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O Povo publica especial sobre Iracema, personagem de José de Alencar

A índia de longos cabelos negros como a noite sem luar ganha homenagem de O Povo por seus 150(!) anos. Iracema, de José de Alencar, é objeto de uma “experiência multimídia”, com direito a debate, caderno, webdoc e hotsite. Em nota, a editora-executiva do núcleo de Cultura e Entretenimento Cinthia Medeiros explica os três eixos principais do caderno: caminhos, olhares e escritos. Segundo ela, era necessário, ao mesmo tempo, “refazer os caminhos de Iracema, lançar olhares para as marcas físicas e comportamentais herdadas desse mito e explicar a importância da forma como esse romance foi escrito para dar a real dimensão da contemporaneidade dessa história”.

Sylvio Guedes assume TV Senado sob queixas de ?desmonte? na emissora

Sylvio Guedes assumiu a Diretoria da TV Senado no lugar de Junia Melo, que deixou o cargo recentemente. Saiu também a adjunta Isabela Dutra, ainda não substituída. Ambas permanecem nos quadros do órgão. A decisão sobre a troca de comando no veículo teria partido da diretora de Comunicação Virgínia Galvez, por desentendimentos com a então diretora da TV. Fontes da TV Senado comentaram com o Portal dos Jornalistas que a medida é considerada uma intervenção por parte da direção de Comunicação da Casa e que a emissora vem passando por um “verdadeiro desmonte” desde 2007. Segundo essas fontes, um dos principais motivos para a crise instalada teria iniciado após a primeira renúncia do presidente Renan Calheiros, quando este entendeu que a TV teria feito campanha contra ele. À época, disse um servidor da Casa, os profissionais de Comunicação do órgão não receberam orientação alguma que pudesse pautar seus trabalhos, e se orientaram “veiculando o que era notícia, como aprenderam e fariam em qualquer outro veículo”. Eles contaram que quando Renan reassumiu a Presidência houve intervenções também em outras áreas do Senado, em especial na Comunicação. Desde aquela época, e principalmente nos últimos cinco anos, a TV vem perdendo profissionais, que pediram para sair ou se licenciaram por ordem médica. Além disso, a emissora reduziu suas retransmissões pelo País e a apresentação de documentários, assim como interrompeu a veiculação de programas premiados. O que se comenta em Brasília é que o desmonte da TV Senado acontece para favorecer a terceirização da emissora, com compra de conteúdos e favorecimento de produtoras ligadas a senadores. Concursado desde 1998, Sílvio estava licenciado do Senado, onde desempenhava as funções de editor e redator do Jornal do Senado e da Revista Em Discussão. Ele tem passagens por JB, Jornal de Brasília, Câmara Legislativa do DF, Correio Braziliense, EBC e Agência Reuters. Trabalhou ainda durante muito tempo com o ex-senador Luiz Estevão.

Edson Rossi e Denise Gianoglio passam a atuar como consultores associados 

Edson Rossi e Denise Gianoglio associaram-se recentemente para atuar na área de consultoria e produção de conteúdo para marcas. Ambos são ex-Abril e nesta nova jornada, como consultores independentes, já estão atendendo à Evolve, empresa de tevê corporativa que sucedeu a antiga Elemídia Empresas. Edson, a propósito, deixou a Elemídia em setembro, no rastro de mudanças que os novos controladores decidiram fazer no conteúdo, tendo como razão maior a redução de equipe. Denise deixou há alguns meses a Abril, num dos cortes anunciados pela empresa.

