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segunda-feira, abril 13, 2026

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Dora Kramer entra de licença no Estadão

O Estadão concedeu esta semana uma licença à sua colunista Dora Kramer, a pedido dela, deixando em aberto o prazo de retorno. Em seu facebook Dora explicou que “depois de 41 anos de carreira e 20 de coluna (a serem completados em agosto próximo), a vida avisou que era hora de suspender os trabalhos a fim de que o prosseguir seja mais produtivo que a permanência”.

Na mesma mensagem informou que não iria discutir o assunto, mas apenas dar uma satisfação a título de retribuição à atenção que sempre recebeu. E mostrou-se confiante “de que o capital acumulado faz com que o melhor esteja por vir”.

A notícia ganhou nas redes sociais outras interpretações, inclusive de que ela teria sido demitida, coisa que sequer mencionou em sua mensagem. As razões da licença são para tratamento de saúde e por isso tanto ela quanto o jornal mantêm reserva sobre o assunto.

Xico Sá é o novo colunista de El País

Cinco meses depois de deixar a Folha de S.Paulo, Xico Sá volta ao posto de colunista, agora na edição brasileira de El País, onde estreia nesta 6ª.feira (6/3). O cearense do Crato escreverá semanalmente sobre “suas três paixões”: política, futebol e amor. Com 30 anos de experiência em redação diária, Xico usou esses meses sabáticos para revisitar clássicos da Literatura, como contou em entrevista ao próprio El País, e gravar o Saia Justa Verão, ao lado de Du Moscovis, Leo Jaime e Dan Stulbach, para o GNT. E não deixou as redes sociais de lado. A interação com seus leitores via twitter e facebook segue firme, forte e polêmica – como sua saída da Folha. Era outubro de 2014, véspera de eleições presidenciais quando a Folha de S.Paulo decidiu não publicar um texto em que Xico abordava a timidez dos jornais em tomar uma posição política. Vetado do caderno de Esporte, o texto Fla x Flu eleitoral – publicado posteriormente na coluna Ombudsman, de Vera Guimarães Martins – defendia que os jornais brasileiros deveriam ter uma postura mais parecida com a de jornais norte-americanos, que declaram seus candidatos. Xico declarou seu voto em Dilma, o texto não foi publicado e ele pediu demissão. A Folha alegou que o texto feria a política do jornal, segundo a qual os colunistas devem evitar fazer proselitismo eleitoral. Leia mais + Michelle Monte Mor estreia coluna em revista de bordo da Passaredo + Vaivém das Redações! + Vinicius Montoia deixa a Carro e vai para o jornal Oficina Brasil

Michelle Monte Mor estreia coluna em revista de bordo da Passaredo

Editora do site Hi-Mundim, que traz dicas de passeios e informações sobre motor, turismo e gastronomia, além correspondente em São José do Rio Preto da revista Jornauto, de Gilberto Gardesani, Michelle Monte Mor passou a escrever este mês para a revista Pass, publicação de bordo da Passaredo Linhas Aéreas. A revista é mensal e a partir de agora abre espaço para o tema automóvel em coluna assinada por Michelle. Ela recebe sugestões de pautas pelo 17-997-511-901 ou [email protected]. Leia mais + Vaivém das Redações! + Vinicius Montoia deixa a Carro e vai para o jornal Oficina Brasil + Rádio Bandeirantes fala sobre anônimos no Bandeirantes Acontece

Vaivém das Redações!

Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias redações de São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais: São Paulo Após um período em Londres, Laelya Longo está de volta ao mercado e em busca de recolocação profissional. “Fiquei quatro meses na capital britânica. Por lá, além de aprimorar meus conhecimentos da língua inglesa, pude entrar em contato com grupo Stop War Coalition, exatamente no momento em que Israel bombardeava a Faixa de Gaza, e também pude conhecer o trabalho da Anistia Internacional”, destaca. “De volta ao Brasil, no final do ano passado, entrei em contato com o Instituto de Reintegração do Refugiado – Brasil, para dar aulas de português e atender aos refugiados que procuram a entidade, e paralelamente, motivada por uma tragédia na família, estou organizando um grupo de apoio e discussão sobre a depressão e seu impacto na vida das pessoas”. Com passagens pelo DCI e pela agência de notícias sobre mercado financeiro CMA, ela atende pelo [email protected] ou 11-991-035-588.   A repórter da Ilustrada Isabelle Moreira Lima deixou a Folha de São Paulo após um ano de casa, em sua segunda passagem pelo jornal, onde havia sido repórter de Cotidiano e da coluna Mercado Aberto, entre outras editorias. De 2011 a 2013, foi correspondente freelancer nos Estados Unidos para diversas publicações, como Serafina, Monet, Joyce Pascowitch e Capital Aberto. Anteriormente, trabalhou no G1 e no Brasil Econômico. Seu contato é [email protected]. Distrito Federal Mino Pedrosa passa a comandar diariamente, em março, um programa na 104.1 FM. A emissora pertence a Luiz Estevão, que decidiu mudar o formato da programação, com mais notícias e comentários. O objetivo seria concorrer com a CBN. Um dos mais polêmicos jornalistas de Brasília e editor do blog QuidNovi, Mino avisa: “Não vou ter dó de ninguém. Só do patrão e da família dele”.   Outra rádio, a Nova Aliança FM, passa a contar com uma equipe esportiva composta por cinco profissionais: Alex Nunes, Carlos Júnior Garcia, Jorge Macedo, Lucas Bolzan e Thiago Silva, que trabalharam juntos na Rádio Ativa FM/Rádio Esportes Brasília. As transmissões começaram em 22 de fevereiro. A emissora informa que também vai acompanhar o DF no basquete (Novo Basquete Brasil), no vôlei (Superliga Feminina) e que preparando um programa esportivo diário com comentários da equipe, além da participação de convidados especiais e ouvintes.   Minas Gerais Georgia Choucair, ex-repórter do caderno de Economia do Estado de Minas, passou a integrar a equipe da Revista Encontro, também do grupo Diários Associados. Os novos contatos dela são [email protected] e 31- 2126-8030.   Emerson Araújo é o novo estagiário da editoria de Economia de O Tempo. Ele ficará responsável, entre outras funções, por receber e distribuir pautas direcionadas ao e-mail [email protected]. O telefone de contato é 31-2101-3926.    Leia mais + Vinicius Montoia deixa a Carro e vai para o jornal Oficina Brasil + Rádio Bandeirantes fala sobre anônimos no Bandeirantes Acontece + Regina Augusto deixa o Meio&Mensagem  

Vinicius Montoia deixa a Carro e vai para o jornal Oficina Brasil

Após três anos e meio na Motorpress Brasil, período em que atuou como estagiário e depois repórter das revistas Carro e Carro Hoje e do site Carro Online, Vinicius Montoia despediu-se da editora na última semana. E desde 3ª.feira (24/2) passou a integrar o time do jornal Oficina Brasil, onde chega para atuar como repórter, além de cuidar do site www.oficinabrasil.com.br e das redes sociais da publicação, que atualmente conta com mais de 260 mil seguidores no facebook. “Entrei na Motorpress logo no segundo semestre da faculdade”, destaca Montoia. “Esse foi o meu primeiro emprego e lá aprendi a ser repórter de diversas mídias, como impressa, online e televisiva. Trabalhei ao lado de ótimos jornalistas que me ensinaram a gostar ainda mais de carros. As experiências de ter trabalhado em uma redação tão democrática foram inúmeras: viagens internacionais, entre eles um workshop na fábrica da Volkswagen na Alemanha, além da gratificante oportunidade de gerenciar o canal do site Carro Online no youtube, com destaque para a cobertura que fizemos no ano passado durante o Salão do Automóvel, transmitida durante o evento para o portal Terra. No Oficina Brasil meu desafio será entender um pouco mais do aftermarket e como ele é importante para o mercado de peças e seus mais de 28 milhões de consumidores no Brasil”. O novo contato dele é [email protected].   Leia mais + Rádio Bandeirantes fala sobre anônimos no Bandeirantes Acontece + Regina Augusto deixa o Meio&Mensagem + Ricardo Gallo lança livro sobre brasileiro fuzilado na Indonésia

