Regina Helena de Paiva Ramos, jornalista há mais de sete décadas, lançou o romance Vento Endiabrado(Minotauro), livro sobre a história de amor entre uma artista renomada e um jovem caiçara entre os anos 1970 e 2000, que tem como pano de fundo temas como avanços tecnológicos no litoral paulista, desigualdade social, gentrificação, religiosidade popular e memória coletiva.
A história, que se passa na praia fictícia Jacurici, mostra como Veridiana e Venâncio se apaixonaram em meio à chegada do “progresso” tecnológico e turístico na cidade, o avanço da especulação imobiliária e as tensões entre caiçaras, veranistas e aventureiros. A obra reúne, em diferentes capítulos, narrativas tensas, cheias de ação, brigas e mortes, e ao mesmo tempo, textos em cadernos de notas, trechos de diário e recortes jornalísticos.
No romance, a autora busca homenagear a memória caiçara do litoral paulista, dando destaque à oralidade da região e à história do Brasil praiano e suas transformações ao longo dos anos.
Regina tem mais de sete décadas de carreira como jornalista. Formada pela Faculdade Cásper Líbero, foi repórter e crítica em O Tempo, A Gazeta, Popular da Tarde e nas revistas Manchete e Visão. Na TV, trabalhou em Excelsior e Bandeirantes. É autora de obras como O ensaio histórico Mulheres Jornalistas– A Grande Invasão (2010), Mata Atlântica: 20 Razões para Amá-la (2005) e Isso é Definitivo? (1979).
Estão abertas até 30 de setembro as inscrições para a terceira edição do Prêmio Mercantil de Jornalismo, organizado pelo Banco Mercantil, que incentiva e valoriza trabalhos jornalísticos sobre longevidade e população 50+. Neste ano, o tema do prêmio é Longevidade e equilíbrio — construindo um futuro financeiro, mental e emocional sustentável.
O prêmio concederá o total de R$ 80 mil em premiações, divididas nas categorias Mídia Impressa, Mídia Online e Mídia Eletrônica, com subdivisões entre capitais, regiões metropolitanas e o interior do país. Podem ser inscritos trabalhos entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2025.
Os trabalhos serão avaliados por uma Comissão Julgadora, que analisará as reportagens com base nos seguintes critérios: relevância da notícia, qualidade técnica, qualidade do conteúdo, originalidade e criatividade. Os vencedores serão anunciados em 3 de novembro.
Um novo livro sobre o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden está gerando forte repercussão no país ao revelar não apenas bastidores do governo, mas também possíveis esforços coordenados entre a Casa Branca e familiares para ocultar problemas de saúde do líder democrata.
Luciana Gurgel
Intitulado Original Sin: President Biden’s Decline, Its Cover-Up, and His Disastrous Choice to Run Again (Pecado original:o declínio do presidente Biden, sua ocultação e sua desastrosa escolha de concorrer novamente, em tradução livre), a obra traz à tona relatos de declínio cognitivo e físico, reforçados por episódios como a dificuldade de Biden em reconhecer o ator George Clooney durante um evento.
Mais do que isso, o livro sugere que parte da grande imprensa norte-americana pode ter suavizado ou ignorado os sinais de alerta, num possível esforço para evitar um mal maior: a reeleição de Donald Trump.
Conivência ou cautela? O papel da imprensa sob escrutínio
Escrito pelos jornalistas Jake Tapper (CNN) e Alex Thompson (Axios), o livro é resultado de uma apuração que ouviu mais de 200 fontes e atualmente figura entre os mais vendidos nos EUA.
Após o recente anúncio de que Biden enfrenta um câncer de próstata agressivo, as revelações ganharam nova gravidade.
Críticos apontam que os indícios de comprometimento de saúde já estavam presentes há tempos, mas teriam sido abafados ou subestimados tanto pela comunicação oficial quanto por veículos de imprensa influentes.
