Quase que simultaneamente, três grandes encontros envolvendo profissionais de diferentes segmentos da comunicação acontecem na cidade de São Paulo nesta semana. Em sua 15ª edição, o Congresso Mega Brasil de Comunicação, que conta com o apoio institucional de Jornalistas&Cia, acontecerá nos dias 29, 30 e 31 de maio no Centro de Convenções Rebouças; o 5º Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, organizado pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), será realizado de 28 a 30 de maio, no World Trade Center; e o 4° Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural será de 28 a 31 de maio no Tuca, teatro da PUC-SP. ?Essa coincidência reflete a força de São Paulo como uma cidade que, além de negócios, tem se mostrado como um centro de debate sobre comunicação, reunindo a maior parte das empresas do gênero e colaborando para aquecer o mercado brasileiro de modo geral?, diz Marco Antonio Rossi, diretor da Mega Brasil. Rossi explica que, apesar dos problemas que ainda enfrenta, São Paulo acaba oferecendo a melhor infraestrutura para a produção de eventos desse porte. Os três devem mobilizar simultaneamente cerca de 5 mil pessoas, sendo pelo menos 25% desse total vindas de outros estados. O encontro da Abap estima a presença de 3 mil participantes (entre inscritos e público flutuante), o da Mega Brasil, 1.200 e o da Revista Cult, entre 600 e 800. A presença de profissionais de outras regiões é sempre uma constante, não só pelo conteúdo de qualidade apresentado, mas também por outros atrativos que São Paulo oferece. ?A pessoa vem fazer o Congresso e ainda pode frequentar museus, cinemas, teatro, shows, livrarias…?, enumera Daysi Bregantini, editora e diretora responsável da Cult, que realiza o encontro. ?O público vem para os eventos e depois se abastece de conhecimento em outros lugares?, diz. ?São Paulo tem vocação para grandes produções?, afirma Luiz Lara, presidente da Abap. ?É uma cidade de economia criativa, de ponta, comprovando que é dinâmica e, portanto, candidata natural a esses eventos, atraindo tanto jovens talentos como profissionais renomados?. Tamanho contingente é atraído pela programação de qualidade dos congressos. O Mega Brasil terá, por exemplo, painéis com especialistas internacionais como Lisa Evia, diretora da Navistar International Corporation; Sebastian Remoy, presidente de Public Affairs da Kreab Gavin Anderson; Josh Shapiro, diretor da MSL Global; e Ann Wool, diretora executiva da Ketchum Sports & Entertainment Worldwide; além de destaques do mercado brasileiro como Miguel Jorge, Ricardo Gandour, Marcos Jank, Pedro Luiz Dias e Luciano Suassuna. O Congresso de Jornalismo Cultural terá entre os palestrantes o quadrinista sueco Art Spiegelman; o escritor e jornalista americano Gay Talese; e Robert Darnton, intelectual americano tido como referência em História da Cultura; além dos brasileiros Alcino Leite Neto, Francisco Bosco e Marcos Flamínio. O 5º Congresso da Indústria de Comunicação contará com abertura do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, e terá palestras de nomes como Ronaldo Nazário, Dalton Pastore, Erh Ray, Gilberto Leifert e Carlos Ayres Britto. Vale citar que estes são só os eventos de comunicação de grande porte que acontecem durante uma mesma semana em maio. São Paulo ainda recebe, no decorrer do ano o 16º Congresso Anual de Comunicação Interna (junho); o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo (julho), que conta com o apoio institucional deste Portal dos Jornalistas; e o 2º Congresso Internacional em Comunicação e Consumo (outubro), entre outros. São muitos eventos da área, mas poucos a se considerar o número de encontros que a cidade abriga ao longo do ano, mais de 90 mil, incluindo 75% das maiores feiras do País, segundo estimativa da SPTuris. Todos os eventos citados ainda estão com inscrições abertas, mas o 4º Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural é o primeiro a encerrá-las, nesta 6ª.feira (25/5). Mais informações no site www.espacorevistacult.com.br/congresso ou pelo telefone 11-3032-2800. O Congresso da Indústria Brasileira da Comunicação, que recentemente anunciou um novo blog com notícias e outros conteúdos relevantes, aceita novos inscritos pelo www.vcongresso.com.br. Mais detalhes e inscrições para o Congresso Mega Brasil, estão disponíveis no site do evento.
