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Memórias da Redação ? Tudo começou na Gazeta há 58 anos

Reproduzimos esta semana, com a aprovação do autor, artigo que Roberto Muggiati publicou na edição de 15/3 da Gazeta do Povo, de Curitiba, no qual rememora os tempos heroicos em que atuou no jornal e faz um balanço do que mudou na profissão ? para melhor e para pior. Nascido na capital paranaense e jornalista desde 1954, Roberto trabalhou também, entre outros, na BBC em Londres, nos anos 1960, Manchete, Fatos&Fotos e Veja. Publicou diversos livros, entre eles Mao e a China, Rock: o grito e o mito, A contorcionista mongol, Improvisando soluções e A selva do amor. Crítico musical, assina uma coluna sobre jazz no Estadão. Ocupa a cadeira 33 da Academia Paranaense de Letras. Saxofonista bissexto, diz ter aprendido com o jazz ?que não existe beleza maior do que o som da surpresa e que a vida não passa de um grande improviso?. Tudo começou na Gazeta há 58 anos Na noite de 15 de março de 1954, uma segunda-feira, subi as escadas do casarão da Praça Carlos Gomes para meu primeiro dia de trabalho na Gazeta do Povo. Não tinha, como o imperador Júlio César, um vidente a me alertar ?Cuidado com os idos de março!? Só depois vim a saber que ?os idos de março? eram precisamente o dia 15. César não deu ouvidos ao adivinho e morreu apunhalado naquele dia exato, em 44 a.C. ? 1.998 anos antes de eu atravessar o umbral daquele sobrado que me abriria as portas da profissão e da vida. Não sofreria punhaladas fatais, como as de César: mais sutis e traiçoeiras, elas exerceriam um efeito moral e emocional que, absorvido ao longo destes 58 anos, me ensinou a conviver melhor com a besta humana. Toda manhã, como o leite e o pão, nosso jornal era entregue nas casas dos cidadãos e nas bancas. Em termos de tecnologia, estávamos mais próximos da prensa de Gutemberg, de 500 anos antes, do que da mídia globalizada de McLuhan, apenas dez anos à nossa frente. Ainda não tínhamos teletipo e as notícias caíam literalmente do céu: um velho senhor entalado num cubículo, a cabeça curvada por enormes fones de ouvido, recebia os últimos despachos em código Morse e os decodificava, teclando numa velha Remington. Por coincidência, o telegrafista Vergès era um kardecista convicto e tudo aquilo me parecia uma operação espírita. O tipo de texto que me chegava às mãos: ?DEPUTADO DIX-HUIT ROSADO AVIONOU DF APRESENTAR PROJETO PELÁCIO TIRADENTES?. Eu tinha de colocar a notícia num português legível e era mais rápido colar o despacho do Vergès numa lauda (na verdade, uma apara de bobina, áspera como lixa e porosa como mata-borrão) e corrigir à caneta-tinteiro. Tesoura, pincel e goma arábica ainda eram ferramentas preciosas do nosso ofício. Quem tinha de decifrar todas essas charadas era um pobre revisor: com a clássica pala verde na testa, ocupava um mezanino, espécie de purgatório entre a redação (no primeiro andar) e a oficina (no térreo). Num pequeno galpão no térreo, as fotos eram transformadas em clichês por um ex-soldado russo, Konstantin Tchernovaloff, que lutara contra os comunistas no exército branco e parecia um cossaco diabólico em meio aos clarões do seu arco voltaico. Os clichês seguiam para a oficina, que envolvia com seus vapores de chumbo a bateria de linotipistas disposta perto das páginas ? parafusadas em molduras de ferro, como nos pasquins do Velho Oeste ? e da prensa plana obsoleta que imprimia nossas verdades absolutas de todo dia. Que tipo de notícias oferecia o mundo em 1954? A Guerra Fria, a Bomba H, a caça às bruxas e a segregação racial nos EUA, a derrota militar da França na Indochina, as lutas de independência anticoloniais na África ? se levássemos a sério as manchetes viveríamos à beira do Apocalipse. No Brasil, 1954 foi um ano trágico. A crise política, depois do atentado da Rua Tonelero contra Carlos Lacerda, culminou com o suicídio do presidente Vargas, em 24 de agosto, no Palácio do Catete. Naquele dia, fui recebido