Após seis meses como gerente de Jornalismo da Record Bahia, Marcus Barreto assumiu a Direção de Jornalismo da Record Litoral/Vale, que cobre todo o litoral paulista, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira. Barreto tem 26 anos de profissão, 16 deles na Rede Record. Também atuou em SBT, Band e Rede TV. Para o lugar dele seguiu Ana Raquel Copetti, que estava em Porto Alegre, substituída por Fábio Behrend, que era editor do Cidade Alerta em São Paulo.
Débora Fortes deixa PEGN para assumir comunicação da Technisys
Depois de 14 anos de redação, Débora Fortes muda de lado e assume o Departamento de Marketing e Comunicação da Technisys. A empresa, especializada em tecnologia para o mercado bancário, acaba de montar escritório em São Paulo e pretende investir até 2015 US$ 11 milhões no País, em uma operação que deve empregar 100 funcionários. Débora era redatora-chefe da Pequenas Empresas & Grandes Negócios, e ainda pela Editora Globo foi editora executiva da Época Negócios. Antes, esteve por 11 anos na revista Info, onde entrou como repórter especial e saiu como diretora de Redação. Em assessoria, teve passagens por S2 e IBM Brasil.
Prêmio Abrafarma incentiva reflexão sobre setor na sociedade
O Prêmio Abrafarma de Jornalismo está com inscrições abertas até 5 de novembro e receberá trabalhos veiculados entre 1º de novembro de 2013 e 31 de outubro de 2014. Criado pela Abrafarma com o objetivo de incentivar e reconhecer a produção jornalística e ampliar o debate na sociedade sobre o setor de comércio de medicamentos e de produtos direcionados à saúde e ao bem estar, a iniciativa vai reconhecer os três melhores trabalhos da categoria Grande Imprensa com R$ 10 mil (primeiro lugar), R$ 6 mil (segundo) e R$ 4 mil (terceiro); e com R$ 5 mil o melhor trabalho da categoria Imprensa Especializada. Os valores são líquidos, já descontado o Imposto de Renda. O prêmio tem o objetivo de mostrar o potencial do setor e sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social, razão pela qual vai se debruçar sobre trabalhos que focalizem o desenvolvimento setorial; mostrem a abrangência dos serviços prestados em farmácias e drogarias; apontem entraves conjunturais que impeçam o desenvolvimento do setor; e apresentem iniciativas inovadoras internacionais com possibilidade de aplicação no Brasil, entre outros aspectos. O participante encontra ficha de inscrição, regulamento e um conjunto de perguntas e respostas em página específica no site da Abrafarma. O Prêmio é uma correalização de Jornalistas&Cia e Scritta – Serviço de Notícias. Outras informações pelo [email protected], com Lena Miessva.
Publishers assumem compromisso com novo posicionamento da ANJ
No encerramento da 10ª edição do Congresso Nacional de Jornais, em São Paulo, nesta 3ª.feira (19/8), os publishers de quatro dos principais jornais brasileiros comprometeram-se publicamente com a nova campanha liderada pela ANJ, Jornal. Está em tudo, que tem por objetivo posicionar o jornal não só como o mais influente e o mais relevante difusor de notícias, mas também como um meio importante para lançar, fortalecer e renovar marcas e produtos. Francisco Mesquita Neto, de O Estado de S.Paulo, João Roberto Marinho, das Organizações Globo, Luiz Frias, presidente do Grupo Folha, e Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS, uniram-se em apoio à campanha, que terá anúncios nos jornais associados à ANJ, spots de rádio e uma grande quantidade de peças interativas na internet, plataforma que ganha ainda mais importância no trabalho de reposicionamento do meio, dada a grande audiência gerada pelos canais digitais dos jornais. Mesquita, por exemplo, ressaltou que “as novas iniciativas vão facilitar o restabelecimento do tripé do mercado, formado por anunciantes, agências e jornais”. Marinho, das organizações Globo, partiu dos sentimentos contraditórios gerados pelo surgimento da internet nos empresários e executivos de jornais para concluir que hoje, depois de décadas, a percepção predominante é a de que, na “geleia” de informação e desinformação característica do meio digital, as oportunidades são maiores do que as ameaças para empresas de mídia com marcas de credibilidade, acostumadas a desconfiar da informação e a checá-la. “Os jornais são grandes exemplos”, afirmou. Para Frias, o principal patrimônio dos jornais continua a ser o pluralismo e a independência, mas o modelo de negócio tradicional, que permitiu e financiou o jornalismo independente, é que sofreu abalos com a internet. Mas esse abalo não deverá perdurar, segundo ele: “Os jornais avançaram muito nessa busca por modelo correto de negócios. Há experiências exitosas, aqui e lá fora, de que podemos construir carteiras de assinantes que poderão ser maiores que as do passado”. E Sirotsky enfatizou que a união dos jornais na busca do fortalecimento de sua independência financeira não se restringe à sobrevivência dos veículos: “Quando nos unimos para reforçar a relevância do meio e criamos ferramentas para garantir a independência econômica, estamos garantindo de certa forma a liberdade de expressão. Por isso, este é, sim, um momento histórico, com medidas concretas para assegurar a continuidade econômica das nossas atividades e, como consequência, do bom jornalismo”.
