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Vantagens de um microjornal que se recusou a crescer

* Por Milton Saldanha

Fui microempresário durante 21 anos. Creio que bem-sucedido. Editando em minha própria casa o jornal Dance, fruto de um sonho e projeto de aposentadoria, atribuo meu sucesso (que explico adiante) ao fato de ter-me recusado a crescer como empresa. Foram várias as propostas com esse objetivo, de diferentes pessoas, e todas me causavam calafrios.

Crescer significaria ter uma sede com aluguel; funcionários, ainda que poucos; e uma montanha de novos custos, antes impensáveis. Acabaria primeiro em banco, buscando dinheiro. Depois, na rota do fechamento, endividado, tendo que desmontar tudo e indenizar pessoas.

A maioria dos micronegócios não passa de um ou dois anos. Talvez nem tanto. Vi gente ambiciosa, correndo antes do tempo, que fechou no terceiro mês. Alguns chegaram a seis meses.

Meu microjornal, impresso, em cores, com dez mil exemplares mensais, distribuição gratuita, chegou aos 21 anos. Fui bem-sucedido por várias razões – desde que se entenda que o conceito de bem-sucedido não significa ficar rico.

Vamos por partes: meu segredo de longevidade, como eu dizia, foi sempre pegar os custos pelo rabo e não os deixar crescer. Fiz um curso de fotografia e numa viagem aos Estados Unidos comprei equipamento profissional. Virei editor, repórter, revisor, fotógrafo e, quando preciso, faxineiro da redação. Também secretário gráfico, fiscalizando cada impressão ao pé da possante e ruidosa rotativa. Momento em que varava a noite na gráfica e ia curtindo o nascimento da cria com o tesão de um foca. Isso depois de 40 anos de profissão. Era, ainda, um vendedor de reclames, como chamavam antigamente os anúncios.

O logotipo do jornal, que remete a um curvo movimento de braços na dança, foi criação do cartunista Fausto Bergocce, meu querido amigo e companheiro de várias redações que chefiei. Nem ousaria cobrar… Mas não foi a única mão de obra escrava que usei. Teve também a do meu irmão, Rubem Mauro, com seu texto de escritor premiado com o Jabuti, em romance – o Dance nunca deu mole em qualidade. Ele foi meu companheiro em muitas viagens, como em janeiro passado, no 1º Dançando no Caribe.

Com um furgão Fiorino logotipado, um bom marketing, fazia eu mesmo toda a distribuição, na Grande São Paulo. No total, a cada mês, a quilometragem percorrida era equivalente a uma viagem ao Rio de Janeiro, ou seja, cerca de 450 quilômetros. Nenhuma academia ou baile ficavam sem o jornal. Com o carrinho percorri grande parte do Brasil, para reportagens memoráveis. Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis e interior catarinense, Foz do Iguaçu, sul da Bahia etc.. Rodei longas distâncias, quase sempre sozinho. Numa ocasião, sob tempestade, numa estradinha de terra, para cobrir o menor festival de dança do Brasil, uma delícia de matéria, numa cidadezinha catarinense.

Trabalhando na minha casa, própria, sem aluguel, eliminava um item de custo muito importante. Isso dispensava transporte, não tinha duas contas de luz e água, nem de IPTU etc.. Não precisei comprar móveis. Numa reforma da casa montei minha redação, prevendo todos os equipamentos de que precisaria. Nunca recorri a bancos, ufa! E só tive como funcionários, por pouco tempo, um boy e uma secretária. A moça, no segundo mês, pediu aumento. Certamente imaginando que eu estava ganhando muita grana.

De fato, sempre ganhei, mas valores muito modestos. Fora a Costa Cruzeiros, o grande e fiel cliente por anos, que segurava a barra, os anunciantes sempre foram pequenas academias de dança e bailes, estes últimos nem sempre confiáveis como pagadores. Os anúncios tinham que ser baratinhos, ganhando-se no volume, para, na ponta do lápis, pagar os custos e ganhar alguma coisa. Qualquer imprevisto te derruba, então não pode vacilar. O pequeno ganho, somado com a minha aposentadoria, me proporcionava sossego.  Não ter ambição financeira, uma obsessão capitalista, para mim foi sempre um conforto. Ainda assalariado, entendia que o importante não é encher o bolso, trabalhando loucamente, e sim viver bem.