Conheça os +Admirados das cinco regiões

Feita em dois turnos de votação, sob a coordenação da Maxpress, votação abrangeu um colégio eleitoral com 48 mil nomes. Nesta edição são apresentados os Top 10 das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul Durante pouco mais de dois meses, as equipes de Jornalistas&Cia e Maxpress debruçaram-se sobre os dois turnos de votação do Prêmio Os +Admirados Jornalistas Brasileiros, que movimentou jornalistas e profissionais de comunicação de todo o País, num total de 48 mil pessoas. Neste ano, a consulta, que teve sua primeira edição em 2014, quis também saber quais eram Os +Admirados nas regiões em que atuam. Poucas foram as novidades nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, cujos expoentes, na eleição nacional, também brilharam regionalmente. Ricardo Boechat, por exemplo, líder de admiração no Brasil, manteve a hegemonia no Sudeste. Alexandre Garcia, 11º colocado na eleição nacional, ficou na liderança no Centro-Oeste. Nessas duas regiões, os Top 10 foram também muito bem votados nacionalmente e estiveram entre os 100+ na lista publicada na semana passada. Nas demais regiões, todos os Top 10 não estiveram naquela lista, exceção ao premiadíssimo escritor Luís Fernando Veríssimo, campeão no Sul e 39º colocado na eleição nacional. No Nordeste o campeão foi o cearense (e pernambucano de coração) Francisco José, da Rede Globo; e no Norte a liderança coube a Daniela Assayag, da TV A Crítica, do Amazonas, afiliada da Record, numa votação dominada por paraenses. Para Eduardo Ribeiro, diretor de J&Cia, a eleição regional dá ao prêmio uma abrangência de fato nacional, pois possibilita que também sejam devidamente reconhecidos os profissionais de talento que atuam fora do eixo São Paulo-Rio-Brasília: “Os jornalistas dos grandes centros atuam em veículos de elevada audiência e penetração em todo o País e é natural que se sobressaiam numa eleição dessa natureza, particularmente quem trabalha em televisão. Ao regionalizar o pleito, fazemos justiça a grandes talentos do jornalismo local que fazem por merecer uma vitrine nacional como essa. Queremos, no futuro, eleger também Os +Admirados de cada estado, pois aí teremos um ciclo completo”. Outro aspecto que os organizadores consideram relevante é o fato de a eleição ter um significativo número de eleitores de fora dos grandes centros. Conforme explica Sérgio Franco, CEO da Maxpress, empresa que coordenou e supervisionou todo o processo eleitoral, “a regionalização do prêmio resultou num número surpreendente de votos vindos de todo o País, pois ao ver finalistas de sua região e do seu relacionamento cotidiano, essas pessoas se animaram a votar e até a fazer campanha por seus nomes preferidos”.  Confira a relação completa dos +Admirados Jornalistas Brasileiros de Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. 

