A Vice News anunciou a liberação do jornalista Mohammed Ismael Rasool, que estava preso há mais de quatro meses na Turquia. De acordo com a publicação, a prisão aconteceu em 27/8/2015, enquanto ele cobria confrontos no sudeste do país, que envolviam polícia e membros jovens do proibido Partido Trabalhista Curdo (PKK). Rasool foi preso com mais dois colegas, Jake Hanrahan e Philip Pendlebury, ambos libertados em 3 de setembro. Ele, que é iraniano, foi mantido na prisão de segurança máxima prisão de segurança máxima Adana Kurkculer. Em outubro, os canais da Vice no mundo inteiro saíram do ar durante duas horas, em protesto. No início de dezembro, Tahir Elci, principal advogado da Vice News, foi baleado e morto em Diarbaquir, sudeste do país, enquanto concedia entrevista coletiva no bairro de Sur, pedindo paz entre a Turquia e PKK. A liberação de Rasool foi exigida por organizações de direitos humanos e liberdade de imprensa de todo o mundo, e aconteceu sob o regime de pagamento de fiança, embora documento divulgado por um tribunal da cidade de Diarbaquir afirme que nenhum pagamento foi feito ainda. Por enquanto, Rasool não pode deixar o país e precisa se apresentar duas vezes por semana a uma delegacia perto de onde mora.
Adriana Teixeira assume a Coordenação Editorial do Anuário de Comunicação Corporativa
Além da tradicional edição impressa, publicação terá versão digital em que se destacarão inovações como as seções Book das Agências e Guia das Agências de Comunicação e os projetos multimídia Histórias Empresariais, Mercado e Por dentro da Comunicação Corporativa Adriana Teixeira ([email protected]) está assumindo a Coordenação Editorial do Anuário de Comunicação Corporativa, publicação da Mega Brasil dedicada ao segmento das agências de comunicação e às áreas de comunicação corporativa de empresas, organizações e instituições públicas e privadas, que chega à sétima edição. Adriana, que deu seus primeiros passos profissionais na própria Mega Brasil, nos anos 1990, como estagiária, foi até meses atrás editora-chefe do Brasil Econômico, tendo anteriormente atuado como editora no Diário Popular/Diário de S.Paulo. Por um período, esteve também no próprio segmento de comunicação corporativa, como diretora da Sobral Comunicação. Formada pelo Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais – IICS, em parceria com a Universidade de Navarra, dedica-se atualmente a um mestrado em Comunicação e Semiótica, com ênfase em ambientes digitais. Numa outra vertente de sua atuação profissional, formou-se sommelier e vem ministrando cursos sobre vinhos para grupos e empresas. Adriana sucederá Lena Miessva, que esteve à frente do projeto durante as seis primeiras edições e hoje dirige a Barcelona Comunicação, do Grupo CDI. Outra novidade do Anuário é a chegada de Oswaldo Braglia ([email protected]) para a Coordenação Comercial, ao lado de Daniel Coelho, que pilotará a área operacional e de distribuição. Oswaldo foi diretor administrativo e comercial do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo durante os anos 1980 e 1990 e na década passada cuidou por alguns anos das áreas administrativa e de novos negócios da Jornalistas Editora. Em 2015, esteve à frente da área comercial do Jornal da Comunicação Corporativa nos especiais TOP Mega Brasil de Comunicação Corporativa e Dia da Comunicação Empresarial, este em parceria com a newsletter Jornalistas&Cia. Inovações marcarão versão digital O ano de 2016 marcará a chegada de uma inédita versão digital do Anuário de Comunicação Corporativa, passo incentivado com ênfase especial pelo Conselho Consultivo da publicação, integrado por cerca de 50 executivos e empresários da área, em reunião realizada em julho de 2015 na Aberje. Com isso, o Anuário inicia um novo ciclo em que combinará a tradicional versão impressa, com seus indicadores econômicos, ranking das agências de comunicação, artigos e reportagens especiais, com uma versão digital que oferecerá complementarmente e em formato multimídia conteúdos comerciais inéditos, diferenciados e estratégicos. Entre estes estão as seções Book das Agências, com portfólio e informações detalhadas das agências