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sexta-feira, outubro 23, 2026

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100 anos de Rádio no Brasil: A queda de licenças de rádio desafia o futuro da mídia sonora

(Crédito: condominiosc.com.br)

Por Álvaro Bufarah (*)

A contabilidade fria dos órgãos reguladores costuma revelar verdades que o discurso publicitário tenta suavizar. Os dados oficiais consolidados pela Federal Communications Commission (FCC) para o terceiro trimestre de 2026 desenham uma curva dramática na radiodifusão norte-americana: o número total de emissoras licenciadas caiu pelo terceiro trimestre consecutivo. O sinal de alerta, contudo, não vem apenas da sangria crônica do AM – faixa que perdeu 125 outorgas desde o fim de 2024 –, mas da perda de fôlego do único segmento que vinha amortecendo essa queda: o rádio FM educativo e não comercial.

Para quem atua no mercado brasileiro de comunicação há mais de quinze anos, o cenário norte-americano soa como um espelho de advertência. No Brasil, o processo de migração do AM para o FM estendido (eFM), iniciado na década passada e regulado pelo Ministério das Comunicações e pela Anatel, buscou exatamente estancar a inviabilidade técnica e comercial das ondas médias, sufocadas pelo ruído eletromagnético dos grandes centros urbanos. Nos Estados Unidos, onde esse movimento tomou rumos distintos, a sobrevida do AM chegou a um ponto de inflexão regulatória e econômica sem precedentes.

Até 30 de setembro de 2026, a FCC registrava 4.258 estações AM ativas nos Estados Unidos – uma perda líquida de 42 emissoras em apenas três meses e de 84 desde o encerramento de 2025. O FM comercial também amarga retração: perdeu 20 licenças no trimestre, recuando para 6.540 estações e engatando o oitavo trimestre seguido de encolhimento. Até então, a expansão acelerada das emissoras educativas e comunitárias supria o saldo negativo da radiodifusão em território americano. Esse colchão protetor, entretanto, começou a esvaziar.

O segmento educativo de FM adicionou modestas 9 emissoras no terceiro trimestre (alcançando 4.815 licenças), após avanços bem mais robustos de 28 no primeiro trimestre e 23 no segundo. Quando olhamos o recorte interanual, a desaceleração é vertiginosa: o crescimento anual do FM educativo foi de apenas 1,8% (85 novas emissoras), contra um salto estrondoso de 8,1% (353 outorgas) nos 12 meses anteriores.

“O recuo simultâneo do AM e do FM comercial rompeu a linha de equilíbrio do rádio tradicional: o setor público e comunitário já não tem tração orçamentária para compensar as frequências devolvidas pelo mercado privado.”

O descompasso entre as curvas de licenciamento da radiodifusão americana evidencia a reconfiguração estrutural do setor:

  • Erosão constante da faixa AM: Queda de 2,0% em doze meses, com perda acumulada de 125 estações comerciais desde o final de 2024.
  • Oito trimestres de baixa no FM comercial: Recuo anual de 0,8%, totalizando 6.540 estações ativas e indicando saturação de modelos puramente baseados em compra de espaço publicitário convencional.
  • Freada brusca na expansão educativa: Aumento tímido de 1,8%, contra o salto de 8,1% registrado no ciclo anterior, refletindo o aperto orçamentário enfrentado por fundações, universidades e entidades comunitárias.
  • Encolhimento da infraestrutura de suporte: Os retransmissores e amplificadores de FM caíram para 8.826 equipamentos ativos (-20 unidades), limitando a extensão de cobertura de pequenas redes locais.
Faixa / Categoria de Rádio Licenças Ativas (3ºT 2026) Variação Trimestral Variação Anual (12 Meses)
Rádio AM Licenciada 4.258 -42 -2,0% (-85)
Rádio FM Comercial 6.540 -20 -0,8% (-54)
Rádio FM Não Comercial / Educativa 4.815 +9 +1,8% (+85)
Total Combinado (AM + FM) 15.613 -53 -0,3% (-54)

 

(Crédito: condominiosc.com.br)

Essa crise de inventário reabriu uma fratura profunda nos bastidores políticos da Revisão Quadrienal da FCC. De um lado, gigantes do setor como o Salem Media Group pressionam pela desregulamentação total dos tetos de propriedade cruzada no AM, argumentando que a fusão de operações é o único caminho para cortar custos e garantir a sobrevivência financeira dos transmissores. Do outro, associações que defendem radiodifusores minoritários – como a National Association of Black Owned Broadcasters (NABOB) – alertam que a flexibilização dessas travas funcionará como um acelerador de canibalização, empurrando as poucas emissoras de propriedade de grupos historicamente sub-representados para as mãos de megaconglomerados.