Rádio Bandeirantes fala sobre anônimos no Bandeirantes Acontece

A Rádio Bandeirantes estreou neste domingo (1º/3), dentro do programa Bandeirantes Acontece, transmitido das 20h às 22h, o quadro RádioDoc, que trará reportagens especiais sobre a vida de pessoas anônimas. O quadro irá ao ar todo primeiro domingo do mês, em formato de documentário, tendo de 15 a 20 minutos de duração. Segundo o repórter Caetano Cury, responsável pela produção das reportagens, o quadro explora ao máximo os efeitos que o rádio oferece: “As matérias que forem ao ar serão mais aprofundadas e utilizarão trilhas, efeitos sonoros, músicas que refletem o tema e depoimentos para levar o ouvinte ao ambiente em que se passa a história”. O programa também pode ser conferido no http://www.radiobandeirantes.com.br.   Leia mais + Regina Augusto deixa o Meio&Mensagem + Ricardo Gallo lança livro sobre brasileiro fuzilado na Indonésia + LabPop Group arrenda o título Gula

Regina Augusto deixa o Meio&Mensagem

Regina Augusto, diretora Editorial do Grupo Meio & Mensagem, anunciou nesta 6a.feira (27/2) sua saída da empresa após 19 anos. Ela deverá permanecer à frente da Redação até 31/3, quando passará a dedicar-se ao lançamento de seu próprio negócio, uma agência de reputação e engajamento de marcas, a ser apresentada ao mercado ainda neste primeiro semestre. Jonas Furtado será o editor-chefe da publicação  a partir de 1o de abril. Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista, com especialização em Jornalismo Econômico pela PUC-Cogeae e MBA em Ciências do Consumo Aplicadas pela ESPM, Furtado está no grupo desde 2009, onde entrou como repórter e, dois anos depois, foi promovido a editor de Marketing. Antes do M&M, atuou nas editoras Três (revistas IstoÉ Gente e IstoÉ), Abril (Guia QuatroRodas, SuperSurf e Superinteressante) e Peixes (Fluir).  Regina começou no M&M em 1996, como repórter, aos 25 anos. Vencedora de duas edições do Prêmio Comunique-se (em 2008 e 2013), na categoria Melhor Jornalista de Comunicação, é formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Também é escritora e professora do curso de pós-graduação em Gestão da Comunicação e Marketing Digital da Faap. Estreou como autora em 2012, com o lançamento do livro No centro do poder (editora Livros de Safra), que conta a trajetória de Petrônio Corrêa, cofundador da agência de publicidade MPM. “Saio com a certeza de que estou deixando um legado importante para a construção da principal marca editorial do nosso trade e com um misto de sentimentos. Toda minha identidade profissional foi construída nesta casa, que comunga comigo de princípios éticos e profissionais. Por isso, essa parceria foi tão profícua e duradoura. No entanto, é chegada a hora de alçar novos voos”, disse em nota. “Regina cresceu junto com o Meio & Mensagem e soube sempre se colocar de maneira séria e profissional em momentos importantes para nosso mercado, sendo a sua voz. É um belo ciclo que se encerra com sua saída”, comentou José Carlos de Salles Gomes Neto, presidente do grupo. Além da promoção de Jonas Furtado a editor-chefe, os jornalistas Alexandre Zaghi Lemos e Igor Ribeiro assumem novas funções: respectivamente, editor executivo e editor.

