O criador e editor da revista Língua Portuguesa (Editora Segmento) Luis Costa Pereira Junior estreou nesta 2ª.feira (1º/7), na Rádio Bandeirantes, com sua coluna Em Bom Português. O espaço irá servir para tirar dúvidas dos ouvintes e oferecer dicas de como se comunicar da maneira correta no dia a dia, e irá ao ar às 2as e 6as.feiras nos programas O Pulo do Gato e Jornal em Três Tempos, às 4as.feiras no Jornal Gente, e às 5as.feiras ele estará ao vivo no estúdio do Jornal em Três Tempos para tirar dúvidas e responder perguntas dos ouvintes. “A língua é um instrumento poderoso para se adaptar a novas situações comunicacionais. Por exemplo, uma pessoa utiliza uma linguagem muito diferente quando vai conversar com o filho e debater um assunto de trabalho com o chefe. Na coluna vamos discutir como é importante ser bem compreendido e não dar margem a uma interpretação errada”, explica Luis. “Quem domina a língua trabalha melhor, namora melhor, interage melhor”, acrescenta. Além disso, o quadro traz notícias relevantes sobre o mundo da língua portuguesa, como novos estudos sobre o assunto, e relacionar características da língua com a vida cotidiana do brasileiro.
Hoje em Dia confirma Leida Reis na Chefia de Redação
Interina no posto desde o final do ano, Leida Reis (lreis@hojeemdia.com.br) foi efetivada na Chefia de Redação do Hoje em Dia, que divide com Pérsio Fantin. Há sete anos no jornal, onde por último editava Primeira Página, Leida passou anteriormente por O Tempo, Estado de Minas, Diário do Comércio e Mercado Comum. Também escritora, é autora de Quando os bandidos ouvem Villa-Lobos, A invenção do crime e The cães amarelos.
Justiça anula posse na ABI. Eleições seguem sub judice
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou a posse da diretoria da ABI que havia sido autorizada em maio pelo juiz substituto Gustavo Henrique Nascimento Silva, sob o argumento de que a entidade não ficasse acéfala até se decidir se a eleição valia ou não. A decisão foi assinada pela relatora des. Marilene Melo Alves, da 11a Câmara Cível, na qual a chapa Vladimir Herzog havia interposto agravo de instrumento. Portanto, voltará a ABI à condição anterior, ou seja, de ter a diretoria que estava em exercício antes da decisão de permitir a posse. Com isso, todos os antigos diretores serão convocados a reassumir, entre eles o diretor-financeiro Domingos Meirelles, líder do movimento de oposição que concorreu ao pleito de abril com a chapa Vladimir Herzog. O processo eleitoral segue sub judice. Seu andamento pode ser conferido no site do Tribunal de Justiça do Rio (www.tjrj.jus.br) pelo no 0107472-04.2013.8.19.0001.
Abraji aponta violação contra 52 profissionais em protestos
A Abraji publicou na última 6ª.feira (28/6) um levantamento em que revela números de agressões e ameaças sofridas por jornalistas durante a cobertura da série de protestos que vêm sendo realizada no País. Segundo números da entidade, que contou com informações de sindicatos, redações e da ONG Repórteres Sem Fronteiras, foram 34 agressões e ameaças feitas pela polícia, 12 por manifestantes e seis prisões. “O levantamento realizado pela Abraji é parcial: há casos que podem não ter sido computados por diversas razões, inclusive quando veículos ou jornalistas preferem não ter suas estatísticas divulgadas”, explica o comunicado. “A Abraji repudia a violência da polícia contra manifestantes pacíficos e jornalistas e repudia igualmente a hostilidade de alguns manifestantes contra os trabalhadores dos meios de comunicação, como repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e motoristas. Impedir ou dificultar o trabalho da imprensa é agir contra a democracia”. A entidade publicou ainda uma tabela (http://bit.ly/10uqYkB) com a relação dos jornalistas e seus veículos, tipo de agressão, data e local em que sofreram ameaças ou agressões.
Vaivém das redações!