O Dance me proporcionou, e até hoje proporciona, uma infinidade de convites para festivais, com viagens. No Brasil, dezenas, e também no exterior. Perdi a conta dos convites. Um deles foi para Cuba, que sonhava conhecer. Outros, Argentina, Paraguai. Isso é um ganho indireto, porque amo dançar e transformei a atividade numa rotina saudável. Com a dança desfruto de alegria, curto os desafios de aprender, faço muito exercício, e descarrego tensões normais da vida. Nada pode ser melhor. Aliado ao fato de que não preciso pagar para isso, graças ao jornal.

Fui bem-sucedido porque quando o Dance ainda engatinhava, com sua primeira edição, fui chamado por Francisco Ancona, da Costa Cruzeiros, para ser parte da equipe fundadora de cruzeiros dançantes. Já vamos para 15 anos nisso, contabilizando desde o primeiro, em 1995, e já devo ter feito meia centena de cruzeiros, ou mais, porque ficou impossível contar.

Ora, quem só pensa em ganhar grana não tem tempo para essas coisas. Se o jornal se transformasse naquilo que chamam de próspera empresa, não me restaria alternativa fora do escritório, lidando com títulos a vencer, ações trabalhistas (sempre inevitáveis), conflitos com sócios (idem), além das demais preocupações e estresse atrelados a qualquer planilha de custos.

Prefiro a paisagem dos mares e do céu azul, com praias belíssimas. E meus bailes de tango, três por semana, onde me esbaldo, encontro amigos e mantenho a saúde.

Mesmo assim, o Dance chegou a ter uma edição regional, em Campinas, em paralelo à edição nacional. Foi também um grande momento, quando sonhei ter isso em vários Estados. Mas durou dois anos e ficou ali, no sonho.

O jornal, que começou em 1994, quando sequer existia a palavra internet, foi engolido pela tecnologia online. Ficou ameaçado pela decadência, então foi melhor parar no auge, com enorme prestígio entre os dançarinos de salão. Migrando para esse novo campo. Que reduz mais ainda os custos, principalmente com gráfica, o item mais caro.

Ser micro tem suas vantagens. Você jamais ficará rico. Nunca terá uma bela sala com ar condicionado e gente te chamando de doutor. Mas vai desfrutar de coisa muito melhor, que é viver bem pra caramba, tenham certeza!

 

* Milton Saldanha ([email protected]) é editor do jornal Dance, dedicado à dança de salão, e titular de um blog de crônicas sobre assuntos variados.

Eliane Brum relança “O olho da rua”

Uma travessia pelo País conduzida pelo olhar de Eliane Brum, a+Premiada jornalista de 2016. Essa é a proposta do livro O olho da rua, de 2008, que acaba de ganhar nova edição, revista e ampliada, pela Arquipélago.

Eliane, que se apresenta como “escutadeira”, carrega o leitor por vários Brasis em dez grandes reportagens feitas na primeira década do século 21. Em cada uma revela a história dentro da história, ao narrar os bastidores a partir dos dilemas, das descobertas e também das dores a que se lança um repórter disposto a se interrogar sobre a sua própria jornada.

 

Aumentam as restrições à liberdade de imprensa no mundo

Países nórdicos lideram ranking de liberdade da RSF; Coreia do Norte é o menos livre; Brasil fica estagnado

A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou nessa quarta-feira (26/4), na sede da ABI, no Rio de Janeiro, a edição 2017 doRanking Mundial da Liberdade de Imprensa. A apresentação dos dados foi feita por Emanuel Colombié, diretor regional para a América Latina da RSF.

Segundo a entidade, a edição 2017 do Ranking está marcada pela banalização dos ataques contra as mídias e o triunfo de políticos autoritários que fazem com que o mundo caia na era da pós-verdade, da propaganda política e da repressão. Ele mostra que a liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada. São agora 21 países no espectro mais baixo do Ranking, ou seja, nos quais a situação da imprensa é considerada como “muito grave”. No “vermelho”, isto é, onde a situação da liberdade de informação nesses é considerada “difícil”, estão 51 países (contra 49 no relatório anterior). No total, cerca de dois terços (62%) dos países listados apresentaram um agravamento de sua situação em 2016.