Universidade Candido Mendes lança prêmio jornalístico sobre drogas
O Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da pós-graduação e pesquisa da Universidade Candido Mendes, lançou o Prêmio Gilberto Velho – Mídia e Drogas. Primeira premiação jornalística brasileira dedicada ao tema, propõe-se a estimular o debate público sobre políticas e legislação relacionadas às drogas. Serão considerados o ineditismo das informações; fatos e dados que contribuam para desafiar ideias pré-concebidas em relação ao tema; abordagens sobre a relação entre direitos humanos e políticas de drogas; a diversidade de fontes e ângulos de interpretação; a qualidade do texto; e a capacidade de comunicar visões inovadoras sobre as políticas públicas e a legislação na área de drogas no Brasil. Idealizado pela socióloga e pesquisadora Julita Lemgruber, o concurso, que tem organização de Ana Bela Paiva, homenageia o antropólogo Gilberto Velho (1945-2012), pioneiro da Antropologia Social, decano da UFRJ, e um dos primeiros a propor a discussão sobre a regulação das drogas no País. Podem concorrer trabalhos de todo o Brasil, publicados em jornais, revistas e páginas da internet entre 1º/1 e 18/10/2014. O prêmio não contempla reportagens de rádio e televisão. Também não poderão concorrer trabalhos que tenham sido produzidos originalmente para campanhas políticas ou veiculados como informe publicitário. A inscrição deve ser feita até 22/10 pelo formulário no site do prêmio. Os jurados são: Bruno Torturra, da rede Fora do Eixo, um dos idealizadores da Mídia Ninja; Cristiane Costa, coordenadora do curso de Jornalismo da ECO-UFRJ; o médico Dartiu Xavier da Silveira, professor da Unifesp; Luciana Boiteux, professora de Direito Penal e Criminologia da UFRJ; o autor e ex-secretário de Segurança do Rio Luiz Eduardo Soares; Marcelo Moreira, da Abraji; o antropólogo Mauricio Fiore, da Unicamp; e Sílvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. A comissão julgadora vai eleger três reportagens, que recebem o primeiro prêmio no valor de R$ 7 mil, o segundo prêmio de R$ 3 mil, e uma menção honrosa sem valor pecuniário. Para mais informações e contato com a equipe, estão disponíveis os e-mails [email protected] e [email protected], e os telefones 21- 2531-2033 / 2232-0007, com Daniella Vianna ([email protected]).
