O adeus a Ari Cunha, pioneiro da notícia na Capital Federal

Ari Cunha

Morreu em Brasília na madrugada de terça-feira (31/7), em casa, de falência de múltiplos órgãos, o jornalista, colunista e vice-presidente institucional do Correio Braziliense Ari Cunha, aos 91 anos. José de Arimathéa Gomes Cunha, seu nome de batismo na cidade cearense de Mondubim, esteve por 58 anos à frente da coluna Visto, lido e ouvido, primeiramente no impresso e depois em um blog. É, provavelmente, a coluna mais longeva da imprensa brasileira.

Aos 16 anos, Ari foi contratado como revisor da Gazeta de Notícias, de Fortaleza, e depois trabalhou no jornal Estado. Em 1948 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou carreira no Bureau Interestadual de Imprensa e no International News Service. Por muito tempo, escreveu a crônica política para vários jornais representados pelo escritório. Trabalhou com Carlos Lacerda, Joel Silveira, Heráclito Sales, Paula Job, Prudente de Moraes, Neto, Etiene Arregui Filho, Irineu Sousa e outros destacados jornalistas da época. Conviveu com os políticos João Mangabeira, Luiz Viana Filho, Café Filho, José Bonifácio de Andrada, Bias Fortes, Israel Pinheiro e Juscelino Kubitschek.

Contratado pela New Press, chefiou a redação em São Paulo por dez anos, antes de se transferir para a Última Hora, ao lado de Josimar Moreira de Melo e Samuel Wainer. Em 1959, passou a fazer parte dos Diários Associados. Nesse período, implementou a reforma da Folha de Goiaz, em Goiânia. No Centro Oeste, foi incumbido de estabelecer o Correio Braziliense e a TV Brasília na Capital Federal, tendo sido eleito, em 1981, condômino dos Diários Associados. Em 1961, presidiu a Comissão de Incentivo à Iniciativa Privada, ligada ao gabinete do então prefeito de Brasília Paulo de Tarso Santos. Entre 1986 e 1987, atuou como vice e presidente do BRB. Em 1990, assumiu o cargo de vice-presidente dos Diários Associados, cargo que ocupava até agora.

Do casamento com Maria de Lourdes Lopes Cunha, teve quatro filhos: Ari, Eliana, Raimundo e Circe. O corpo foi velado e sepultado nesta quarta-feira (1º/8), no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Em nota, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, lamentou a morte dele e decretou luto oficial de três dias. Ana Dubeux, editora-chefe do CB, homenageou-o com a reprodução do artigo Ao mestre com carinho, publicado em 2017.

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