Para os profissionais que gerenciam veículos e pensam políticas de comunicação no Brasil, os números da FCC trazem uma lição estratégica incontornável. A devolução de licenças e o fechamento de parques de transmissão nos EUA deixam claro que preservar a relevância do meio sonoro não é apenas uma questão de migrar frequências no espectro; é uma batalha de sustentabilidade do modelo de negócio. Se o radiodifusor não integrar a antena à distribuição digital no painel do carro e nas plataformas conectadas, a conta da energia do transmissor simplesmente não fecha – seja em Ohio ou em qualquer capital brasileira.

 

Referências e Materiais Pesquisados

Para checagem direta dos relatórios regulatórios e das disputas legislativas mencionadas nesta análise, consulte as fontes abaixo:

  1. Relatório Oficial de Licenciamento da Radiodifusão dos EUA: Federal Communications Commission (FCC): Broadcast Station Totals as of September 30, 2026
  2. Cobertura Setorial do Relatório Trimestral de Radiodifusão: Inside Radio: Non-Commercial FM Growth Slows as AM Losses Mount in Q3
  3. Petições e Debates da Revisão Quadrienal de Propriedade de Mídia: FCC Electronic Comment Filing System (ECFS): 2022 Quadrennial Regulatory Review – Proceeding 22-459 (Salem Media & NABOB Filings)
  4. Histórico da Transição e Dinâmica do Espectro Sonoro no Brasil: Ministério das Comunicações e Anatel: Painel do Processo de Migração AM-FM e Faixa Estendida

 

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

 

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (78)

(Crédito: Imagem criada por IA)

Por Assis Ângelo

– Bom, Flor Maria: o rapaz de minha história Obsessão de um Rapaz de Olhos Míopes aparece na narrativa que publiquei originalmente em forma de folhetim no diário Correio da Paraíba. Trata–se de um jovem de 30 anos. É uma história que se encaixa, digamos, na escola realista. Tem um quê psicológico, de sofrimento pessoal. O personagem sofre, como mais das vezes sofrem os personagens do realismo.

– Interessante, Assis. Mas você, até onde me lembro, chegou a publicar resumidamente essa história num livro, certo?

– Sim, Maria. Obsessão de Um Rapaz de Olhos Míopes foi publicado em São Paulo, num livro intitulado Em Revista. Acho que, como curiosidade, valeu.

– Ah! Por curiosidade também quero ler.

– O conto começa assim:

(Crédito: Imagem criada por IA)

Deixara seu posto no horário habitual em que se encerra o expediente.

Toda a fábrica se agita com a saída dos funcionários.

Alguém corre aqui, um conversa acolá, outros simplesmente murmuram mais além. E é nesse clima que uma figura de estatura abaixo da mediana, ostentando amplos e já branqueados bigodes, topa com Damião, um operário que seguia para casa.
O dr. Perez Gaioso é um bem sucedido homem de negócios. É um imigrante espanhol que deixou sua terra por motivos nunca bem esclarecidos. Chegara ao Brasil logo após as desgraças da Segunda Grande Guerra. Aqui logo se fixara no ramo dos negócios. Dois anos depois já era nome respeitado e agora quase um deus.