Comissão tem 30 dias para investigar alterações de perfis da Wikipédia
Miriam Leitão diz que explicação do Planalto é de corar de vergonha O Governo Federal começou em 12/8 o processo de sindicância para investigar alterações nos perfis de Carlos Alberto Sardenberg e Mírian Leitão, colunistas e comentaristas de TV Globo, O Globo e CBN, na Wikipédia, em maio de 2013, a partir de um IP da rede do Palácio do Planalto, sede da Presidência da República. O perfil de Miriam foi alterado três vezes. Segundo especialistas, é possível saber quem acessou a enciclopédia virtual, verificando no servidor de rede do Palácio do Planalto qual computador fez a solicitação de acesso, por meio do endereço físico do equipamento, conhecido como mac address. E por ele identificar qual foi o usuário que fez o login e acessou a página. A comissão será chefiada pelo auditor fiscal e secretário-executivo da Casa Civil Valdir Simão, e terá 30 dias de prazo. Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência considerou lamentável o episódio e informou que, por razões técnicas, “é impossível” localizar os computadores de onde partiram as alterações nos perfis na Wikipédia. E que até julho passado, os conteúdos da rede de internet do Palácio do Planalto eram arquivados por no máximo seis meses. “Outro dado técnico que dificulta a identificação de quem fez as modificações nos textos é o fato de elas terem sido realizadas por um número de rede de internet do Palácio que também funciona para a rede wi-fi. Ou seja, qualquer pessoa, mesmo que estivesse em visita ao Palácio, poderia, em tese, ter realizado as alterações”, afirma a nota oficial. Apesar disso, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, disse que é preciso investigar. Entidades de classe como ABI, ANJ, Abert e Fenaj cobram do Executivo a apuração rigorosa do caso. Sobre essas medidas, Miriam disse a J&Cia que “o governo nada fez a não ser se dar um prazo. Não pensei ainda em tomar nenhuma providência. A pauta do Brasil é intensa e há outras emergências mais sérias. O esquisito ali não é o ataque a mim ou ao Sardenberg, mas usar a estrutura do Planalto e a primeira explicação de que poderia ter sido um visitante é de corar de vergonha”.
Secom abre licitação de R$ 45 milhões em comunicação digital
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República, em parceria a Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi), lançou em 7/8 edital de licitação para a contratação de soluções de comunicação digital para o órgão. A Secom prevê investimento anual de R$ 45 milhões a serem divididos entre as duas empresas escolhidas. Atualmente, a conta está com a TV1.com, que tem contrato até o final do ano. A entrega das propostas das agências está marcada para até dia 25 de setembro e os contratos iniciais serão assinados pelo período de um ano, podendo ser renovados até, no máximo, cinco anos. O briefing fornecido às agências interessadas pede a elaboração de estratégias de comunicação digital para melhorar o acesso do público às informações sobre o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Esta será a primeira vez que o Governo Federal fará uma licitação na área de comunicação digital em que a proposta técnica é a determinante. “Antes, as agências digitais eram contratadas por pregão eletrônico, nos quais vencia quem cobrava menos, independentemente da capacidade de atendimento à conta, ou por licitações que mesclavam técnica e preço, mas nas quais as agências que cobravam menos acabavam levando vantagem na fase final e ultrapassando as melhores qualificadas na fase técnica”, explica Alexandre Gibotti, diretor-executivo da Abradi. Dúvidas ou esclarecimentos sobre o edital podem ser enviadas para [email protected] ou para Vinícius Cordoni, pelo [email protected]. Ainda na Secom, Gilberto Scofield Jr., que deixou recentemente O Globo, aceitou convite do ministro Thomas Traumann para reforçar a equipe de comunicação nesta reta final de governo de Dilma Rousseff e das eleições. Gilberto certamente sabe que não terá refresco nesses próximos meses, como já ficou claro no episódio das alterações indevidas nos perfis de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, a partir de computadores do Planalto, quando o governo viu-se acuado por uma saraivada de críticas na imprensa e nas redes sociais, sobretudo pelas evasivas e questionáveis explicações e providências prometidas.
