O processo de reestruturação editorial do Grupo Lance, iniciado em março com a mudança nos núcleos editoriais das redações de São Paulo e Rio de Janeiro, ganhou mais uma etapa na última semana. Com o novo direcionamento, os quatro maiores times de São Paulo e os quatro do Rio de Janeiro ganham ainda mais espaço em cobertura, aprofundamento de informação e conteúdo opinativo. ?A ideia é que a partir de agora produzamos diariamente oito ?mini Lances?, num processo que batizamos de timização?, explica Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do grupo. Apesar de ser um jornal que já privilegia informações dessas equipes, esse reforço, segundo ele, vêm ao encontro de uma necessidade e de uma tendência presentes no mercado internacional: ?Em março, estive em um congresso de jornalismo esportivo promovido pela Associação Mundial de Jornais, em Madri, e uma coisa que me impressionou foi a quantidade de fontes terceiras que estão surgindo como players de informação. Para se ter uma ideia, o Real Madrid hoje conta com uma equipe de cerca de 150 jornalistas produzindo para os veículos do clube, como tevê, rádio, revista, jornal etc. Outro exemplo é o Cristiano Ronaldo, que tem 50 profissionais à disposição. Essa é uma tendência crescente que tem dificultado o trabalho dos jornais. Mesmo veículos grandes, como o Marca e o As, têm encontrado dificuldade em conseguir fazer conteúdo exclusivo por causa desses novos canais de informação?, afirma Luiz Fernando. Se antes de iniciado esse processo o jornal contava com dois núcleos em cada cidade, onde cada um cuidava da cobertura de dois times, desde março esses núcleos passaram para quatro por cidade e cada editor passou a responder por uma única equipe, atuando inclusive na visita aos clubes. São eles Maurício Oliveira (Corinthians), Thiago Salata (Palmeiras), Rafael Bullara (São Paulo), Alessandre Abate (Santos), Thiago Bokel (Flamengo), Sergio Areias (Fluminense), Bruno Marinho (Vasco) e Tiago Pereira (Botafogo), que contam ainda em suas equipes de reportagem com mais quatro ou cinco repórteres, de acordo com o clube. Dessa maneira, além do reforço no material impresso, cada clube ganha uma espécie de site próprio dentro das páginas do Lancenet, que irá privilegiar informações como tabelas, notícias e história de acordo com cada clube. Outra mudança prevista é que, além dos colunistas gerais, cada time passa a contar com um colunista fixo atuando não apenas de maneira opinativa, mas também com informação e apuração. Esse papel será exercido pelos editores de núcleo, à exceção de Santos e Flamengo, que terão suas colunas escritas pelos já colunistas de geral Valdomiro Neto e Roberto Assaf, respectivamente. Ainda sem data definida, outras praças como Minas Gerais e Rio Grande do Sul devem receber o mesmo tratamento. Jornal comemora 15 anos ? Esta 3ª.feira (28/8) marcou o início das festividades dos 15 anos do Grupo Lance, que transcorrerá em 26 de outubro. Em uma pequena celebração realizada na redação do Rio de Janeiro, com transmissão ao vivo para a de São Paulo, foram entregues placas comemorativas a oito funcionários que integram a empresa desde a sua fundação, quatro deles de redação: o editor de Projetos Especiais Guilherme Gomes, o editor do Lancenet Claudinei Queiroz, o chargista Mário Alberto, além do presidente e fundador do grupo Walter de Mattos Jr.. A programação para esse período ainda não está totalmente definida, mas deve incluir uma edição especial com 1,5 milhão de exemplares encartada na edição impressa e distribuída gratuitamente em outras praças onde o jornal não circula.
Nicolino Spina passa a presidir a Editora O Dia
Nicolino Spina assumiu esta semana o cargo de presidente-executivo da Editora O Dia, que publica os jornais O Dia, Meia Hora e Marca Brasil. José Mascarenhas, presidente da Ejesa desde a fundação da empresa, em 2009, permanece com funções executivas sobre o Brasil Econômico, outro título do grupo. Spina deixou em abril o Valor Econômico, sociedade entre os grupos Folha e Globo, que presidiu por nove anos, e cumpre uma quarentena em relação à concorrência, o que deve mantê-lo afastado do jornal de economia da Ejesa até o ano que vem. Em seu currículo estão seis anos como diretor das revistas masculinas da Editora Abril e atuações em empresas como Colgate-Palmolive, Pepsi e o fundo de investimento em participações TMG/MVA. Sob seu comando o Valor registrou um aumento de 258% na circulação paga e de 400% no faturamento. Chega à Ejesa com a missão de repetir esse desempenho, ?acelerar o crescimento de seus títulos e intensificar a produção de conteúdo em todas as plataformas?, segundo comunicado distribuído pela empresa.