Demissões e dança das cadeiras foram a tônica de novo movimento do Globo 

O Globo prossegue com as demissões, depois do grande corte no início de setembro. E parece que esse processo ainda não terminou. Espera-se para janeiro a fusão de algumas áreas, o que viria a resultar em mais dispensas. Os avisos ocorreram na 2ª feira (7/12), em número não divulgado. Até a tarde de 3ª feira, circulava internamente o cálculo de 25 pessoas da redação, incluindo as sucursais – embora também circulasse por outras fontes que esse número seria de 40 na redação e 120 em toda a empresa. Esta quantidade pode oscilar, já que, há algum tempo, o CDI, centro de documentação, foi incorporado à redação, e assim, as baixas ali são contadas nesta. Desta feita, pelo que apurou o Portal dos Jornalistas, a sucursal de São Paulo foi poupada, embora dela tenha saído o chefe de Redação Luís Antonio Novaes, o Mineiro, que ali estava, vindo do Rio de Janeiro, desde a saída de Orivaldo Perin, em março de 2014. Com isso, assume o segundo da sucursal, Aguinaldo Novo. Foram várias demissões (ao menos duas delas voluntárias), mas não só. A movimentação na redação de O Globo teve também troca de lugares, fusões de editorias, remanejamentos de funções, ligeiras mudanças editoriais e até dança de cadeiras. Entre os profissionais mais conhecidos que deixaram a casa, estão o subeditor de Esportes Iuri Totti e Paulo Roberto Araújo, por muitos anos chefe de Reportagem da Rio, e que havia sido recentemente transferido para o Jornal de Bairros. A editoria Sociedade, antes publicada em duas páginas, passa agora para uma, e alguns temas ali tratados foram distribuídos por outras editorias. Houve remanejamentos, como os das repórteres Paula Ferreira e Marina Cohen, transferidas da Sociedade para a Rio. Desta saíram Thais Mendes, Alessandro Lo-Bianco e Mateus Carrera. Mas a editoria recebeu o reforço de Márcio Menace, vindo de País, além das repórteres já mencionadas. De País saíram Cássio Bruno e André Machado, este especializado em tecnologia. Deixaram a Fotografia Gustavo Stefan, Carlos Ivan e Fábio Seixo, este último conhecido pelos portraits. E Claudio Nogueira, do online. Em dois casos, a saída foi voluntária. Clarice Spitz é casada com um francês, que volta para Bordeaux, e ela o acompanha. E Liane Thedim recebeu convite de uma agência de comunicação corporativa. Do Extra saiu Nilson Brandão, da diagramação. Desde o último corte, esse jornal fechou dois postos de editores, na Economia e nos Esportes. O aquário assumiu funções operacionais nas editorias, e houve também fusão de editorias. O suplemento de variedades Sessão Extra foi agora incorporado ao caderno principal, reduzido em 30% e, com isso, houve remanejamento de pessoas para outras editorias que tiveram vagas congeladas e precisavam repor profissionais. Os cortes também chegaram a Brasília, de onde saíram a coordenadora de Economia Regina Alvarez e o setorista do Palácio do Planalto Chico de Gois. Com quase 20 anos de O Globo, em quatro passagens, Regina atuou por cerca de sete anos em Política antes de assumir a Coordenação de Economia do jornal, onde esteve nos últimos quatro anos. Ela também teve passagens por Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora, além de ter trabalhado na Apex Brasil, e coordenado a Comunicação do Ministério do Planejamento. Chico passou, entre outros, por Folha de S.Paulo e Estadão. Como setorista do Palácio do Planalto, pelo Globo, cobriu diversas campanhas eleitorais, CPIs e acompanhou o cotidiano da Presidência da República por cinco anos. Publicou diversos livros sobre a política e os políticos brasileiros, entre eles Segredos da máfia, Os ben$ que os políticos fazem e O lado B dos candidatos, com Simone Iglesias, que traça o perfil de políticos, destacando o lado menos conhecido deles. Em 2014, lançou a biografia Eduardo Campos – Um perfil (1965-2014), poucos dias após a morte do político. É vencedor de prêmios como Embratel, CNT e Folha de Reportagem.

Nora Gonzalez deixa a FTI Consulting

Nora Gonzalez deixou o cargo de senior director strategic communications da FTI Consulting.

Nora foi editora em jornais como O Estado de S.Paulo e Gazeta Mercantil, e depois se transferiu para a área de comunicação corporativa, tendo sido diretora de agências como Publicom e FSB e em empresas como Grupo Santander, Alstom e, mais recentemente, Fico (Fair Isaac), onde foi responsável pela área de Comunicação na América Latina.

Com experiência em gestão de crises, comunicação corporativa, relações públicas e governamentais, ela continua como colunista do blog AUTOentusiastas e da Top Carros.