– Assustado, Damião?
A indagação repentina o pegara desprevenido e o deixara sem jeito. E vinda assim de chofre realmente o assustara. Mas por que o dr. Gaioso lhe perguntara isso?
Muitos sabiam que o chefe era, de certa forma, imprevisto e gozador. Gostava que o chamassem de brincalhão: “Meu sucesso é devido à minha popularidade”, costumava dizer nas rodas sociais, gabando-se dos dotes que afirmava ter.
– Assustado, Damião?
Naquele dia de quinta-feira, quase findo, Damião fora surpreendido pela pergunta do dr. Perez Gaioso.
Pego do jeito que fora ficara calado, mudo mesmo.
Embaraçado, só conseguira gaguejar palavras ininteligíveis.
O dr. Perez amedrontava só com o olhar. Era perspicaz, sarcástico às vezes. Um tipo inquietante. E, naquele dia, o dr. Gaioso estava mais irônico do que nunca, terrível.
“Eu, assustado?”.
Terminou a quinta. Entrou sexta. E durante todo o fim de semana Damião ficou matutando sobre o cumprimento indagador e sem motivo de ser do patrão.
– Assustado, Damião?
Para onde quer que fosse, lá ia Damião remoendo a frase torturante, procurando um significado plausível.
“Será que estou mesmo assustado?”.
A dúvida atroz agora o consumia.
Damião Valente longe estava de fazer jus ao sobrenome que assinava. Era alto como uma vara e tímido. Seus olhos brilhantes antes de usar óculos, hoje estavam completamente esmaecidos, mas inexplicavelmente possuídos de um certo magnetismo. O rosto bem desenhado, nem comprido nem redondo. A boca bem talhada, nariz afilado como o de um guerreiro romano. Sobrancelhas densas e negras encantavam pela forma revolta. Beirava os trinta anos.
Esse era o rapaz a quem o dr. Perez Gaioso barrara a passagem naquele final de tarde.
– Assustado, Damião?
Lá vinha a danada daquela frasezinha perturbadora.
“Assustado uma porra! Quem foi que disse que eu estou assustado?”. 

Mas decididamente já estava ficando impaciente com aquilo. Isso era. E consigo próprio.

 “Ora, pra que hei de me importar com besteiras desse tipo?”. 

Mas se importava.
“A ironia é uma forma de expressão usada somente pelos que têm alguma frustração a dissimular”, tentava justificar sua inquietação.
Será?

 

– Hummm… Dessa primeira parte gostei. E da segunda, dá pra acrescentar alguma coisa?

– Claro. A miopia do Damião vai ser melhor apresentada. Aliás, é muito grande o número de míopes no Brasil e no mundo todo. No Brasil, os míopes beiram a casa dos 31,8 milhões e no mundo todo os míopes somam algo em torno de 2, 6 bilhões. Já se está prevendo o dobro disso em 2050. Os dados são da OMS.

– Caraca!

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

 

Fred Bruno leva tiro no pé após deputado do PL disparar arma em balada

O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) disparou com uma arma em público na madrugada desta segunda-feira (19/10), em uma balada no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. O tiro atingiu de raspão o pé de Fred Bruno, apresentador da edição paulista do Globo Esporte. Fred passa bem e decidiu não registrar queixa contra o deputado.

Segundo apuração do Metrópoles, Aguiar saiu da manifestação convocada pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista e foi à balada. No local, ele teria importunado mulheres e foi repreendido por outros clientes. No meio da confusão, o tiro foi disparado e acertou Fred Bruno, que também estava no local. Uma das versões relatadas à Polícia diz que o deputado estava alterado e que, durante a confusão, ele sacou a arma. Outra versão diz que Aguiar teria caído no chão e a arma disparou acidentalmente.

O deputado foi pego em flagrante e conduzido ao 14° Distrito Policial, em Pinheiros, onde o caso foi registrado como disparo de arma de fogo. Aguiar deixou o DP ainda na madrugada e não ficará preso devido à imunidade política. A arma do deputado foi apreendida e será analisada. Além disso, um carro que seria de Aguiar e que estava com a placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) também foi apreendido.

Grupo Globo anuncia Luis Henrique Guimarães como substituto interino de Fred Kachar

O Grupo Globo anunciou que Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da empresa, assumirá de forma interina o cargo de diretor-geral de mídia impressa e rádio, em substituição a Frederic Kachar, demitido da emissora após o vazamento de conversas entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entre outubro de 2023 e julho de 2025.