Confira o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal: São Paulo: Prestes a completar um ano como editora-chefe da Harper’s Bazaar Brasil, Carol Hungria (ex-Editora Abril e Agora S.Paulo – carolhungria@cartaeditorial.com.br) assumiu também o posto de editora-chefe da RG Online, outra publicação que integra portfólio da Carta Editorial. Agnaldo Brito despediu-se na última semana da Folha de S.Paulo após cinco anos de casa, período em que atuou como repórter de Mercado e Infraestrutura. Antes, teve passagens por Estadão, Gazeta Mercantil e Correio Popular, de Campinas. Seus novos contatos são 11-98353-4689, 19-3016-1243 e ag.brito@uol.com.br. Quem também deixou a casa foi o redator e repórter de Ilustrada Iuri de Castro Tôrres (iuri.torres@gmail.com). Ele começou na empresa pelo Programa de Treinamento da Folha, em 2009, sendo efetivado no começo do ano seguinte como redator da Folhateen, posto que ocupou até o final de 2011, quando se transferiu para a Ilustrada. Mariana Barros está deixando Veja São Paulo após três anos para se dedicar a um novo projeto nas áreas de urbanismo, arquitetura e mercado imobiliário. Ela começou a carreira em IstoÉ e ficou seis anos na Folha de S. Paulo, onde venceu o Grande Prêmio Folha de 2008 com a série DNA Paulistano, que originou o livro homônimo da Publifolha, do qual é coautora. O contato de Mariana é maribarros27@gmail.com. Rio de Janeiro: A Rede Globo anunciou mudanças na área de Comunicação Corporativa, que entram em vigor a partir de julho. Mônica Albuquerque, até então diretora da área, passa para o Desenvolvimento Artístico, ligado ao Entretenimento. Luiz Claudio Latgé, diretor-executivo de Jornalismo, será diretor-adjunto da CGCom – Central Globo de Comunicação, e seu substituto ainda não foi anunciado. Mônica entra no lugar de Ary Grandinetti Nogueira, que se afasta depois de 40 anos na emissora. Liana Melo, que deixou O Globo e a revista Amanhã, está agora na Domum, Casa de Conteúdo (domum.casadeconteudo@gmail.com e 21-3589-0719). Especializada na área de sustentabilidade, a empresa pretende trabalhar com parcerias, o que já vem sendo feito com a Doze+ (tulio.brandao@dozemais.com.br), de Túlio Brandão. Os dois trabalharam no Globo, são especializados na área de sustentabilidade e meio ambiente e criaram o Blog Verde. A Casa de Conteúdo e a Doze+ estão tocando trabalhos a quatro mãos e pretendem ampliar a parceira. Distrito Federal: O repórter de Esportes Thiago Rizerio deixa esta semana o Correio Braziliense, e por enquanto não há definição sobre sua substituição. Registro também para a saída de Aline Bravim do Portal, abrindo vaga para a chegada de Luísa Ikemoto. Internacionais: Daniel Oiticica, em Buenos Aires, junta-se a Yami Trequesser em Londres e Marise Araújo em Lisboa, como correspondente do site de notícias BlueBus (www.bluebus.com.br), de Julio Hungria. Ana Paula Pessoa, que abriu e dirige no Brasil o escritório da consultoria de comunicação estratégica Brunswick, aceitou convite para integrar o Conselho de Administração da News Corp, o conglomerado de mídia de Rupert Murdoch, que está se dividindo em dois braços: um reunirá os canais de tevê e estúdios de cinema, respondendo pelo nome de 21st Century Fox; e o outro, que manterá o nome de News Corp, reunindo os ativos de imprensa (como o Wall Street Journal) e de educação. Ana integrará o Conselho desse segundo braço, por força de seu histórico em mídia no Brasil (só de Organizações Globo, ela tem 18 anos, em diversas funções).