A suspeita é de que houve um tipo de “pacto de silêncio” entre governo e jornalistas, em nome da estabilidade política.
A repercussão tem sido intensa. Enquanto apoiadores de Biden acusam os autores de oportunismo, opositores questionam como o estado de saúde do ex-presidente passou despercebido por tanto tempo − inclusive durante a campanha eleitoral.
Divisão política e dilemas éticos no jornalismo
A neta de Biden, Naomi, reagiu duramente, chamando o livro de “lixo político fantasioso”. Já Donald Trump aproveitou para criticar duramente a cobertura da imprensa, insinuando conivência deliberada.
A polêmica reacende discussões sobre os limites entre privacidade, responsabilidade pública e o dever da imprensa em escrutinar lideranças políticas.
Para críticos, a mídia teria falhado em um de seus papéis centrais: investigar com rigor e informar com transparência.
Pecado original coloca sob holofotes uma questão incômoda: até que ponto a imprensa pode − ou deve − proteger a imagem de um líder em nome da democracia?
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Após 16 anos de atuação ininterrupta no setor automotivo, Marcelo Cosentino está se despedindo da Toyota e da área. Ele deixa a fabricante no final deste mês e nos próximos dias assumirá um novo desafio em uma empresa de outro segmento, mas que ainda não pode ser revelada.
Depois de iniciar a carreira em 2009 como repórter da Carta Z Notícias, Cosentino passou pelas redações da Editora Escala e de O Globo. Em 2015 migrou para a área corporativa onde teve passagens por Renault, Cummins e Volvo, e desde março do ano passado era gerente de Comunicação Interna e Externa da Toyota.
“Sou muito grato à Toyota pelo período − curto, mas intenso − em que estivemos juntos”, destacou o executivo. “Tenho orgulho das conquistas, das grandes entregas e até mesmo das mudanças que ajudei a implementar. Sigo para um novo desafio, mas continuo torcendo pela marca e pelo incrível time que tive o privilégio de trabalhar junto”.
Enquanto não define um substituto para a vaga, a equipe comandada pelo diretor de Comunicação e ESG Roberto Braun conta com Aline Cerri, Késsia Santos e Karina Arruda, responsáveis por comunicação institucional, e Gabriel Aguiar, cuidando da comunicação de produto.
Faleceu de infarto nessa quarta-feira (28/5) Celso Fonseca, aos 61 anos, em São Paulo. Ele teve passagens por veículos como Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo, revista IstoÉ e portal R7, onde atuou por dez anos antes de se aposentar. Na Record, foi responsável pela cobertura cultural, acompanhando os principais eventos e festivais do cenário nacional.
Natural de Ribeirão Preto, formou-se pela Faculdade Cásper Líbero e iniciou a carreira em Jundiaí, no interior de São Paulo. TParticipou como jurado do Troféu Imprensa, do SBT, e do programa Roda Viva, da TV Cultura.
Conforme escreveu Ana Vinhas no portal R7, Fonseca era apaixonado por Corinthians, rock and roll, jazz e pela cidade de São Paulo, tendo chegado a escrever sobre a região central no portal A Vida no Centro.
A Folha de S.Paulo lançou nessa quarta-feira (28/5) o podcast Neural, apresentado por Patrícia Campos Mello, repórter especial do jornal, e Ronaldo Lemos, especialista em inovação. Com episódios semanais, o programa aborda temas ligados a tecnologia, política, economia e comportamento. O podcast vai ao ar todas as quartas-feiras, às 7h, no Spotify, YouTube e outras plataformas de áudio.
No episódio de estreia, o foco foi a diversidade de golpes envolvendo reconhecimento facial e as formas de prevenção. O programa também discutiu diferentes legislações sobre inteligência artificial e analisou a disputa global por terras raras. Segundo os apresentadores, a proposta é criar um espaço acessível para refletir sobre os principais acontecimentos na área da tecnologia e seus impactos.