de comunicação do Brasil, e Guia das Agências de Comunicação, com a relação completa e respectivos contatos das agências de comunicação do mercado brasileiro. “São seções que representarão no plano digital o mesmo que os anúncios representam na plataforma impressa”, ressalta o publisher Eduardo Ribeiro. “Mas com uma vantagem incomparável: a possibilidade de as próprias agências atualizarem permanentemente as informações, prestando um serviço de elevado valor para quem precisa se relacionar com elas”. O Anuário digital também trará importantes inovações editoriais, com o objetivo de dar perenidade ao seu conteúdo, a partir da permanente produção e veiculação de projetos multimídia. “Vamos ter áudio e vídeo em abundância no Anuário, ao lado das tradicionais matérias impressas”, diz Marco Rossi, sócio-diretor da Mega Brasil e responsável pela área de inovações tecnológicas e digital da empresa. Segundo ele, o Anuário digital começa exatamente onde se encerra o impresso: “Fechada a versão impressa, que terá aproximadamente 120 páginas, iniciaremos a versão digital, que não só incorporará em linguagem digital tudo o que estiver no papel – e de forma ampliada, com a íntegra das reportagens, artigos e depoimentos – como também passará a produzir conteúdos novos em plataforma multimídia, sobretudo em vídeo e áudio”. Três são os projetos já definidos para fazer parte da versão digital do Anuário: Histórias Empresariais, programa de entrevistas com uma hora de duração, que em cada edição focará a história de vida de uma agência de comunicação do mercado brasileiro; Mercado, que analisará periodicamente com os entrevistados os negócios e as tendências do mercado da comunicação corporativa no Brasil e no mundo; e Por dentro da Comunicação Corporativa, que a cada edição mergulhará de forma profunda no universo da comunicação corporativa de empresas, organizações e instituições públicas e privadas. O Anuário terá, em sua versão impressa, tiragem de 3.500 exemplares, com lançamento previsto para 19 de maio, durante o Fórum do Pensamento, dentro do Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, no Maksoud Plaza, em São Paulo. Essa também é a data prevista para a entrada na rede da versão digital inicial, cuja plataforma já está desenhada e começa agora a ser construída.
Profissionais denunciam perseguição e desmonte da TV Senado
Em carta enviada aos senadores em dezembro, profissionais da TV Senado denunciam desmonte da emissora e perseguição aos jornalistas da casa. “A redução de equipes limitou seriamente a cobertura das reuniões de comissões e a produção de entrevistas com os senadores, que esclareciam propostas legislativas e davam equanimidade à participação dos parlamentares na programação da TV Senado”, diz trecho do comunicado. Segundo os profissionais, foi perpetrada uma intervenção com “demissão sumária” das diretoras (Junia Melo e Isabela Dutra) e a indicação de um “interventor” (Sylvio Guedes). O comunicado denuncia ainda perseguição política a servidores, com “atentados à liberdade de expressão, mediante ameaça com processos administrativos contra os que se manifestam publicamente contra as mudanças, o que tem causado a fuga maciça de profissionais da área”. “Outro motivo de grande preocupação é a tentativa de alterações na estrutura da Secretaria de Comunicação sem estudos preliminares que apontem os impactos envolvidos. A reestruturação da área, preparada pela direção da Secom, aponta para o desmonte da TV Senado, com a retirada das áreas técnica e operacional da estrutura da emissora e a criação de uma supersecretaria, ligada diretamente à diretora da Secom, que concentraria os contratos e compras da Comunicação, sem a participação dos profissionais da TV e da Rádio Senado, que acumulam expertise na área há 20 anos”, completa do texto. Também a TV Senado da Argentina, que lá se chama canal Senado TV, vive dias de agitação, no governo do recém-empossado presidente Mauricio Macri, que ordenou a suspensão, até segunda ordem, do sinal da emissora. Segundo a Telesur, a ideia “é reordenar sua programação, enquanto se realiza uma auditoria externa sobre as contas da Câmara alta”.
