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segunda-feira, abril 13, 2026

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Prêmio FCW de Arte recebe inscrições até 13/3

Fotógrafos que tenham algum ensaio (publicado ou inédito) com o tema Brasil Contemporâneo podem se inscrever até 13/3 na 13ª edição do Prêmio FCW de Arte (Fotografia), realizado pela Fundação Conrado Wessel. O ensaio deve ter no mínimo dez imagens e ter sido comprovadamente produzido entre 1º/1/13 e 15/12/14. Serão selecionados 15 trabalhos que integrarão um livro comemorativo da premiação. Desses finalistas sairão os três vencedores, que receberão prêmios nos valores de R$ 114,3 mil (1º colocado) e R$ 42,8 mil (2º e 3º colocados). O resultado final do concurso será divulgado em 27/3 e a cerimônia de premiação ocorrerá em 15/6, na Sala São Paulo, na capital paulista, juntamente com a entrega do Prêmio FCW de Ciência, Cultura e Medicina.

Pedro Meletti deixa a Globo-SP

O produtor do programa Bem Estar Pedro Meletti deixou a TV Globo de São Paulo em 9 de fevereiro. Formado pela PUC-SP, cursa pós-graduação em Marketing pela ESPM. Como assessor, participou da equipe organizadora da visita do papa Bento XVI ao Brasil, em 2007. Em redação, foi repórter de Moda da ONG Artemoda, de Economia no UOL e produziu boletins e reportagens para a CBN. Ingressou na TV Globo como estagiário, em 2010, período em que participou das equipes de Fantástico, Globo Rural e SPTV. No ano seguinte, foi convidado a integrar a equipe do matutino Bem Estar. Ele segue para Londres nos próximos dias, onde cuidará de projetos pessoais e estará disponível para frilas pelo [email protected].   Leia mais + Jorge Antonio Barros está no TJ + Vicentinho protocola projeto de federalização dos crimes contra jornalistas + Luiz Weber acerta com Época

The Communication (R)evolution, da RBS, será apresentado em Porto Alegre

O The Communication (R)Evolution (TCR), projeto do Grupo RBS que investiga o futuro da comunicação e o comportamento dos consumidores, será apresentado em evento aberto ao público em Porto Alegre em 24/2, no Instituto Ling (rua João Caetano, 440), das 9h30 às 12 horas. No encontro, com entrada por ordem de chegada, também será relançado o site do estudo, redesenhado para que o acesso ao conteúdo seja mais funcional. No portal, o usuário encontra entrevistas feitas no Brasil e no Exterior com personalidades de diferentes áreas e organizadas em 11 premissas. O conteúdo do TC(R) foi lançado pela RBS em dezembro passado, durante a primeira edição do evento VOX. A plataforma segue sendo abastecida com material coletado por Flavia Moraes, cineasta e diretora-geral de Inovação e Linguagem do Grupo. Também estão sendo planejados eventos em formato pocket em cidades como São Paulo, Rio e Florianópolis, para apresentar a investigação, já que um dos propósitos é compartilhar o conhecimento com o mercado. Leia mais + Jorge Antonio Barros está no TJ + Memórias da redação – Branco é branco, preto é preto, mas… + Mônica Zarattini deixa o Estadão

Jorge Antonio Barros está no TJ

Jorge Antonio Barros é o novo assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio. Ele aceitou convite feito pelo presidente desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, que tem entre suas metas ampliar a transparência do TJ por meio da comunicação com a sociedade.

Jorge vai trabalhar ao lado de Regina Lunière, que cuida da comunicação interna com magistrados e servidores.

 

Morre David Carr

Faleceu nesta 5ª.feira (12/2), aos 58 anos, o colunista de mídia e cultura do The New York Times David Carr, depois de um mal-estar súbito na Redação do jornal. Carr, que chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Roosevelt, escreveu sobre mídia por 25 anos e estava no NYT desde 2002, onde, além de colunista, era uma espécie de porta-voz informal. Foi um dos principais personagens retratados no documentário Page One – Inside the New York Times (2011), de Andrew Rossi. Escreveu também para as revistas The Atlantic Monthly e New York, e para o site Inside.com. “Era o melhor repórter de mídia de sua geração, um homem notável e divertido que era um dos líderes de nossa Redação”, afirmou em mensagem interna o editor-executivo do jornal Dean Baquet. David Carr vivia em Montclair, Nova Jersey, com sua mulher, e deixa três filhas.