Uma canção perpetuada: Vitor Nuzzi lança biografia de Geraldo Vandré

“Caminhando e cantando e seguindo a canção”… #quemnunca ouviu esse verso? Geraldo Vandré, autor de Pra não dizer que não falei das flores, que à revelia dele tornou-se hino contra a repressão militar no fim dos anos 1960, é o personagem principal da obra do jornalista Vitor Nuzzi: a biografia não autorizada Geraldo Vandré – Uma canção interrompida. Insistente, Nuzzi não esmoreceu com a falta de “trato” de seu protagonista, que em todas as tentativas de aproximação ignorou-o solenemente. O autor também não se deixou abater com a falta de editora: imprimiu por conta própria cem exemplares do livro. Essas e outras histórias sobre o longo processo de produção do livro Vitor conta em entrevista ao Portal dos Jornalistas: Portal dos Jornalistas – Como surgiu seu interesse pela história do Geraldo Vandré? Vitor Nuzzi – Eu ouvia música brasileira desde pequeno, literalmente, já que meus irmãos, mais velhos do que eu, estavam sempre com discos na vitrola. Chico, Milton, Gil, Caetano, Luiz Gonzaga, Adoniran… E Vandré. Era início dos anos 1970. Um dia, ouvi uma canção chamada De serra, de terra e de mar, que me chamou a atenção pela beleza dos versos. Fiquei sabendo que se tratava de um cantor e compositor que havia deixado o Brasil, retornara em condições nebulosas e nunca mais fez shows, nunca mais se apresentou. Além das canções, que me pareciam diferentes de tudo o que já havia ouvido, chamou-me a atenção exatamente o silêncio do cantor. Portal dos Jornalistas – Como foi a reação dele quando soube do livro? Nuzzi – Quando ele soube do projeto do livro, há aproximadamente oito anos, disse que não estava interessado, nem tinha tempo, “nas coisas que você anda fazendo”, referindo-se às minhas pesquisas. Em nenhum momento mostrou-se disposto a participar. Com o livro pronto, em meados deste ano mandei um exemplar, por meio de um portador, amigo dele, a Teresópolis, onde ele tem passado a maior parte do tempo. Não nos falamos. Soube que ele se queixou, mas não tenho detalhes. Portal dos Jornalistas – Quanto tempo você dedicou a esse trabalho? Nuzzi – O projeto nasceu há dez anos, quando Geraldo completou 70 anos. Pensei que um artista como ele poderia ser esquecido com o passar do tempo. Principalmente, que sua obra não fosse lembrada. Como disse algumas vezes, acredito que a obra de Vandré, de alguma maneira, ficou ofuscada pelas histórias e lendas em torno de seu nome. As pessoas precisam ouvir mais as canções de Vandré, saber qual foi a sua relevância para a cultura e arte no Brasil. Disso nasceu o livro. Mas meu interesse começou há muito tempo. Exatamente em 1985, quando, ainda estudante, conheci o Geraldo pessoalmente. Desde então, passei a pesquisar e a guardar tudo o que se relacionasse a ele, sem pensar em escrever, apenas por interesse pessoal. Portal dos Jornalistas – Qual foi a maior dificuldade ao apurar essa biografia? E o que mais te surpreendeu? Nuzzi – A primeira dificuldade foi não poder contar com a ajuda do biografado. Certamente, isso ajudaria a conhecer melhor o personagem que ele criou nos anos 1960 e que, apesar de silenciado, ainda inspira respeito e admiração. Outro problema foi localizar informações: há muita coisa sobre Vandré de 1964 (quando ele lançou o seu primeiro LP) até 1968, ano de lançamento de Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando) e de sua participação marcante no Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo. As informações escasseiam de 1969 a 1973, quando ele esteve fora do País. Tentei compensar esses empecilhos ouvindo o maior número de pessoas e pesquisando muito, para tentar situar Vandré em seu tempo. Foi como fazer uma reportagem, com mais personagens e sem tanta aflição de um fechamento. Conheci um artista lúcido, carismático, defensor enfático de suas convicções – o que rendeu algumas polêmicas – e dono de uma obra relativamente curta, mas de qualidade e profunda preocupação social e de amor por seu país e sua cultura. Autor de poucos discos, mas descobridor de músicos talentosos, que o acompanharam, como Heraldo do Monte, Theo de Barros, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, Hilton Acioli, Bhering, Marconi, Geraldo Azevedo, Nelson Ângelo, Franklin da Flauta, Naná Vasconcelos. Gente que está aí até hoje. E compositor de importantes canções, como a já citada Caminhando, Disparada, Porta estandarte, Fica mal com Deus, Canção nordestina, Pequeno concerto que ficou canção, além de autor de uma bela trilha sonora para o filme Hora e vez de Augusto Matraga. Um artista a meu ver erroneamente identificado como “cantor de protesto” e que parece, hoje em dia, ser mais falado do que ouvido. Portal dos Jornalistas – Inicialmente você produziu por conta própria, só depois conseguiu apoio de uma editora. Como foi esse processo? Nuzzi – Entre o final do ano passado e o início deste ano, procurei uma editora (Scortecci) que fizesse a diagramação e a impressão. O meu orçamento só dava para 100 exemplares… E foi essa a tiragem. O livro saiu em abril, e passei a distribuí-lo a amigos, pessoas da música, jornalistas. Guardei dois para mim. Mas antes, claro, procurei várias editoras e tive todo o tipo de resposta. Desde aquela que concordava em publicar desde que a estrutura mudasse (e o texto fosse reescrito por um ghost writer) até as que explicitamente demonstraram preocupação com o fato de se tratar de uma biografia não autorizada. É importante lembrar que, quando isso começou, estávamos no auge da polêmica com o livro de Paulo Cesar de Araújo sobre Roberto Carlos, que acabou sendo recolhido – aliás, consegui comprar um exemplar antes que isso acontecesse (e acho o livro ótimo). O lançamento dos 100 exemplares já me contentaria. Mas teve muito mais repercussão do que poderia imaginar. Além disso, tivemos o julgamento, no Supremo Tribunal Federal, da ação direta de inconstitucionalidade relacionada à publicação de biografias. O STF decidiu por unanimidade que não há necessidade de autorização prévia. Isso animou as editoras, e algumas fizeram contato comigo, até que acabei fechando com a Kuarup.   SERVIÇO Geraldo Vandré – Uma canção interrompida será lançado em São Paulo na próxima 6ª.feira (11/12), na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena), às 19h30.