“A RSF deplora a degradação perniciosa e contínua da liberdade de imprensa na América Latina”, declarou Emmanuel Colombié. “A instabilidade política e econômica observada em diversos pontos nessa zona geográfica não justifica esse ambiente às vezes hostil para o trabalho da imprensa. Os jornalistas que investigam temas sensíveis que afetam os interesses da classe política ou do crime organizado são regularmente feitos alvos, perseguidos ou assassinados. Diante de uma ameaça tão multifacetada, os jornalistas precisam, com muita frequência, se autocensurar ou até mesmo se exilar para sobreviver. Essas situações são insuportáveis em países democráticos. Já é tempo de inverter essa tendência e permitir que a profissão se liberte desses incontáveis entraves”.

Domingos Meirelles, presidente da ABI, também manifestou sua preocupação com o agravamento da situação da liberdade de imprensa em vários países e com o desemprego de jornalistas, que aumenta a cada ano no Brasil: “Em 2015, 1.200 jornalistas foram demitidos. No ano passado, mais de 900 demissões. Mensalmente, a ABI doa 126 cestas básicas para jornalistas desempregados que vivem em situação de extrema vulnerabilidade, quase no limiar da miséria. É muito difícil. Esse quadro vem piorando nos últimos meses. A maior de todas as violências é o desemprego”.

Segundo o documento da RSF, pelo sexto ano consecutivo, o Brasil permanece estagnado na parte inferior do Ranking, tendo subido da 104ª para a 103ª posição, entre 180 países. A entidade destaca que a liberdade de imprensa no País continua atrelada a velhos problemas: agressões, intimidações, pressões de toda a natureza, processos abusivos, falta de transparência pública, entre outros. Nos últimos cinco anos, a RSF registrou 21 casos de assassinatos de jornalistas no Brasil, o segundo país mais mortífero para a profissão na América Latina no período, atrás apenas do México, onde no ano passado foram registrados dez assassinatos de jornalistas.

“O Brasil não tem nenhum mecanismo de proteção para os profissionais de imprensa”, afirmou Colombié. “O Governo Federal não faz nada para mudar esse quadro”.

Os dez países com melhor posição no Ranking da RSF são: 1) Noruega, 2) Suécia, 3) Finlândia, 4) Dinamarca, 5) Países Baixos, 6) Costa Rica, 7) Suíça, 8) Jamaica, 9) Bélgica e 10) Islândia. Os dez piores são: 171) Guiné Equatorial, 172) Djibuti, 173) Cuba, 174) Sudão, 175) Vietnã, 176) China, 177) Síria, 178) Turcomenistão, 179) Eritreia e 180) Coreia do Norte.

Pedro Bial entra no antigo horário de Jô Soares

Crédito: Tricia Vieira/ Divulgação GNT. Pedro Bial em seu novo programa de televisão, Programa com Bial.

Pedro Bial estreia no dia 1º de maio Conversa com Bial, talk show dirigido por Mônica Almeida.

O programa vai ao ar após o Jornal da Globo, mesmo horário do extinto Programa do Jô. Na pauta estão temas relevantes do cotidiano e comportamento.

Alguns entrevistados serão pessoas comuns, mas o programa pretende levar expoentes das áreas de ciência, história, religião, saúde, política, economia e segurança pública.

Haverá muitas reportagens externas, com o próprio Bial e outros jornalistas da casa. O cenário será modular, com adaptações conforme o tema abordado. A notícia é de Flávio Ricco, colunista do UOL.

Marcos Santos assume o Marketing da Unisys para a AL

Marcos Santos assumiu a Diretoria de Marketing da Unisys para a América Latina. Ele já exercia a função de gerente de Comunicação Corporativa da empresa para a região, sendo responsável pelo relacionamento com imprensa e analistas.

Na nova função, cuidará do planejamento, execução e otimização das atividades de marketing e comunicação com o mercado para a América Latina, em linha com a estratégia de crescimento e os objetivos traçados pela organização, acumulando as áreas de eventos, marketing digital, campanhas, comunicação interna, imprensa e relacionamento com analistas.

Na Unisys desde 2012, Marcos tem mais de 15 anos de experiência nas áreas de comunicação corporativa, relacionamento com analistas de tecnologia, redes sociais e demais áreas da comunicação. Graduado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo fez ainda MBA em Gestão da Comunicação Corporativa pela Aberje.

