RSF analisa postura de Bolsonaro com a imprensa nos primeiros meses de 2020

Crédito: Repórteres Sem Fronteiras

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou seu estudo trimestral sobre violações da liberdade de imprensa no Brasil em 2020, analisando a postura do presidente Jair Bolsonaro com a imprensa nacional. Segundo a pesquisa, a estratégia dele é “manchar e minar os jornalistas e meios de comunicação que o incomodam”.

Os dados mostram que Bolsonaro direcionou 32 ataques à imprensa nos primeiros três meses do ano, o equivalente a um ataque a cada três dias. Desses 32, 15 foram ataques diretos, sendo cinco deles a jornalistas mulheres; 14 comentários desvalorizando o trabalho da imprensa; e três casos de obstrução de conteúdo de veículos de comunicação. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, também é uma figura política que ataca constantemente a imprensa. Segundo os dados, só em março foram 30 casos.

Em relação à estratégia de Bolsonaro de desacreditar a imprensa, destacam-se os casos de humilhação e desrespeito ocorridos em entrevistas coletivas em frente ao Palácio da Alvorada. Segundo o estudo, ele também é responsável por assédios judiciais e econômicos, pressionando instituições estatais a se envolveram em sua luta contra os meios de comunicação.

Os casos de ataques a jornalistas mulheres foram os que ganharam mais repercussão, principalmente por causa do grande número de ataques e ofensas que receberam nas redes sociais. Patrícia Campos Mello (Folha de S.Paulo), por exemplo, que por sua reportagem que denunciava envio de milhões de notícias falsas via WhatsApp por empresas, sofreu inúmeros ataques e insinuações de cunho sexual.Outro exemplo é o de Vera Magalhães (TV Cultura), que denunciou mensagens do presidente em que pedia a organização de manifestações e atos contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Assim como Patrícia, ela foi duramente atacada com xingamentos e comentários misóginos, incluindo até a divulgação de dados pessoais. A pesquisa detectou 16 ataques a profissionais do gênero feminino por funcionários do Estado.

O Brasil ocupa a 105ª posição entre os 180 países do Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2019 da RSF. Vale lembrar que o governo Bolsonaro foi incluído na lista dos 20 Predadores Digitais da Liberdade de Imprensa de 2020.

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