A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nesta quinta-feira (2/7) os resultados de um monitoramento dos ataques à imprensa por parte do presidente Jair Bolsonaro nos primeiros seis meses do ano. Ao todo, foram registrados 245 ataques de janeiro a junho de 2020, divididos em: descredibilização da imprensa (211), ataques pessoais a jornalistas (32) e ataques à Fenaj (2).
O levantamento indicou que Bolsonaro fez ao menos dez ataques por semana ao jornalismo brasileiro no primeiro semestre. Integram a pesquisa todas as declarações públicas do presidente em suas redes sociais, lives, entrevistas em frente ao Palácio da Alvorada e transcrições de discursos e entrevistas disponibilizadas no portal do Planalto.
Segundo a Fenaj, os dados evidenciam que a postura de Bolsonaro transforma a imprensa em “inimiga”, por meio de uma “narrativa de ataques com o objetivo de promover a descredibilização do trabalho jornalístico e da credibilidade da produção de notícias. Algumas vezes o presidente coloca a imprensa e os jornalistas como ’inimigos do País’, por causa de coberturas que o desagradam”.
A repórter de finanças Katherine Rivas criou um projeto para ajudar pessoas desempregadas a conseguirem novo trabalho. É o Um CV, uma história, construído em parceria com a plataforma #Adoteumcv.
Todas as terças-feiras ela seleciona um currículo cadastrado na plataforma e entra em contato com a pessoa para conhecê-la melhor. Após entrevistá-la, publica no site do #adoteumcv e também no seu LinkedIn a história de um trabalhador brasileiro, que sonha, luta e precisa de uma oportunidade.
Ela quer, agora, buscar apoio de jornalistas de outras regiões do País, que se interessem em fazer o mesmo, mostrando assim a história por trás de cada currículo de um trabalhador brasileiro.
“Muitas vezes o currículo não conta exatamente a trajetória, superações, desafios e sonhos de quem está por trás dele. O objetivo da iniciativa é mostrar a essência de cada profissional, humanizando assim o mercado de trabalho e o mundo corporativo”, comenta Katherine.
A página #Adoteumcv acaba de chegar à marca de 12 mil de seguidores e, a partir de agora, terá uma sessão dedicada às trajetórias de vida contadas no #umcvumahistoria. A seção Adoteumcv.org/historias será a página destinada a retratar a trajetória de cada trabalhador brasileiro.
A Abraji e a Agência Lupa promovem em 9/7 o webinar gratuito Ataques a jornalistas: o direito à informação é um direito humano, que abordará temas como ameaças às liberdades de expressão e imprensa no Brasil, o atual cenário de pandemia, retrocessos na transparência pública e desinformação.
Cristina Zahar, secretária executiva da Abraji, e Gilberto Scofield Jr., diretor de Estratégias e Negócios da Lupa, entrevistarão Edison Lanza, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A entrevista será em espanhol, sem tradução simultânea. Inscrições pelo link.
O Jornal Nacional (JN), da TV Globo, será exibido duas vezes nesta quarta-feira (1º/7) por causa da transmissão da partida entre Portuguesa e Botafogo pelo Campeonato Carioca. O jogo começa às 21h30 e será transmitido para o Rio de Janeiro e outros 13 estados, além do Distrito Federal. Isso fará com que o telejornal seja exibido mais cedo e com o horário reduzido nessas localidades onde o jogo será transmitido: o telejornal vai ao ar das 20h às 20h30, e depois será exibida a reprise da novela Fina Estampa. Em outros estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, o JN irá ao ar no horário convencional e terá a duração padrão (20h30 às 21h35).
Portanto, os âncoras William Bonner e Renata Vasconcellos farão uma dupla jornada: primeiro apresentarão a versão reduzida e, na sequência, o telejornal na faixa convencional. As praças que terão o telejornal reduzido são: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Juiz de Fora (MG), Distrito Federal, Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe.