Mais uma semana para concorrer ao Prêmio J&Cia/HSBC
Falta apenas uma semana para o encerramento das inscrições do Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade. O prazo final é 5 de setembro e tanto a inscrição quanto o envio dos trabalhos devem ser feitos no site www.premiojornalistasecia.com.br.
No caso de problemas como envio dos materiais, tamanho dos arquivos e outros, a equipe técnica de apoio pode auxiliar no momento da inscrição, pelo telefone 11-3341-2799. O Prêmio recebe trabalhos de jornal, revista, rádio, televisão, internet, fotografia e criação gráfica. Exclusivamente neste ano, há ainda a categoria Rio+20, para trabalhos que tenham como pano de fundo a cobertura do evento.
O prazo de publicação ou veiculação é entre 1º/9/2011 e 31/8/2012 e os trabalhos devem abordar temas de Sustentabilidade em seus eixos ambiental, social e/ou econômico, o que envolve meio ambiente, economia e sociedade, quando se relacionam com a busca por uma vida e um planeta melhores. Participação da maioria dos estados.
O concurso, que distribuirá aos profissionais de imprensa R$ 102 mil líquidos, tem a categoria Mídia Nacional, que premiará os segmentos Jornal, Revista, Rádio, Televisão, Internet (cada um com R$ 10 mil) e Imagem, esta dividida em Fotografia e Criação Gráfica (cada um com R$ 6 mil). Mídia Regional premiará quatro segmentos que contemplam todos os estados (cada um com R$ 5 mil).
Há premiações também para a categoria Rio+20 (com R$ 10 mil) e o Grande Prêmio (também com R$ 10 mil), anunciado apenas na entrega da premiação, concedido a um dos ganhadores de Mídia Nacional, que acumulará os dois prêmios em dinheiro. Confira no site o regulamento e como participar e se precisar de outros esclarecimentos envie e-mail para a coordenadora do Prêmio Lena Miessva ([email protected]) ou entre em contato com ela pelo 11-2679-6994.
Alexandre Teixeira lança Felicidade S.A.
Alexandre Teixeira lança no próximo dia 18/9 , em São Paulo, o livro Felicidade S.A. (Arquipélago), que, como o próprio título indica, trata da felicidade no trabalho. No evento, haverá um debate ? moderado pelo autor ? com alguns dos executivos e empresários entrevistados sobre temas do livro, seguido de sessão de autógrafos. O jornalista vem se dedicando à pesquisa desde junho de 2011, quando deixou o posto de redator-chefe de Época Negócios. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, ele fala sobre como se interessou pelo tema, a importância do assunto dentro do conceito de sustentabilidade e como sua pesquisa se desenvolveu. Portal dos Jornalistas ? Por que resolveu pesquisar sobre felicidade no trabalho? Alexandre Teixeira ? Passei quatro anos em Época Negócios escrevendo principalmente sobre gestão de empresas. Dos temas desse mundo da administração, os que mais me interessam são aqueles ligados a pessoas. E ao mundo do trabalho. Liderança, remuneração, cultura organizacional etc. No fim do meu período em Época Negócios, quando estava ficando claro para mim que era hora de deixar a revista, fiz um curso para gestores numa escola de negócios chamada Amana-Key. Passei uma semana assistindo a palestras, participando de discussões e estudando temas que, no fundo, eram os mesmos sobre os quais eu escrevia ? só que vistos do ponto de vista de quem está com a mão na massa. Foi ali que tive o insight de que, no fundo, o que faz a diferença entre trabalhar feliz ou infeliz é enxergar um propósito para o que estamos fazendo. Também se discutiu no curso essa necessidade de encontrar um sentido para o que estamos fazendo no trabalho. De um jeito profundo, que tem a ver com a possibilidade de usar nossas competências profissionais para fazer a diferença ? se possível, para o bem! ? na vida das pessoas. Enfim, a experiência que eu já havia adquirido escrevendo sobre gestão de pessoas somada aos insights que tive naquela semana me despertaram o interesse pelo tema da felicidade no trabalho. Decidi que um jeito de