Ranking J&Cia dos +Premiados ? Ano após ano, os Top 10
Saiba quem foram os dez jornalistas mais premiados da história em cada edição do Ranking, desde a sua criação, em 2011. Vale lembrar que ele vem sendo ampliado ano após ano, com as novas descobertas da pesquisa realizada; e que a pontuação de algumas categorias foi alterada, com o objetivo de tornar o certame mais justo e equilibrado. Desse modo, não se devem estranhar casos de diminuição na pontuação de jornalistas de um ano para outro e mudanças na classificação em função desses ajustes.
Mais de cinco mil jornalistas foram demitidos desde 2012
Conduzido por Sérgio Spagnuolo, o projeto de jornalismo de dados Volt Data Lab atualizou os números da “conta dos passaralhos” com as demissões ocorridas em 2015. De acordo com a pesquisa – que utilizou dados obtidos a partir de informações dos sites especializados Portal dos Jornalistas, Portal Imprensa e Comunique-se –, mais de cinco mil profissionais foram demitidos desde 2012, sendo 2.631 só em 2015. Quem lidera esse ranking é a Editora Abril, seguida por Terra, Infoglobo, Estadão e Folha de S.Paulo. Veja os infográficos.
Miriam Leitão consagra-se como a mais premiada jornalista brasileira da história
Primeira a ultrapassar a barreira dos mil pontos, Miriam lidera a edição 2016 do Ranking J&Cia com 100 pontos de vantagem sobre Eliane Brum, a vice-campeã em premiações jornalísticas do País Com os 40 pontos conquistados em 2015, vindos do prêmio Comunique-se e de ajustes de pontuação em prêmios anteriores, Miriam Leitão ultrapassou a barreira dos três dígitos, cravando 1.005 pontos no Ranking Jornalistas&Cia dos +Premiados Jornalistas da História, E manteve a liderança alcançada em 2014, quando, com 965 pontos, a dividiu com José Hamilton Ribeiro, que liderou o Ranking por quatro anos seguidos, desde 2012, sendo declarado Líder Hors Concours em 2015 pelo Conselho Consultivo do certame. Desse modo, Zé Hamilton passou a ser o patrono do Ranking e a fonte de inspiração do projeto, deixando de figurar na classificação geral. Mineira de Caratinga, Miriam tem números que só ajudam a comprovar sua reconhecida, admirada e vitoriosa carreira. Dentre as iniciativas avaliadas por este levantamento, foram 29 prêmios conquistados em 45 anos de carreira, que, somados, lhe renderam aqueles 1.005 pontos. Para se ter uma ideia deste feito, até o Ranking 2014 apenas 31 veículos em todo o Brasil haviam superado essa marca. Adicionem-se a esses reconhecimentos diversas outras homenagens conquistadas ao longo de sua atividade profissional, e que não integram a base do Ranking, entre eles os prêmios especiais Jornalismo para Tolerância, entregue em 2003 pela Federação Internacional de Jornalistas; Jornalismo Econômico, concedido em 2007 pela Ordem dos Economistas do Brasil; e, mais recentemente, sua eleição por dois anos consecutivos entre os 10 +Admirados Jornalistas Brasileiros, pesquisa promovida por este Jornalistas&Cia em parceria com a Maxpress. Trocas importantes de posições entre os Top 10 Líder da primeira edição do Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História, publicada em 2011, a gaúcha Eliane Brum é a vice-líder com 905 pontos. Repórter freelancer e colunista do site do El País, Eliane vem dedicando boa parte de sua carreira nos últimos anos às atualizações de seu blog, Desacontecimentos, e à participação e criação de projetos literários, entre eles o recente Meus desacontecimentos – A história da minha vida com as palavras (LeYa), de 2014, quinto livro mais vendido na última edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. A partir do 3º lugar, esta edição do Ranking registrou algumas trocas importantes de posições, como Mauri König, que ultrapassou Caco Barcellos e assumiu a 3ª colocação, com 817,5 pontos, apenas 5 à frente do repórter especial da TV Globo, que terminou o levantamento com 812,5 pontos. Outra mudança ocorreu entre Cid Martins, agora na 5ª posição, com 782,5 pontos, e João Antônio Barros, 6º, com 722,5 pontos. Também inverteram as posições Giovani Grizotti, que saltou para o 7º lugar, com 682,5 pontos, e Carlos Wagner, que terminou em 8º, empatado com Marcelo Canellas, ambos com 662,5 pontos. Dimmi Amora, com 657,5 pontos, completa os Top 10, na 10ª posição. A seguir, do 11º ao 20º lugar, vêm Clóvis Rossi (11º – 600 pontos); André Trigueiro (12º – 570 pontos); Domingos Peixoto (13º – 560 pontos); Gilberto Dimenstein (14º – 545 pontos); Fernando Rodrigues (15º – 517,5 pontos); Humberto Trezzi (16º – 495 pontos); Mônica Bergamo (17º – 492,5 pontos); Nilson Mariano (18º – 470 pontos); Ricardo Boechat (19º – 462,5 pontos); e Domingos Meirelles (20º – 460 pontos).