Diversificar para elevar audiência e receita tem sido uma das estratégias adotadas por organizações de mídia, que investem em canais complementares, de olho sobretudo no público jovem conectado à Internet. Mas a novidade que movimentou o jornalismo britânico esta semana é uma aposta no bom e velho rádio, indicando que ele continua forte e saudável.
O lançamento da The Times Radio (em 29/6) é um passo interessante da News Corporation, do magnata Rupert Murdoch, que também edita o tabloide The Sun. Trata-se da primeira emissora criada por um diário nacional no país, acessível de forma convencional, online e por aplicativo. Não tem anúncios, pois optou por captar receita via pacotes de patrocínio.
John Pienaar
A associação com o estilo e conteúdo do impresso começa pelo nome e é reforçada por um time de apresentadores que reúne estrelas do The Times como os populares colunistas Hugo Rifkind, Rachel Sylvester e Matt Chorley, que editava a newsletter diária matinal do jornal. O grupo também buscou reforço externo, com destaque para o ex-subeditor de política da BBC John Pienaar, conhecido pelas aparições diárias na emissora.
A perda de Piennar pode não ser a única dor de cabeça causada à rede pública pela The Times Radio. É cedo para prever se ela vai arranhar a liderança da BBC no segmento radiofônico, que é folgada. Segundo o órgão regulador de telecomunicações (Ofcom), sete em dez dos 43% dos britânicos que ouvem noticiário no rádio optam por canais da BBC, que ocupa os três primeiros lugares do ranking.
Mas pode incomodar principalmente a BBC Radio 4, ao propor aos ouvintes um jornalismo que privilegia análise e conversas em profundidade no lugar debates acalorados e pressão sobre os entrevistados. Há até quem defenda que a iniciativa tenha sido mesmo destinada a provocar a BBC.
O colunista do The Guardian Mark Lawson foi um dos que abordou a teoria de que a The Times Radio seria um lance da campanha de Murdoch contra a rede pública, sob as bençãos da administração de Boris Johnson. Desde as eleições de 2019 o clima entre Governo e BBC não é nada bom, com ameaças ao modelo de financiamento baseado na taxa paga por todas as residências britânicas.
A ideia se fortalece pelo fato de o primeiro-ministro ter prestigiado o lançamento da The Times Radio, concedendo no horário nobre matinal sua primeira entrevista desde que se curou da Covid-19. Em linha com o modelo anunciado, a conversa foi doce e meiga, mesmo quando Johnson usou a tática recorrente de fugir de perguntas incômodas. Atitude bem diferente da dos apresentadores da BBC.
Rádio firme e forte − Política à parte, ao se observar o comportamento do público e do mercado a aposta no rádio faz sentido. Pesquisas mostram que audiência e receita desse meio seguem estáveis no Reino Unido, oposto do que acontece com os jornais. A Rajar, que audita o setor, informa que 48,9 milhões de adultos ouviam rádio no primeiro trimestre de 2020 e a ele dedicaram em média 20 horas/mês. Isso representa 89% da população, faixa que se mantém com leves oscilações desde 2013.
Diferentemente dos jornais, que ao migrarem para o digital privam o leitor da experiência de folhear as páginas, o rádio tem a vantagem de assegurar a mesma experiência quando transmitido pela Internet. A última pesquisa do OfCom apontou no início de 2019 crescimento de 51% para 56% no acesso online em um ano. Em janeiro passado, o Rajar detectou 67% de ouvintes acessando rádio via internet. De 32% dos britânicos que disseram possuir um assistente pessoal, 18% declararam utilizá-lo para ouvir rádio diariamente.
Confiança é outro ativo importante desse meio, em um país quem tem na memória coletiva discursos radiofônicos históricos de monarcas e líderes como Winston Churchill. A pesquisa Eurobarômetro, da Comissão Europeia, confirmou em maio o rádio como a mídia mais confiável pelo décimo ano consecutivo, alcançando 57%, contra 49% da TV e 46% da imprensa escrita. Nada mal para o vovô do podcast, que pelo visto ainda tem muito fôlego para encarar a concorrência.