tentar fazer diferença seria realizar uma pesquisa profunda sobre esse tema, escrever um livro e propor um debate sobre propósito. Sobre o que nos faz felizes ou infelizes no trabalho. Portal dos Jornalistas ? O brasileiro, em geral, é feliz no trabalho? Alexandre ? A julgar pelos resultados dos raros estudos feitos no Brasil, eu diria que é quase meio a meio. Uma pesquisa da consultoria de recursos humanos Right Management com 5.685 trabalhadores brasileiros obteve 48% de respostas negativas à pergunta ?Você é feliz no seu trabalho atual ou na sua última ocupação??. Um levantamento internacional de 2011 posicionou os executivos brasileiros entre os mais insatisfeitos do mundo com o equilíbrio entre a vida familiar e a dedicação profissional. Na média global, 27% dos homens e 29% das mulheres se dizem totalmente satisfeitos com o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. No Brasil, esses números caem para 12% e 13%. Portal dos Jornalistas ? Qual é a importância de se discutir o assunto? Alexandre ? Vou tomar a liberdade de responder com uma citação. É de um escritor especialista em finanças, John Bogle, autor do livro The Clash of the Cultures ? Investment vs. Speculation. Ele escreveu o seguinte: ?Forças de mercado sem freio e a importância esmagadora de ganhar dinheiro nos conduziram à atual ?sociedade de resultados?, perseguindo os resultados errados: forma antes da substância, prestígio antes da virtude, dinheiro antes da realização, carisma antes do caráter, o efêmero antes do duradouro?. Eu realmente acredito que a preocupação com a felicidade ? e com a infelicidade ? no trabalho é o aspecto mais negligenciado do debate sobre sustentabilidade nas empresas. Achar que um mundo melhor se faz só cuidando do meio ambiente (o que não é pouca coisa) é ignorar uma questão que está ao nosso lado o tempo todo. Portal dos Jornalistas ? Como foi feita essa pesquisa? Qual a metodologia adotada? Alexandre ? A pesquisa foi jornalística. Li muito a respeito de felicidade ? um pouco de filosofia, muitos estudos de psicologia positiva e neurociência, entre outras coisas ? e muito sobre o mundo do trabalho contemporâneo ? bastante literatura sobre motivação e tipos de liderança, por exemplo. Pesquisei em livros, artigos científicos, reportagens etc. A maioria dessa literatura é americana. Eu diria que esse tipo de pesquisa representa metade do livro. A outra metade é fruto de entrevistas. Principalmente com executivos ? presidentes de empresa, diretores de recursos humanos, especialistas em desenvolvimento organizacional ?, mas também empreendedores, consultores e alguns outsiders, que não estão dentro do mundo dos negócios, mas fazem fronteira com ele. Passei dez meses fazendo pesquisas e entrevistas. E dois meses dedicado a amarrar o material que levantei no texto final do livro. Portal dos Jornalistas ? Quais serão as próximas etapas de sua carreira após o lançamento do livro? Seguirá afastado dos redações? Alexandre ? Após o lançamento do livro, vou levar a marca Felicidade S.A. para várias mídias. Ou seja, produzir conteúdo jornalístico sobre os temas que estão no livro, com o olhar que procurei oferecer a eles, em diversas plataformas: rádio, revista (online e offline), eventos etc. Seguirei afastado das redações no sentido de não estar restrito a uma delas. Mas bem próximo daquelas que se tornarem parceiras nesse projeto. SERVIÇO Lançamento do livro Felicidade S.A., de Alexandre Teixeira Data: 18/9 Horário: 18h30 Local: Livraria da Vila do Shopping JK (av. Juscelino Kubitschek, 2041) ? São Paulo/SP
Diário Catarinense transforma caderno Donna em revista
A exemplo do que já havia feito em maio com Zero Hora, o Grupo RBS promoveu no último domingo (26/8) mudança no caderno Donna, desta vez no Diário Catarinense, que também passa a assumir o formato de revista. Reforçando a moda como assunto principal, a nova publicação irá priorizar o tema em ensaios fotográficos e colunas específicas.