Morre Cláudio Lachini
Morreu nesta 3ª.feira (5/1), aos 74 anos, vítima de câncer, Cláudio Antônio Lachini. Natural de Alfredo Chaves (ES), descendente de italianos, começou a trabalhar aos 15 anos, na redação da Folha do Norte, em Colatina (ES). Formado em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo, trabalhou como chefe da Divisão de Divulgação e do Serviço de Imprensa Universitária. Deixou Espírito Santo para fazer parte da equipe de criação da revista Veja, em que foi repórter. Também colaborou para a revista Realidade, ambas da Editora Abril. Foi copydesk no Estadão, secretário de Redação nas revistas Varejão e Expansão e secretário geral de Redação da Gazeta Mercantil, jornal em que esteve por 30 anos. Participou ainda da criação do programa de televisão Crítica e Autocrítica, da TV Gazeta (SP). Em 1984 transferiu-se para Curitiba-PR, como diretor da sucursal da Gazeta Mercantil. Escreveu diversos livros, entre eles Sperandio – Fragmentos de uma saga ítalo-brasileira, sobre os imigrantes italianos que povoaram o Espírito Santo; Vasco – Memórias de um percursor da globalização, sobre Vasco Fernandes Coutinho, fidalgo português que foi o primeiro capitão donatário da Capitania Hereditária do Espírito Santo; e a coleção A produção de riquezas no Brasil, pela Gazeta Mercantil. André Lachini, filho de Cláudio e também jornalista, escreveu em sua página do facebook: “Amigos e amigas. Hoje é o dia mais triste da minha vida. Meu pai, Claudio Antonio Lachini, morreu aos 74 anos aqui em São Paulo. Ele enfrentou uma longa batalha contra o câncer. Peço a todos que o conheceram que façam uma prece por ele”.
Ramiro Alves deixa a Ejesa para assessorar o ministro Nelson Barbosa, na Fazenda
Ramiro Alves aceitou o convite do ministro Nelson Barbosa e já se apresentou ao Ministério da Fazenda, em Brasília, para chefiar a Assessoria de Imprensa do órgão. Com isso, deixou o posto de publisher do Grupo Ejesa, que ocupava desde 2012. Ali, no Rio de Janeiro, cuidava do iG e dos jornais O Dia e Meia Hora. Carioca e apaixonado por carnaval, Ramiro foi um dos fundadores do bloco Imprensa que eu gamo, tradicional no Rio. Trabalhou como editor em O Globo e IstoÉ, revista que deixou em 2004 para assessorar o ministro Guido Mantega, também no Ministério da Fazenda, época em que conheceu o atual ministro Nelson Barbosa, até ser contratado pelo Grupo Ejesa. Atuam também na assessoria Patrícia Mesquita, que chegou com o novo ministro, para assessorá-lo diretamente, e a coordenadora Érica Andrade. Os contatos da Ascom são 61-3412-2501 / 2547 e [email protected].
Leonel Rocha assume coluna online e edição da Revista Congresso em Foco
O Congresso em Foco começa 2016 com a contratação de Leonel Rocha para assinar coluna no site, sobre os bastidores do poder em Brasília. Ele também assume a edição da Revista Congresso em Foco.