no Colégio Estadual do Paraná pelos gritos dos colegas: ?O Getúlio morreu!?. Um instinto animal me fez correr para a redação da Gazeta, onde colheria os louros da minha primeira edição extra. Em contrapartida, descobri que o jornalista é escravo da notícia, um ser atrelado à vida e à morte dos outros. (Anos depois, editor da Manchete, quando morreu JK, passei 27 horas seguidas na redação, com raros intervalos para ir ao banheiro ? os sanduíches eram mordiscados entre a definição das pautas e o fechamento dos leiautes.) Fauna humana Daqueles primeiros anos, guardo uma ternura especial pela fauna humana da Gazeta. Dicesar Plaisant era nosso gramático-mor (?Nunca escreva: ?João, morreu?. Com a vírgula separando o sujeito e predicado, ele nunca vai morrer!?); o médico Aloysio Blasi assinava a coluna social; o repórter policial Luzimar Dionísio, o ?Meio Quilo? ? elementar, meu caro ? trabalhava na Polícia. Um protético de nobre família, o Mário de Mello Leitão, escrevia crônicas. Um dia, recebeu um telefonema de Fernando Sabino do aeroporto e incorporou-se à caravana eleitoral do general Juarez Távora, que disputava a Presidência com JK. Com a roupa do corpo, sem levar sequer uma escova de dentes ou uma lâmina gilete, Mário embarcou num DC-3 numa trip cívico-etilica de três meses por lugares do Brasil que ele jamais se lembraria de ter passado. A força da redação era um grupo de jovens estudantes de advocacia: o Newton (Stadler de Souza), o Daquino Borges, o Nacim Bacila Neto, o Orlando Soares Carbonar, que brilharia depois na carreira diplomática. Na ala caçula, eu me enturmava com o Carlos Augusto Cavalcanti de Albuquerque e colegas de outros jornais, o Aderbal Fortes de Sá Júnior e o Sylvio Back, que se tornaria o cineasta mais polêmico do Brasil. Munidos de armas mágicas como o lide e o sub-lide, iniciados nos segredos da pirâmide invertida, íamos revolucionar a imprensa. A Gazeta foi para mim um trampolim para outros voos. Em 1960, bolsista do governo francês, estudei jornalismo em Paris por dois anos. A seguir, trabalhei três anos em Londres, no Serviço Brasileiro da BBC. Em 1965, de volta ao Brasil, entrei na Bloch, onde seria o editor que mais durou à frente da Manchete. De 1968 a 1969, fui o editor de artes e espetáculos da Veja em São Paulo, na sua conturbada estreia no mercado editorial. Numa profissão de alta rotatividade, tive relativamente poucos patrões: a Gazeta, a BBC, a Abril e a Bloch, onde passei 33 anos, até a morte anunciada da empresa, em 2000. De lá para cá, conheci o melhor patrão de todos ? eu mesmo, em regime de frila (a palavra free lancer remonta aos lanceiros mercenários da Idade Média e foi cunhada no livro juvenil Ivanhoé). Avanços Todo um mundo mudou nas comunicações nestes 58 anos. Não cabe inventariar aqui os avanços na área da palavra e da imagem. Tecnologia à parte, porém, pouca coisa mudou. A mídia se compartimentou, o nível de especialização dos profissionais e das publicações é espantoso, mas os fundamentos persistem. Quando me perguntam o que é preciso para ser um bom jornalista, eu respondo: curiosidade. Se você não for curioso, estupidamente curioso, vá procurar outro emprego. Curiosidade e, também, um certo desapego à vida organizada, programada. ?Era preciso, mesmo no meio da noite, cortar seus laços, fechar suas gavetas, esvaziar seu quarto de si mesmo, de suas fotos, de seus livros e deixar tudo para trás, menos visível do que um fantasma. Era preciso, às vezes, em plena noite, se desvencilhar dos braços de uma jovem…?. Assim Saint-Exupéry descreve o piloto do correio aéreo em 1927, nos tempos heroicos da aviação. A descrição vale também para o repórter, para o jornalista que, dividido entre o altruísmo e o individualismo, circulando num mundo em que o caos é a norma, exerce a função social suprema de ser ? 24 horas por dia ? o Historiador do Instante. N. da R.: fotos antigas e uma entrevista em que Roberto fala desses tempos podem ser conferidas aqui.  