O time de cronistas, aliás, reúne textos de nomes que já atuam em sua coirmã gaúcha, como Luis Fernando Veríssimo e Martha Medeiros, que se juntam a Juliana Wosgraus e Viviane Bevilacqua. Mesmo com a mudança do formato, a publicação continua sob o comando da editora de Cadernos Romí de Liz, que explica: “A nova revista Donna é tudo mais: mais páginas, mais colunistas, mais moda. O caderno está se adequando ao perfil dos leitores e ao que eles têm sinalizado e solicitado”.
Lançada em 2003, esta é a segunda grande mudança pela qual Donna passa desde sua criação, sendo que na primeira, em 2009, as alterações mais acentuadas envolveram o projeto gráfico.
SIP abre inscrições para 68ª Assembleia Geral em São Paulo
Estão abertas inscrições para a 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa, que este ano acontece de 12 a 16/10, em São Paulo. A última vez que o evento havia sido realizado no Brasil foi em 2001, em Fortaleza, sendo que São Paulo tinha recebido uma edição do encontro em 1991. Com participação de jornalistas, empresários e estudantes de comunicação de 34 países, o encontro contará com debates e painéis sobre o presente e o futuro do jornalismo no continente americano, liberdade de expressão, ética, ameaças à imprensa, violência contra jornalistas, censura judicial, entre outros. O evento, que será aberto pela presidente Dilma Rousseff, já tem confirmadas as presenças do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do CEO do The New York Times Arthur Sulzberger Jr., do presidente do diário espanhol El País Juan Luis Cebrián, e do presidente do Conselho de Administração e diretor editorial do Grupo Abril Roberto Civita. Alguns dos principais executivos do jornalismo brasileiro também estarão presentes, casos de Ascânio Seleme, Caio Túlio Costa, Fernando Rodrigues, Eurípedes Alcântara, Marcelo Rech, Ricardo Gandour, Sérgio Dávila e Vera Brandimarte. Os valores e a ficha de inscrição, que vai até o dia de abertura do evento, estão disponíveis no www.sipsaopaulo.com.br.
Mário Magalhães lançará livro sobre Carlos Marighella
Mário Magalhães está finalizando Marighella ? O Guerrilheiro que incendiou o mundo, fruto de nove anos de pesquisa sobre o comunista baiano Carlos Marighella, morto em 1969, numa emboscada de agentes da ditadura militar em São Paulo. ?Na semana passada, estava legendando uma última fotografia, de um policial que atirou em Marighella na cilada em que a polícia política paulista o assassinou?, conta o autor. Filho de pai italiano e mãe baiana, estudante de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Bahia, Marighella era um dos estudantes de reivindicavam a instalação de uma constituinte democrática. Foi preso pela primeira vez em 1932, com outros 513 jovens, quando Juracy Magalhães, interventor despachado por Getúlio Vargas, comandava o Estado. ?Não vivi o tempo de Carlos Marighella, a não ser como criança cujos limites do mundo eram Zorro, National Kid e Speed Racer. Quando o mataram, em novembro de 1969, eu tinha cinco anos. Em 2003, mergulhei no projeto para contar a vida dele. Queria reconstituir uma trajetória fascinante, sem as amarras de tempo e espaço próprias de uma redação de jornal?. Em janeiro de 2010, Magalhães deixou a Redação da Folha, onde era repórter especial, para dedicar-se exclusivamente ao projeto. ?O épico de Marighella é capaz de hipnotizar e comover tanto quem se identifica com suas causas como quem as rejeita. E me permitiu um passeio apaixonante por quatro décadas, 1930-60, do século XX, com um ritmo frenético, inspirado no protagonista ? que era essencialmente um homem de ação, e não um teórico ?, além de drama, humor, romance, aventura, ideias, triunfos, quedas e muita, muitíssima ação. Outro desafio foi escrutinar a vida de quem foi obrigado a combater à sombra, escondendo suas pegadas. Minha tarefa foi descobrir os passos que Marighella, para sobreviver, tentara apagar?. Sobre as dificuldades e surpresas positivas encontradas durante sua pesquisa, Magalhães comenta que ?é difícil apurar a vida de quem certa historiografia oficial eliminou dos compêndios escolares. Além disso, a clandestinidade também dificulta a garimpagem de informações ? para ficar em um exemplo, Marighella era avesso a fotografias. A alma do livro são os depoimentos das 256 pessoas entrevistadas. Elas me surpreenderam quase sempre. A maioria conviveu com Marighella, de sua professora de inglês no velho ginásio da Bahia ao companheiro que foi buscá-lo na alameda Casa Branca e o encontrou morto. Também tive surpresas espetaculares de documentos oriundos de arquivos públicos e privados de Rússia, Estados Unidos, República Tcheca, Paraguai e, evidentemente, Brasil?. A obra, editada pela Companhia das Letras, já está em pré-venda e chega às lojas em outubro. O autor fará uma turnê de lançamento por todo o País, em datas ainda não definidas. Novidades podem ser conferidas no twitter de Mário Magalhães.