De papo pro ar ? Educação e papagaio
Pedro Picanha era um cantor de cabaré dos tempos antigos. Bebia muito e dizia muito palavrão. Mas não era só isso: era dono de um mau humor infinito. Mais: falava mal de todo mundo e, também valentão, dava tiro pra cima a torto e a direito. E repetia ameaças etc. e tal. Um dia foi preso e levado à delegacia. O delegado já sabia da sua fama e quis saber a razão de ele ser o que era. – Doutor – disse o arruaceiro –, se o senhor quer mesmo saber, eu digo: fui educado por um papagaio.
Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC ? Fotografia é fundamental
O Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade tem o segmento Imagem-Fotografia direcionado para repórteres fotográficos, que podem inscrever até cinco trabalhos pelo site www.premiojornalistasecia.com.br; o melhor receberá R$ 6 mil líquidos. Depois da escolha do vencedor na categoria Mídia Nacional, os demais trabalhos finalistas desse segmento seguem concorrendo – com as outras plataformas – à premiação da categoria Mídia Regional. A inscrição e envio da foto (em jpg) e da matéria (em pdf) devem ser feitos pelo próprio site até 5 de setembro. Regulamento e outras informações estão ali disponíveis. Os trabalhos devem ser produzidos entre 1º de setembro de 2012 e 31 de agosto de 2013. Dúvidas podem ser esclarecidas com a Coordenação Geral do Prêmio, a cargo de Lena Miessva (11-2679-6994, lena@jornalistasecia.com.br ou premio@jornalistasecia.com.br). Para ajuda nas dificuldades técnicas ao fazer a inscrição no site ou no envio do trabalho, o participante contará com auxílio técnico de profissionais da Maxpress, pelo 11-3341-2799. Dois são os objetivos principais do Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade: incentivar a produção de conteúdos jornalísticos sobre Sustentabilidade em jornais, revistas, televisão, rádio e internet (webjornalismo); e tornar a Sustentabilidade cada vez mais presente e compreensível na sociedade brasileira. Cada candidato poderá inscrever até cinco trabalhos de sua autoria e essas inscrições não precisam ser feitas de uma só vez.
Ana Flavia Furlan (ex-Motor Show) lança Abordo Magazine
Está chegando ao mercado a Abordo Magazine, publicação mensal da recém-criada R4, editora que tem entre seus fundadores Ana Flavia Furlan (flavia@abordomagazine.com.br), que acaba de se despedir da revista Motor Show.
Com foco no estilo de vida das classes A e AA, a publicação traz informações não apenas sobre o mercado automotivo de luxo, mas também de motocicletas, barcos e aeronaves. Este é o primeiro título da editora, que irá focar sua atuação em projetos especiais, publieditoriais e revistas customizadas.
Sua sede será em São Paulo, mas até o final do ano deverá entrar em operação também a filial no Rio de Janeiro, que Ana Flavia deverá comandar. Sobre a nova empreitada, ela explica: “O projeto de criação dessa editora não é algo novo. Sempre quis trabalhar com revistas customizadas e gratuitas porque acredito muito no potencial desse nicho, hoje ainda um tanto amador. Foram muitos meses de pesquisas, de sondagens, porque o mercado editorial está em um momento delicado. Dois meses atrás alcancei meu objetivo e decidi que, pessoal e profissionalmente, era o momento de mudar, inclusive de ares, já que com a abertura da filial no Rio de Janeiro pretendo ir para lá no próximo ano”.
Com distribuição dirigida a moradores de Alphaville, em Barueri (SP), e a um restrito mailing de empresários, executivos e formadores de opinião, a revista será gratuita, com tiragem inicial de 20 mil exemplares.
“A escolha da região baseou-se em pesquisas de mercado que apontam os moradores da região como maiores consumidores de artigos de luxo do estado de São Paulo e os 16os do Brasil. Focamos nossa distribuição para evitar que haja dispersão. Definimos o público com o qual queremos falar e é apenas com ele que falaremos”, explica Flavia, que também será diretora de Redação da publicação.
O projeto gráfico é assinado pelo diretor de Arte Joca Freire, duas vezes vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo. A redação conta ainda com, Fernanda Freire, ex-TV Alphaville (produtora), Carol Lima (repórter) e o experiente repórter fotográfico Cláudio Laranjeira, além do apoio de colaboradores. A revista, que começa a circular na próxima semana, contará ainda com versão para tablets e internet. O e-mail de contato é redacao@abordomagazine.com.br.
