Vem aí a Bolsa Wikipedia?

Por Wilson Moherdaui, diretor de Redação do Informática Hoje Jimmy Wales, um dos criadores, junto com Lary Sanger, da Wikipedia, está no Brasil por uns dias. Wikipedia, segundo a Wikipedia, é “um projeto de enciclopédia [1]  multilíngue [2] de licença livre [3] , baseado na web [4], escrito de maneira colaborativa [5] e que se encontra atualmente sob administração da Fundação Wikimedia [6], organização sem fins lucrativos [7]”. Na semana passada, Jimmy Wales fez uma palestra no Ciab, o congresso de tecnologia da informação da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), em São Paulo. E respondeu a uma série de perguntas. Em uma delas, pedi a ele que contasse qual foi o caso mais dramático de dano à reputação de uma pessoa ou a uma empresa, na história da Wikipedia. Ele explicou que, quando ocorrem, esses danos são muito menos graves do que nas redes sociais de forma geral, pela velocidade com que os ataques indevidos costumam ser corrigidos. Segundo ele, o fato de ser um site colaborativo permite que as intervenções em casos desse tipo sejam quase imediatas. Mesmo assim, não fugiu da minha provocação: disse que um caso clássico foi uma informação caluniosa incluída no perfil de um jornalista, no caso, norte-americano. O jornalista atingido processou não a Wikipedia, mas o autor do ataque, devidamente rastreado pela polícia. O curioso é que o caso mais notório de fraude em verbetes da Wikipedia, aqui no Brasil, também atingiu jornalistas: no ano passado, os perfis de Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão foram adulterados por um funcionário público federal, Luiz Alberto Marques Vieira Filho, então chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério do Planejamento. Depois de acenar com o argumento pífio de que seria impossível rastrear o autor da fraude, o governo, pressionado, acabou por identificá-lo. Dias depois, o funcionário, que havia utilizado a rede do próprio Palácio do Planalto para o malfeito, pediu desligamento e foi exonerado do cargo. Em sua palestra no Ciab, Jimmy exibiu seu orgulho pelo fato de a Wikipedia, lançada em janeiro de 2001, ser o 5º site mais popular da internet, lido mensalmente por mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. E apresentou mais alguns números superlativos: a Wikipedia contém hoje 32 milhões de verbetes (876 mil em português), está disponível em 287 línguas diferentes (inclusive o tupi-guarani), e é alimentada por uma equipe que varia entre 3.500 e 5 mil voluntários. Mas Jimmy Wales não veio ao Brasil só para dar a palestra no Ciab. Ele quer discutir por aqui, especialmente com as operadoras de telecom, o seu projeto chamado The People’s Operator (TPO), uma operadora de telefonia móvel virtual (MVNO). Segundo ele, 10% dos recursos arrecadados pela TPO serão destinados a instituições filantrópicas e 25% do lucro serão doados ao que ele chama de “uma boa causa”. A TPO é parte do projeto Wikipedia Zero, cujo objetivo é oferecer acesso gratuito à Wikipedia em smartphones, em países emergentes, nos mesmos moldes que algumas operadoras já fazem com o Facebook e o WhatsApp. Na palestra, ele disse que a Wikipedia Zero pode ser um instrumento importante de aprendizagem em países em desenvolvimento que se preocupam com a inclusão digital, como o Brasil. E já opera, entre outros países, na Índia, na Malásia, na Tailândia, no Nepal e em Bangladesh, por exemplo. A nota desalentadora da palestra de Jimmy Wales no Ciab: a Wikipedia está censurada na China.