Associação da Imprensa Italiana tem nova diretoria

Giuseppe Arnò, da Gazzetta Italo-Brasiliana, do Rio de Janeiro, foi eleito para presidir a Associação da Imprensa Italiana no Brasil (Asib) no triênio 2017-2019. Antonio Carlos Spaletta, de São Paulo, assume a Vice-Presidência e Miguel Ângelo Gobbi, de Santa Catarina, a Secretaria Geral. A entidade era presidida pela empresária paulista de jornais de bairros Ana Lúcia Donnini.

Também foram eleitos quatro vice-presidentes regionais, representando Minas Gerais, Brasil Sul, Espírito Santo e Pará/Amazônia. Venceslao Soligo, jornalista italiano radicado no Brasil, que por vários anos exerceu a Presidência da Asib, foi distinguido com o título de Presidente Emérito. O Conselho Consultivo da entidade é composto por 28 membros, entre jornalistas e assessores de imprensa do Brasil e da Itália, além de três membros do Conselho Arbitral.

A Pauliceia nas letras de José de Souza Martins

O escritor e sociólogo José de Souza Martins lança O coração da Pauliceia ainda bate, uma coedição da Editora Unesp e Imprensa Oficial que traz crônicas inéditas ao lado de uma seleção de textos publicados no Estadão e na Folha de S.Paulo, de 2004 a 2013.

“Não sou o transeunte distraído, que se deixa levar pelo acaso de trajetos. Mas faço de conta que me perco para melhor aprender com as ricas e muitas lições do acaso”, escreve Martins. Ele recolhe a cidade em várias fotografias e pedaços de papel anotados que guarda nos bolsos. “Busco depois informações documentais que me permitam aprofundar no tempo as constatações feitas na horizontalidade do espaço”, explica. “O tempo de São Paulo é uma superposição de idades”. E, a partir delas, a obra se divide em cinco capítulos: a São Paulo Colonial, o momento da passagem pelo século da Independência do Brasil, a São Paulo romântica, outra da Revolução de 1932 e da vida comum, e, por fim, a Pauliceia imaginária.

Dessa forma, o escritor passeia pelo presente e por suas intersecções com o passado, palmilhando as ruas do Centro Velho, as antigas rotas de comerciantes, escravos, ouvindo seus sussurros, que ficaram em textos, em monumentos, em sacristias e presbitérios, em capelas, e também nas ruas, nas esquinas, nas praças, nos barulhos e silêncios. “O mestre da Sociologia vê a cidade com olhos de poeta”, completa o poeta Paulo Bonfim, a quem o livro é dedicado de forma especial. “A Pauliceia revive ora palpitante, ora melancólica, nas andanças evocativas do autor”.

Atualmente, Martins é colunista do suplemento Eu & Fim de Semana, do Valor Econômico.

Mauro Zanatta deixa a assessoria de Henrique Meirelles

Mauro Zanatta ([email protected]) deixou depois de quase um ano a Chefia da Assessoria de Comunicação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e associou-se a Luiz Villar e Felipe Barreto, da CasaDigital. Eles criaram a CasaAgro, empresa de comunicação, consultoria, marketing digital e RP para o mundo do agronegócio. “Era meu plano original quando deixei a Chefia da sucursal do Estadão, em maio de 2016”, disse Mauro ao Portal dos Jornalistas. “Mas congelei para aceitar o convite do Meirelles”.

Ele informou ainda que manterá um pé em redação, como comentarista de política e economia do Canal Rural, posto que foi de Fernando Rodrigues (Poder 360), e como titular do Blog do Zanatta. “Cobri agro por 15 anos e queria voltar ao setor. Essa foi a forma bacana de fazer isso. Vou mantê-los informados sobre as aquisições de contas que fizermos daqui em diante, mas estou aberto a parcerias e costuras profissionais na área”.

Arnaldo Galvão (ex-Bloomberg), que atuava com Zanatta na assessoria ao ministro, segue na função. Quem agora divide o trabalho com ele é Ana Cristina Flor, embora não esteja oficialmente no cargo. Érica Maria Teixeira de Andrade é a chefe da Ascom. Os contatos de lá são 61-3412-2545 e [email protected].