De papo pro ar – Virada Paulista
Um dia, Geraldo Vandré foi procurado para se apresentar numa dessas edições do programa da Prefeitura de São Paulo, Virada Paulista. Não precisaria cantar, só declamar; de preferência Soberana, música de sua autoria ainda inédita, feita em homenagem à cidade de São Paulo. Ele topou o convite. Isso foi num dia; no outro, desconversou: não iria subir em palco algum para cantar ou declamar fosse o que fosse. Mas convencido por seu amigo Darlan, justificou-se à pessoa que o convidou: ? Não posso cantar nem declamar, pois a minha garganta está péssima hoje. Dito isso, pegou a máquina fotográfica e passou a fotografar atrações programadas para a Virada. (N. da R.: A íntegra da entrevista que Vandré deu a Assis para o extinto suplemento Folhetim, da Folha de S.Paulo, de 17/9/1978, estará na edição nº 2 de Jornalistas&Cia ? Memória da Cultura Popular, que vai circular em 4 de junho)
Fernando Coelho assume Chefia de Redação da TV Cultura
Fernando Coelho está de volta ao jornalismo diário, como chefe de Redação da TV Cultura, onde começou em abril. Chegou, segundo suas próprias palavras, a convite do diretor de Jornalismo Celso Kinjô, ?para olhar de maneira especial as produções jornalísticas, principalmente do Jornal da Cultura, que cresce a cada dia?. Fernando teve passagens pelas tevês Globo e Manchete, foi diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa de São Paulo no inicio do governo Covas ? onde implantou a primeira tevê legislativa do País, que completou 15 anos em novembro passado ?, diretor de Promoção e Comunicação do Ministério da Cultura e por alguns anos desenvolveu projetos independentes em Salvador, entre outras atividades. De volta a São Paulo desde 2005, vinha atuando como consultor em comunicação e na criação de programas de tevê alternativos, por meio da própria produtora, a Companhia de Comunicação, e escrevendo livros. Diz que, no momento, trabalha num livro de poemas para crianças a pedido de sua editora, a Aquariana. Os contatos dele são [email protected] e 11-2182-3545 / 9310-0001.
Rodrigo Lopes e a cobertura de confrontos no Líbano
Rodrigo Lopes, editor de Mundo de Zero Hora, completou no último domingo (20/5) uma semana como correspondente no Líbano. Ele seguiu para lá na fragata União, da Marinha Brasileira, que lidera a frota internacional ? três navios alemães, dois de Bangladesh, um grego, um turco e um da Indonésia ? que patrulha a costa daquele país. Esta é a primeira vez que militares brasileiros participam da frota naval de uma força de paz. Já em terra, percorre o país fazendo reportagens que são publicadas em Zero Hora e em outros jornais do Grupo RBS. Rodrigo tem experiência em coberturas internacionais, pois acompanhou, entre outros eventos, a tragédia dos mineiros soterrados no Chile, o terremoto no Haiti, a eleição de Barack Obama (2008), a guerra Israel x Hezbollah (2006), a tragédia do furacão Katrina (2005) e a morte do papa João Paulo II (2005).