Na semana de estreia, antecipou que Leonardo Picciani (RJ), líder do PMDB na Câmara, conseguiu adesões suficientes para retomar o cargo que havia perdido por decisão do presidente da Casa Eduardo Cunha e do vice-presidente da República Michel Temer. Dias depois, a notícia ganhou as manchetes dos jornais. Leonel atua como repórter em Brasília desde 1980.
Teve passagens pelas revistas Veja, Época e IstoÉ e pelo jornal Estado de S. Paulo.
Vídeo conta história da censura no Estadão
Estranhos na noite – Mordaça no Estadão em tempos de censura é o título do vídeo que José Maria Mayrink, repórter especial do jornal, concluiu recentemente ainda como parte das comemorações dos 140 anos do Estadão, completados em 4 de janeiro de 2015. Segundo ele, a ideia surgiu em 2014, de um encontro do diretor de Conteúdo Ricardo Gandour (em licença até o final de maio, fazendo pesquisas nos EUA) com o cineasta Camilo Tavares, da PequiFilmes, diretor do documentário O dia que durou 21 anos, sobre o golpe militar de 1964: “O roteiro de nosso filme foi o livro Mordaça no Estadão, que publiquei em dezembro de 2008, aniversário do AI-5. Terminei as entrevistas no primeiro semestre de 2015. Tiramos cópias em DVD para distribuição interna e testes. O jornal está montando um esquema de divulgação, para a segunda quinzena de janeiro. O link deverá ser acessível pela TV Estadão e pelo Portal Estadão”. Mayrink, também responsável pelo roteiro, entrevistou 27 pessoas e incluiu um depoimento próprio. A maioria dos entrevistados é de profissionais que trabalharam no Estadão e no Jornal da Tarde no período da censura do AI-5. Alguns foram presos e torturados, como Carlos Garcia, na época diretor da sucursal do Recife: “Todos foram testemunhas da repressão e sofreram suas consequências na redação. O ex-ministro Delfim Netto, o último a falar, deu uma bela e honesta entrevista, em contraponto. Outras contribuições importantes foram as das atrizes Eva Wilma e Irene Ravache, que falaram sobre a censura na cultura”. Os outros entrevistados são Carlos Brickmann, Carlos Chagas. Edmundo Leite, Fernando Mitre, Flávio Tavares, Gellulfo Gonçalves (Gegê), Hagop Boyadjian, Ivan Angelo, João Luiz Guimarães, Júlio César Mesquita, Ludenbergue Góes. Luiz Roberto de Souza Queiroz, Manuel Alceu Affonso Ferreira, Marco Antônio Rocha, Maria Aparecida de Aquino, Miguel Jorge, Oliveiros S. Ferreira, Raul Bastos, Ricardo Kotscho, Roberto Godoy, Ruy Mesquita Filho, Selma Santa Cruz e Sérgio Mota Mello. Bebeto Souza Queiroz, um dos entrevistados, publicou na comunidade eXtadão do facebook uma análise do vídeo que reproduzimos a seguir, com a devida autorização; A história da censura Recebi como “presente de Natal” enviado pelo Mayrink o vídeo Estranhos na noite – Mordaça no Estadão em tempos de censura, trabalho que sei lá quanto tempo ele demorou para produzir e que conta cronologicamente a história da censura, numa verdadeira aula de jornalismo. O vídeo, feito com entrevistas das principais “vítimas” da censura, inclusive este escriba, é um preito de saudade, e quase faz chorar a imagem do Gegê, velhinho, cantando com a voz de barítono de sempre Strangers in the night, para mostrar como ele “saudava” a chegada dos censores à redação. Mayrink conseguiu ir muito além da censura do Estadão, com o depoimento da Irene Ravache dizendo de como a censura afetou o teatro, com o Kotscho lembrando como o Estadão era proibido de noticiar fatos que saíam nos demais jornais, o depoimento do Sérgio Mota Mello, do Carlinhos Brickman, do Ivan Angelo, que teima em não envelhecer, do João Luiz Guimarães contando como o censor riscava as matérias e entregava a ele para que tirasse da edição, com o Carlos Garcia contando como foi torturado pelo Exército, o pavor que tinha