Tensão no Sindicato do Rio, terceira semana
“A única ferramenta institucional que o jornalista tem é o Sindicato” No dia 11/8 (2ª feira), o movimento oposicionista realizou uma reunião na ABI. Ali, ficou decidido que a nova denominação do grupo é Viva Santiago – União em defesa dos jornalistas e por uma sociedade sem violência, e foi formada uma comissão para representá-lo. São nomes de peso no jornalismo carioca: Arnaldo César Ricci Jacob, Fernando Molica, Flávia Oliveira, Ivan Accioly e Marcelo Moreira. Arnaldo César falou a Jornalistas&Cia, e relatou que a reunião foi convocada para uma análise do que ocorreu na plenária da Emerj (Escola da Magistratura): “Achavam que iam lá discutir questões de segurança dos jornalistas e, na verdade, o Sindicato fez um comício. No clima da reunião, não foi possível fazer um debate sobre a questão da violência. O que nos preocupa é a questão da segurança, e não a questão ideológica. Nenhum problema de o Sindicato ter viés ideológico. Isso não é defeito”. Lembrou também que, historicamente, desde os tempos de Getúlio Vargas, os sindicatos são ligados a partidos políticos – mudam os partidos, mas permanece a ligação. E todo sindicato é corporativista, seja na defesa da relação capital-trabalho, seja em qualquer outra reivindicação. Ele prosseguiu: “O grupo não é contra manifestação, mas contra o cerceamento dos jornalistas. Não importa se é jornalista do grande veículo ou de um blog, ele tem o direito de cobrir. O número de jornalistas atingidos é muito alto, tanto pelos registros da Abraji como do próprio Sindicato. Independentemente de a cobertura ser boa ou ruim, quem não quiser ver, mude de jornal, mude de canal. O que as pessoas estão começando a entender? Se não se tem liberdade para ir à rua apurar o que está acontecendo, isto é cerceamento da liberdade de imprensa”. E concluiu: “O que me fez me envolver nesse negócio? A questão concreta, da violência contra jornalistas, tem que ser atacada. A única ferramenta institucional que tem o jornalista é o Sindicato. E os atingidos eram jornalistas que esperavam o apoio do Sindicato”. Disse ainda: “Estamos muito preocupados com a manifestação de amanhã”.
Dicas de um repórter aventureiro
Como adiantamos nesta 2a.feira (18/8), conseguimos fazer contado com Renan Antunes de Oliveira, um dos editores do Jornal Já, de Porto Alegre, que publicou na edição de 19/7 do jornal a reportagem Tráfico: empresário leva 25 anos para provar inocência, um verdadeiro libelo contra o assassinato de reputações, história que ele acompanha há 15 anos. Hoje, poucos são os repórteres com essa dedicação e consideramos importante mostrar, principalmente aos mais jovens, como é o processo de trabalho de Renan. Repórter independente em Florianópolis, 64 anos, ele já rodou o Brasil – e até alguns lugares do mundo – atrás de pautas, muitas delas com características de aventura. Em suas andanças, passou por RBS, Estadão, JB, Veja, IstoÉ, TV Cultura SP, TV Gazeta, Rádio SBS da Austrália, rádio do Partido Comunista Chinês e frila do UOL, entre outros. Renan foi questionado sobre seu processo de escolha de pautas, como se organiza para pesquisar assuntos, como se aproxima das fontes sobretudo nesses temas mais polêmicos, quais pontos considera fundamentais num trabalho de investigação, quais os principais riscos (físicos e profissionais) desse tipo de trabalho. Em resumo, quais seriam os seus “dez mandamentos” de repórter investigativo. Na entrevista que concedeu por escrito, abriu o coração e foi corajoso em algumas revelações: Sou freelancer. Como trabalhei décadas assim, não me sinto capaz de dar exemplo para os mais jovens. O pessoal de hoje gosta de uma coisa estável e glamourosa, daquelas que dão crachá no peito. Além disso, eles não precisam de dicas. Conheço dúzias de editores na casa dos 20. A maioria já tuita sobre eleições, seca no Nordeste ou casamento gay com o mesmo desembaraço. Eu é que tenho que aprender a simplificar: ainda vejo esses temas banais com 120 tons de cinza. Dos mandamentos do repórter mal posso falar, porque só conheço um: “Atravessar paredes”! Enfim, poderia sugerir pro