O Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) realiza uma nova pesquisa para saber a situação de trabalho dos comunicadores brasileiros, passado um ano da chegada da Covid-19 ao Brasil.

O estudo ocorre no momento em que crescem casos de pessoas infectadas e de vítimas fatais da doença no País. Além disso, ele será aplicado um ano após a realização da investigação inicial, que diagnosticou o momento vivido por esses profissionais ainda no começo da pandemia.

Roseli Figaro

“Pelo modo totalmente errático com que o Governo Federal tratou e vem tratando a pandemia, nossa suspeita é a de que as condições de trabalho dos comunicadores pioraram”, afirma a professora Roseli Figaro, coordenadora do CPCT-USP. Na entrevista a seguir ela explica no que consiste a nova pesquisa.

Portal dos Jornalistas – Por que a ideia de aplicar um novo estudo sobre a Covid-19 junto aos comunicadores?

Roseli Figaro – Passado um ano, queremos verificar nesse momento, em que o Brasil sofre com o agravamento cada vez maior da Covid-19, como está a situação de trabalho dos comunicadores. Eles, muitas vezes, a exemplo dos jornalistas, ocupam o pelotão de frente do combate à doença, ao assumirem o árduo papel de informar corretamente a sociedade sobre os riscos e tentar neutralizar as fake news e o negacionismo que infelizmente ainda perduram nessa terrível fase da doença.

Portal – Quem pode participar da pesquisa e como ela será realizada?

Roseli – A pesquisa é aberta a todos os profissionais da área da comunicação que atuam diariamente e com muita coragem para realizarem seus trabalhos nesse contexto da pandemia. Ela está sendo feita de maneira remota, por meio de um formulário online, que se encontra disponível em nosso site, e contamos com o apoio de diversas entidades parceiras, como a Fenaj, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e o próprio J&Cia, que já nos auxiliaram no primeiro estudo, em 2020. O formulário ficará disponível de 5 a 30 de abril, mesmo período em que aplicamos a pesquisa inicial, e poderá ser respondido de maneira anônima para preservar o sigilo dos respondentes.

Portal – O que se pode esperar dessa nova pesquisa? 

Roseli – O estudo inicial do CPCT sobre o tema foi feito no começo do distanciamento social e reuniu 557 participantes de todo o País e do exterior. O relatório final evidenciou o aumento da jornada e do volume de trabalho, que tornou bem mais estressante a rotina dos comunicadores, obrigados a conciliar a profissão com os cuidados da casa e dos filhos. Havia ainda a sensação de cansaço sentida diariamente por esses trabalhadores, que tinham de usar, na maioria das vezes, seus próprios instrumentos para trabalhar, como computador, celular e conexão à internet. Agora em 2021, pelo modo totalmente errático com que o Governo Federal tratou e vem tratando a pandemia, cujos casos de contaminação e de mortes só vêm aumentando, nossa suspeita é a de que as condições de trabalho dos comunicadores pioraram, haja vista a grande quantidade de pessoas sem trabalho no País. Entender a situação desses trabalhadores, passado um ano da chegada da Covid-19 ao Brasil, ainda mais nesse momento de agravamento, pode auxiliar a diagnosticar os problemas advindos do quadro de precarização do trabalho e, a partir disso, cogitar possíveis alternativas para combater os graves impactos na área da comunicação.

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