Heródoto Barbeiro e Alexandre Caldini Neto participam de bate-papo na Livraria Cultura, neste sábado (28/2), em SP

Bella Editora, Planeta e Livraria Cultura convidam para o bate-papo Como viver em equilibrio na cidade grande, com a presença dos jornalistas Heródoto Barbeiro e Alexandre Caldini Neto, além de monja Cohen, Luc Bouveret, Maria Eugenia Rudge e David Arzel. O evento será em São Paulo neste sábado (28/2), das 11h às 12h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073).

Memórias de redação ? Carnaval é na Manchete. Saíamos todos no Adolpho Bloco 

A história desta semana, que furou a fila por motivos carnavalescos, é de Roberto Muggiati, que começou em 1954 na Gazeta do Povo, de Curitiba, teve passagens por revista Senhor, BBC de Londres, Bloch (Manchete, Fatos&Fotos), Abril (Veja, Realidade, em 1968-69, em SP) e desde 2000 atua como frila. Escritor e colunista de rock, edita o blog Panis Cum Ovum, onde em 18/2 foi originalmente publicado este texto. Carnaval é na Manchete. Saíamos todos no Adolpho Bloco Nos meus tempos de rapaz, eu adorava Carnaval. Coisa curiosa, na última 6ª.feira, o Rio já tomado pela folia, de repente me vi no final da Rua da Lapa, já na Glória, a caminho da casa de jazz TribOz. Dei-me conta então de que, 60 anos antes, eu caminhava pelo mesmo lugar, à mesma hora, no meu primeiro dia de Rio de Janeiro. Esbaldei-me no baile de domingo do Clube Curitibano e saí direto para o aeroporto Afonso Pena. Lá, pelas sete da manhã, peguei um Douglas DC3 no voo Curitiba-Rio e me hospedei no Hotel Regina, no Flamengo. Nada de descansar. Deixei as malas no quarto e sai pelas ruas do centro para acompanhar o Carnaval. No fim da tarde, naquele mesmo local na divisa Lapa-Glória, uma traveca mulata de dois metros de altura me deu uma patolada inesquecível, uma verdadeira epifania momesca. Enfim, vale esse nariz-e-cera para dizer que eu adorava o Carnaval. Foi a partir de 1975 que começou minha overdose de Carnaval. Investido da função de diretor da revista Manchete – no lugar de Justino Martins – passei a ficar aqueles três dias prisioneiro das edições de Carnaval. Sim, naqueles tempos nós esgotávamos três edições seguidas: a pré-carnavalesca, a de Carnaval e ainda a de pós-Carnaval. A pré se valia de um evento que era um factoide criado pela própria revista. Com a cumplicidade do Comodoro do Iate Clube do Rio de Janeiro – que era amigo do Adolpho Bloch –, a Manchete promovia o baile “Uma Noite no Havaí”. As mais bonitas garotas de programa da Zona Sul eram arrebanhadas pela produção da Manchete, enfiadas em ônibus fretados e desovadas no entorno da piscina do Iate, na Urca. Havia peitinhos à mostra, mas não se publicavam tais fotos – a revista seria recolhida. Ficávamos no limiar entre o erótico e o pornô. Para as garotas, aquilo era o seu catálogo – uma foto de página inteira valia um considerável aumento de michê. Fechávamos no sábado, com uma foto do baile na capa. Muitos cavalheiros nos telefonavam ou até procuravam na