do “gancho”, quando suas mãos, algemadas, eram penduradas num gancho a tal altura que os pés apenas tocavam o chão, para que contasse quem participava da “célula” comunista do Estadão. Um depoimento tão detalhado que, para mim, que várias vezes ouvi do Garcia a história de sua prisão, ainda havia muita novidade. A entrevista do Marquito, contando como Ruy fez questão de ir com ele quando foi preso no II Exército, a quem responsabilizou pela saúde do seu repórter, ganha vida quando a estória, que conhecia, é ouvida de viva voz, e mais viva ainda, quando Ruizito conta que na véspera teve que ceder sua cama, em casa, para o repórter ameaçado de prisão. A afirmação de Júlio Neto ao chefe da Polícia de que não era ele o responsável pelo que saía no jornal, mas o ministro da Justiça, cujos censores decidiam o que podia ser publicado, ganha novos tons no depoimento do Oliveiros, como também a saga do Flávio Tavares, exilado na Argentina e contratado por dr. Júlio como correspondente, com pseudônimo, é claro, e a afirmação de que a Polícia Federal sabia quem era “Júlio Delgado”, nome que assinava, mas não ousou fazer nada. Flávio Tavares retrata com precisão o apoio do jornal ao golpe, a decepção ao verificar que, em vez da levar à democracia, o movimento levou a uma ditadura e a decepção do dr. Julinho. Como contraponto, Mayrink entrevista Delfim Neto, que explica porque assinou o Ato Institucional nª 5 e que, nas mesmas condições, assinaria de novo. Firme ainda, apesar da idade, o arquiteto Hagop conta diante do prédio da velha redação como no dia das Instituições em Frangalhos aproveitou uma canaleta para entulho de uma obra dentro do jornal, que saía na Martins Fontes, para soltar uns 150 mil exemplares pela parte de trás do prédio, enquanto as “autoridades” fiscalizavam as docas de saída da Major Quedinho. Na capa do DVD, a fotografia de um dos censores, tirada à socapa por um dos fotógrafos do jornal, e o texto do dr. Ruy ao ministro Buzaid, “todos os que estão hoje no poder, dele baixarão um dia e então, sr. Ministro, como aconteceu na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini, ou na Rússia de Stalin, o Brasil ficará sabendo a verdadeira história deste período”. O jornal no qual trabalhamos e que, como tudo, envelheceu, e envelheceu mal, encolhendo inclusive, renasce à medida que a peça de mais de uma hora aparece no vídeo. E meu próprio depoimento dá saudade de um tempo em que o repórter podia “aprontar” o que hoje é impossível. Eu conto no vídeo como chantageei o ex-ministro Cirne Lima quando, demissionário e a caminho do Rio Grande, ele pousou em São Paulo. Da porta do avião ele me pediu que contasse o que o Estadão estava publicando sobre sua demissão e a briga com Delfim, que a causou, e expliquei que não publicava nada, pois a censura impediu, mas que eu tinha na mão a página censurada, mas só a entregaria se me permitisse entrar no avião e seguir com ele e os gaúchos do seu “staff” para o Rio Grande. (Imaginem hoje, um repórter entrar tranquilo pela pista do aeroporto, ir até o avião, pois não havia “fingers” de embarque na ocasião e exigir ir a bordo.) O fato é que Cirne Lima concordou, fiz uma das melhores matérias de minha vida, mandei de Porto Alegre para São Paulo – pelas cabines de datilografia, vocês se lembram? – e o vídeo mostra o Góes contando como o censor cortou tudo e o jornal saiu com um grande anúncio da Rádio Eldorado na primeira página, onde deveria estar meu texto: AGORA É SAMBA. Sinto ter-me alongado, mas felizmente no eXtadão não há “copy” para enxugar a matéria e escrevinhei muito porque acho que todos que tiveram um dia o privilégio de trabalhar no jornalzão precisam efetivamente assistir à obra que o Mayrink deve ter muito orgulho de assinar.