Estudo mostra mapa digital de protestos em tempo real
Estudo mostrou como o movimento se espalhou nas redes sociais e algumas características dos ativistas Por volta de 94 milhões de internautas brasileiros foram impactados pelo ativismo nas redes sociais associado às manifestações que se espalharam pelo Brasil nos últimos dias. Essa conclusão é resultado do Mapa Digital das Manifestações, estudo realizado quase em tempo real pelo Grupo Máquina PR com o uso da ferramenta Brandviewer, que analisou toda a movimentação no ambiente digital entre 4ª e 6ª.feiras (19 e 21/6) para identificar mensagens relacionadas aos protestos. Um infográfico animado mostrou a rápida propagação do assunto pela quase totalidade dos municípios brasileiros. O pico da mobilização aconteceu na 5ª.feira (20/6), entre as 18h e 23h, quando houve tensão e confrontos em diversas cidades, incluindo a tentativa de invasão do Palácio do Itamaraty. A rede mais utilizada foi o twitter (49,3% das citações), seguido de facebook (47,1%) e google+ (1,9%). Dos autores de posts, 55,9% eram homens. Com 80,1 milhões de usuários impactados, a principal hashtag sobre o assunto foi #vemprarua. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília foram as cidades com maior participação de usuários em número de posts. O mapa faz parte dos esforços da agência para elaborar informes e cenários de impacto nos negócios de seus clientes. Para isso, mobilizou todas as equipes de sua agência digital Studio, de web, gestão de reputação e do núcleo de análises editoriais, que somaram mais de 40 profissionais. “Todos estavam perplexos e nós tínhamos de nos posicionar fora dessa perplexidade e tentar nos antecipar de algum modo”, diz Maristela Mafei, sócia da agência. Confira a seguir entrevista de Maristela a Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas e de Jornalistas&Cia, sobre os reflexos desse movimento na comunicação das empresas e do próprio negócio do setor em si: Jornalistas&Cia – Como surgiu a ideia e o que levou a Máquina a monitorar as redes sociais nacionalmente a partir dos protestos dos últimos dias? Maristela Mafei – Todos sabiam que as redes sociais estavam sendo usadas para marcar os protestos e para difundir informações ao vivo, seja por meio de fotos, textos ou vídeos. Mas queríamos saber mais: quantas pessoas eram atingidas por essas mensagens? Como esse ativismo se propagava na rede? Qual o perfil desses internautas? Vimos que a manifestação nas redes foi um bom indicativo do que aconteceria nas horas seguintes e da amplitude dos protestos pelo País. J&Cia – Como se deu esse monitoramento? Que apoio ou tecnologia a agência adotou? Maristela – O monitoramento foi feito com base nas principais palavras-chave e hashtags associadas aos protestos. Ou seja, fizemos uma pesquisa aprofundada dos “gritos de guerra” virtuais e das expressões mais usadas, para que nada se perdesse, até porque havia outros temas importantes em evidência. Foi utilizado um software específico de monitoramento, mas o número de posts foi tão grande – rapidamente se aproximou de 1 milhão – que precisamos realocar um servidor específico para isso e depois substituí-lo por outro com capacidade ainda maior. Houve uma verdadeira avalanche de dados sobre esse ativismo digital e, no momento em que se fala tanto em big data, conseguimos reunir um conteúdo precioso. A tecnologia foi importante para processar e colocar à disposição essas informações, mas mostrou-se igualmente fundamental o time de profissionais de inteligência para tirar conclusões e montar perfis do movimento, já que um volume muito grande de informações dispersas não teria nenhum uso prático. J&Cia – Quais foram os resultados e principais descobertas desse monitoramento? Maristela – Apesar de ter partido do Sudeste e de algumas regiões do Nordeste, o movimento alastrou-se por praticamente todo o