Memórias da redação ? Branco é branco, preto é preto, mas…

A história é de Symphrônio Veiga ([email protected]), colunista do jornal do Sindicato dos Jornalistas de Minas e que por um período foi correspondente de J&Cia em Belo Horizonte. Branco é branco, preto é preto, mas… No início da década de 1970 trabalhava na TV Itacolomi, em BH, e fora convidado pelo editor geral da emissora, Estácio Ramos, para criar e comandar a equipe de telejornalismo da mais nova emissora dos Associados: a TV Uberaba (canal 5), na cidade que lhe empresta o nome. Durante um mês antes de a emissora entrar no ar, em 9/6/1972, treinamos os funcionários selecionados. José de Oliveira Vaz, superintendente da TV Itacolomi, que coordenou a implantação da TV Uberaba, convidara para presidir a nova empresa o renomado médico uberabense e empresário bem-sucedido Renê Barsan, muito interessado pelas novas funções, participava de tudo. A emissora é inaugurada, seguida de uma missa e uma festa monumental num show espetacular de cantores famosos que lotou o Uberaba Tênis. O novo canal 5 tinha uma programação eclética e um jornalismo semelhante ao da TV Itacolomi, com programas esportivos (Papo de Bola e Bola na Área), o Jornal do Almoço, a partir de meio-dia, e o Jornal do 5, às 7 e meia da noite. Cobríamos tudo, a TV Uberaba era o retrato vivo da cidade. E prestigiadíssima pela sociedade local. Na primeira fase, a TV Uberaba não possuía nenhum profissional com formação acadêmica jornalística. Apesar disso, foram consagrados pelo trabalho como os mais talentosos que passaram pela emissora. Entre eles, Ataliba Guaritá Neto, Adriana Cecílio, Ângela Terra, Maria Helena Barra, Luiz Gonzaga de Oliveira, Constantino Calapodópolus e os irmãos Zaydan, Jorge e Farah. Chega o Carnaval, planejada a cobertura, montado o esquema: Maurício de Oliveira como repórter, Itamar como cinegrafista e o nissei Kasue como auxiliar, equipe encarregada da cobertura das festas nos cinco ou seis clubes principais. Para cobrir o movimento nas ruas, outra equipe. Os principais clubes enviaram convites para a cobertura de Carnaval, menos o Jockey, seletivo clube que reúne entre seus associados representantes influentes da elite da cidade. Além das pautas minuciosas, a recomendação: nos clubes, vamos dar espaço e tempo idênticos a cada um, cobrir os grupos de foliões mais animados, takes variados. Não beber bebida alcoólica, nem ofertada pelos clubes. Primeira noite, cobertura total, menos do Jockey Clube. Mas, por quê? –, eu quis saber. Não deixaram o repórter Maurício Oliveira entrar no salão com a equipe –, me explicaram. Nos dois telejornais, cobertura completa do carnaval de rua e nos clubes, menos no Jockey. – Parabéns pela cobertura, porém lamentável que o Jockey ficou de fora, observou o dr. René, que chegava à emissora, guiando seu Landau último tipo. – O repórter Maurício de Oliveira foi barrado e não insistiu para entrar, acatando as minhas instruções. – E por que você não escalou o Paulo Nogueira? –, perguntou e saiu, entre uma baforada e outra do inseparável cigarro Charm, sem ouvir a minha explicação. No segundo baile a mesma coisa: a tevê mostrando a animação nos salões dos clubes, menos no Jockey e o dr. René pedindo fosse escalado o repórter Paulo Nogueira. Na última noite, resolvi acompanhar a equipe e presenciei à distância da porta do clube o repórter sendo barrado. Pedi que ele aguardasse dentro do carro de reportagem e me apresentei ao porteiro do Jockey como chefe do Jornalismo da tevê, solicitando que apenas o cinegrafista Itamar e o auxiliar Kasue fizessem uns takes do salão. O porteiro perguntou se eram “só os dois”, eu disse que sim e incontinenti, muito solícito, disse “podem entrar” me convidando também para subir. Agradeci, o cinegrafista e o auxiliar entraram, preferi ficar aguardando dentro do carro com o repórter. Na Quarta de Cinzas, o dr. René novamente elogiava a cobertura, observando que no caso do Jockey registrou-se apenas som ambiente e imagens do salão. – Pena que não fizeram reportagem com entrevistas no salão –, lamentou ele. – De novo não deixaram o repórter Maurício de Oliveira entrar –, disse-lhe. – Também você é teimoso, deveria ter escalado o Paulo Nogueira, que é branco. Leia mais + Mônica Zarattini deixa o Estadão + Em novo movimento de reestruturação, Abrilpar vende controle da Abril Educação para Fundos Tarpon + Enquanto o mundo comemora O Dia do Rádio, o Brasil luta pelo reconhecimento de Landell