redação, temerosos de que publicássemos sua foto abraçado a uma “havaiana” – que certamente não era a sua “legítima metade.” (Na época, durante o verão, o Rio ficava entregue não às baratas, mas às “cigarras” – aqueles maridos que, pretextando negócios e trabalho, despachavam a família para a Serra, ou para a Região dos Lagos, e ficavam na calorenta metrópole… se esbaldando, é claro.) Descansávamos até o sábado de Carnaval, quando começava a verdadeira pauleira. Resumindo: era preciso muita rapidez e jogo de cintura para editar uma revista em três dias e meio. Quilômetros de celuloide eram expostos e revelados. A qualidade exigia fotos em grande formato da Hasselblad, a sucessora da Rolleiflex. Cromos em 6×6 ou até em 7×5. As cenas mais dinâmicas eram flagradas em 35 milímetros. Os rolos de filmes dos diferentes eventos eram recolhidos por motoqueiros e trazidos para serem revelados no laboratório. Os banhos das emulsões químicas tinham de ser vigiados atentamente para evitar qualquer queima de filme. A edição das fotos era uma epopeia. As tiras de cromos subiam do laboratório envolvidas em plástico protetor. O Alberto de Carvalho fazia a pré-seleção, com seu lápis de cera vermelho, marcando um X nas melhores fotos. Uma equipe cortava cada cromo e o emoldurava para a projeção. Os cromos grandes eram colocados na travessa linear; os 35 mm, no carrossel. Todo mundo assistia à projeção – da alta diretoria aos contínuos. A reação daquela vintena de pessoas – de diferentes classes sociais – servia como uma espécie de pesquisa de opinião para o editor. Ele anotava mentalmente as imagens campeãs; e o Alberto anotava o número de cada foto e já colocava uma seleção das melhores na “churrasqueira”, uma mesa de quase dez metros de comprimento com visor de acrílico iluminado por lâmpadas frias (que faziam um calor danado). Aí o editor (eu) escolhia as fotos e desenhava a paginação para o chefe de Arte, o grande Wilson Passos. Não era só o desfile das escolas do Rio e de São Paulo (que construiu o seu sambódromo também), havia ainda o tititi dos camarotes, o desfile de fantasias do Hotel Glória, os Galas Gays e Scalas da vida e os bailes do Copacabana Palace e do Morro da Urca, a Feijoada do Amaral etc. Tinha também a Bahia com seus afoxés e trios elétricos; e Olinda e Recife, com os bonecos e a apoteose do Galo da Madrugada. Todo esse material se deslocava fisicamente, nos primeiros voos, dentro de malotes, para ser revelado no Rio. Acompanhávamos o desfile das escolas de samba (Rio e São Paulo) e fechávamos as últimas páginas na manhã de 3ª.feira com as escolas cariocas da noite de 2ª. Lembro que chegávamos à redação às quatro ou cinco da manhã e começávamos a esquadrinhar as fotos das últimas escolas. De repente, um sol rubro se erguia sobre a linha do horizonte marcada pelo mar na entrada da baía de Guanabara e banhava com seus primeiros raios as madeiras nobres e o assoalho em tábua corrida. Não tínhamos tempo de admirar a vista, mas ela estava ali, ao nosso alcance: o