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sexta-feira, julho 19, 2024

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O adeus a Sérgio Martins

Faleceu em 12/12, em São Paulo, de edema pulmonar provocado por insuficiência renal, o repórter Sérgio Martins, que publicou na revista Placar nº 648, em 22/10/1982, uma reportagem que durante um ano apurou sobre a manipulação de resultados da Loteria Esportiva. Além de Placar, Sérgio trabalhou na Folha de S.Paulo, em revistas do meio náutico e por seis anos, até abril passado, cobria folgas de final de semana no Estadão, além de fazer frilas. A viúva, Sofia, ex-secretária em Placar, casada com ele havia 37 anos, diz que foi tudo muito rápido: “Sérgio estava bem, mas no último ano passou de 72 para 90 kg. Recentemente começou a ter falta de ar, fomos ao médico e aí constatamos que o problema do aumento de peso era provocado por retenção de líquido, pois os rins não estavam funcionando direito. Começou a tomar medicação, mas a pressão baixou muito e precisou ser suspendida. De uma semana para cá piorou, na 4ª (11) sofreu um ataque cardíaco em casa, consegui levá-lo ao hospital e estava se recuperando quando o coração parou de vez”. Além de Sofia, deixa três filhos e uma neta. Juca Kfouri, que era diretor de Placar e o incumbiu de fazer a reportagem sobre a máfia da Loteria Esportiva, publicou no dia 12 em seu blog um texto sobre ele que nos autorizou a reproduzir: Sérgio Martins, o repórter Morreu, aos 67 anos, de insuficiência renal, o autor da célebre reportagem da revista Placar, Sérgio Martins. Morreu como viveu, discretamente. E provavelmente arrependido por ter apurado e escrito a matéria que, em 1982, abalou o futebol brasileiro e acabou com a credibilidade da Loteria Esportiva. Sérgio Martins, avesso aos holofotes, amargurou-se com a impunidade dos mafiosos e com a pusilanimidade de tantos que procuraram desmentir o resultado de seu meticuloso trabalho para desvendar a face sórdida de nosso futebol. Desde o silêncio cúmplice do comando da Caixa Econômica Federal à época, então ainda na ditadura, mas também depois, já no governo Sarney, sob o comando, na área de Jogos do banco, de Aécio Neves, até a recusa do Prêmio Esso de Jornalismo – com o fantasioso argumento de que a denúncia acontecera porque a revista iria fechar e queria desmoralizar o futebol nacional. Ironicamente, depois que Placar viveu sua maior crise, em 1990, descontinuada como semanal, foi sob seu comando direto que sobreviveu como mensal, até 1995, quando, relançada, mudou de formato e política editorial. Atormentado, Sérgio Martins atribuía ao seu extraordinário esforço durante um ano – desde o fio da meada que puxou na cidade de Santos, onde identificou a primeira das muitas quadrilhas espalhadas de norte a sul do País que manipulavam os jogos escolhidos para os testes da Loteria – o ostracismo a que foi relegado no mercado de trabalho nos últimos anos. Verdade ou fantasia de uma personalidade introspectiva, fato é que Sérgio Martins, que tinha problemas de audição, recolheu-se o quanto pôde, apesar do respeito que despertou e manteve intacto em todos os que privaram de seu convívio . É lamentável que tenha sido assim, mas assim foi. Tão lamentável como seu desaparecimento, embora seu exemplo vá permanecer para quem teve o privilégio de trabalhar ao seu lado. Morre um grande, colossal jornalista, corpo e alma de repórter, dos maiores de todos os tempos. Deixa três filhos e uma neta e era vascaíno de coração. Ainda hoje será cremado na Vila Alpina, onde seu corpo será velado a partir das 14h30 em cerimônia curta para evitar sofrimentos, como queria e pediu à sua Sofia, ex-secretária de Placar, agora, que pena, viúva.

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