Guimarães acumulará as duas funções de vice-presidente executivo e de diretor-geral de mídia impressa e rádio, atuando nesta última de forma interina, até a indicação de um nome titular. O executivo tem vasta experiência na liderança de empresas, tendo presidido a Comgás e a Raízen, além de ter comandado a Cosan. Também atuou na Shell. No Grupo Globo, foi escolhido, em 2025, para liderar a holding da empresa, que começou a operar no começo deste ano.

Fred Kachar foi dispensado na semana passada do Grupo Globo, após conversas com Daniel Vorcaro revelarem que o executivo da Globo e o banqueiro negociavam patrocínios em eventos, pautas e assuntos para reportagens que fossem do interesse de Vorcaro, debatiam matérias publicadas e até comentavam sobre mulheres em festas. Em nota publicada no site do jornal O Globo, a direção do gripo explicou que o conteúdo das mensagens revelou “uma relação inadequada do executivo com um anunciante”.

Cartunista Gilmar Machado recebe ameaças de morte por seu trabalho

O cartunista Gilmar Machado Barbosa, de Santo André (SP), conhecido como o Cartunista das Cavernas, vem sofrendo desde julho diversos ataques e ameaças de morte em decorrência de seu trabalho de ilustrações de cunho político. Gilmar denunciou diversas postagens ofensivas nas redes sociais.

Em um dos ataques, um usuário publicou uma montagem em que o cartunista aparece com uma bala na cabeça, junto de mensagens ofensivas e ameaçadoras. Gilmar registrou boletim de ocorrência e buscou apoio de organizações defensoras da liberdade de imprensa e de expressão.

Em entrevista ao Diário do Grande ABC, Gilmar explicou que a liberdade de manifestação artística e o tom crítico sempre pautaram seu trabalho, independentemente do espectro político no poder. Ele destaca porém que os ataques em decorrência de seu trabalho aumentaram significativamente nos últimos anos, a partir das eleições de 2018.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) repudiou as ameaças e se solidarizou com Gilmar. Para a entidade, “a violência contra profissionais da comunicação compromete o debate público ao restringir a circulação de ideias. O humor gráfico, por sua natureza crítica e satírica, é protegido pela liberdade de expressão”. O SJSP pediu que os autores dos ataques sejam responsabilizados e que as autoridades tomem medidas para garantir a segurança do cartunista e a continuidade de seu trabalho.

Reforma Tributária e uso da Linguagem Simples é destaque em seminário do Curso Completo de Comunicação Pública

De que forma a Reforma Tributária, que está em curso de implementação, irá impactar a população, entre os mais diversos públicos? E, principalmente, as alterações propostas e os seus efeitos práticos estão sendo claramente publicizados pelo Governo Federal? Essa reflexão foi o mote do seminário “Comunicação da Reforma Tributária e Linguagem Simples: como comunicar uma mudança complexa para o cidadão antes que as medidas ocorram”, realizado na tarde de sábado (17), como atividade do Curso Completo em Comunicação Pública. A atividade foi organizada pelos profissionais Edson Alves Jr., da Assembleia Legislativa de Pernambuco; Amilcar Oliveira da Rosa, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; e Ramiro Eisinger Guimarães, da Prefeitura Municipal de Santa Maria-RS.

Participaram da discussão proposta Rachel Freixo, advogada tributarista e conselheira do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais); João Pedro Machado Nobre, assessor especial do Ministério da Fazenda, responsável por coordenar decisões relativas à implantação da reforma tributária; e Heloisa Fischer, educadora e comunicadora, especialista em Linguagem Simples. Em sua fala, Rachel Freixo apresentou um case de sucesso desenvolvido no Espírito Santo, e fez questão de destacar como a pauta tributária precisa de um novo olhar, “furando a bolha técnica”.

  • A informação é para o contribuinte, para o cidadão lá na ponta. Na questão dos incentivos fiscais, por exemplo, a população sabe o impacto disso na vida dela? Isso é uma política pública, tanto quanto Saúde e Educação – argumentou Rachel Freixo.

João Pedro Machado Nobre iniciou sua apresentação revelando que, no processo de construção e implementação da Reforma Tributária, já foram realizadas mais de 600 reuniões com diferentes públicos de interesse, reiterando todo o esforço do Ministério da Fazenda em comunicar, de maneira assertiva, para quem paga o imposto, quais são as alterações neste novo cenário.

