Google e Facebook na mira de Rupert Murdoch e Elizabeth Warren

Especial Reino Unido

Luciana Gurgel

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

O duelo de gigantes entre as plataformas digitais e a imprensa tradicional ganha novos rounds importantes pelo mundo. O cerco vai se apertando cada vez mais em torno das empresas de tecnologia.

O tycoon da imprensa Rupert Murdoch, dono de jornais importantes aqui no Reino Unido, como Sun e The Times (além dos norte-americanos Wall Street Journal e Dow Jones e de vários títulos importantes na sua terra natal, Austrália), formalizou esta semana no órgão regulador de competição australiano uma petição contra o Google.

A News Corp., empresa de Murdoch, está propondo que os braços de busca e de publicidade da empresa sejam separados, proporcionando condições mais equilibradas na disputa entre veículos digitais e da imprensa tradicional por verbas publicitárias.

A proposta é ousada. Murdoch quer que o Google seja obrigado a vender sua área de propaganda, que inclui ferramentas como Google Ads, Google Marketing e Google Ad Manager. Para a News Corp, o controle dos segmentos de busca e de anúncios por uma só empresa cria uma barreira impenetrável para a competição sadia.

É justamente com esse argumento de excesso de concentração que a News Corp espera convencer o órgão de competição a encaminhar uma recomendação ao Governo para que as duas áreas do Google passem a atuar de forma independente. Adicionalmente, a petição solicita que as empresas de tecnologia passem a pagar uma taxa pelo conteúdo das empresas jornalísticas utilizado em suas plataformas.

Já o Facebook virou alvo da pré-candidata à Presidência americana, Elizabeth Warren. Ela anunciou a intenção de, se eleita, combater o excesso de poder da rede social.

A intenção da candidata ganhou ainda mais visibilidade depois de o Facebook suspender a exibição de anúncios em que ela defendia sua tese. A empresa alegou violação de direitos autorais, pelo uso não autorizado da sua logomarca. Mas depois da reação negativa provocada, acabou retomando a veiculação.

Enquanto as movimentações para limitar o poder das redes sociais esquentam em diversos países, na Europa o tema já está pegando fogo. O Parlamento Europeu vota no fim deste mês uma determinação dando prazo de dois anos para que os países-membros estabeleçam suas próprias legislações sobre o tema.

O objetivo é assegurar os direitos autorais dos produtores de conteúdo, obrigando as plataformas digitais a veicular apenas resumos bem curtos das notícias produzidas pelas empresas jornalísticas. Aqui no Reino Unido, associações de classe e importantes empresas jornalísticas como Evening Standard e Reuters uniram-se ao movimento, pressionando os parlamentares. A aprovação da determinação certamente será uma notícia que as gigantes de tecnologia não vão gostar nem um pouco de compartilhar

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