pessoal alguns truques da rua, que é onde me garanto mais ou menos. Um tema do qual posso falar e gosto muito é o das pautas não realizadas Eu procuro pelas pautas como Bocelli pela música. Trabalho para comer, movido pela velha máxima nule dia sine linea: nulo é o dia em que não se escreve uma linha. Sem linhas, sem bufunfa. Para falar um pouco da matéria do Germano, preciso dizer que entrei nela por acaso. Uma vez na história, ouvi o piu piu da injustiça. Aí, liguei o piloto automático e continuei por década e meia, movido apenas pela indignação. Como já li que um jornalista deve ter a capacidade de se indignar, mantenho a minha em dia. Exemplo atual: semanas atrás, vi uma morena nua e sangrando pelas ruas de Manaus. Eu viajava com vários coleguinhas locais e um paulista. Pedi para parar o carro, o motora levou preciosos minutos a mais – ele não tem culpa de não ser reportero, como dizem na Bolívia. A mulher ia de queixo erguido, seios caídos, bumbum firme, descalça, passos lentos e olhar perdido para o público de uma parada de busão. Clamei por um fotógrafo. Havia cinco na rodinha. Pedi a foto. Nenhum levantou a câmera. As respostas variaram: “É louca”. “Não seria ético”. Outro disse: “Ela tá sempre por aqui”. Todos se engajaram no debate, sem olhar pra ela. O paulista disse ter tido medo da reação da doida. Eu argumentei que ela poderia ser recolhida por alguma igreja evangélica, já que de prefeituras nunca espero tanta preocupação com cidadãos pelados. Mais: como estava sangrando, que tal ser medicada? No mínimo, vestida. Aí justificaram a nudez por ser índia. Eu respondi que nem entre os ianomâmis as vi totalmente nuas, sem sequer um adereço. Nada os comoveu. Nem meu último argumento de que há milhares de índios em Manaus, todos escandalosamente vestidos. A minha peladona exigiria um repórter com indignação tipo saudável, compaixão, olhar humano, aquelas coisas que nos separam dos bichos. Quando consegui descer do carro já era tarde. Eu a perdi na multidão, entre funcionárias uniformizadas da Vivo e os passageiros do bus do bairro Compensa. Dava matéria, com certeza. Minhas pautas eu pego ao azar Uma coisa pinta na minha frente, o faro diz que vale matéria, vou atrás. Sempre fiz assim. Durante décadas cumpri poucas pautas pautadas por pauteiros. Só pude fazer isso sendo frila. Quando era correspondente no estrangeiro, também decidia sozinho. O mesmo vale se estou numa cidade fora do eixo, como Floripa, ou na estrada, onde tudo que rola pode valer. Meus temas preferidos? Crimes pequenos. Caço injustiças. Cenas engraçadas. Farejo causas fora do eixo. Índias peladas nas ruas. Escrevi sobre o papa, presidentes, governadores, pobres, negros, albinos, drogados (cada vez mais), prostitutas, gays, ladrões, presidiários, assassinos e vítimas da violência policial. Soja e bichos. Duas matérias de que lembrei agora como entre as favoritas foram a do menino queimado pela PM e a da menina recolhida de um bordel pelo Conselho Tutelar, ambas em Curitiba, meu cemitério de elefantes – é o melhor lugar do mundo para amarrar o burro do jornalismo na sombra. Se as turminhas do salário mínimo, cesta básica e bolsa família fornecem bons personagens, o outro lado da moeda também rende. Já dedilhei sobre os vestidos da princesa Diana, dos sapatinhos da mulher do Donald Trump, de um pé do ACM, da fuga do Pizolatto pra Itália, sobre o boquete da Monica no Bill – com esta matéria perdi a boca de frilas da BBC, mas isto é papo pro capítulo das demissões. Outras pautas eu pego lendo jornais, quando vejo pontas soltas na matéria Uma assim me aconteceu no Paraná. Chego lá desempregado, 2001. Vejo manchetes dadas por policiais para repórteres sonolentos: padre eleito prefeito mata o vice dias antes da posse. Veja: “Batina suja de sangue”. Globo: “o assassino” estaria “foragido”. Vários jornais deram a mesma coisa, mas tudo de orelhada. Nenhum repórter na cena. Nem na cidadezinha, nem nas calçadas, sequer na porta da igreja-prefeitura. Farejei o ar. Snif… Nunca vi um padre prefeito matar alguém. Snif… Aqui tem sacanagem da polícia. Padre prefeito existe, padre assassino idem, prefeito