  • Partimos de uma premissa: a manutenção da carga tributária. Mas precisamos explicar isso. A sociedade precisa saber o quanto cada isenção, o quanto cada desoneração impacta na alíquota que é paga pelo contribuinte. Ele precisa saber o custo do benefício – explicou João Nobre.

Especialista em Linguagem Simples, Heloisa Fischer, afirmou que é necessário um exercício permanente, um estado de “alerta empático”, em que o comunicador saia da sua zona de conforto, repense a prática e tenha claro que ele não está falando apenas com os seus pares ou com técnicos.

  • Nem sempre é uma tarefa simples, pelo contrário. Há uma série de desafios que precisam ser encarados e vencidos. Um deles é que a simplificação pode trocar o sentido ou simplesmente ‘empobrecer’ a redação técnica. Mas se as pessoas não entenderem o que diz a lei, não adianta – ponderou.

O Curso Completo em Comunicação Pública é promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) em parceria com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).

Podcast mostra bastidores de queda do Voo 402 da TAM

Foi ao ar na quinta-feira (15/10) o podcast Voo 402: Seis Segundos, série documental que traz bastidores da queda do Voo 402, da companhia aérea TAM, em 1996. O projeto, narrado e roteirizado por Luiz Carlos Franco, que era assessor de comunicação da TAM na época, relembra os fatos do acidente e a gestão de crise, em uma história contada de dentro da companhia.

Em 31 de outubro de 1996, uma aeronave Fokker 100 caiu logo após decolar do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, atingindo residências no bairro do Jabaquara, a menos de dois quilômetros do aeroporto. Todas as 96 pessoas a bordo e três pessoas em solo morreram, totalizando 99 mortes. No episódio de estreia, Luiz narra os primeiros minutos do que aconteceu após o acidente, no que se tornaria a maior crise da história da TAM: “Da navalha que interrompeu o barbear matinal ao mergulho nos bastidores, o caos do trânsito paulistano e a montagem da sala de guerra que precisou enfrentar, em tempo real, uma tragédia nacional”, explica a descrição do episódio.

Além do roteiro e narração de Luiz Carlos Franco, o podcast tem edição de áudio e sonorização da NOV Filmes. Confira o Voo 402: Seis Segundos no Spotify e no YouTube.

ONG Criola lança cartilha para jornalismo sobre mulheres negras

A ONG Criola – organização de mulheres negras fundada em 1992 – lança a cartilha Não fale por mulheres negras, fale com mulheres negras: Uma abordagem jornalística para o enfrentamento ao racismo em pautas sobre violência racial e de gênero, dirigida a profissionais que cobrem o tema.

Élida de Aquino

A cartilha nasceu a partir de uma experiência de media training realizada pela agência Alter Conteúdo, a pedido da Criola, com líderes da rede Empoderando Mulheres Negras. Durante a formação, as participantes compartilharam experiências e preocupações relacionadas à relação com a imprensa, entre elas o receio de serem mal interpretadas, a exposição indevida de suas histórias e o risco de revitimização.

A partir dessa escuta, que ouviu tanto mulheres negras quanto jornalistas, especializados ou não, foi possível mapear percepções, dificuldades e boas práticas de apuração e edição. Élida de Aquino, coordenadora de comunicação de Criola, acredita que esse material vai resultar em uma forma mais cuidadosa e respeitosa de contar suas histórias. Baixe a cartilha!

MediaTalks by J&Cia já começa a acompanhar a COP31

A COP31 está chegando e novamente o MediaTalks by J&Cia, parceiro de conteúdo do UOL, entra em campo com seu olhar internacional para apurar e depurar o papel do jornalismo e da comunicação diante das mudanças climáticas e do que nos reserva a Conferência, que este ano será realizada em novembro, em Antalya, na Turquia.

Uma amostra já pode ser vista nesta página especial que reúne notícias, análises e conteúdos sobre clima, desinformação, reputação e os desafios de comunicar um tema que influencia governos, empresas, consumidores e a sociedade.