Eliane Brum será entrevistada em Sempre um Papo

Jornalismo e Ficção é tema do bate-papo com Eliane Brum na próxima 3ª.feira (26/6), no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Ela será entrevistada por Afonso Borges e falará sobre as principais questões que envolvem seu trabalho, ressaltando a diferença entre a escrita jornalística e a de ficção. Também haverá uma sessão de autógrafos de Dignidade! (Leya), livro do qual Eliane é coautora e que celebra os 40 anos dos Médicos Sem Fronteiras. Ela e outros oito escritores de renome internacional ? entre eles Mario Vargas Llosa ? contam histórias de pessoas em situação extrema, como a de uma mulher espancada por ser portadora do vírus HIV na Cidade do Cabo e a de vítimas de conflitos armados na Índia. Eliane acompanhou um grupo de médicos da ONG em Narciso Campero, Bolívia. Eles trabalhavam no combate à Doença de Chagas na região, uma das mais infestadas do mundo. O debate com a jornalista faz parte do projeto Sempre um papo ? Literatura em todos os sentidos, desenvolvido há 26 anos para divulgar livros e seus autores. Há nove anos é transmitido pela TV Câmara e há seis tem o Sesc, em São Paulo, como o parceiro. Gaúcha de Ijuí, Eliane é uma das jornalistas mais premiadas do País. Em 2007 venceu o Jabuti com o livro-reportagem A vida que ninguém vê. Atualmente é colunista de Época.   SERVIÇO Sempre um Papo com Eliane Brum Data: 26/6 (3ª.feira) Horário: 20 horas Local: Sesc Vila Mariana  (rua Pelotas, 141 ? Vila Mariana ? São Paulo) Informações: 11-5080-3000 e www.sempreumpapo.com.br Entrada franca  

Beatlemania é tema de novo livro de Clara Arreguy

A paixão pela música, principalmente pelos Beatles, é o tema de Rádio Beatles (Outubro Edições), quinto livro de Clara Arreguy. Ela narra a história de um engenheiro que, ao completar 50 anos, questiona a vida que levou até ali. Beatlemaníaco, casado há 30 anos e pai de três filhos músicos, pensa se seria mais feliz se tivesse abraçado a arte e tomado outro rumo. Vivendo em Muriaé, na Zona da Mata mineira, prepara sua festa de aniversário quando um acontecimento envolvendo o filho caçula põe em xeque sua estabilidade. Clara, que foi por 16 anos do Estado de Minas, em Belo Horizonte, e editora de Cultura do Correio Braziliense, entre outros, é desde 2009 editora na Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Além de Rádio Beatles, que tem orelha assinada pela cantora Fernanda Takai, é autora de Fafich (Conceito, 2005), Segunda Divisão (Lamparina, 2005), Tempo Seco (Geração, 2009) e Catraca Inoperante (Outubro, 2011). Serviço:   Lançamento de Rádio Beatles (Outubro Edições), de Clara Arreguy. Brasília:Data: 27/6 (4ª.feira)Horário: 19 horasLocal: La Parrilla (Brasília Shopping ? W3 Norte) Belo Horizonte: Data: 30/6 (sábado) Horário: 11h Local: Café com Letras (r. Antônio de Albuquerque, 781 ? Savassi).   A autora aceita pedidos pelo [email protected], ao preço de R$ 30, e envia pelo correio sem taxas adicionais para todo o território nacional. Os outros livros dela podem ser conferidos em www.clara-arreguy.com.