A direção de Neural é de Anna Penteado. Pela Folha, a coordenação é de Daniel Castro, editor-adjunto de Podcasts, e Beatriz Peres, editora da TV Folha. O design e a consultoria estratégica são da agência AlmapBBDO.
A revista Placar anunciou uma série de novidades que incluem o relançamento de sua assinatura impressa, uma nova plataforma digital com acervo exclusivo de edições de anos anteriores, e o Clube Placar, programa de benefícios físicos e digitais. As novidades fazem parte de uma nova fase da publicação, que se reposiciona como hub de conteúdo sobre futebol.
O Clube Placar é um projeto que oferece aos leitores diferentes planos de assinatura com benefícios. O plano Arquibancada dá acesso à revista digital do mês e a um acervo inédito com mais de 40 edições publicadas entre 2018 e 2025, por R$14,90 mensais. Já o plano Cadeira Cativa, que custa R$29,90 ao mês, contém os mesmos benefícios do plano Arquibancada, com a inclusão da versão impressa da revista, que será entregue na casa dos assinantes. As novidades já estão valendo neste mês de maio, a partir da edição de número 1523, cuja capa destaca Raphinha, do Barcelona e da seleção brasileira.
“A digitalização do acervo é um desafio, mas também uma oportunidade única de reconectar passado e futuro do jornalismo esportivo”, declarou Alan Zelazo, Publisher da Placar. Outras novidades incluem uma reformulação do site da publicação e os lançamentos da newsletter Placar Atualizado e de um aplicativo para celular que dará acesso às edições da revista, além de vídeos da Placar TV, tabelas de campeonatos e informações de jogos ao vivo, minuto a minuto.
Manoel Vilela de Magalhães morreu, aos 94 anos, em 22 de maio. Pioneiro, que cobriu a inauguração de Brasília, ele estava internado há quase um mês no Hospital Sírio-Libanês e não resistiu a complicações decorrentes de uma pneumonia. O corpo foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança.
Vilela chegou a Brasília em abril de 1960, integrando a equipe do Estadão para a cobertura histórica da cerimônia de inauguração da Capital Federal. Desde então, construiu sua vida e carreira na cidade. Atuou por anos como secretário da sucursal do jornal. Em diversos períodos, também foi responsável pela cobertura do Palácio do Planalto e de ministérios, acompanhando de perto os primeiros passos da administração federal na nova capital. Logo após a inauguração da UnB, tornou-se professor de jornalismo. Também passou pelo Senado, chefiando a Secretaria de Imprensa por vários anos e, posteriormente, foi diretor-geral da Casa, função na qual se aposentou.
Mesmo após a aposentadoria aceitou convite do ministro Romildo Bueno de Souza para chefiar a Assessoria de Imprensa do STJ e, em seguida, a Diretoria-Geral, durante a gestão do magistrado como presidente. Após o término do mandato do ministro, ainda integrou as assessorias dos senadores Francelino Pereira e Arthur Virgílio, encerrando sua longa e produtiva atividade jornalística. Nos anos finais, dedicou-se a uma paixão que o acompanhou por toda a vida: o ensino. Chegou a criar uma escola de ensino infantil bilingue em Balneário Camboriú, posteriormente vendida, e foi autor de livros sobre jornalismo.
A General Motors anunciou na última semana a chegada de Marcela Carvalho como nova diretora de Relações Governamentais da fabricante no Brasil. Com mais de duas décadas de experiência no setor público, e passagens pelos Ministérios da Economia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Exterior, e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e Câmara de Comércio Exterior (Camex), ela se reportará diretamente a Fabio Rua, vice-presidente de Comunicação, Relações Governamentais e ESG, e terá sua base em Brasília.
No Linkedin, Marcela compartilhou seu entusiasmo com a contratação: “Feliz de me juntar à empresa, como Diretora de Relações Governamentais para América do Sul, em um momento tão estratégico para o setor automotivo e para a região, contribuindo para o fortalecimento do diálogo com governos e instituições em prol de políticas públicas que impulsionem desenvolvimento, inovação e sustentabilidade. Obrigada Fabio Rua e Santiago Chamorro pela oportunidade”.