Bebeto Souza Queiroz registra em livro suas histórias no Estadão

Assíduo colaborador da seção Memórias da Redação, de Jornalistas&Cia, Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto, decidiu registrar em livro as histórias que nos enviou e muitas outras, sob o título Os bastidores da notícia: Histórias da Redação do Estadão. Ele está disponível desde a semana passada, exclusivamente em formato e-book, no site da Amazon,

“Na obra, reuni casos relatados no Memórias e na comunidade eXtadão do Facebook, que a generosidade de alguns leitores sugeriu fossem preservados”, diz Bebeto. “É que representam uma espécie de resgate de fatos do passado memorável de O Estado de S. Paulo e histórias de companheiros que hoje só vivem na nossa saudade.

E como ‘jornalista escreve para jornalista’, com diz a Táta Gago Coutinho, que fez o livro comigo, não valia a pena fazer edição impressa. Assim, meu 17º livro é só digital. Pode ser visto e comprado por R$ 3,14 (um dólar, pois a editora exige preço) no site da Amazon. Basta colocar meu nome (Bebeto não vale) ou o do livro e baixá-lo.

Dá para ler também uma amostra, sem comprar. S são memórias de 44 anos vividos na redação do Estadão e por muitas viagens por esse mundão sem porteira, várias das quais compartilhadas com a repórter e esposa Táta, companheira de toda uma vida bem vivida, com quem construí uma história de amor que é só nossa. Essa, nunca será escrita”.

À queima-roupa

Crédito: Jesse/Flickr
* Por Sandro Villar

 

Jornalista e policial civil, Ronaldo Lopes, o Pantera, era repórter policial na Rádio Record, lá no bairro do Aeroporto, e radioescuta na TV Cultura. Trabalhava mais do que lenhador canadense no século 19 e, se cabe outro comparativo, suava mais do que marcador do Neymar para ganhar a vida. Ou para ganhar o pão nosso de cada dia e de cada noite, coisa cada vez mais difícil nestes tempos temerários. Encurtando a historinha: era um tremendo pé de boi, que é como é chamado o sujeito que trabalha demais.

Claro que, como policial, além dos empregos no rádio e na tevê Pantera cumpria a sua jornada em delegacias. Não sei se já se aposentou e mantém uma rotina de ficar em seus aposentos, que é para onde o nosso amado governo quer mandar, aos 65 anos, os aposentados, esses ricos que choram de abdômen cheio.

Grande figura, o Pantera, com seu jeitão de jogador de basquete americano. Era muito querido na TV Cultura. Todo mundo lá gostava dele. Pantera trabalhou com as equipes comandadas pelos jornalistas Fernando Pacheco Jordão, Vladimir Herzog, Demétrio Costa, Paulo Roberto Leandro e Tito Lima.

Todo santo dia, na Rádio Record, um colega de trabalho, muy amigo, zombava do Pantera por ele ser policial. Era deboche pesado, atitudes malévolas – confesso que adorei tal expressão, as tais atitudes malévolas.

Quando os dois se cruzavam nos corredores da rádio, o provocador não perdia a oportunidade de caçoar do Pantera. “Ainda vou pegar esse teu revólver e enfiar na tua boca”, dizia o sujeito, que na verdade dizia outra coisa e não boca. Como J&Cia é de família, acho de bom alvitre não citar a palavra que o provocador dizia no fim da frase.

A princípio, o repórter até achava engraçado, mas, com o passar do tempo e cansado das chacotas, resolveu reagir dando uma lição no sujeito. Antes, porém, advertiu o provocador: “É bom parar com isso, você ainda vai se dar mal”.

Num belo dia o repórter cumpriu a promessa e foi à forra com ferro e fogo. Assim que o colega começou a falar as bobagens de sempre, o Pantera sacou o revólver e deu um tiro na cara do abusado.

Isso mesmo: assim na lata, tiro à queima-roupa ou, no caso, tiro à queima-pele. Foi só um susto. Era bala de festim.

Depois dessa, o colega, abalado com o susto, nunca mais dirigiu gracinhas ao Pantera, que riu por último, de orelha a orelha, com um “festim diabólico”. É como dizia o grande repórter policial Octávio Ribeiro, o Pena Branca: “Terrorismo só respeita terrorismo”.

 


Sandro Villar construiu a maior parte da carreira em rádios, nas quais foi desde discotecário até diretor, passando por reportagem e edição. Por muitos anos atuou como correspondente do Estadão em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. É crítico, cronista e editorialista para vários jornais, com textos que trazem um toque de humor para os fatos do dia a dia.

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