território nacional. Até Fernando de Noronha aparece no mapa de calor que fizemos (mostrando a hora das manifestações, na 5ª.feira passada). Ou seja, a adesão foi maciça. Há vários outros dados interessantes. J&Cia – Houve algum investimento especial ou a agência valeu-se de seus recursos tradicionais para fazer esse trabalho? Maristela – Houve esforços próprios e investimentos, mas adotamos uma política de não mais especificar valores. J&Cia – Eles prosseguirão nessas esperadas próximas etapas? Maristela – Neste momento estamos viabilizando parcerias para a continuidade. J&Cia – O que muda na comunicação das empresas com os protestos? Maristela – Eles provocam uma mudança na relação entre redes sociais e mídia. Antes, o clamor das redes só era “legitimado” quando saía na grande imprensa, que se abastecia de pautas nas redes e selecionava o que queria ou não repercutir. Como muito desse clamor ficava “de fora”, as pessoas foram em massa para as ruas. Sem saber, elas pautaram editorialmente os veículos. Isso é uma enorme reviravolta: acompanharmos até quando esse “controle” sobre a informação muda de eixo e terá que ser dividido, compartilhado. A mudança editorial da cobertura das tevês foi um indício disso. Parece-me que elas demoraram a se situar no começo, mas depois foram bastante ágeis e corresponderam à expectativa de quem as assistia. Foi uma agilidade espantosa para as circunstâncias das ruas. J&Cia – Quais os desafios para a comunicação corporativa nesse novo cenário, caso ele se consolide? Maristela – Na Máquina, nos últimos 18 meses, introduzimos o socialmidiavideo em escala comercial e com isso estamos tateando para fazer uma PR colaborativa e participativa. Essa história de disparar um único texto para um mailing de mil pessoas foi definitivamente enterrada. As empresas precisarão criar valor e conseguir fazer com que o seu público-alvo se sinta identificado com o que ela vai dizer, se sinta “participativo” da mensagem. Uma mudança que já vinha sendo sinalizada teve um enorme acelerador com os protestos. J&Cia – Isso significa mais investimentos, por parte das agências, em digital e recursos multimídia? Maristela – Não necessariamente; hoje existem milhares de ótimos parceiros e fornecedores nessas áreas, além do que as agências de publicidade investem fortunas nisso. O que precisa é de gente, nas agências de PR, que saiba utilizá-los, adequá-los às perspectivas de cada um de seus clientes e ajudá-los a redirecionar suas políticas de comunicação, se for o caso. Fizemos uma ótima, excelente parceria com a Brandweiser nesse sentido. Nosso mercado está aí. Os clientes podem ficar perplexos com o que veem à sua frente, mas nós precisamos tentar ajudá-los a entender e extrair disso informações de interesse o quanto antes.
Memórias da Redação – Ao repórter, ao amigo, adeus
O adeus a Ewaldo Dantas Ferreira Ewaldo Dantas Ferreira, de 87 anos, faleceu na tarde do último sábado (22/6), no Hospital Samaritano, em São Paulo, onde estava internado desde maio por causa de Mal de Alzheimer e outros problemas próprios da idade. Nascido em Catanduva, no interior do Estado, iniciou a carreira como revisor de jornais aos 18 anos, em Nova Friburgo (RJ), onde morava. Matriculou-se na primeira turma do curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro e mais tarde transferiu-se para a Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Dotado de grande formação humanística, além de lecionar Jornalismo trabalhou nos principais veículos de comunicação de São Paulo (Folha de S.Paulo, Estadão, Jornal da Tarde e Rede Bandeirantes), e no católico O São Paulo, exercendo muitos cargos de chefia, mas sempre que podia voltava à reportagem. Foi ele quem revelou o educador Paulo Freire ao Brasil, quando produziu extensa reportagem sobre o trabalho de alfabetização de adultos que este realizava em Angicos (RN). Dentre suas