youPix Festival abre credenciamento para sua 11ª edição

Começou o credenciamento para a 11ª edição do youPIX Festival, encontro entre produtores de conteúdo, personalidades e fãs da internet. O evento é gratuito e espera um público de dez mil pessoas no prédio da Bienal, onde 180 convidados deverão fazer palestras, apresentações e concursos. Uma das presenças internacionais esperada é a de Ray Chan, fundador do 9GAG, plataforma que concentra os memes mais populares da web, com cerca de 70 milhões de usuários/mês. Do Brasil, participam nomes como Julia Petit, Dani Calabresa, Xico Sá, Preta Gil, Soninha Francine e Rafinha Bastos. De 3 a 5/7, das 13h à meia noite, no Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº). Credenciamento pelo formulário em http://goo.gl/tcLJC. O atendimento é da Agência Ideal (11-3035-2161), por Juliana Protásio, Beatriz Oliveira e Luciana Santos (e-mails formados por [email protected]).

Médicos Sem Fronteiras lança livro Dignidade!

Foi lançado em São Paulo nesta no último dia 18/6 (2ª.feira) o livro Dignidade! (Leya), durante evento que contou com bate-papo entre Eliane Brum, uma das autoras, e Mauro Nunes, presidente do Conselho Brasileiro da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Para comemorar seus 40 anos, a instituição convidou nove escritores de diferentes países para conhecer projetos da MSF mundo afora. Eliane representou o Brasil e foi até a Bolívia, onde testemunhou a tragédia causada pela doença de Chagas. ?Poucas vezes na vida fiquei tão transtornada por uma reportagem?, relatou. Ela está ao lado de nomes como Mario Vargas Llosa e James A. Levine, que foram para a República Democrática do Congo; Alicia Gimenez Bartlett, que visitou a Grécia; e Paolo Giordano, que esteve em Bangladesh. Os escritores não cobraram pelo trabalho e 5% das vendas serão revertidos para a MSF. Dráuzio Varella é autor do prefácio da edição brasileira. Mais informações em www.msf.org.br/dignidade. 

De papo pro ar – O maestro e a crítica

Eleazar de Carvalho foi um dos maiores e mais aplaudidos maestros brasileiros, com passagem por grandes orquestras estrangeiras, como a de Boston e filarmônicas de Berlim, Viena e Israel, entre outras. Também foi criador do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Ele me contou que certo dia, ao abrir um jornal, deparou-se com péssima crítica a seu respeito. Recortou a crítica e a guardou no bolso. O tempo passou e ele acabou por convidar o autor da crítica para um cafezinho no seu escritório. Sem nada desconfiar, o crítico aceitou o convite e foi ter com o maestro, que o recebeu com um sorriso camarada. Mas a camaradagem logo sumiu e no seu lugar surgiu uma cara feia, irada, com seu dono ordenando aos gritos que se sentasse e engolisse o que escrevera. Na bucha! N. da R.: A edição nº 3 de Jornalistas&Cia Memória da Cultura Popular, prevista para circular em 2/7, vai reproduzir a entrevista que Eleazar de Carvalho deu a Assis Ângelo para o D.O. Leitura, publicada em 4/7/1985. O centenário de nascimento do maestro, falecido em 1996, transcorrerá em 28 de julho.

Adriana Krauss é a nova editora-chefe do Bom Dia SC

A repórter Adriana Krauss, que apresentava o Jornal do Almoço na RBS SC, passou a ancorar nesta 2ª.feira (18/6) o Bom Dia Santa Catarina, ao lado de Raphael Faraco, tendo também assumido a coordenação da equipe, como editora-chefe, em substituição a Luciane Abdo. Com ela chegam também as colunas de profissionais do Diário Catarinense, como Moacir Pereira e Roberto Azevedo, sobre o cenário político do Estado. Adriana começou como repórter e produtora de um canal de tevê por assinatura em Blumenau, passou a editar e apresentar na emissora e entrou para a RBS TV local em 2002. Foi repórter, apresentadora, editora e participou de vários programas da Rede Globo, e passou para a RBS TV de Florianópolis em 2004.