Estácio de Jornalismo anuncia vencedores
Foram anunciados na última 5ª.feira (23/8), em São Paulo, os vencedores do Prêmio Estácio de Jornalismo 2012. Com premiação total de R$ 68 mil, divididos entre R$ 10 mil, para cada categoria nacional e R$ 7 mil para as regionais, a edição deste ano recebeu 188 inscrições, de 86 veículos, representando 21 estados brasileiros. Confira a relação dos vencedores: Impresso Nacional: Fábio Takahashi e Vanessa Correa, da Folha de S.Paulo, com Universidade frauda MEC e paga comissão a igrejas. Impresso Regional: Maria Luísa Barros, de O Dia, com Estudar vale a pena. TV Nacional: Giuliana Girardi, Larissa Santana, Bruno Mauro, Gustavo Norlin, Eduardo Mendes e Evelyn Kuriki, da Rede Globo, com Do lixo para a universidade. TV Regional: Dayanne Oliveira, Cleíldo Azevedo, Diana Barreto, Ranniery de Souza e Marcelo Costa, da InterTV (RN), com A educação de nível superior no Rio Grande do Norte. Rádio Nacional: Edson Junior, da Rádio Câmara (DF), com E a universidade brasileira: como vai?. Rádio Regional: José Renato Ribeiro, da Rádio Gazeta AM (RS), com Fábrica de falsos advogados. Internet Nacional: Raphael Gomide, do portal iG, com a série Falta de estrutura impõe fracasso a medicina e engenharia da UFRJ em Macaé. Internet Regional: Flávia Martins y Miguel, Aline Medeiros, Fernando Carvalho, João Miranda, Douglas Magno, Alex de Jesus, Fausto Araújo e Sidnei Mesquita, de O Tempo Online (MG), com A favela vai à universidade.
Vaivém das redações!
Confira o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais e Bahia. São Paulo: Douglas Camargo, ex-repórter da Record, é o novo contratado da RedeTV. Segundo Keila Jimenez informou em sua coluna Outro Canal da Folha de S.Paulo, ele deve fazer parte do programa que substituirá o Manhã Maior, com novos nome e formato a partir setembro. Apesar de o próprio Douglas ter confirmado a contratação em redes sociais, a assessoria de imprensa da emissora, procurada por J&Cia, não se manifestou.Márcia Rodrigues deixou o Estadão, onde era subeditora de Imóveis, Empregos e Oportunidades, e passa a integrar a equipe de assessores de imprensa da Partnersnet, cuidando da conta do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo. Seus novos contatos são 11-3824-5709 e [email protected] do Brasil Econômico, Jiane Carvalho ([email protected]), assumiu a editoria de Empresas no lugar de Eliane Sobral, que havia saído no final de junho. Jiane coordenará também o online. O repórter Fábio Suzuki, de Empresas, passa a assinar a coluna Encontro de Contas ([email protected]) no lugar de Denise Carvalho, que deixou o jornal.Ainda por lá, IG e Brasil Econômico dividem o mesmo prédio, na Zona Sul de São Paulo, e também parte de seu conteúdo. Um sistema de compartilhamento foi incorporado para integrar as redações. As colunas Poder Econômico, de Jorge Felix, e Poder Online, de Tales Faria, vêm sendo reproduzidas diariamente no impresso e, em contrapartida, matérias do jornal também são veiculadas no iG. No site www.brasileconomico.com.br, a coluna Mosaico Político, de