assassino idem idem. Mas, a combinação padre-prefeito-assassino me cheirou improvável. E, matar antes da posse? Talvez se fosse o vice matando o prefeito, jamais o contrário, né? Definitivamente, tinha alguma coisa errada na versão oficial. Eu queria um emprego no jornal. Aí me ofereci pra ir lá investigar, faria reportagem tipo degustação em supermercado. O pauteiro não quis nem de graça: “Envolve viagem aos grotões”, foi o pífio argumento do preguiçoso. Falei com o dono, que aceitou a parada. Fui, no carro da mana. Achei o padre e o verdadeiro assassino antes da polícia. Mas, falemos só do padre. Onde ele tava? Raciocinei: se inocente, vai pedir ajuda ao bispo. Batata. Ao amanhecer bem cedinho fui na diocese. O bispo tomava um café digno do papa. Devorei rosquinhas frescas servidas por uma freira alemã. E perguntei: “Aquele padre prefeito é bandido ou foi armação”? O santo homem cravou “inocente”, ainda de boca cheia. Arrisquei: eu prometo que se o senhor me deixar entrevistá-lo, ele terá sua versão e não o entregarei pra polícia. O bispo me olhou alguns segundos, enquanto limpava os farelos da batina. Aí, talvez confiando no poder divino da mídia, mandou a freirinha trazer o padre. Ele estava escondido atrás do confessionário. Gol certo. Fui com ele até o Ministério Público, onde o homem se entregou, mais medo da polícia do que de Deus. Existe vida sem pauteiro Eu disse acima que escolho as minhas histórias sem pauteiro. Motivo: eles são pessoas muito ocupadas pra ter tempo de bolar pautas. Primeiro, o pauteiro cuida da mulher. Depois, dos filhos. Aí temos a casa, o carro, a vacina do cachorro, as prestações, as baladas, os achaques, as idiossincrasias do cara. Com o que sobra de energia mental, turbinada pelo Bom Dia Brasil, ele vai te dar uma pauta pras ruas. Melhor deixar pra lá, né? Escolhida a pauta é que começa a vida dura de um freelancer Pra nós, só a pauta não basta. A gente primeiro precisará levantar a matéria, pra depois tentar vendê-la. É assim porque se você disser prum editor “tenho tchã tchã tchã”, ele vai querer saber tudo antes de comprá-la. Vendida a história, oremos para que o financeiro concorde em pagá-la. Tudo pronto ? Neca. Você pode cair num copidesque burro. Ultrapassado este platô chegamos ao pico do Everest: o pagamento. Poucos chegam lá. Seja porque o financeiro não tinha concordado com o valor, ou porque o editor não mandou o boleto do mês, ou porque os frilas foram cortados: “Ainda estamos pagando os do primeiro semestre do ano passado”. Resumo da ópera: minha matéria vencedora do Esso de Reportagem 2004 foi rejeitada por vários até ser publicada de graça no Jornal Já Porto Alegre. Depois de premiada, foi reproduzida também de graça em n sites e num jornalzinho do Ceará, o único que teve a decência de me pedir por favor. Por ela, paguei todos os custos. Usei o carro da mamãe pra procurar fontes no interior e fiz o resto da apurática caminhando pela cidade, 45 dias… O segredo da fonte Como a gente conquista fontes? Bem, não as conquisto. Apenas procuro por elas pra conversar. Ela será fonte boa dependendo do papo. É um jogo. Será que ela tem alguma coisa pra me dizer? Será verdade? Será que fiz a pergunta certa? Será que fiz o approach certo ? Muitas se melindram. Muitas não gostam de ti e aí não falam p. nenhuma. Umas contam tudo. O pai do FK nunca falou sobre o suicídio do filho, mas a mãe me despejou a dolorida história nos mínimos detalhes, sem derrubar uma lágrima. Existem fontes intransponíveis. O secretário do prefeito de uma cidade do interior de SC cansou de minha insistência, se queixou pra um comprador meu em Sampa e tomei uma chamada. É que às vezes é o dia da fonte e elas te caçam. Meses atrás outra matéria deu xabu. A assessora de uma empresa de TI blindou seu chefe de uma maracutaia também ligando. Recebi o “segundo aviso” pra me comportar, pra não incomodar as fontes. Desisti das duas matérias, meu comprador daquelas encomendas ficou satisfeito. Salvei os dedos. Ser mulher, às vezes ajuda na apurática. O subcomandante Marcos escolheu uma jovem repórter americana pra falar para um pool de jornalistas numa