Pão de Açúcar à direita, a Fortaleza de São João à esquerda. Era a hora clássica do pão com ovo – nosso emblema gastronômico, que nomeia esse blog. Um prato dividido por um acirrado cisma ideológico: a natureza do pão era uma em Manchete, outra em Fatos&Fotos (o pão de forma versus o pão francês, já contamos essa história antes…) Lá pelas onze da manhã, voltávamos para casa, com a consciência do dever cumprido. Às vezes, Adolpho Bloch nos levava, em petit comité, para almoçar em algum restaurante caro e arcava com a conta. A revista pós-Carnaval tinha uma capa definida. Reuníamos numa foto de estúdio cerca de dez destaques do Carnaval, das escolas, dos desfiles de fantasias e outras freguesias (um ano, por exemplo, a musa do Carnaval foi a estrelinha que acompanhava o presidente Itamar Franco no camarote presidencial e, no calor do samba, ergueu os braços num gesto que, suspendendo a camiseta, revelou que a moça esquecera as calcinhas em casa… ou em algum outro lugar.) O Tarlis Baptista, encarregado da produção, tornava-se naqueles dias a pessoa mais procurada do Rio de Janeiro: todo mundo queria sair naquela capa. E assim se passaram 21 anos, até que, em 1996 – Adolpho Bloch morto no anterior – o Jaquito [N.daR.: Pedro Jack Kapeller, que assumiu a editora] contratou uma troika de São Paulo para salvar a revista. Pela primeira vez em 21 anos, deixei a direção da Manchete. Vi-me investido da função de editor de Projetos Especiais e deslocado para a cobertura do terceiro prédio do Russell, uma sala imensa que eu dividia com o Mauro Costa, da tevê, também jogado para escanteio. Foi a melhor época da minha vida na Bloch, longe daquele insensato mundo, esquecido dos chatos – minha sala era acessada através de uma escada em caracol que só pessoas em plena forma física podiam galgar. Mas o sonho durou pouco. Quando chegou o Carnaval de 1997, Jaquito deu férias aos paulistas e me convocou para fazer a edição de Carnaval. Alegou: “Esses caras não entendem nada de Carnaval…”. Ainda fechei as edições carnavalescas de 1998 e 1999. Em 2000, com o pé quebrado, fechei as edições de Fatos&Fotos – tinha a Fatos&Fotos Gay, bilíngue, um hit, lembro de uma madrugada, revendo os últimos leiautes, a perna sobre uma cadeira, a muleta canadense ao lado – e passa pelo corredor das redações uma figura fantasmagórica, uma sílfide deslizando como se fosse alçar voo. Era a Isabelita dos Patins, sobre as rodinhas como sempre, e nos ajudando na consultoria de assuntos e gírias gays. Todo esse trabalho, o desencanto com as engrenagens sórdidas do Carnaval comercializado, transformado em programa de TV, a euforia fingida das celebridades, me fez cansar do Carnaval. Sem mencionar que o de hoje, com subvenções até de um ditador de um país africano faminto, nada tem a ver com aquele de 1966, quando fui escalado para entrevistar um jovem talento da Princesa Isabel, Martinho da Vila. Seja como for, vale a lembrança: além de outras áreas, a Manchete pontificou – e muito – também no Carnaval.