Pedro Venceslau, conta agora com um canal próprio.Aline Lima, repórter da editoria de Finanças do Valor Econômico, deixou o jornal no final de julho. Com passagens por Forbes, Estadão e IstoÉ Dinheiro, também integrou a equipe que criou o Brasil Econômico. Aline se dedica a frilas em jornalismo e assessoria.Após contrato de dois anos com os canais Discovery, Cecília Thompson está novamente disponível para frilas de tradução (“do inglês, francês, italiano, espanhol e alemão, com base em Latim e Grego clássicos ? é, sou das antigas mesmo…”) e redação. Seus contatos são [email protected] e 11-5572-1371.Pamela Forti deixou a coordenação do Núcleo de Negócios e Finanças da Press à Porter e começou como editora-assistente das revistas Consumidor Moderno e Brasil em Código, do Grupo Padrão. Com passagens pelo Instituto de Performance e Liderança e por jornais como A Gazeta da Zona Norte e Metrô News, Pamela foi repórter da revista Imprensa entre 2009 e o começo deste ano e fez trabalhos como freelancer para a Editora Abril. Também chegou em julho à reportagem da revista Thiago Fernandes, ex-A Tarde (BA) e colaborador da Folha de S.Paulo.Rodrigo Machado deixou a reportagem do Diário de S.Paulo e assumiu a Assessoria de Imprensa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, com o desafio de restabelecer a comunicação com os jornalistas e desenvolver outras plataformas de comunicação da maior entidade de cientistas no País. Por enquanto, os contatos dele são [email protected] e 11-999154-7575. Rio de Janeiro: Marcelo Cosentino começa no caderno Carro Etc, de O Globo, como repórter, a convite de Jason Vogel. Ele vem do site da Car and Driver, de São Paulo, onde morava até voltar para o Rio. A vaga se abriu por conta de um remanejamento na equipe de Jason: Marco Antonio Rocha era editor assistente do caderno Motor Extra, do jornal Extra, e foi promovido a editor-chefe do popular Expresso; e o repórter do Carro Etc Roberto Dutra foi promovido a editor-assistente dos cadernos de autos dos jornais da Infoglobo. Distrito Federal: Diego Escosteguy voltou de Nova York, onde era correspondente de Época, e assumiu como diretor da sucursal da revista em Brasília. Entra na vaga de Eumano Silva, que foi para a reportagem especial.Priscilla Oliveira, vinda da sucursal da Folha de S.Paulo, começou na Economia do Correio Braziliense, cuidando da área de Servidor. Minas Gerais: Augusto Franco deixou a reportagem de Veja BH e está em busca de novas oportunidades. Na redação, João Renato e Rafael Rocha se revezam nas pautas de Gastronomia.Na Produção da Record quem saiu foi Fábio Leão, em direção da Produção da Band Minas. Ele, porém, continua na Produção da BH News.Jean Piter, que deixou a BandNews FM em julho, começou na editoria de Política do Portal Hoje em Dia.Saulo Barbosa é o novo correspondente em Belo Horizonte do Diário Correio do Sul. O veículo tem sede em Varginha e cobre 180 cidades daquela região. Bahia: A repórter Louise Calegari deixou a TV Itapoan (Record) e seguiu para São Paulo, onde ocupará a mesma função na Rede Record.