reportagens mais famosas está a entrevista com o nazista Klaus Altmann Barbie, o “carrasco de Lyon”, que localizou na Bolívia em 1972, um trabalho de repercussão internacional. Ewaldo foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo no começo da década de 1960, quando liderou, em 1961, uma greve que marcaria a história sindical da categoria; pela primeira vez no Brasil os jornalistas obtiveram o piso salarial – um exemplo que se estendeu por outros sindicatos Brasil afora. Nos últimos anos, enquanto teve saúde, dedicou-se a organizar, com Rogério Amato, atual presidente da Associação Comercial de São Paulo, e Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo e atual ministro da Pequena e Média Empresa, a Rebrates (Rede Brasileira do Terceiro Setor) e o Movimento Degrau, programa de inserção de jovens em situação de risco pessoal ou social no mundo dos valores do trabalho. (Colaborou Sérgio Leopoldo Rodrigues) Sua missa de sétimo dia está marcada para este sábado (29/6), às 10hs, na Igreja do Santíssimo Sacramento (rua Tutoia, 1125). A missa será celebrada por Monsenhor Dario Bevilacqua, com quem Ewaldo trabalhou em O São Paulo, durante a ditadura. Reproduzimos a seguir, com a permissão do autor, o texto em que Carlos Brickmann, seu amigo e admirador, escreveu para o Observatório da Imprensa (http://migre.me/fbbap). A história desta semana é uma homenagem que Carlos Brickmann presta a Ewaldo Dantas Ferreira, falecido em 22/6. Ela foi publicada originalmente no Observatório da Imprensa (http://migre.me/fbbap) e a reproduzimos com a permissão do autor. Memórias da Redação – Ao repórter, ao amigo, adeus Não escrevo este texto para enterrar o amigo e mestre Ewaldo Dantas Ferreira, mas para louvá-lo. Como não louvar o repórter que levou um amigo judeu não praticante a colaborar no jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, mantido pelo cardeal d. Paulo Evaristo Arns como local de apoio aos direitos humanos e resistência à ditadura? E que, pouco depois, convenceu o amigo judeu a levar uma freira aos jogos finais do Campeonato Paulista de 1977, com 150 mil pessoas no Morumbi festejando a vitória do Corinthians contra a Ponte Preta e gritando, aos ouvidos pouco experientes da religiosa, “um, dois, três/ quatro, cinco, mil/ queremos que a Ponte vá (…)” – e frase que segue. Todos nós, jornalistas, conhecemos o Ewaldo repórter, presidente do Sindicato, jornalista full-time – uma de suas facetas mais estranhas, já que havia tempo no full-time para muitas outras coisas. Por exemplo, dialogar com o indialogável ministro da Justiça da ditadura, professor Gama e Silva, sobre a proibição do filme A Compadecida, obra-prima de George Jonas, com Zózimo Bulbul e Regina Duarte. O filme tinha sido proibido porque Bulbul, negro, fazia o papel de Jesus; e Regina Duarte, numa magnífica interpretação, fugia ao estereótipo da Virgem Maria diáfana, aquela que parece rezar o tempo inteiro, para representar Maria como a grande mulher que foi. Onde já se viu exibir tamanhos sacrilégios? E o Ewaldo, amigo dos amigos, amigo de Jonas, foi negociar com os demônios da ditadura a liberação da Virgem e de seu filho Jesus. Quais as áreas de interesse do Ewaldo? Todas: do pescador de Ubatuba que, por saber ler e escrever, foi enquadrado como subversivo por um delegado desconfiadíssimo desses intelectuais, ao político americano Nelson Rockefeller, que o considerava seu amigo pessoal e com quem se encontrava sempre que vinha ao Brasil. Interessava-se por educação – não apenas como tema jornalístico, mas convencendo o empresário Octavio Frias de Oliveira e o professor J. Reis, o notável intelectual que dirigia a redação da Folha de S.Paulo, a apoiar uma profunda reforma educacional no Litoral Norte paulista (o pessoal da ditadura acabou matando a proposta). E arranjava tempo para mostrar aos colegas do jornal certos