O 5º Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros 2020 terá este ano uma categoria especial sobre Formação e qualificação profissional, criada especialmente para estimular reportagens cujo foco central seja a qualificação, a capacitação e o treinamento dos profissionais do setor de seguros, previdência e capitalização. As outras categorias já são conhecidas: Mídia impressa, Audiovisual (incluindo rádio e TV), Webjornalismo e Imprensa especializada do mercado de seguros.
As inscrições estão abertas desde esta quarta-feira (1º/7) e podem ser feitas até 16 de novembro. O certame é uma realização conjunta da Escola de Negócios e Segurose da Federação Nacional dos Corretores de Seguros, com apoio institucional da CNseg.
Cada categoria terá cinco finalistas, e serão premiados os três melhores trabalhos, assim distribuídos: R$ 15 mil para o primeiro colocado, R$ 6 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro. Este ano, em virtude da pandemia de Covid-19, o concurso passou por ajustes. A cerimônia de premiação deve ocorrer entre dezembro e fevereiro. Até novembro, a organização vai anunciar se a solenidade de premiação será presencial ou via web.
As inscrições e o regulamento completo estão disponíveis nos sites da Fenacor e da ENS.
O Facebook e o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês) anunciaram os veículos selecionados para o Programa de Apoio Covid-19 a Veículos de Notícias na América Latina. Cerca de US$ 2 milhões serão destinados a 44 projetos de veículos de 12 países da região, para ajudar e fortalecer a cobertura da pandemia, combater a desinformação e investir em tecnologias úteis.
Os fundos variam entre US$ 10 mil e US$ 40 mil. Além disso, 18 dos veículos selecionados participarão do Acelerador de Receitas de Leitores, um treinamento de dez semanas, liderado por Tim Griggs, ex-executivo do The New York Times, que os ajudará a explorar novos modelos de negócios e aumentar as receitas vindas diretamente de seus leitores.
Os veículos brasileiros selecionados foram Agência Pública, Alma Preta, O Povo, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Metro Jornal, NSC Total, Nexo Jornal, Nós, mulheres da periferia, Rede Gazeta, O Estado de S.Paulo, Estado de Minas, Jornal do Commercio e UOL.
Confira a lista completa dos 44 projetos (em ordem alfabética):
Agência Pública – Brasil
Alma Preta – Brasil
Debate – México
Diario El Litoral – El Litoral Santa Fe – Argentina
Diario Trome (Empresa Editora El Comercio S.A.) – Peru
EL Tiempo Casa Editorial – Colômbia
El Espectador – Colômbia
El País S.A. – Uruguai
El Surtidor – Paraguai
El Universal Compañia Periodistica Nacional, S.A. de C.V. – México
Empresa Jornalística O Povo S/A – Brasil
Folha de S.Paulo – Brasil
Fundación El Churo – Wambra Medio Digital Comunitario – Equador
Gazeta do Povo – Brasil
Homosensual – México
La Gaceta – Argentina
La Nación, Costa Rica – Costa Rica
La Opinión – Colômbia
La República – Peru
La Tercera – Chile
La Verdad, Periodismo de Investigación SC – México
La Voz del Interior S.A – Argentina
Meganotícias – Chile
Metro Jornal S.A. – Brasil
NSC Total – Brasil
Nexo Jornal – Brasil
Nós, mulheres da periferia (We, women from outskirts) – Brasil
Pagina Siete, The Independent National Journal – Bolívia
Plumas Atómicas – México
Posta – Argentina
Prensa Libre – Guatemala
Página 12 – Argentina
Red/Acción – Argentina
Rede Gazeta – Brasil
Revista Cítrica-Cooperativa de Trabajo Ex Trabajadores de Crítica Ltda – Argentina
Revista Muy Waso – Bolívia
S.A. La Nacion – Argentina
S.A. O Estado de S. Paulo – Brasil
S/A Estado de Minas – Brasil
TV e Rádio Jornal do Commercio Ltda – Brasil
Telefe Bahía Blanca – Argentina
UOL – Brasil
Unión Editorialista S.A. de C.V. (El Informador) – México
A Lab 99 lançou em 29/6, em parceria com a Folha de S.Paulo, o Lab 99 + Folha de Jornalismo, oficina com o tema A cidade é uma só: estratégia para superar as desigualdades urbanas. Ela oferece diversas aulas sobre mobilidade urbana e cidade, além de técnicas jornalísticas, língua portuguesa e produção de TV para canais digitais com editores, repórteres e colunistas da Folha.