Mônica Zarattini deixa o Estadão

Mônica Zarattini não é mais editora-assistente de Fotografia do Estadão. Graduada em História e Mestre em Ciências da Comunicação pela USP, ela começou a fotografar em 1981, ainda estudante. Em 1988 iniciou no Grupo Estado como repórter-fotográfica. No currículo, soma os prêmios Embratel e Herzog, ambos ganhos em 2001, além de integrar o acervo de fotografias do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em janeiro deste ano, iniciou o blog De olho na foto, no site do Estadão, que continuará ativo. Mônica está disponível para novas oportunidades pelo [email protected]. Leia mais + Em novo movimento de reestruturação, Abrilpar vende controle da Abril Educação para Fundos Tarpon + Enquanto o mundo comemora O Dia do Rádio, o Brasil luta pelo reconhecimento de Landell + Repercute nota da Fenaj sobre demissão na Band-RJ

Em novo movimento de reestruturação, Abrilpar vende controle da Abril Educação para Fundos Tarpon

Objetivo é focar atenção nos negócios de mídia e distribuição. A Abrilpar, holding da família Civita que controla os negócios do Grupo Abril, informou em nota na última 2ª.feira (9/2) ter vendido suas ações na Abril Educação (20,73% do capital votante) para a Thunnus Participações, sociedade controlada por fundos de investimento sob gestão da Tarpon Gestora de Recursos. Em agosto de 2014, os Fundos Tarpon já haviam adquirido, da Abrilpar e seus acionistas, 24,21% do capital votante e 19,91% do capital total da Abril Educação. Diz ainda a nota que, com a negociação, o Grupo Abril pretende se dedicar ainda mais aos negócios de mídia e distribuição: Abril Mídia (formada por Abril Gráfica e Abril Comunicações) e DGB (Dinap, Treelog e Total Express).  Para Giancarlo Civita, chairman da Abrilpar, a negociação reflete o momento da Abril de focar sua atuação no seu core business, sem deixar de olhar para o compromisso da empresa com a educação brasileira: “A Abril pretende agora investir no que faz de melhor: produção de conteúdo e logística e distribuição de produtos. Com a estrutura mais enxuta, vamos investir mais na Abril Mídia e na DGB para fazer com que nosso conteúdo e nossas entregas sejam cada vez melhores para nossos clientes. A educação está no DNA da Abril e continuaremos atuando nela por meio desse conteúdo e também da Fundação Victor Civita, que há quase 30 anos se dedica à melhoria da educação básica do Brasil”. Segundo a Reuters, com o aditivo divulgado nesta 2ª.feira, o preço total do negócio passa a R$ 1,31 bilhão, ou R$ 12,33 reais por ação ordinária da Abril Educação. E, em até 30 dias após o fechamento da operação, a Thunnus submeterá documentação para registro na Comissão de Valores Mobiliários referente à oferta pública obrigatória para aquisição de ações restantes da companhia, pelo mesmo preço por papel pago aos controladores. Leia mais + Enquanto o mundo comemora O Dia do Rádio, o Brasil luta pelo reconhecimento de Landell + Repercute nota da Fenaj sobre demissão na Band-RJ + Eduardo Salgado, Giovanni Sandes e Maria Luiza Filgueiras são finalistas do Citi

Enquanto o mundo comemora O Dia do Rádio, o Brasil luta pelo reconhecimento de Landell