Memórias da Redação – Memórias da repressão
A história desta semana foge às características usuais deste espaço, mas por motivos mais do que justos. Sobre ela escreve Eduardo Ribeiro, diretor deste J&Cia: ?Levei 41 anos para saber de uma triste história que envolveu uma colega de turma, Maria Valéria Cesário Moura de Carvalho, lá pelos idos de 1971, quando estávamos no colegial noturno do Colégio Estadual Alexandre Von Humboldt, em Vila Anastácio, São Paulo. Lendo o depoimento dela, a seguir, penso que todos entenderão. É autoexplicativo. Eu jamais poderia imaginar que a repressão política nos tivesse cercado. Ledo engano. Valéria e um nosso professor, Mansur, de Química, foram barbaramente torturados (ele fisicamente, ela psicologicamente) nas dependências do Doi-Codi, sob a suspeita de que fossem ou tivessem ligações com militantes de organizações de esquerda. E nós nunca soubemos disso. Era tudo tão velado e tinha-se tanto medo de tudo que o caso foi abafado e nunca dele soubemos. Bom recolocar a história em seu lugar. Estou emocionado, aliviado, triste, porém, mais do que tudo, sereno por ver que a vida seguiu seu curso, apesar dos atropelos, e estamos todos aqui, vivos, para contar ou ler essa história. Vamos a ela. Desculpem pelo tamanho, mas penso que também vocês vão se emocionar. Desse modo, com uma história pessoal, abro uma pequena exceção no Memórias da redação, para um relato de memórias da repressão.? Maria Valéria Cesário Moura de Carvalho é formada em Letras, pela PUC Campinas, onde deu aula em cursos extensivos, tendo trabalhado por mais de 20 anos na Caixa Econômica Federal. Literatura e Jornalismo são suas paixões. Escritora, vem de concluir um livro de contos (inédito) e já iniciou notas para um romance. Seu próximo projeto é escrever um livro sobre viagens pelo Brasil, a partir de histórias pessoais. Sobre o triste e inesperado encontro com a ditadura, em 1971, diz: ?Foi superado. E não apenas superado, mas entrou como parte do material com o qual construí uma vida produtiva e feliz?. Casada com Vivaldo de Carvalho (com quem estudou no Colégio Estadual Alexandre Von Humboldt), tem um casal de filhos e mora atualmente em Jundiaí. Mas ama São Paulo, de paixão. Memórias da repressão Olá, Eduardo: Sua sugestão de falar de nossa trajetória pessoal me inspirou a escrever o relato a seguir. É um acontecimento que teve início nas dependências do Alexandre Von Humboldt e que acho que vale a pena levar ao conhecimento de quem viveu aquela época, principalmente para quem estudou no nosso colégio. As coisas precisam ser lembradas para a gente compreender o presente. O homem do paletó veio me buscar Aconteceu no meio do ano de 1971. Eu estava na nossa classe do Colegial noturno e em certo momento fui chamada à diretoria. A diretora, nesta época, era a dona Mirtes, talvez substituindo a dona Ida. Como eu não tinha aprontado nada, fui tranquila atender ao chamado. Quando ela falou comigo não disse coisa com coisa e estava visivelmente sem jeito. O que eu entendi é que teria que acompanhar um homem que tinha vindo me buscar. Um homem que eu nunca vira antes, mais ou menos da idade do meu pai. Ensaiei dizer que não iria sair com um desconhecido, mas o homem abriu um pouco o paletó que estava usando, o suficiente para eu ver o cabo do revólver. Entendi que eu tinha que ir. Não me recusei, não objetei, simples assim. Interesses suspeitos Meu nível de consciência sobre o arbítrio e as atrocidades da ditadura não era alto. Mas minhas áreas de interesse ? arte em geral, teatro, literatura ? me punham em contato com pessoas que, de um modo ou outro, militavam contra o regime ou conheciam alguém que o fazia. Assim, eu participava das atividades da comunidade católica de jovens, frequentava algumas reuniões sindicais em Osasco, onde então trabalhava na Brown Boveri, participava de grupo de teatro, cantava em bailes do bairro, enfim, era uma jovem com a cara do meu tempo. Amizades suspeitas Meu círculo de amizades era amplo: desde operários, religiosos, músicos e estudantes a algumas pessoas mais velhas, como o Mansur e sua noiva, por exemplo. A amizade começou por iniciativa dele, que sempre conversava comigo, fazia perguntas, queria saber minha opinião sobre o mundo. Chegamos a sair, ele e a noiva, para conversar algumas vezes e falávamos sobre a situação do País e sobre o que se podia fazer para combater a ditadura, melhorar a educação, que