São 30 vagas para jornalistas recém-formados (a partir de dezembro de 2018) e estudantes que estejam no último ano do curso de Jornalismo. Além das aulas, os selecionados terão acesso exclusivo ao Manual de Jornalismo de Mobilidade Urbana Folha de S. Paulo/99, que será lançado no segundo semestre.
Após o curso, os participantes produzirão conteúdos exclusivos, sob supervisão de profissionais da Folha. Os três melhores conteúdos serão premiados na categoria Jovens Jornalistas do Prêmio 99 de Jornalismo 2020. O primeiro colocado receberá R$ 5 mil, e o segundo e terceiro colocados, respectivamente, R$ 3 mil e R$ 2 mil. O material produzido será publicado em uma série especial na Folha.
O Google apresentou três novas ferramentas gratuitas para publicações, com foco em simplificar e entender melhor os dados de acesso e melhorar as estratégias digitais.
São elas a News Tagging Guide (NTG), que identifica as métricas de engajamento importantes para o crescimento do público e da receita, simplificando a implementação técnica; a News Consumer Insights 2.0 (NCI), que identifica oportunidades de otimização para aumentar a lucratividade e construir relacionamentos mais profundos com leitores, através de acesso a informações personalizadas e do Google Analytics; e a Realtime Content Insights 2.0 (RCI), que identifica em tempo real quais artigos e vídeos são os mais populares entre os leitores e quais tópicos mais amplos estão em alta na região.
Liminar impediu por 11 dias as divulgações do nome e imagem da comerciante gaúcha Ana Paula Brocco
Após 11 dias de censura prévia, a desembargadora Maria Isabel de Azevedo Souza, da 19ª Câmara Cível do TJ do Rio Grande do Sul, derrubou em 26/6 a liminar que impedia a exibição de uma reportagem de Giovani Grizotti, para a RBS TV, sobre pessoas que receberam irregularmente o auxílio emergencial do Governo. A magistrada reconsiderou sua decisão inicial, que mantinha a censura imposta pelo juiz Daniel da Silva Luz, da comarca de Espumoso, no noroeste do Estado.
A liminar impedia que o nome e a imagem da comerciante Ana Paula Pagnussatti Brocco, também de Espumoso, fossem divulgados, sob pena de multa de R$ 50 mil. A reportagem mostrava que Ana Paula havia sacado o benefício de R$ 600,00, mesmo esbanjando em suas redes sociais inúmeras fotos de viagens internacionais, em hotéis de luxo, além de estar com casamento marcado para o fim do ano, no Caribe.
Com a derrubada da liminar, o material foi exibido em 28/6 pelo Fantástico, da TV Globo, em uma reportagem especial com mais de 12 minutos de duração, e que mostra que mais de 620 mil pessoas receberam o auxílio emergencial sem terem direito, segundo o TCU. Além de Grizotti, assina a reportagem Mahomed Saigg.
Marcelo Rech
“Vimos com tristeza e preocupação ter sido concedida uma liminar na Justiça estabelecendo a censura prévia, que é claramente vedada pela Constituição e imaginávamos sepultada”, disse Marcelo Rech, vice-presidente Editorial e Institucional do Grupo RBS, em entrevista ao Coletiva.net. “Apesar de trabalho intenso das áreas jurídicas para liberar a reportagem, por 11 dias o público foi proibido de tomar conhecimento de um conteúdo de alto interesse público. Felizmente, como não podia deixar de ser, a censura acabou sendo derrubada na própria Justiça”.