Comemora-se nesta 6ª.feira (13/2) o Dia Mundial do Rádio, data instituída pela Unesco para celebrar o rádio como um meio para melhorar a cooperação internacional entre as emissoras e incentivar as grandes redes e as rádios comunitárias a promover o acesso à informação, a liberdade de expressão e a igualdade de gênero sobre suas ondas. Para marcar a data, o Portal dos Jornalistas pediu a Hamilton Almeida, biógrafo do padre-cientista Roberto Landell de Moura, inventor brasileiro do rádio, para que contextualizasse o nosso ainda pouco conhecido inventor nessa comemoração. Confira o depoimento dele a seguir: O Dia Mundial do Rádio (World Radio Day – WRD 2015), comemorado neste dia 13 de fevereiro, é uma celebração do rádio como meio de comunicação. É também uma oportunidade para lembrarmos do ainda pouco conhecido e injustiçado padre gaúcho Roberto Landell de Moura, primeiro no mundo a fazer uma transmissão por ondas eletromagnéticas entre dois pontos. Mais que uma fonte de informação e entretenimento, o rádio tem um poder único: é o veículo que atinge mais pessoas e chega a mais lugares em todo o mundo. É uma ponte de comunicação para as comunidades distantes, as regiões em desenvolvimento e as populações vulneráveis. O rádio é apontado também o meio melhor adaptado para navegar pelas novas fronteiras digitais. O tema do evento deste ano, promovido em sua 4ª edição pela Unesco, é Juventude e Rádio. A iniciativa marca a união das nações através do rádio, destacando o papel dos jovens na vanguarda das tendências tecnológicas. Mas a Unesco considera que os menores de 30 anos, que representam mais da metade da população mundial, não estão suficientemente representados nos meios de comunicação e esta exclusão é, frequentemente, um reflexo da exclusão social, econômica ou democrática. Esse olhar para o futuro não deve, entretanto, esquecer o passado. A história mundial do rádio foi construída com o trabalho de diversos cientistas. Começou no século XIX com a descoberta da indução, por Michael Faraday, a teoria eletromagnética de James Clerk Maxwell, as experiências de Heinrich Hertz, e os estudos de Branly, Calzecchi-Onesti, Lodge, Popov, Marconi, Ruhmer, Tesla, Fessenden, Fleming, De Forest… Não menos relevante foi a participação nessa história de um brasileiro, o padre-cientista Roberto Landell de Moura. Figura ainda pouco conhecida dos jovens e da população em geral, padre Landell foi pioneiro das telecomunicações ao realizar a mais antiga transmissão ponto a ponto e de radiodifusão que se tem notícia em todo o mundo. No domingo 16 de julho de 1899 ele fez uma experiência pública, na capital paulista, em que se comunicou do Colégio Santana, em uma colina da rua Voluntários da Pátria, na zona norte, até a Ponte das Bandeiras, em uma distância aproximada de 3,8 km. – Toquem o hino nacional –, ordenou o padre-cientista, através do tubo do aparelho. E, em seguida, ouviu-se o som pátrio. Essa pioneira experiência foi testemunhada pelo fundador e diretor da Escola Politécnica de São Paulo, Antônio Francisco de Paula Souza, o gerente da Companhia Telefônica, J. Miranda, empregados do Telégrafo Nacional, empresários e jornalistas. Seis jornais divulgaram o fato inédito: O Estado de S.Paulo, O Commercio de São Paulo, Correio Paulistano, Jornal do Commercio (RJ), A Imprensa e Jornal do Brasil. Logo, padre Landell fez outras experiências – entre a Avenida Paulista e o alto de Santana, por exemplo, e também patenteou as suas invenções no Brasil. Apesar de todos os esforços, não recebeu o apoio nem o patrocínio de ninguém e ainda amargou a destruição dos seus incríveis aparelhos por um grupo de fiéis ensandecidos que acreditavam ser ele um padre que se comunicava com o demônio… Firme em seus propósitos e consciente do valor científico que dispunha nas mãos, foi para os Estados Unidos e lá obteve três patentes, no final de 1904. De volta ao Brasil, acreditando que o novo momento lhe seria favorável, tentou convencer o Governo Federal a utilizar os seus aparelhos nas fortalezas do Rio de Janeiro e não foi atendido. Solicitou recursos ao Governo de São Paulo para industrializar o rádio e também não foi atendido… Injustiçado em seu próprio país, padre Landell assistiu à instalação da rede de telegrafia marítima e ao início da radiodifusão. Tudo com tecnologia importada. Ficou à margem da história oficial, embora o seu nome seja destacado como o pioneiro na invenção do rádio por um livro italiano – Tu piccola scatola. La radio: fatti, cose, persone, de Laura  de Luca e Walter Lobina –, pela Encyclopedia of Radio, edição editada nos EUA e na Grã-Bretanha, e em obras alemãs – Pater und Wissenschaftler, de Hamilton Almeida, e Göttliche Geistesblitz, de Eckart Roloff. Com o passar do tempo, suas patentes norte-americanas foram citadas nas referências de outros seis inventos lá patenteados; além disso, o texto de uma carta-patente de 2012 reconhece o seu pioneirismo na transmissão da voz humana sem fio. Como que imitando o próprio rádio, a obra do padre Landell sempre ultrapassou as fronteiras nacionais. Por isso, o WRD também é um dia em que ele deve ser lembrado, na esperança de que, um dia, seja celebrado no Brasil como o verdadeiro Pai do Rádio.

Repercute nota da Fenaj sobre demissão na Band-RJ

A Fenaj emitiu em 6/2 uma nota de repúdio à demissão do repórter Jackson Silva da Band do Rio, no início deste mês (2/2). O motivo da dispensa teria sido a recusa dele a assinar um termo que isentava a emissora de responsabilidade sobre consequências da cobertura realizada em áreas de risco.