O projeto terá como complemento uma edição especial em formato de revista digital, reunindo diferentes perspectivas sobre o papel da informação e da confiança nas decisões que podem definir o futuro do planeta.

MediaTalks cumpre, desse modo, o objetivo de ampliar o debate sobre questões que começam antes e continuam depois de Antalya para jornalistas, comunicadores, organizações e para toda a sociedade.

A iniciativa também oferece oportunidades para marcas e agências se associarem a essa discussão, por meio de formatos especiais de participação. Consulte o Mídia Kit.

E leia mais sobre a COP31 no MediaTalks.

Após vazamento de conversas com Vorcaro, Grupo Globo desliga Frederic Kachar

Após vazamento de conversas com Vorcaro, Grupo Globo desliga Frederic Kachar
Fred Kachar

O Grupo Globo anunciou nesta quinta-feira (15/10) o desligamento de Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio da empresa. A decisão ocorre após o vazamento de conversas entre Kachar e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entre outubro de 2023 e julho de 2025. Em nota publicada no site do jornal O Globo, o grupo explicou que o conteúdo das mensagens “revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante” e que deve anunciar o substituto de Kachar em breve.

As conversas vazadas mostraram que Vorcaro negociava com Kachar patrocínios em eventos do Grupo Globo, sugeria pautas e assuntos para reportagens que fossem do interesse do banqueiro, debatia matérias publicadas e até comentava sobre mulheres em festas. Em uma das trocas de mensagens, Vorcaro chegou a pedir destaque para sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff, em revistas comandadas por Kachar. Alguns dias depois, três publicações escreveram reportagens sobre a Happy Aging, marca de suplementos de Martha lançada em Miami.

Em outras conversas, o banqueiro e o diretor do Grupo Globo negociaram patrocínios para eventos. O Banco Master patrocinou o Baile da Vogue em 2024 e o camarote da editora Globo no Carnaval de 2023. E em uma outra troca de mensagens, os dois conversaram sobre mulheres e festas, usando termos como “guerra na Ucrânia” e “ataque soviético”, em referência a eventos com mulheres estrangeiras.

Vorcaro enviou mensagens a Kachar reclamando de textos publicados pelos colunistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, do jornal O Globo, com denúncias envolvendo o banqueiro e o Banco Master. Vale lembrar que, em março, Jardim revelou que Vorcaro tinha planos para simular um assalto contra o jornalista, cometer agressões físicas contra ele e “quebrar seus dentes”. Segundo investigações da Polícia Federal, o banqueiro mantinha uma grande estrutura de intimidação e vigilância a pessoas consideradas “inimigas” dos interesses econômicos do Banco Master. A PF teve acesso a diversas mensagens de Vorcaro com aliados para intimidar, vigiar e ameaçar indivíduos considerados seus “adversários”, incluindo Jardim.

Vorcaro também interferiu em matérias do Metrópoles

Reportagem do UOL revelou que Vorcaro também interferia no conteúdo publicado pelo portal Metrópoles. Mensagens extraídas pela Polícia Federal revelaram que Lilian Tahan, CEO do Metrópoles, enviava a Vorcaro reportagens que abordariam a atuação do banqueiro ou do Banco Master para que ele avaliasse o conteúdo dos textos antes de serem publicados. Ao menos 14 matérias teriam sido enviadas previamente a Vorcaro, e 11 delas foram supostamente alteradas após pedidos de correção do banqueiro.

Outras conversas revelam um negócio de publicidade entre o Banco Master e o Metrópoles, no qual as partes fecharam um contrato de R$ 20 milhões em novembro de 2024, pagos em parcelas de R$ 5 milhões ao longo de 2025. Em uma das mensagens sobre o negócio, Vorcaro chegou a dizer a Ana Matos, funcionária de marketing do Master, que o portal era a “coisa mais importante da nossa vida”.

Questionada sobre as mensagens com Vorcaro, Tahan declarou à reportagem do UOL que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”. Ela também afirmou que o contrato de publicidade entre o Master e o Metrópoles não teve relação com a cobertura da atuação do banco, e destacou reportagens publicadas no portal denunciando escândalos envolvendo o banqueiro.

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