noite na selva mexicana, mandando a beldade de volta com as informações que ansiávamos – ela reapareceu ao amanhecer, de cabelo ainda molhado. Ser homem tem também suas vantagens. A finesse me impede de relatar a história da entrevista com uma ex-primeira-dama no Central Park. Comecei a perguntar “não entendo como é que teu marido foi te trocar por aquela chinelona, deixar uma mulher com tua classe e beleza”. Funcionou: arranquei dela tudo o que precisava pra escrever a história do maridão, um político corrupto, sem molhar o meu cabelo. A arte da entrevista Entrevistei muita gente na vida. Um dos grandes fracassos foi com uma prima, dentro de casa! Sem dúvida, ela é a desconhecida mártir da luta pelos direitos da mulher no interiorzão gaúcho. Cresci ouvindo mamãe criticá-la. Se minha irmã queria sair sozinha, mami poderosa bradava “quer ser uma p… como tua prima”?! Ela tinha sangue de imigrantes russos. Uma foto amassada que eu vi durante um café da tarde em 2000 mostrava uma loira alta, parecida com a Uma Thurman. Muito bonita, com certeza seria uma ET entre os bugres e a peonada das fazendas de Vacaria. O pecado da prima: nos anos 50, ela tentou sair dos grotões pra saber o que é que existia além da porteira. Na primeira tentativa, os irmãos grandões e loirões como ela a encontraram ainda a 30 km de casa, trazendo-a de volta. Na segunda, um motorista passou e ela pediu para ir com o cara. Os irmãos deram uma surra no motora. Um circo passou pela cidade vizinha, ela se escondeu num camarim, na esperança de seguir viagem. Os irmãos perdigueiros a caçaram. E arrebentaram seis dentes do palhaço que a ajudara. Mamãe dizia que “a vagabunda ia atrás de qualquer homem”. A honra da família era salva pelos brothers – eles desmanchavam na porrada os interessados desavisados. A prima fingia se aquietar, mas tentava de novo. Aí os maninhos a botaram na última das prisões: casaram a moça com um amigo de bebedeiras. Vapt vupt o cara fez três filhos nela. Um dia o marido voltava para casa borracho, quando caiu do cavalo e morreu afogado num riacho perto do curral das ovelhas. A prima criou os filhos sozinha, com amor e resignação. Naquele café que tomamos em 2000, o assunto chegou ao marido morto. Sem que eu perguntasse, ela me confidenciou, com um sorriso triste e amargo: “Aquele bosta foi meu único homem”. Com estas seis palavras ela destruiu décadas de preconceito da minha mãe. Atraído pelos detalhes, conversei horas com ela. Me convenci de que a personagem dava uma p… pauta. Liguei pra Trip. Vendi a história “Minha Prima Puta”. Nunca foi publicada. Eu estava me preparando pra escrever quando dois quarentões criados pela prima me procuraram, indignados, ameaçadores. Trouxeram meu irmão como testemunha da lama que eu supostamente iria jogar na família. “Se tu escrever sobre minha mãe eu te mato”, começou um deles. Sem saber, ou talvez sabendo, repetiu o que seus tios russos fizeram com a mamãe. Meu irmão, amigão deles, apoiou os primos filhos da p. Por segundos me senti como ela, só faltou o vestidinho de chita e ser trancado na fazenda. Minha bela e triste prima, oprimida agora pelos filhos, nunca mais atendeu aos meus telefonemas. Fonte é tudo igual, só troca de endereço Quando procuro uma fonte, ainda hoje fico paralisado por segundos, sem saber como começar ou por onde ir. As dúvidas galopam na minha cabeça. Quando as localizo, fico inseguro entre dar bom dia e perguntar se vai chover. Não sei se conto que meu tio Girolamo produzia vinhos na Serra Gaúcha ou se vou direto ao ponto. Depende do feeling. Ano passado, fui diretaço com o assassino da Penha (SC), um pescador que matou toda a família. Encontrei-o numa igreja, antes da polícia. Não dava tempo pra firulas: “E aí ? Dizem que você matou a família…” Ele disse que não. A próxima pergunta poderia ofender mortalmente o matador (eu já tinha apurado que ele era culpado). Mesmo assim, arrisquei: “Se não foi você, quem poderia ter sido”? O assassino me olhou firme. Jurou que “se eu pegar quem fez isso… mato!” Imediatamente mudei a conversa pra amenidades. Perguntei aonde ele iria depois do nosso papo. Me contou que