Rodolfo Schneider, diretor da Band no Rio, reagiu com indignação: “Nunca existiu esse termo, nunca ouvi falar de uma empresa ter isso. Jackson foi chamado para receber uma advertência de que infringia regras de segurança, e não concordou em assinar a advertência. Ao contrário do que disse a Fenaj, existem, sim, regras de segurança – estão aqui para serem apresentadas a quem for – e ele as infringiu: não usava o capacete balístico que fornecemos, não estava perto do motorista para sair do local com rapidez. Não tem que entrar na favela, não é para entrar junto com a polícia. A melhor imagem não vale o menor risco, não cobro isso de ninguém. Temos reuniões periódicas sobre segurança, com o que pretendemos implantar e os prazos para implantar. Não é conversa de corredor, são reuniões formais. O desligamento é mais uma demonstração de que temos nossas regras de segurança. Não queria dispensar o Jackson, é bom repórter, era da produção e foi promovido. Mas perdemos Gelson em conflito de favela, e isso não pode acontecer de novo”.

O cinegrafista da Band Gelson Domingos morreu baleado por traficantes durante um confronto com policiais, em novembro de 2011. Jackson Silva dá a sua versão: “Um diretor da Fenaj no Rio soube pelos colegas e me ligou. Contei o que aconteceu, e ele perguntou se poderiam fazer uma nota. Durante o tiroteio da Vila Aliança, Zona Oeste do Rio, eu e o cinegrafista tínhamos três alternativas: seguir para o blindado, deitar no chão ou correr para o carro da equipe. Preferi o blindado por questão de segurança: ali havia policiais para nos proteger. A Band tem outros programas com cobertura policial, o Brasil Urgente, o Datena. Antes de passar para o Jornal da Band, esperavam que o [Ricardo] Boechat falasse da matéria de outra forma. Ele falou do risco, o que não era novidade para ninguém. Quando ele assumiu essa posição, mudou o discurso para se proteger, para mostrar que não era conivente com o risco. E sobrou para mim. No dia seguinte, recebi uma carta de advertência, que dizia que eu estava assumindo riscos e que, se no futuro isso viesse a acontecer, eu seria punido. Questionei o fato de que a empresa está ciente do tipo de matéria que eu faço. Não assinei a carta e o RH pediu para explicar por quê. Mandei um e-mail contando, e dizendo que a responsabilidade era da empresa, não minha. Minhas fontes na polícia me avisavam sobre as operações com antecedência, e eles pautavam. Eu executava o que era pedido. Gostavam desse tipo de matéria, que eu fazia porque empresa pedia, mas não queriam assumir. Foram omissos em todos os momentos. A ordem do diretor era: fica longe, não faz a matéria. Fala para não entrar, para ficar no acesso, mas pode ser até pior para levar um tiro. Ideal era não fazer esse tipo de cobertura”.

Jackson esteve na Band por quase cinco anos, tem passagem por TV Globo e assessoria da Guarda Municipal. Paula Máiran, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, afirma que soube do caso pela nota na Fenaj: “Não temos contato direto com esse profissional, e a Fenaj infelizmente se pronunciou sem antes conversar conosco. É fundamental garantir o fortalecimento das nossas entidades na questão da segurança”.

Durante a reunião semanal da diretoria, na 2ª.feira (9/2), a questão foi discutida. Paula prossegue: “Deliberamos que o primeiro passo será cobrar esclarecimentos da própria Band. E num dia muito especial, 10/2, em que faz um ano da morte de Santiago Andrade”. Celso Schröder, presidente da Fenaj, comenta os desdobramentos: “Fizemos a nota a partir de uma demanda de jornalistas do Rio. O diretor de Jornalismo da Band gentilmente nos ligou, fez suas considerações, tentou explicar o que teria acontecido, e parece compartilhar uma posição parecida com a da Fenaj. Estou planejando ir ao Rio, e devemos nos encontrar para conversar sobre que posições seguir”.

A Fenaj registrou, em documento recente – Relatório 2014 da violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil – os indicadores fortíssimos do aumento da violência no Brasil. Schröder propõe três ações: no âmbito parlamentar, uma lei federal que auxilie nas investigações; por parte do Executivo, um acompanhamento desde as denúncias até o esclarecimento; e um Protocolo de Segurança, válido para todos os estados, para a constituição de uma comissão de segurança nas empresas.

Nessa comissão, os jornalistas, juntamente com as chefias, vão analisar a pertinência dessas pautas e como fazê-las, além de equipamento, treinamento jornalístico mais investigativo, e seguro de vida para os profissionais.

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