Pois bem, o romance Esaú e Jacó foi publicado em 1904. Antes disso, o nosso Machado publicara Dom Casmurro (1899).
Sem dúvida, Esaú e Jacó transformou-se num dos dez romances clássicos do bruxo do Cosme Velho.
Depois de publicar Esaú e tal, Machado de Assis deixou-se publicar o seu último livro: Memorial de Aires.
Machado de Assis
Machado era fluminense, como se deve saber.
Morreu em casa, na madrugada de 29 de setembro de 1908. Nesse mesmo dia, madrugada, mês e ano nascia na terra mineira um cara que o futuro haveria de aplaudir: João Guimaraes Rosa.
Rosa, como Machado, inovou a literatura brasileira.
Muitos outros autores do nosso patropi fizeram-se importantes. E não são poucos.
Em 1892, nascia, em Alagoas, um menino que ganharia fama como escritor: Graciliano Ramos de Oliveira.
Leitor amigo, você saberia dizer os pontos de identificação entre Machado de Assis e Graciliano Ramos?
Bom, houve um momento na vida de Machado em que a visão lhe falhou completamente.
Houve um momento na vida de Graciliano em que seus olhos lhe negaram visão. Foi na infância, mas o problema, minimizado, o acompanhou no decorrer dos seus 60 anos de vida.
Como se não bastasse, há outros pontos em comum entre Machado e Graciliano:
Machado era poeta no começo da vida literária.
Graciliano também foi poeta, embora tenha iniciado a carreira como prosador. Seu primeiro conto teve por título O Pequeno Pedinte, publicado num jornalzinho da sua infância. Detalhe: tinha o futuro autor a idade de 12 anos.
Além de poeta, Machado foi quem todos nós sabemos.
Graciliano, por sua vez, foi quem todos nós sabemos.
As histórias de Machado de Assis e de Graciliano Ramos se cruzam em vários momentos.
Graciliano Ramos
Machado nasceu pobre de marré, marré e aleluia!
Graciliano não nasceu em berço de ouro. O pai, um brutamontes, o castigava aos gritos e chicotadas. A mãe o humilhava de todas as formas, chamando-o de “bezerro encourado” e/ou “cabra-cega”.
Bezerro encourado significava, lá no passado nordestino, pessoa enjeitada pela mãe, humana ou vaca de rebanho.
A expressão cabra-cega tem origem antiquíssima. Data de muito antes da Idade Média. Surgiu como brincadeira infantil e como brincadeira acabou. A base era vendar os olhos de uma criança, pois brincadeira de criança era e fazer com que a vendada conseguisse segurar outra criança a quem passasse a venda.
No Nordeste essa brincadeira tinha outra versão: uma criança tinha os olhos vendados e de vara em punho tentava quebrar uma panela ou pote de barro pendurada em algum lugar. Tal panela estava recheada de balas e outras guloseimas. Era uma festa.
Na obra de Machado de Assis há referências à cegueira. Na obra de Graciliano também.
Em 1938, o famoso alagoano levaria às livrarias o livro São Bernardo.
Em São Bernardo, o narrador é um ex-guia de cego.
Órfão de pai e mãe, Paulo Honório foi adotado por uma mulher chamada Margarida, que compartilhava a vida com um cego.
O tempo passou e Paulo, que nunca tirou da cabeça a ideia de ficar rico custasse o que custasse, levou a sua mãe para morar consigo na fazenda que comprou por meios questionáveis.
É uma história fortíssima a que se lê em São Bernardo.
Por questões de ciúmes por uma jovem com quem teve a primeira vez na cama, Paulo é preso e condenado a três anos, nove meses e 15 dias depois de esfaquear um rival. Alfabetizou-se na cadeia, graças a um sapateiro com quem dividia a cela.