visitaria a namorada, em Goiás. Passamos a falar de motos. Não mencionei mais o crime, temendo ser a próxima vítima. Tentei vender a matéria desse assassino para uma editora da madrugada de um portal. Ela achou o tema “muito tétrico”. Derrotado, escrevi mal pra burro (meu relógio biológico é o matutino). Tentei botar no portal, tipo minuto a minuto da apuração, sempre na frente da polícia, mas não quiseram. Um editor me arrasou: “Teu texto não tinha pé nem cabeça”. O assassino? Horas depois do nosso papo ele confessou ter matado pai, mãe, irmã e um sobrinho. Por sorte, não havia mais ninguém em casa naquela hora… Mandei pro portal o drama e a confissão, mas aí perdeu aquele clima quente da investigação. O editor só deu meu material bem depois da concorrência, numa nota pífia. Mea culpa, pelo texto chinfrim. E aqui vai uma lição: por melhor que seja a história, por mais confiável a fonte, mesmo com uma baita apuração, o texto tem que segurar. Escrever é o nome do jogo. Voltando ao tema das fontes: procurar por elas exige tenacidade É raro que a boa matéria te procure, você tem que procurar por ela. No caso Germano, de tempos em tempos eu ligava pra ele, ou abria o site da Justiça pra procurar o processo. Tipo missão: “Tenho que fazer isso hoje”, mesmo que demore 15 anos. Também exige faro. É uma sensibilidade que os anos trazem. Às vezes, quando faço um “povo fala” pra TV, sou capaz de divisar na multidão quem quer aparecer e quem vai fugir da câmera. Aí eu vejo um cara preso dizendo que é inocente e todo mundo (até eu…) rindo dele. Aí me vi nas mãos dessa polícia (parcialmente) bandida e desse judiciário (parcialmente) vagabundo que temos. Pronto. Não pude mais abandonar a história do Germano. Aos poucos fui percebendo a verdade, atestada pela absolvição dele no STJ. Claro, algum coleguinha poderá questionar o mérito da minha matéria dizendo que, como Germano, Fernando Collor e O.J.Simpson também foram declarados inocentes por tribunais. Com certeza, entre eles estarão alguns dos que queimaram Germano e nunca ouviram a versão dele, como manda o manual. Nem examinaram os processos, como eu fiz. Descobri (mas não publiquei) que o primeiro juiz a mandá-lo pra cadeia foi afastado do cargo a pedido do MP do Rio, acusado de trabalhar pra traficantes, sendo então confortavelmente aposentado. Só isso já daria uma p… pauta. É a pauta dentro da pauta, uma iguaria. Mas, ninguém se interessou por ela, nunca. Muitos repórteres que não se indignaram com a injustiça cometida pelo Estado contra Germano me acham maluco por ficar insistindo tanto num assunto fora do radar – os mais chegados ironizam que “é mais uma daquelas matérias arrastadas do Renan”. Entenderam outra razão pra nunca desistir da matéria? Provar que eu tinha razão… este sentimento mesquinho e tão humano do eu, eu, eu… Minha sorte é que ele foi inocentado depois de 25 anos. Ufa! Já posso jogar o outro sapato no chão.
Corte no Terra atingiu cerca de 60 da área editorial
Das cem demissões anunciadas na última semana pelo Terra, cerca 60 foram no núcleo editorial, conforme apurou o Portal dos Jornalistas. De uma equipe de mais de 130 profissionais, o portal conta agora com aproxidamente 75. Porto Alegre, que gerava o noticiário e contava com uma redação completa, ficou com quatro profissionais, pois a empresa optou por transferir a totalidade dessa atividade para São Paulo (o Terra conta ainda com duas pessoas no Rio de Janeiro e outra em Brasília). Também a Fotografia foi sacrificada, diante da necessidade de reduzir a folha de pagamento. A opção foi abrir mão da equipe própria e começar a trabalhar com freelancers. A operação 24 x 7, que busca garantir atualização permanente da capa e do noticiário, não será alterada, embora a partir de agora o portal passe também a se valer da automação e da inteligência artificial, sobretudo com o uso de conteúdos das agências de notícias. Ironia do destino, o anúncio do corte foi feito na mesma manhã da queda do avião que matou o candidato Eduardo Campos e outras seis pessoas que estavam naquele voo. Ou seja, quando eles mais precisavam de uma cobertura intensiva…






