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segunda-feira, julho 15, 2024

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Vargas Llosa abre Fronteiras do Pensamento em São Paulo

O jornalista e escritor peruano Mario Vargas Llosa abre no próximo dia 17/4 na cidade de São Paulo a série de encontros de 2013 do Fronteiras do Pensamento (www.fronteirasdopensamento.com.br), projeto cultural múltiplo que promove debates sobre a identidade do século XXI, apresentados por pensadores, cientistas e líderes de diversas áreas de pesquisa e pensamento, como Perry Anderson, Daniel Dennet, Michael Shermer e Christopher Hitchens. Criado em Porto Alegre há sete anos pela Telos Empreendimentos Culturais, na capital gaúcha a palestra inaugura do projetol está marcada para 6/5, tendo como convidada a escritora britânica Karen Armstrong. As conferências geram conteúdo para diferentes formatos, como filmes, publicações e para o canal de vídeos Fronteiras.com (patrocinado pela Braskem) que pretende democratizar o acesso ao conhecimento e revelar um acervo inédito de ideias expressas no palco do Fronteiras nesses seus sete anos de existência. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, o idealizador do projeto Fernando Schüler conta como surgiu a iniciativa, suas expectativas, dificuldades enfrentadas no desenvolvimento do projeto, quais critérios são utilizados na escolha dos palestrantes, entre outros assuntos. Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com ênfase em Filosofia Política, Schüler é professor universitário, articulista, consultor de empresas e organizações civis nas áreas de cultura, ciências políticas, gestão e terceiro setor, além de exercer a função de diretor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, no Rio de Janeiro. Portal dos Jornalistas – Como nasceu o projeto? Quem o idealizou? Quais as expectativas para os próximos anos? Fernando Schüler – O projeto nasceu em Porto Alegre, a partir dae uma iniciativa minha, combinada com a visão de empreendedorismo cultural do dr. Luiz Fernando Cirne Lima, na época presidente da Copesul. Porto Alegre é uma cidade com densidade acadêmica e cultural bastante interessante. É difícil imaginar uma cidade de porte médio em que debates sobre filosofia reúnam públicos de mil pessoas, ou até mais, e Porto Alegre tem esta característica. A ida do FP para São Paulo foi quase um processo natural. O mercado, as instituições e a mídia cultural de impacto nacional estão na capital paulista. O projeto atende a uma demanda pela compreensão das grandes tendências do mundo contemporâneo e, ao mesmo tempo, preserva a sua autonomia, tem critérios próprios de qualidade para a escolha de cada convidado, dos quais não abre mão.  Portal – Qual era o principal objetivo e o que queriam alcançar? Fernando – O Fronteiras não se orienta por um fim pragmático de gerar novas ideias, ou sugerir soluções para este ou aquele problema. Acreditamos que ideias inspiram as pessoas, e por isso podem transformar o mundo. Em Porto Alegre, mais de 15 mil jovens já participaram diretamente do Fronteiras Educação. E, no total, o projeto já realizou mais de 130 debates e conferências internacionais. É difícil você não ser impactado quando escuta Peter Singer [N.R.: filósofo e professor australiano] falar de seu livro A life you can save, ou ver Karen Armstrong [N.R.: escritora, também australiana, especialista em religião] apresentar sua Charter for Compassion. É impossível não pensar de modo diferente sobre a educação e mesmo sobre o futuro do Brasil quando se escuta o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Cada pessoa reage de um modo. Assim, o primeiro elemento é estético: se passamos a valorizar a ideia de refletir sobre a vida, colocamos em marcha um processo de aprendizagem e mudança pessoal. De minha parte, se pudesse escolher algum objetivo para o País, em dez ou 20 anos, no qual o Fronteiras poderia ajudar de alguma maneira, eu diria que é a eliminação da pobreza absoluta no Brasil e o fortalecimento de uma cultura de direitos humanos. Temos convidado líderes capazes de inspirar novas ideias nesta direção, como Cameron Sinclair, e vamos continuar a fazê-lo.  Portal – Desde o princípio, o que mudou no projeto? Fernando – Nos primeiros anos havia um número bem maior de conferencistas (cerca de 30). Aos poucos, fomos encontrando o formato ideal. Optamos por um número menor de conferencistas (de oito a dez por ano), com uma palestra por mês. Portal – Imaginavam que o projeto teria a proporção e o alcance de hoje? Fernando – Sim. Embora não haja uma grande oferta de eventos com pensadores internacionais no Brasil, São Paulo é a capital cultural da América e nos pareceu lógico que fazendo esta equação funcionar o resultado seria este que estamos vivendo atualmente. Portal – Hoje o projeto já foi estendido para outras cidades. Em que momento e por que decidiram ampliar o Fronteiras? Há planos de inclusão de outras cidades? Fernando – O FP nasceu há sete anos em Porto Alegre. Há três veio para São Paulo. Também temos uma versão reduzida (não em formato de temporada anual), que já foi realizada em Salvador e Florianópolis, e este ano deverá se repetir nestas duas capitais. Outros convites estão sendo avaliados. Portal – Quais são os critérios para a escolha dos palestrantes? Fernando – O Fronteiras segue um conjunto de critérios bastante específicos, e cada convite é resultado de, no mínimo, um ou dois anos de avaliações e discussões internas. O ponto central é o foco em um debate sobre a contemporaneidade. Nós até já tivemos historiadores que estudam o período moderno, como Robert Darton e Carlo Ginzburg, mas eles trataram dos dilemas do nosso tempo. Outro aspecto relevante para a seleção é o pluralismo. Este ano teremos Mario Vargas Llosa em São Paulo, mas teremos Perry Anderson em Porto Alegre. Já tivemos Daniel Dennet, Michael Shermer e Christopher Hitchens, e este ano virá também Karen Armstrong, com posições opostas sobre a religiosidade. Há uma ampla divergência, mas todos são relevantes.  Portal – Que tipo de retorno viram no decorrer desses sete anos?  Fernando – Desde o início, em Porto Alegre, o projeto foi muito bem aceito pela população da cidade. Também tivemos, desde o começo, bons patrocinadores, que acreditaram e apoiaram a ideia do ciclo de palestras com pensadores internacionais. Quando chegou a São Paulo, há três anos, já era um projeto consolidado, o que só fez aumentar o interesse de novos parceiros e patrocinadores.  Portal – Quais as principais dificuldades enfrentadas no desenvolvimento do projeto? Fernando – A primeira e maior dificuldade de qualquer projeto, em seu início, é convencer pessoas muito ocupadas e importantes em suas áreas de atuação a virem para um país distante para proferir palestras. Hoje já criamos uma rede de parceiros internacionais (o próprio boca a boca dos autores que já estiveram conosco) que facilita um pouco os convites. A agenda dos palestrantes e a concorrência das agendas internacionais são os grandes desafios com que lidamos.

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