Reta final da pesquisa sobre liberdade e informação da UFPR

Em parceria com a Fenaj, o Grupo Comunicação e Democracia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) chega à reta final da pesquisa que desenvolve para entender o que pensam os jornalistas brasileiros sobre liberdade e informação.  O questionário tem 50 perguntas e está sendo aplicado em todo Brasil por formulário online. O roteiro é anônimo e pode ser respondido em aproximadamente dez minutos. Os pesquisadores querem ouvir cerca de 2.800 jornalistas de todo Brasil.  A ideia é identificar e mensurar em que grau as redações brasileiras são afetadas por relações de poder com grupos políticos e econômicos, além de compreender de que forma os profissionais de comunicação reagem a essas interferências externas à lógica da prática jornalística.

Gérard Davet e Fabrice Lhomme lançam o livro Swissleaks

Os repórteres do Le Monde Gérard Davet e Fabrice Lhomme lançam o livro SwissLeaks – Revelações sobre a fraude fiscal do século.

A obra junta as peças da investigação jornalística que conseguiu provar, denunciar e divulgar o extraordinário esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro praticado sistematicamente pela filial suíça do banco britânico HSBC Private Bank.

Os repórteres circulam sob escolta policial desde o início do ano por causa das investigações sobre a fraude. Ismael Pfeifer é o responsável pelo prefácio da edição brasileira. Neste, incrementa o original com uma espécie de capítulo de 37 páginas, contando como a história despencou no País, o trabalho de Fernando Rodrigues (UOL) e Chico Otávio (O Globo) e o critério de definição das listas publicadas na França e aqui.