desvios educacionais e jornalísticos, comuns na época, mas que não deixavam de ser desvios: por exemplo, uma mulher que tinha vários homens era prostituta, e o homem que tinha várias mulheres era herói. Ou que a frase “fulano foi assaltado por três negros” tem forte carga de preconceito. Informações confiáveis Trabalhar com o Ewaldo era fácil e difícil, tudo ao mesmo tempo. Um grande repórter, uma garantia de excelentes matérias; mas cheio de segredos, que deixavam a Redação na incerteza. Certa vez, no Jornal da Tarde, sumiu umas duas semanas (e, fosse outra a empresa, não fosse a presença forte e amiga de Ruy Mesquita, estaria na rua). Voltou com uma reportagem sensacional: a demonstração de que o Serviço Nacional de Informações (SNI), até então encarado apenas como um órgão de espionagem interna, era na verdade o principal instrumento político da ditadura, envolvido em todos os ministérios e em todas as decisões tomadas pelo governo. E por que o segredo? Ewaldo sempre temeu os vazamentos de informação. Confiava em pouquíssima gente, no quesito discrição. E achava – mais tarde lhe daríamos razão – que os serviços de espionagem interna do País se informavam sobre pautas e se preparavam para evitar que os repórteres encontrassem o que procuravam. Mas como trabalhar com um repórter muito bem informado, mas agitado a ponto de não ter tempo para escrever e, ainda por cima, chegado a um segredo? Uma das coberturas jornalísticas mais bem-feitas do Jornal da Tarde envolveu o derrame que vitimou o presidente Costa e Silva, a consequente prisão do vice, a ascensão dos ministros militares, a escolha pelos quartéis do novo presidente (que seria o então comandante do 3º Exército, general Emílio Garrastazu Médici), tudo mesclado ao sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick e à libertação de prisioneiros pelo governo em troca de sua liberdade. O Ewaldo conseguiu se colocar no meio das articulações e trazer, o tempo todo, informações de primeira linha. Escrevê-las, não dava tempo: ia de uma reunião para outra. A solução JT: Fernando Morais e eu, juntos, entrevistávamos o Ewaldo e, a quatro mãos, redigíamos sua matéria. E como lidar com informações explosivas cuja fonte ele não revelava de jeito nenhum? Simples: com o aval de Ruy Mesquita, informações que o Ewaldo trouxesse eram verdadeiras, sem necessidade de confirmações ulteriores. Se estivessem erradas, o jornal se corrigiria; e ele sofreria as consequências. Simples assim. Transplante acelerado Às vezes, as coisas não eram tão simples assim. Um dia, o Ewaldo me ligou e, no habitual tom de voz conspiratório, informou onde estava e o que fazia: “Estou na onça esperando o macaco”. Não se discute com doido. Se ele disse que está na onça esperando o macaco, é porque está na onça esperando o macaco. Alguns jornalistas de outra Redação, curiosíssimos para descobrir de onde o Ewaldo estava tirando tantas informações exclusivas, me perguntaram onde é que ele estava. Fui sincero: “Ele disse que está na onça esperando o macaco”. O Ewaldo chega, alguém brinca: “Então, o macaco esteve lá na onça?” Ele me olhou furioso. Mais tarde, cobrou: “Nós não tínhamos combinado que não haveria informação?” Tínhamos, Ewaldo. Mas você faria a gentileza de me explicar o que é estar na onça esperando o macaco? Ele tinha a certeza de ter sido claro. Vamos traduzir: “na onça” significa estar no centro dos acontecimentos, no lugar em que as coisas acontecem. O macaco é uma referência ao macaco do realejo, que entrega o papel da sorte preparado por seu dono. Traduzindo melhor: estava no centro dos acontecimentos (talvez alguma reunião de empresários com militares), aguardando um emissário que lhe traria uma informação exclusiva de uma fonte importante. Funcionava? Funcionava. Alguns anos depois, Fernando Morais fez para Visão uma grande reportagem sobre Cuba (que se transformaria no