Rumo a mestrado nos EUA, Lucas Maia despede-se do Estadão
O repórter Lucas de Abreu Maia desligou-se na última 6ª.feira (18/5) do Estadão, onde trabalhava em Nacional desde janeiro de 2010. Deficiente visual, destacou-se como trainée da vigésima turma de focas do jornal. Habilitado no uso de softwares que convertem texto em fala e acompanhado pela cadela-guia Anny, Maia despediu-se da redação com uma mensagem em que conta sua mudança para os EUA, onde vai fazer mestrado sobre Opinião Pública na Universidade de Chicago, colocando-se à disposição para continuar colaborando com o jornal em reportagens nos estados e cidades da região central do país, para os quais poderá se deslocar com facilidade: ?De minha parte, as portas estão abertas e esperem sugestões de pauta.? Pode ser um trunfo do jornal na cidade central da campanha de Barack Obama à reeleição americana. O jornal também comunicou na última 5ª.feira (17/5) o desligamento da secretária de Redação Rosangela Spada, que estava no grupo havia 21 anos e atendia às editorias de Economia, Nacional e Internacional. Na 2ª.feira (21/5), saiu Evandro Fadel, que estava no Estadão havia 17 anos e era o correspondente nacional há mais tempo no jornal, a partir de Curitiba ? seus contatos são 41-9951-0191 e [email protected]. Entre os contratados está Viviane de Almeida Bittencourt (ex-R7 e Veja), que chegou em 14/5 como coordenadora de Reportagem do Estadão.com.br.
Prêmios: Jabuti e Massey Ferguson abrem inscrições
Jabuti: Estão abertas, até 30/6, as inscrições para a 54ª edição do Jabuti. Serão aceitas obras inéditas e editadas no Brasil entre 1º/1 e 31/12/2011. O vencedor de cada uma das 29 categorias receberá R$ 3,5 mil. Os eleitos Livro do Ano-Ficção e Livro do Ano-Não Ficção serão agraciados com R$ 35 mil cada. Este ano, os premiados serão escolhidos por um júri formado por profissionais do mercado editorial a serem indicados pelo recém-criado Conselho Curador do Prêmio. Mais informações, regulamento e inscrições pelo www.premiojabuti.org.br. Massey Ferguson: Também estão abertas as inscrições do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo, que distribuirá R$ 55 mil aos ganhadores nas categorias Revista, Jornal, Internet, Televisão, Fotos e Estudantes de Jornalismo. A novidade é a categoria destinada a jornalistas de Paraguai, Uruguai e Argentina, que concorrerão a uma viagem de cinco dias com acompanhante ao Rio de Janeiro. Inscrições até 5/7 no site da premiação. Dúvidas pelo [email protected].
Alexandre Freeland deixa O Dia e pode ir para negócios na internet
Nesta 2ª.feira (21/5), antes do almoço, a redação dos jornais da Ejesa no Rio foi surpreendida por um e-mail de despedida de Alexandre Freeland: ?Após mais de 17 anos, estou deixando O Dia. Ficarei com vocês só até o fim deste mês. Levarei sempre comigo a alegria pelo incomparável privilégio de ter estado à frente das talentosas, criativas e combativas equipes do Dia, do Meia e dos Marcas RJ e SP ? no papel e no online. Nesta redação, conheci profissionais brilhantes, com os quais tive enorme orgulho de trabalhar, e fiz grande amigos. Para a vida toda?. Prossegue agradecendo nominalmente a mais de 20 companheiros de trajetória e conclui: ?Agradeço também a oportunidade desses últimos anos à Ejesa, em especial na pessoa da Maria Alexandra. E desejo ainda mais sucesso, vitórias e conquistas ao grupo. Um abraço. Fiquem com Deus?. Pouco depois, Bruno Chateaubriand postou a notícia na Veja Rio online e o assunto caiu na boca do povo. Circularam no mercado especulações sobre o motivo da saída e quem o substituiria. Na redação, houve fila na porta da sala de Freeland para saber detalhes e prestar solidariedade. Só faltou distribuírem senhas. A resposta de Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos, presidente do Conselho, veio no final da tarde: ?