Por Luciana Gurgel

Um novo relatório da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês) aponta que a vigilância contra profissionais de imprensa deixou de ser uma prática isolada e passou a funcionar como uma “indústria internacional”, envolvendo spyware, rastreamento de celulares, exploração de vulnerabilidades em redes de telecomunicações e inteligência artificial.
O Brasil aparece entre os dez países analisados no estudo, divulgado na semana passada. No caso brasileiro, o documento cita investigações sobre o uso da plataforma FirstMile pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para geolocalizar milhares de dispositivos móveis de jornalistas e opositores políticos sem autorização judicial.
A análise também descreve ferramentas como Pegasus, Predator e Graphite, capazes de invadir celulares, acessar mensagens, fotos e áudios e ativar microfones ou câmeras. No Brasil, a IFJ afirma que há alegações sobre o uso do Pegasus, mas que as evidências baseadas em investigações são mais limitadas do que em países vizinhos, como México e El Salvador.

O relatório aponta ainda riscos ligados a falhas em redes de telecomunicações, IMSI catchers e sistemas de IA capazes de cruzar dados de localização, chamadas, redes sociais e dispositivos apreendidos para mapear relações entre jornalistas, fontes e redações. Entre as recomendações, a IFJ defende moratória para spyware invasivo, mais controle público, proteção legal a fontes e investimento em capacidade técnica e investigativa para jornalistas e organizações de mídia.
Samar Al Halal, engenheira de computação e comunicações e especialista em segurança e direitos digitais, é a autora do estudo. Ela falou sobre os efeitos do problema para a sociedade: “A vigilância é a arma usada para matar silenciosamente a liberdade de expressão. Quando os jornalistas são observados, as fontes desaparecem, as investigações param e a autocensura torna-se normal”.
A matéria completa e a íntegra do relatório podem ser vistos em MediaTalks.
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