nessa época estava sofrendo o desmonte que hoje pode ser constatado e por aí afora. Provavelmente, se tivesse tido chance, teria entrado para algum grupo organizado, desde que não fosse luta armada. De qualquer modo, isso foi abortado naquela noite… …um medo frio, quase uma calma… Mas o horror frio estava apenas começando. Digo ?horror frio? porque era isso que eu sentia: um medo frio, quase uma calma. Quando saí do colégio com o homem, fui colocada no banco traseiro de uma Veraneio, com dois outros homens armados me ladeando, como se eu fosse uma pessoa altamente perigosa. Acho que aí comecei a entender quem eles eram pelo meu próprio raciocínio. Era uma época em que era possível pessoas serem levadas para nunca mais… Eles rodaram um pouco pela Vila Anastácio e pararam na antiga Socil (eu acho) e falaram com alguém de lá. Mais sequestros Dali, seguimos até a rua Albuquerque Lins, no Centro. Entraram no apartamento do professor Mansur Lufti (*), que dava aula de Química no Alexandre, e viraram tudo do avesso. Ele e a noiva foram também levados em outro carro. Nos encontramos todos na sala de espera do QG do 2º Exército, no Ibirapuera, mas mal nos falamos, pois logo fomos chamados individualmente. Levados ao Doi-codi, na tristemente famosa rua Tutoia, cada um tomou o rumo determinado pelos captores. No meu caso, fui levada para uma sala onde ficava em pé, sendo interrogada grosseiramente por vários sujeitos. Entrava um, perguntava, acusava, aterrorizava com ameaças, perguntava de novo, anotava tudo, ou fazia que anotava, saía. Entrava outro, a mesma coisa, mesmas perguntas e eu sempre em pé. Isso durou a noite inteira, até de manhã. Quilos de papel foram gastos nessa inutilidade. Minha estratégia, desde o início, foi repetir sempre a mesma história, sem acrescentar nada de novo, não mudava nem o tom da voz. Demorou pra eu perceber De vez em quando eu ouvia gritos horríveis. Urros não humanos, na verdade. Demorou pra eu perceber que eram do Mansur. Ele gritava palavrões cabeludos e urrava. Não fui torturada fisicamente. Acho que até aqueles estúpidos incompetentes conseguiram perceber que eu não era uma ?terrorista? e nem pertencia à AP, AC, JEC, JOC, JUC, Var-Palmares, Libelu, o diabo. Mas sabiam muita coisa sobre mim. Sabiam sobre as pessoas com quem eu andava, os lugares que frequentava, onde trabalhava, tudo. Disseram que foi um estudante da minha própria classe que me dedurou. Aliás, entre eles, havia um rapaz que era estudante de Sociologia na USP, um infiltrado. Dava pra acreditar em tudo e em nada. Me levaram pra casa de manhã. Uns imbecis. Uns imbecis com carta branca, arma na mão e merda na cabeça. No dia seguinte foram me buscar no trabalho e tome interrogatório tudo de novo, só que a coisa foi mais amena. Mas tarde fui encaminhada para o refeitório dos recrutas para almoçar. Eles eram tão jovens quanto eu e me olhavam como se eu fosse de outro planeta. Ninguém falou comigo. Comi sem culpa e com uma fome enorme o arroz com feijão e bife à milanesa. Não me lembro como fui embora. Só sei que fiquei um bocado de tempo assustada, traumatizada, paranoica, sempre com a impressão de que alguém estava me seguindo. Pouco tempo depois fui mandada embora do trabalho, certamente por causa desse item do currículo. Rito de passagem Até hoje vejo a expressão da dona Mirtes, me entregando para um homem armado. Sei que ela não podia fazer muita coisa por mim. O clima geral era de terror. Um terror subterrâneo, disfarçado em Brasil grande. Mesmo assim, reflito o quanto é fácil colaborar com o arbítrio. Hoje você entrega um aluno que está sob a sua guarda, amanhã o seu vizinho, depois, quem sabe… Só sei que saiu do colégio aquela noite uma garota cheia de ideias, utopias, sonhos. Voltou adulta. Fico triste quando pessoas dizem que o regime militar foi benéfico. Ou que qualquer ditadura seja benéfica. As pessoas não entendem que pra se ter direito até de fazer um relato como esse e publicá-lo exclusivamente por um ato de vontade individual muitos (daquela e de épocas anteriores) tiveram que lutar duramente para abrir algum espaço de liberdade. Liberdade que muita gente usa como se fosse concedida pela natureza e não uma construção humana paciente, trabalhosa, frustrante às vezes, mas conquistada a cada palmo. (*) Recentemente localizei o Mansur no facebook. Ele aparece em foto com a noiva, que hoje é esposa dele. Isso me deixou feliz.