(…) Alexandre Freeland decidiu que chegou a hora de mudar e partir em busca de novos desafios profissionais. Na condição de grande admiradora de seu trabalho, não posso deixar de lamentar a sua saída. Em O Dia, onde ocupou quase todas as posições possíveis em uma publicação, Freeland ajudou a escrever alguns dos principais capítulos da história do jornal ? e, também, alguns dos mais luminosos capítulos do jornalismo brasileiro. Freeland deixa suas funções executivas no próximo dia 31 de maio. Até lá, eu e o Conselho de Administração da Ejesa estaremos empenhados em identificar e nomear seu sucessor, a quem caberá dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido por ele no comando do jornal?. Sobre o processo que levou o executivo a sair, Jornalistas&Cia apurou que a possibilidade mais forte é de ele partir para o mundo eletrônico, para o que, sabe-se agora, já havia sido sondado anteriormente. Faz sentido: a experiência acumulada no grupo O Dia, em diversas administrações ? em primeiro lugar sob Ary de Carvalho; depois, numa empresa familiar, em várias fases, com as herdeiras deste; e, por último, com um sócio multinacional ? é enriquecedora, mas deve ser também repetitiva e desgastante. Por que então não se deslocar para o iG, a mais nova aquisição do grupo Ongoing, acionista da Ejesa? Seria natural neste momento, mas não foi confirmado. Na substituição, aliás, pode estar alguém do próprio iG, embora a produção de conteúdo do portal seja muito mais forte em São Paulo do que no Rio, e esses jornais tenham cunho notadamente carioca. No Rio, a redação do iG mudou-se para um dos quatro andares (o 7º) que o grupo tem no prédio da Cidade Nova, e, ao que parece, por enquanto, ninguém do portal é visto circulando nos jornais. Já em São Paulo, o iG ocupa um prédio de bom tamanho na rua Amauri, nos Jardins. Mesmo se o cargo de diretor-executivo no Rio for congelado, resta a necessidade de um diretor de Redação ou, pelo menos, de um editor-chefe. Caso a empresa opte por uma solução interna, a linha de sucessão aponta para a editora-executiva Ana Miguez ou o superintendente de Negócios Digitais Henrique Freitas. Freeland começou como estagiário em O Dia em 1995. Depois de contratado, foi repórter, chefe de Reportagem, editor de Cidade, Política, de Produção, editor-executivo, editor-chefe e diretor de Redação. A passagem por várias editorias abriu-lhe horizontes para entender cada uma. Quando o jornal fez uma parceria com a Band, apresentou um programa ao vivo nas entradas dos telejornais da emissora. Coordenou diversas coberturas de campanhas eleitorais. Participou do lançamento do diário esportivo Campeão ? hoje sob o título Marca, por acordo entre a Ejesa e o jornal espanhol do mesmo nome ? no Rio e em São Paulo. Respondeu pela integração das plataformas impressas e eletrônicas dos três jornais de origem carioca do grupo. Nos últimos cinco anos, foi diretor-executivo do grupo Ejesa e diretor de Redação dos três jornais. Ganhou dois prêmios Esso de Primeira Página, quatro Excelência da SND (Society for News Design) e Melhor Iniciativa Editorial da Associação Mundial com uma série sobre História do Brasil usada em escolas públicas. Recentemente, criou a capa de O Dia sobre a morte de Chico Anysio, com grande repercussão nas redes sociais (ver J&Cia 839). Formado pela Escola de Comunicação da UFRJ, iniciou a carreira no serviço brasileiro da rádio Deutsche Welle, na cidade de Colonia, na Alemanha, quando ainda era estudante. Seu contato é [email protected].
Edição baiana do Brasil Urgente gera protestos
Um grupo de 56 jornalistas assinou nesta 3ª.feira (22/5) um manifesto de repúdio à reportagem da edição baiana do Brasil Urgente, apresentado por Uziel Bueno na Band, em que a repórter Mirella Cunha se diverte às custas de um preso no interior de uma delegacia de Itapoã. Chamada de ?Carta aberta de jornalistas sobre abusos de programas policialescos na Bahia?, é assinada por profissionais baianos e de outros Estados, e endereçada a diversas autoridades, entre elas o governador Jaques Wagner. Exige, em certo trecho, ?uma ação do Ministério Público da Bahia, que fez diversos Termos de Ajustamento de Conduta para diminuir as arbitrariedades dos programas popularescos, mas, hoje, silencia sobre os constantes abusos cometidos contra presos e moradores das periferias da capital baiana?. A matéria foi ao ar há 15 dias e chegou a ser apresentada nacionalmente, segundo o manifesto, mas só ganhou repercussão na internet graças a manifestação recente de sites como o Blog do Rovai, O Provocador e CartaCapital. Em nota enviada ao Portal Imprensa, a Band afirmou que vai ?tomar todas as medidas disciplinares necessárias? porque o comportamento da repórter ?fere o código de ética do jornalismo da emissora?. A íntegra da carta dos jornalistas pode ser conferida aqui.
