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segunda-feira, outubro 25, 2021

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Adeus ao mestre da reportagem José Silveira

José Silveira

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro

José Silveira morreu em 26/1, aos 86 anos, de complicações decorrentes de Covid-19. Ele e a mulher Vera viviam, nos últimos anos, na casa de repouso da Fundação Humboldt, em Jacarepaguá. O corpo foi cremado, como informou a filha adotiva, a fotógrafa Isabela Kassov.

Gaúcho de Santana do Livramento, começou em 1954 no extinto semanário Hoje, de Porto Alegre, e sobre sua estreia no jornalismo deu depoimento a Aziz Ahmed, no livro Memórias da imprensa escrita. Teve influência na renovação do jornal Última Hora, e esteve presente num momento de grandes mudanças em diversas redações.

Considerado mestre da reportagem para uma geração de jornalistas, chefiou o copidesque e foi secretário de Redação do Jornal do Brasil durante décadas. Chegou a redigir um precursor bem-humorado dos manuais de redação, na lembrança de Teca Lobo: “Fez um guia de poucas folhas orientando a equipe sobre o que não se deve escrever. Lembro-me ainda do ‘quem aborda é pirata’, ‘morreu ao dar entrada no hospital porque tinha uma guilhotina na porta’”. Definido por Gilberto Menezes Côrtes como “sinônimo de competência, caráter e humildade”, sobre uma das edições mais marcantes do JB, no dia seguinte à promulgação do AI-5, foi entrevistado por Belisa Ribeiro para o documentário Jornal do Brasil – História e memória. Foi o chefe da Redação da sucursal da Folha de S.Paulo no Rio nos anos 1980.

Nas redes sociais, Lívia Ferrari lembrou o tempo em ele dirigiu a assessoria de imprensa da Vale. Crítico, exigente, irônico, na visão de Álvaro Caldas foi “o melhor de todos os jornalistas que conheci numa redação. Sabia fazer, ensinava e gostava paca de colocar na rua um jornal bem feito, respeitando o leitor. Tudo com seu humor cáustico e sua visão dos detalhes”.

Folião, enquanto teve energia era encontrado nos blocos carnavalescos que desfilam pela cidade. Ainda Teca Lobo: “Levava todo mundo pra casa dele… muitas festas, muitos churrascos com carne que vinha do Sul. A mulher Vera e a filha Isabela sempre receptivas com tanta gente dentro de casa”.

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