Cláudio Magnavita relança o Correio da Manhã como um jornalão de final de semana

Cláudio Magnavita

Cláudio Magnavita, atual dono do título Correio da Manhã, retoma a publicação. O jornal volta com uma edição impressa semanal, circulando às sextas-feiras, com perfil analítico e de opinião. “Este é o papel que está reservado para o impresso, um jornalão de final de semana”, afirma. A versão online e das redes sociais entrou em operação nessa quarta-feira (18/9).

Cristina Vaz de Carvalho, editora de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro, conversou com Magnavita sobre o empreendimento

Jornalistas&Cia – Por que relançar o Correio da Manhã?

Cláudio Magnavita – Sei que estou na contramão do impresso. A notícia mais recente é que o DCI vai parar de circular no impresso (veja na capa desta edição). Vejo um espaço para o semanal como a grande tendência para o final de semana.

O Correio volta a ser um jornal comandado e feito por jornalistas. Não tem um grupo empresarial por trás. A marca que hoje é nossa, já esteve nas minhas mãos quando eu era do grupo Visão, então dono do título. Agora voltou – a marca definitivamente é nossa. É um jornal de final de semana. Vai circular em bancas e por assinaturas, no Rio, em São Paulo e Brasília. Teremos hot news no online e nas redes sociais em tempo real, como em todas as colunas semanais atualmente, além de entrevistas gravadas em vídeo.

J&Cia – Qual é o foco do novo jornal?

Cláudio – Nosso interesse é o conteúdo. Esse sempre foi o diferencial do próprio Correio. Trabalhamos com cinco edições na frente, para termos uma abordagem com profundidade. Na manchete, haverá sempre uma grande reportagem. Temos colunistas que estão ligados à história do jornal, entre eles Ruy Castro e Jânio de Freitas. Temos acordo com FolhaPress e Agência Brasil para o noticiário geral.

J&Cia – Em Portugal existe um jornal com o mesmo título.

Cláudio – O jornal de Portugal surgiu muito depois [NdaR.: foi fundado dez anos após a extinção do Correio da Manhã no Brasil]. Eu os conheço, nos damos bem, mas não tem qualquer conexão com o produto do Rio.

J&Cia – Quem faz o Correio?

Cláudio – Eu sou o publisher. Tenho experiência em grandes jornais, como Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil e, em São Paulo, fui diretor geral do grupo Visão – DCI e Shopping News, além da revista Visão. Em tevê, na rede CNT. O segundo é meu sócio Fernando Nogueira, editor executivo, também vindo do DCI. Temos outros, é só ver no expediente, como Nelson Vasconcellos, ex-O Dia e O Globo.

J&Cia – E sua equipe?

Cláudio – A estrutura da redação hoje é uma só, que se multiplica pelo cross media. Temos uma redação montada para o Jornal da Barra. Há três anos, fizemos retrofit da publicação e foi um sucesso. Impresso na gráfica do Globo, tem distribuição gratuita em 50 newspaper racks – o que é, portanto, um ato de vontade – espalhados na Barra e no Recreio, e hoje circulamos com 30 mil exemplares e receptividade muito boa. Usamos essa plataforma, e também a do Jornal de Teatro e do Jornal de Turismo, que sempre estiveram relacionadas. Estou otimizando uma estrutura que já mantenho.

J&Cia – As colunas de notas têm bastante espaço no jornal…

Cláudio – Sim, são três, cada uma com foco num nicho. Anna Maria Ramalho faz o colunismo tradicional do Rio. Lilliana Rodrigues aborda cultura. Nina Kauffmann resgata o colunismo social, com a cobertura de eventos, de gente, sempre com uma pegada carioca. Temos também colaboradores eventuais.

J&Cia – O que diferencia o Correio dos outros jornais?

Cláudio – Eu brinco que é um jornal de cabelo branco, que procura mesclar a experiência de redação com a juventude. Fazemos programas para estagiários, e não é para ter mão de obra barata. Já estamos na segunda geração de contratados, para todas as nossas publicações.

J&Cia – O que pretende manter da tradição?

Cláudio – Esta edição reproduz um texto significativo do veterano Paulo Couto, como um elo da retomada. Em 1974, ele foi o responsável pela última edição imprensa do jornal. A nova edição começa a contar numericamente a partir desse número.

Jornal histórico

Muitas são as coincidências. Como Niomar Moniz Sodré Bittencourt, Magnavita também é baiano de Salvador. No editorial do número zero, aparecem os nomes dos fundadores e primeiros dirigentes do jornal, de volta exatamente 50 anos depois de terem sido afastados, por pressão da ditadura, em setembro de 1969.

Magnavita completa: “Só lamento Fuad Atala não estar aqui [NdaR.: faleceu em maio deste ano]. Grande amigo meu, inspirador, escreveu o livro Correio da Manhã – Réquiem para um leão indomado”.

Sobre o futuro, ele não comenta, mas tem uma carta na manga: outra marca notória, para lançamento ainda este ano.

E mais…

Por mais uma feliz coincidência, Maria do Carmo Rainho, historiadora e pesquisadora do Arquivo Nacional, inaugurou em 16/9, na Universidade de Salamanca, na Espanha, a exposição fotográfica Correio da Manhã: revolução das imagens nos anos 1960. Uma iniciativa do Centro de Estudios Brasileños, a mostra é resultado da pesquisa de Rainho sobre o jornal que teve papel de destaque no século 20, marcado por opiniões firmes, não apenas em termos de textos, mas também de imagens.

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