Congresso da Abraji destaca coberturas multiplataforma
O 7° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que acontece de 12 a 14/7 em São Paulo com o apoio de divulgação deste Portal dos Jornalistas, irá aprofundar o debate sobre a importância das coberturas multiplataforma, que estão se tornando cada vez mais comuns nos veículos de comunicação. O painel sobre o tema contará com as presenças do diretor de Redação de O Globo Ascanio Seleme, que apresentará o case de sucesso do aplicativo para tablets O Globo a Mais, lançado em fevereiro, e que triplicou o tempo médio de leitura do jornal fluminense; e do editor-executivo da Folha de S.Paulo Sérgio Dávila, que irá falar sobre a também recém-lançada TV Folha, programa exibido aos domingos pela TV Cultura de São Paulo. Dentre os palestrantes já confirmados para o evento estão, entre outros, André Trigueiro (GloboNews), Bruno Garcez (BBC Brasil), Claudio Weber Abramo (Transparência Brasil), Daniela Chiaretti (Valor Econômico), David Carr (New York Times/EUA), Leonêncio Nossa, David Friedlander e José Paulo Kupfer (O Estado de S.Paulo), Eliane Brum e Ricardo Mendonça (Época), Miriam Leitão, Erick Brêtas e Marcelo Moreira (TV Globo), Fernando Mitre (Band), Fernando Rodrigues e Lucas Ferraz (Folha de S.Paulo), Juca Kfouri (ESPN Brasil), Leonardo Sakamoto (Repórter Brasil), Marcelo Tas (CQC), Roberto Cabrini (SBT) e Walter de Mattos Jr. (Lance). Bruno Quintella, filho de Tim Lopes, cujo assassinato motivou a criação da entidade em 2002, e que hoje é produtor na TV Globo, também será um dos convidados apresentando em primeira mão trechos do documentário que está preparando sobre seu pai, e que faz parte do painel que irá homenagear os dez anos de seu falecimento. Informações e inscrições pelo http://abraji.org.br.
Álbum – Humor e amor na pauta de Homero Gottardello
Homero Gottardello, editor de Veículos do Hoje em Dia, de Minas Gerais, cobre setor automotivo há 15 anos. Começou a carreira como estagiário no jornal O Debate e depois foi repórter em O Tempo. Está no Hoje em Dia desde 2006, onde também responde pelas editorias de Informática e Gastronomia. Aos 40 anos de idade, ?mas com corpinho de 39?, conforme brinca, é natural de Ouro Preto (MG) e formado em Jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH). Em entrevista bem-humorada à editora do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva Heloisa Valente, ele fala sobre sua carreira, hobbies e percepção da imprensa automotiva brasileira. Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva ? Um carro inesquecível?Homero Gottardello ? Sou apaixonado por automóveis e não foram poucos os supercarros que tive a oportunidade de guiar. Entre os mais legais estão o E63 AMG, da Mercedes-Benz, um sedã de altíssima performance que literalmente arremessa seu corpo para trás a cada acelerada; o F 360 Modena, da Ferrari, porque o primeiro Ferrari a gente nunca esquece; e o New Beetle, da Volkswagen. J&Cia Auto ? Um momento automotivo que marcou sua vida?Homero ? Quando o New Beetle foi lançado no Brasil e a VW enviou um modelo para avaliação. Eu já tinha guiado muitos automóveis, dos populares aos mais luxuosos, mas foi com ele que aconteceu um fato inusitado. Uma semana antes de pegá-lo, eu tinha rodado em um E 500, um sedã grande da Mercedes-Benz, e, sempre que parava no trânsito, via as pessoas me fuzilarem com o olhar. Afinal, um carro de R$ 