Morre Jorge de Miranda Jordão, jornalista que não caiu no erro da mídia

Jorge de Miranda Jordão

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro

Jorge de Miranda Jordão morreu na tarde de segunda-feira (10/2), aos 87 anos, no Rio de Janeiro. Ele se tratava de câncer e teve complicações cardíacas. Depois de passar mal em casa, foi internado na madrugada, num hospital na Barra da Tijuca. O enterro é nesta quarta-feira (12/2) no cemitério do Catumbi, Zona Norte do Rio. Miranda deixa quatro netos de três filhas: Tatiana e Helena, do primeiro casamento com Marlene Lima e Silva, e Patrícia, com Germana De Lamare.

Baiano de Salvador, nasceu em 14/8/1932. Chegou novo ao Rio e começou a trabalhar em 1954, na Última Hora, de Samuel Wainer, de quem era amigo. Dirigiu as sucursais do jornal em São Paulo e Porto Alegre e voltou à redação do Rio em 1963.

A convite de Octavio Frias, participou do lançamento da Folha da Tarde, em 1967. Próximo de Frei Betto, que também trabalhava na Folha da Tarde, Miranda foi preso durante a ditadura militar, em Montevidéu, no Uruguai, e levado para o Dops em Porto Alegre. Passou depois pelo DOI-Codi, no Rio, apesar de nunca se ter envolvido com qualquer organização.

Foi diretor das redações de O Dia, no Rio, e do Diário Popular, em São Paulo. O Observatório da Imprensa o definiu como “o jornalista que não caiu no erro da mídia”. Quando dirigiu o Diário Popular, em São Paulo, Miranda decidiu que o jornal não cobriria o caso da Escola Base, nem mesmo depois de esse ganhar repercussão nacional. Ele desconfiou das informações fornecidas pela polícia e não acreditou na história, que considerou uma vaidade do delegado encarregado da investigação. Sua firmeza foi um dos fatores que levaram à elucidação do caso. Era descrito por colegas e amigos como um homem sério e de poucas palavras no trabalho, mas, ao mesmo tempo, boêmio, bom companheiro de uísque. Miranda influenciou gerações de profissionais.

Em 2018, deu um depoimento para o livro Memórias da imprensa escrita, do amigo Aziz Ahmed, em que narra casos vividos em redações de São Paulo, Porto Alegre e no Rio – onde iniciou e terminou a carreira.

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