Por Cristina Vaz de Carvalho, com informações de Nelson Vasconcelos, de O Globo
Zuenir Ventura morreu no Rio de Janeiro nesta terça-feira (22/9), aos 95 anos, de pneumonia. O corpo será velado, na quarta, na Academia Brasileira de Letras e enterrado no mausoléu da ABL no cemitério São João Batista. Zuenir deixa viúva Mary e dois filhos, o jornalista Mauro e a editora Elisa.
Mineiro de Além Paraíba, morou em Nova Friburgo e transferiu-se para o Rio aos 20 anos. Pretendia ser professor, e cursou Letras Neolatinas na Universidade do Brasil, atual UFRJ. Começou a dar aulas de Português ainda na faculdade e foi indicado para trabalhar como arquivista na Tribuna da Imprensa; ali passou a repórter em 1960. Durante décadas, foi professor da Escola de Comunicação da UFRJ e da Escola Superior de Desenho Industrial, ganhando o apelido de Mestre Zu, que o acompanhou nas redações.
Depois de uma temporada em Paris, como bolsista no Centro de Formação de Jornalistas, Zuenir foi editor de Internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal Rio da revista Visão. Em 1967, foi um dos criadores do jornal alternativo O Sol. No ano seguinte, passou três meses preso como subversivo, após a decretação do AI-5.
Seu olhar atento à agitação política e social dos anos 1960, no Brasil e no mundo, fez de Zuenir um conhecedor da época, o que ele mostrou no livro 1968 — O ano que não terminou. Lançado em 1988, é reeditado até hoje e inspirou a minissérie Os anos rebeldes, da TV Globo, em 1992.

Em 1985, foi para o tradicional Jornal do Brasil. Uma série de reportagens sobre o assassinato do seringueiro e líder ambientalista acreano Chico Mendes, após um mês de apuração, rendeu-lhe os prêmios Esso e Vladimir Herzog e foi publicado no livro Chico Mendes – Crime e castigo. A reportagem Cidade partida, sobre chacina na comunidade de Vigário Geral, obteve grande repercussão e virou livro em 1994, recebendo o Prêmio Jabuti. Reeditado várias vezes, foi tema de seminários sobre a violência no Rio.
Estreou como colunista de O Globo em 1999. Aos poucos, deixou de dar aulas, e o trabalho agora semanal na coluna permitiu que se dedicasse ao jornalismo investigativo e aos livros. Em 2014, Zuenir foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL).
Entre as muitas lições de Mestre Zu, uma se destaca: “O jornalista tem que ter humildade e cuidado com a apuração de denúncias. Porque a tentação do açodamento é muito grande. Não pode lançar o que é uma impressão e não a certeza”.
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