450 mil rodando em um país como o nosso ainda é motivo de revolta para algumas pessoas. Então, cinco dias depois, paro no sinal a bordo do New Beetle e um garotinho, que segurava a mão do pai, ficou me olhando. Ele puxava o braço do pai, mas ele não dava atenção à criança. Então, antes do farol abrir, o menininho estendeu a mão para tocar o carro, para ver se ele era mesmo de verdade. Passei a reparar que, onde eu parava com ele, as pessoas me olhavam sorrindo. É um carro de alto astral… J&Cia Auto ? Onde iniciou suas atividades nessa área?Homero ? No jornal O Debate, de Belo Horizonte. Não sei se ele existe ainda, mas tinha muita circulação na década de 1960. Quando estagiei lá, já estava decadente. J&Cia Auto ? O que mais o impressiona na imprensa automotiva?Homero ? A subserviência dos profissionais, que são porta-vozes das fabricantes. Não há interpretação, salvo pouquíssimos colegas de profissão. A maioria “trabalha para as fábricas”, como me disse um dia o Carlos Eduardo Ribeiro (ex-diretor da Abiauto). Fico impressionado com a aptidão da classe para a adulação… J&Cia Auto ? Um profissional da imprensa automotiva para homenagear o segmento?Homero ? Modéstia à parte, eu, que, até onde conheço os outros e a mim, sou dos poucos que “não mama na teta da indústria”. Exerço a atividade por amor, e, claro, pelo salário. Costumo dizer que trabalho para o Hoje em Dia e para o Grupo Record, ao qual pertence o jornal. J&Cia Auto ? Livro de cabeceira?Homero ? São vários, leio pelo menos um por semana. Sempre releio Meu Encontro com Marx e Freud, de Erich Fromm, mas nesta semana estou terminando uma biografia do Pink Floyd. Na próxima, retomo uma biografia gigantesca de Charlie Chaplin, que interrompi para ler A História do Mundo em Seis Copos, de Tom Standage. J&Cia Auto ? Time de coração?Homero ? Flamengo, o Mengão! J&Cia Auto ? O que mais gosta de fazer nos momentos de descanso?Homero ? Namorar, ouvir música, ver um filme legal, ir ao teatro, a um show, beber um bom vinho… Gosto de curtir a vida, afinal, acho que só temos esta aqui. J&Cia Auto ? Algum hobby especial?Homero ? Fotografia. J&Cia Auto ? Tipo de música que mais aprecia?Homero ? Basicamente, todos. De Bach a Rage Against the Machine, de Pixinguinha a Van Der Graaf Generator, de Miles Davis a Caetano Veloso. Só não gosto de funk e “breganeja”… J&Cia Auto ? Na televisão, qual programa predileto?Homero ? Só vejo os telejornais. Sinceramente, um filme pornô tem mais conteúdo que os programas da tevê aberta, principalmente se for estrelado pela Alexis Texas… J&Cia Auto ? Quais os jornais e revistas de que mais gosta? E sites especializados?Homero ? Compro a Quatro Rodas e a Autoesporte por obrigação, mas tenho gostado cada vez menos. O melhor site do setor é o Best Cars, do Fabrício Samahá, um dos pouquíssimos profissionais do meio que respeito de verdade. J&Cia Auto ? Um sonho por realizar?Homero ? Viver cada dia melhor, com a patroa (Nicole, com quem caso no final do ano), e continuar trabalhando até o último dia de vida. Já me considero um milionário, um cara muito feliz mesmo. Obviamente que, se pudesse ter um harém, as coisas seriam mais dinâmicas, mas minha mulher já me dá trabalho e amolação suficientes. Gostaria de dedicar mais tempo à caridade, apesar de já fazer minhas doações. Caixão não tem gaveta e espero, mesmo, continuar depurando minha alma – isso, é claro, sem perder o humor…






