O Troféu Audálio Dantas: Indignação, coragem, esperança será entregue aos autores do livro Brasil: Nunca Mais, que denuncia a tortura praticada durante a ditadura militar no Brasil. São eles Frei Betto, Paulo Vannuchi, Ricardo Kotscho e Dom Paulo Evaristo Arns (in memoriam).

A obra é fruto de uma iniciativa realizada de forma clandestina, entre 1979 e 1985, que denunciava a repressão e tortura do regime militar por meio de cópias de processos da Justiça. Foram mais de 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar. O livro Brasil: Nunca Mais foi originalmente publicado em 1985, pela Editora Vozes.

Ricardo Kotscho, um dos premiados e autores do projeto, receberá pela segunda vez o Troféu Audálio Dantas. Antes, ele havia sido agraciado com o prêmio em 2024. Em entrevista ao UOL, Kotscho declarou que seu trabalho no Brasil: Nunca Mais foi o mais importante que realizou em seus 62 anos de jornalismo.

Paulo Vannuchi, jornalista e autor do livro, também será homenageado. Militante político desde a década de 1960, chegou a ser preso e torturado na ditadura. De 2005 a 2010, foi ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e um dos grandes responsáveis pelo lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH).

A cerimônia de entrega do prêmio será em 8 de junho, às 19h30, no auditório do Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo. Além do troféu, os quatro homenageados receberão uma escultura, criada pela cartunista e chargista Laerte, de um São Jorge representando “um repórter que enfrenta o Dragão da Maldade”. Também na cerimônia, será homenageado Camilo Vannuchi, filho de Paulo, que lançou o livro-reportagem Nunca Mais, que conta os bastidores do projeto clandestino que denunciou as torturas.

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