livro A ilha, seu primeiro best-seller). Mas, com o passaporte carimbado pelos cubanos, não poderia voltar ao Brasil sem ser preso. Foi Ewaldo, que dirigia a revista, que negociou a volta de Morais com os ministros Golbery do Couto e Silva e Armando Falcão. Demorou – é preciso lembrar que, numa ditadura, muita gente tem autoridade para prender, e frequentemente ninguém a tem para soltar. No final, tudo combinadinho, Fernando Morais recebeu na Argentina a ordem de cortar o cabelo, raspar a barba e tirar nova foto para passaporte. O passaporte velho deveria ser picado em pedacinhos e jogado na privada. O novo documento foi enviado ao consulado brasileiro em Buenos Aires, que colocou a foto. Com a nova foto, diferente da que constava no arquivo policial, e o novo passaporte, cujo número não batia com os do perigoso subversivo que deveria ser preso tão logo tentasse entrar no País, Fernando Morais retornou ao Brasil. Funcionou muitas outras vezes. Ewaldo soube que o Hospital das Clínicas de São Paulo estava se preparando para realizar o primeiro transplante de coração no País, pouco depois da operação pioneira do cirurgião Christiaan Barnard, na África do Sul. Mas havia alguns entraves. Ewaldo convenceu o Jornal da Tarde a colaborar com a equipe do cirurgião Euryclides de Jesus Zerbini – o que incluiu o envio de médicos à África do Sul, a importação de algum equipamento, a colocação do projeto em ponto de bala. O JT, com a equipe liderada por Ewaldo, fez de longe a melhor cobertura do transplante, das biografias do paciente João Ferreira da Cunha, o João Boiadeiro, e do doador, Luís Ferreira Barros, vítima de acidente de trânsito, à explicação técnica do que havia ocorrido e ao acompanhamento do caso até a morte do transplantado, por rejeição do organismo (ainda não havia remédios que a combatessem). Com Ewaldo ou sem Ewaldo, com JT ou sem JT, a brilhante equipe do Hospital das Clínicas acabaria fazendo o transplante. Mas, com o trabalho do jornal e do jornalista, o projeto se realizou mais cedo. História notável Ewaldo Dantas Ferreira conseguiu destacar-se no jornalismo numa época em que os notáveis eram monumentos como Nahum Sirostky, Alberto Dines, José Hamilton Ribeiro, Carlos Castello Branco, Jânio de Freitas, Reynaldo Jardim, Evandro Carlos de Andrade, Luís Edgar de Andrade, Fernando Gabeira, Luiz Orlando Carneiro; e também mais tarde, quando surgiram Ricardo Kotscho, Fernando Portela, Raymundo Pereira, Ricardo A. Setti, Augusto Nunes, José Nêumanne Pinto, Moisés Rabinovici. Havia talentos em quantidade; e, entre os mais talentosos, Ewaldo Dantas Ferreira. Cinema, educação, política, segurança nacional, muitas reportagens. E muitas extravagâncias. Certa vez, Ewaldo viu na rua um caminhão fazendo as maiores barbeiragens. Fechou o caminhão com seu carro, pulou nos degraus e tentou abrir a porta. O motorista, cuidadoso, tinha travado a cabine. Ewaldo então começou a socá-lo (segundo explicou mais tarde, queria livrar o mundo dos malucos). O motorista, talvez com o mesmo objetivo, reagiu acelerando o caminhão e tentando derrubar o passageiro em algum poste. O caminhão ficou bem arranhado, o Ewaldo se feriu e teve de levar alguns pontos no rosto. Os colegas que o levaram para casa quiseram primeiro avisar sua primeira esposa de que ele estava machucado, mas ele os tranquilizou: ela já estava acostumada. Assim que ela abriu a porta e viu o marido coberto de curativos, pontos e iodo, desmaiou. Mas extravagâncias, quem nunca as fez? Talvez ele tenha feito mais do que o habitual, apenas isso. Temperam uma história profissional absolutamente notável. Coisas do Tião Medonho. (Tião Medonho? Mas esta é uma outra história, que fica para outra vez.) N. da R.: J&Cia indica a leitura da entrevista que Ewaldo deu a Cecília Prada para a revista Problemas Brasileiros nº 380, de março/abril de 2007 (http://migre.me/faWk6).