RadioTube (RJ) oferece oficina gratuita de áudio e vídeo

A rede RadioTube oferece nos dias 25 e 26/6 (2ª e 3ª.feiras) oficina gratuita de rádio, vídeo e internet com foco em temas de cidadania. A entidade reúne comunicadores populares e ativistas dos direitos da criança e do adolescente na Região Sudeste. Criada em 2008, tem como foco o compartilhamento de conteúdo que contribui para a melhoria da qualidade de vida da população e, para tanto, pretende aprimorar a produção do conteúdo produzido espontaneamente. No encontro, radialistas, jornalistas, líderes locais e ativistas poderão compartilhar suas experiências e experimentar técnicas de produção de rádio, vídeo e discutir o momento atual de elaboração dos conteúdos colaborativos. No dia 25, em parceria com a Associação Mundial de Rádios Comunitárias, lança o radiotube.cc, versão em espanhol para a América Latina, com evento na Lapa. Das 9h às 18h, na sede da RadioTube (rua Teotônio Regadas, 26). Informações com Hélio Araújo (21-9946-2821).

Fechada pela Anatel, Rádio Cúpula opera pela internet

A Anatel chamou a polícia no domingo, 17/6, para fechar a Rádio Cúpula, mídia alternativa que funcionava na frequência 90,7, provisoriamente instalada no Aterro do Flamengo, onde ocorre a Cúpula dos Povos. O motivo alegado foi a interferência nas torres de comando do Aeroporto Santos Dumont. Houve confusão quando tentaram retirar a antena da emissora e um grupo de partidários da rádio bloqueou a entrada da PM e dos representantes da agência reguladora, em frente ao Museu de Arte Moderna. O Ministério das Comunicações e a EBC entraram na briga e concederam uma licença provisória para a rádio operar sua frequência em outro dial, ainda não divulgado. Depois de tanta negociação, continua funcionando na internet, no www.cupuladospovos.org.br. A emissora agrega 50 organizações, entre rádios comunitárias e ONGs.

Zero Hora acompanha menino de rua por três anos

Provocou grande impacto a reportagem especial de 16 páginas que Zero Hora publicou domingo passado (17/6). Em caderno intitulado Filho da Rua, os textos da repórter Letícia Duarte, fotos de Jefferson Botega e edição de Rodrigo Muzell relataram três anos de acompanhamento de um menino de rua, as dificuldades de devolvê-lo à família, o início do consumo de crack, os internamentos e as fugas das instituições de recuperação para as ruas, onde até foi vítima de uma tentativa de o queimarem vivo. Com autorização da 1ª Vara da Infância e da Juventude da Capital, desde 2009 Letícia acompanhou a jornada do jovem que, apesar do trabalho da rede de assistência social e da atenção da mãe, não resistiu ao apelo das ruas e das drogas. Reconstituída com dezenas de entrevistas, vídeos, fotos e mais de 300 documentos, a história mostra como as estruturas de proteção à criança são insuficientes para garantir que adolescentes em situação de risco tenham acesso a educação e cidadania. ?Foi um trabalho muito difícil e intenso. Que fenômeno é esse que o trabalho das redes sociais não consegue controlar? É muito mais complexo do que se pode imaginar. Uma apuração como essa desconstrói esses conceitos pré-estabelecidos. A sensação que tenho hoje é que estamos diante de um fracasso generalizado?, sintetizou a repórter. Com 31 anos, Letícia ganhou em 2002 o Esso de Jornalismo Regional Sul pela série Adolescência prostituída, publicada no mesmo ano no jornal Pioneiro, de Caxias do Sul. Trabalha em ZH desde 2003, onde conquistou outras distinções, como o Prêmio Iberoamericano pelos Direitos da Infância e da Adolescência na categoria HIV/Aids, concedido pela Unicef (2005), pela reportagem Herdeiros da Aids; e o Imprensa Embratel Regional Sul, pela série Os Rios Grandes do Sul (2007). Nesta 2ª.feira (18/6), o tema foi debatido no Painel RBS, programa especial transmitido por Rádio Gaúcha e TVCOM RS, com mediação de André Machado, em que participaram psicólogos, sociólogos, representantes do governo, Judiciário e Ministério Público. ?Espero que, a partir da publicação da história, a sociedade e os governos possam refletir sobre caminhos para resgatar outros tantos como ele?, concluiu Letícia.

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