Por Luciana Gurgel

Relatórios sobre violações da liberdade de imprensa costumam quantificar jornalistas mortos, feridos e desaparecidos, mas nem sempre dão atenção ao drama das migrações forçadas por ameaças de governos repressores ou do crime organizado.
Para marcar o Dia Mundial do Refugiado, em 20 de junho, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) elaborou um mapa do exílio de jornalistas pelo mundo, com base apenas no número de profissionais que receberam ajuda para se instalar em outros países. Em cinco anos foram 1.468, originários de 60 nações.
A organização observa que o número pode ser muito maior, considerando aqueles que fugiram por conta própria sem buscar apoio, sobretudo na América Latina.
E lembra que o exílio não significa o fim dos problemas.
A RSF aponta que, em um cenário internacional marcado por tensões políticas e de segurança, o desejo de continuar trabalhando como profissional de imprensa é prejudicado pelos riscos associados ao exercício da profissão em outro país e pelas limitações das políticas de acolhimento, que afetam não apenas os próprios jornalistas, mas também suas famílias.
Extorsão, deportação e abusos administrativos são uma realidade diária para muitos deles. O Paquistão é o caso mais emblemático. Embora tenha recebido jornalistas afegãos e suas famílias após a retomada do poder pelo Talibã, o país iniciou, em 2023, uma política de deportação em massa, que não poupou os profissionais de imprensa lá abrigados.
Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, pelo menos 50 deles foram devolvidos à força ao Afeganistão. Vistos de residência para exilados afegãos agora raramente são renovados, deixando-os em situação irregular e vivendo escondidos.
Jornalistas afegãos lideram a lista de migrações forçadas – mais de 660 casos –, seguidos por russos e birmaneses. E em cinco anos, o número de países envolvidos duplicou, passando de 19 em 2021 para 40 em 2025.
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