Ricardo Gallo lança livro sobre brasileiro fuzilado na Indonésia

Com um debate que terá a participação de Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S.Paulo, Ricardo Gallo, repórter do caderno Cotidiano do jornal, lança na capital paulista na próxima 4ª.feira (4/3), às 18h30, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 618 – Piso Pacaembu), o livro Condenado à morte – A história do primeiro brasileiro a receber a pena capital e ser executado no exterior (Três Estrelas/Publifolha). A obra, com tiragem inicial de cinco mil exemplares, tem com base cinco anos de pesquisas sobre a vida de Marco Archer Cardoso Moreira, o primeiro brasileiro a ter sido executado no exterior em tempos de paz, além de uma entrevista que Ricardo fez com o condenado na prisão, na Indonésia. O autor falou ao Portal dos Jornalistas sobre o livro: Portal dos Jornalistas – O que o levou a escolher essa história para transformar em livro? Chegou a acompanhar de perto a cobertura do episódio? Ricardo Gallo – Em agosto de 2009, a Folha me indicou para representar o jornal em um fórum econômico e de turismo na Indonésia. Comecei, então, a procurar pautas relacionadas ao país e encontrei a história do Marco Archer Cardoso Moreira, na ocasião já condenado à morte por tráfico de drogas. Minha ideia inicial era fazer uma reportagem para a Folha. Passei a tentar entrar em contato com a mãe do Marco e, em janeiro de 2010, consegui enfim entrevistá-lo, por telefone, o que resultou em uma reportagem publicada no caderno Cotidiano. Mantive contato com o Marco por telefone e notei que a história dele rendia mais do que uma reportagem. Ele próprio achava que a história dele valia um livro – e então levei essa proposta adiante. Primeiro, procurei o editor da Publifolha Alcino Leite Neto, que gostou da história; em agosto de 2010, tirei três meses de licença do jornal e fui para Indonésia, Holanda, Cingapura, Rio e Manaus apurar a história dele. Na Indonésia, estive na prisão de Pasir Putih, na cidade de Cilacap, onde entrevistei o Marco pessoalmente. Depois, ao voltar, comecei a escrever o livro e apurá-lo mais. Aqui no jornal, cobri essa história desde 2010, com todos os desdobramentos. Fui o único na grande imprensa a entrevistá-lo desde então, tanto para o jornal quanto para o livro. Em janeiro de 2015, voltei a Cilacap para cobrir, para a Folha, a execução dele. Portal dos Jornalistas – Quais as maiores dificuldades enfrentadas e o que fez para superá-las? Ricardo – As maiores dificuldades foram apurar muitas das informações do caso à distância (a Indonésia fica a dois dias de viagem, de avião) e o contato com o governo indonésio. Contei com ajuda de jornalistas locais para falar com autoridades de lá e usei conhecidos para traduzir documentos em bahasa, a língua indonésia. Outra dificuldade foi obter informações com o Itamaraty, que não tinha nem tem interesse em dar exposição ao caso. Mas durante a apuração veio a Lei de Acesso à Informação e, por meio dela, obtive telegramas trocados entre a embaixada do Brasil em Jacarta e a sede do Itamaraty, em Brasília, sobre o caso do Marco. Pesquisei também centenas de documentos de entidades como ONU e Anistia Internacional. Portal dos Jornalistas – O que mais o impressionou nesse episódio todo? Ricardo – A ousadia do Marco ao fugir, logo depois de ter sido flagrado com droga no aeroporto na Indonésia. Ele ficou duas semanas foragido. Outra coisa foi a corrupção do sistema judiciário indonésio. Entrevistei um prisioneiro que entrou no país com cocaína, tal qual o Marco, mas que pagou a um juiz para não ser condenado à morte. Esse prisioneiro hoje está solto, enquanto o Marco foi fuzilado. Outro episódio que chama a atenção é a crueldade da execução da pena: o Marco foi posto em uma cruz para ser fuzilado. Ele, paradoxalmente, até receber a notícia de que seria executado, não achava que ia morrer. Portal dos Jornalistas – Pode falar um pouco dos bastidores, citando alguma curiosidade do trabalho de campo e das pesquisas? Ricardo – Eu não contava que o Marco fosse ser morto. Em 2014, concluí o livro com o último capítulo batizado de Condenado ao esquecimento. Esse capítulo contava que o Marco não seria solto, mas tampouco seria morto. Era essa a realidade durante a gestão do presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono. O presidente era linha dura no discurso mas moderado na prática, e se comprometeu com o governo brasileiro a não executar o Marco. Ocorre que o presidente deixou o cargo em outubro de 2014 e o sucessor, Joko Widodo, assumiu disposto a fuzilar quem estivesse condenado à morte por tráfico de drogas. Foi então que a situação do Marco começou a se complicar. Em janeiro, eu soube por uma autoridade indonésia que o Marco seria executado. Procurei imediatamente o editor do livro, o Alcino, que interrompeu os planos de impressão. Logo depois que o Marco foi fuzilado, alterei os dois últimos capítulos e ele foi impresso. Portal dos Jornalistas – Como conseguiu compatibilizar o dia a dia de repórter com o projeto do livro? Ricardo – Foi um pouco puxado. Em 2010, fiquei três meses fora do jornal para apurar o livro. Depois, voltei a trabalhar e fui apurando o restante e escrevendo aos poucos. Usei parte de duas férias para concluir o livro. Está chegando às livrarias e em e-book O segredo da casa de Deus (Copacabana), romance de estreia de Neuza Sanches, que traz a história da misteriosa morte de um papa e sua investigação por um cardeal com a saúde abalada. Com passagens por Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, Veja e Época, Neuza é também autora do livro de não-ficção Saúde para executivos.

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