone geral da redação. “Todos esses números demonstram que os veículos que vivem da receita publicitária ainda não assimilaram como os canais digitais podem catalisar a relação e a comunicação com o mercado anunciante”, finaliza Walker. Veja os principais dados da pesquisa.
Revista Negócios da Comunicação promove o evento gratuito A arte de editar
A revista Negócios da Comunicação promove dia 20/5 (3a.feira), das 9h às 12h, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, em São Paulo, o encontro A arte de editar. Com entrada gratuita, o evento contará com a participação como palestrantes de Douglas Ritter (CBN), Fernando Mattar (Band), Roberto Gazzi e Ubiratan Brasil (Estadão), Luís Costa (revista Língua Portuguesa) e Ricardo Fotios (BOL). Interessados devem enviar e-mail para [email protected].






