
Gilberto Nascimento é um repórter brasileiro com cerca de 40 anos de carreira em grandes veículos e forte atuação em jornalismo investigativo nas áreas de política, religião, infância e direitos humanos. Sua obra mais conhecida é o livro‑reportagem “O Reino – A história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal” (Companhia das Letras), finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Biblioteca Nacional em 2020,em 2020.
Ele se formou em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (1979–1982) e fez especialização em direitos humanos na Columbia University, em Nova York, como pesquisador visitante em 1998.
Nascimento passou por redações como Intercept, Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, IstoÉ, CartaCapital, TV Record e TV Gazeta. Também atuou como colaborador de BBC Brasil, UOL, site da revista Piauí e Agência Pública, ampliando a cobertura de temas sociais e religiosos em diferentes plataformas. Começou sua carreira na cidade de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), nos jornais Mogi News e Diário de Mogi e Rádio Metropolitana.
Entre 2007 e 2008, Nascimento foi oficial de comunicação do UNICEF no Brasil, reforçando sua ligação com a pauta de direitos da criança e do adolescente.
Reportagens mais marcantes
Algumas reportagens premiadas se tornaram referências na carreira dele:
– “Guerra na selva” (TV Record)* – reportagem sobre jovens brasileiros que aderiram às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colombia) e desapareceram em meio a guerrilha na selva colombiana, vencedora do Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos em 2011.
– “Um torturador à solta” (CartaCapital)* – investigação sobre impunidade de agentes de repressão, premiada com o Vladimir Herzog, em 2008.
– “O tesouro do bispo” (IstoÉ), que revelou o polêmico vídeo no qual o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, ensinava a pastores como arrancar dinheiros dos fiéis para doações, finalista do Prêmio Esso, em 1996.
– “Miséria itinerante” (IstoÉ)* – matéria sobre pobreza extrema, que recebeu menção honrosa no Vladimir Herzog em 2001.
– “Além das muralhas” (IstoÉ)* – reportagem sobre educação e infância, vencedora do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo na categoria repórter de revista em 2000.
– “Ensino reprovado” (IstoÉ), reportagens sobre crianças até de quinta série no ensino público que não sabiam ler nem escrever, vencedora do Prêmio Ayrton de Jornalismo, em 2001.
– “Miséria sem fronteiras” e “Escravas do Sexo” – sobre meninos de rua explorados e presos no Paraguai e jovens brasileiras prostituídas no Suriname, que lhe rendeu o Prêmio Simón Bolívar do Parlamento Latino‑Americano em 1996. “Miséria sem fronteiras”, foi também finalista do Prêmio Esso, em 1996.
Mais recentemente, sua reportagem “Igreja bilionária”, no Intercept, baseada em investigação sigilosa do Ministério Público de São Paulo sobre depósitos de R$ 33 bilhões da Igreja Universal entre 2011 e 2015, revelou a arrecadação e os ganhos milionários do império religioso e financeiro de Edir Macedo.
Livro “O Reino” e cobertura da Universal
Em 2019, Gilberto lançou “O Reino – A história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal”, resultado de um trabalho minucioso de apuração com quase uma centena de entrevistas, incluindo ex‑bispos, pastores, funcionários de empresas do grupo e membros do Judiciário. O livro reconstrói a trajetória da Igreja Universal e de seu fundador, examina os mecanismos internos da instituição e sua estratégia de expansão, e se tornou leitura de referência para entender o papel das igrejas neopentecostais na política e na mídia brasileiras.
Gilberto Nascimento acumula onze prêmios de jornalismo, entre eles: Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (quatro vezes), Ayrton Senna de Jornalismo, Simón Bolívar (Parlamento Latino‑Americano), Tito Brandsma de Direitos Humanos, Prêmio Criança da Fundação Abrinq e o reconhecimento “Jornalista Amigo da Criança” da ANDI e Fundação Abrinq.
Atualizado em julho/2026 – Portal dos Jornalistas
Informações cedidas pelo próprio jornalista.