Morre Carlos Lemos, o gentleman que fazia molecagens com a censura

Morreu nessa 2ª.feira (7/12), aos 86 anos, Carlos Lemos Leite da Luz. Morava sozinho, não estava doente, mas sofreu uma queda em casa, na Lagoa, no Rio de Janeiro. Deixa quatro filhos. O enterro será nesta 3ª.feira (8/12), às 16h, no cemitério São João Batista, em Botafogo, com velório a partir das 10 horas. Lemos nasceu no Rio em 28 de agosto de 1929. Quando jovem, começou a cursar, simultaneamente, Direito na UFRJ e Jornalismo em uma das primeiras turmas da PUC, até que um convite de Nilson Viana para fazer estágio na Tribuna da Imprensa, em 1955, o levou a escolher a profissão que o consagrou. Passou depois por revista Manchete, o Maquis (jornal semanal de Amaral Neto) e Revista da Semana. Ingressou no Jornal do Brasil em 1957, como repórter e, mais tarde, assumiu a editoria de Esportes, juntamente com Jânio de Freitas e Célio de Barros. Ainda em Esportes do JB, um de seus trunfos era fazer também a cobertura fotográfica, o que lhe garantiu a escalação para algumas Copas do Mundo. No mesmo jornal, foi secretário e chefe de Redação. Durante a ditadura, com elegância, driblou momentos tensos. Enfrentou várias ordens de censura e foi chamado algumas vezes à Polícia Federal. Em entrevista ao Memória do jornalismo brasileiro, um projeto da ECO-UFRJ, contou: “Chegaram ao JB dois oficiais com uma instrução: não pode espaço em branco. […] Aí eu tive uma ideia: não pode espaço em branco, mas pode classificados no local da matéria que foi vetada. Bota classificados aqui. No dia seguinte chego no jornal tem dois oficiais lá sentados: ‘O senhor nos enganou’. Respondi: ‘Eu? Todas as páginas saíram com o aval dos senhores. Eu tenho as páginas com as suas assinaturas. Não enganei ninguém. Os senhores aprovaram porque assim bem quiseram’. Os caras ficaram com ódio de mim. No dia seguinte, mandaram dois especialistas em censura para eu não fazer mais aquela molecagem”. Um comportamento foi citado em livros de ex-guerrilheiros: quando Lemos sabia de jornalistas presos, ia visitá-los na prisão, sempre elegante e formalmente vestido de terno e gravata. Sua aparência confundia os guardas, que o consideravam uma autoridade, o que lhe abriu algumas portas, de outro modo inacessíveis. Obteve assim informações que resultaram em privilégios para alguns detidos pela ditadura. Foi no início dos anos 1960 que Odylo Costa, filho, levou Alberto Dines para o Jornal do Brasil e este ali encontrou dois aliados que responderiam, com ele, pela mais importante reforma editorial e gráfica por que passou o jornal impresso no Brasil, reconhecida internacionalmente. Dines convidou Wilson Figueiredo para ser secretário da Redação e transferiu Lemos do Esporte para a Chefia de Reportagem. Por quase 12 anos, ele trabalhou com Dines, que diz serem “tão entrosados que, na abrupta demissão do editor-chefe [Dines], Lemos (seu substituto natural) foi tirado da Redação e mandado para estudar na BBC, em Londres”, em 1974. Dali, seguiu para outro curso, de edição, na Universidade Columbia, em Nova York. Era um tempo em que a empresa recebera a concessão de dois canais de tevê e se preparava para entrar no ar. Logo o JB desistiu de montar sua televisão, e Lemos voltou ao Brasil para dirigir o sistema de rádio, quando “FM no Brasil era sinônimo de música de elevador”, na definição dele próprio. Na Rádio JB no Rio, incorporou o noticiário à programação, inovando a linguagem radiofônica. Aos poucos, as emissoras FM copiaram seu estilo. A pedido dos acionistas, criou depois a Rádio Cidade, primeira emissora a ter uma programação voltada exclusivamente para o público jovem. No grupo JB permaneceu por 27 anos ininterruptos. No tempo em que o Prêmio Esso era o único, e as chefias tinham o pudor de não inscrever seus nomes como candidatos, deixando as glórias para os repórteres, Lemos teve o seu em 1965. Sob seu comando, o JB ganhou dezenas de prêmios e, mais tarde, ele foi, várias vezes, jurado desse certame. Mas seu desempenho no rádio chamou a atenção de Roberto Marinho, que o convidou para dirigir o Sistema Globo de Rádio em 1982. No SGR, unificou administração, engenharia e programação das emissoras de rádio do grupo, a partir da sede no Rio. Aumentou a popularidade das estações FM, que então despontavam como alternativa à frequência dominante AM, e criou centrais de produção para vender produtos do SGR às retransmissoras do interior. Em 1984, foi premiado como profissional de destaque no setor e viu, sob sua gestão, as emissoras da casa passarem a ocupar os primeiros lugares na audiência. Três anos depois, em 1985, transferiu-se para O Globo, como enviado a Brasília para cobrir a posse de Tancredo Neves. Lá ficou cinco anos, como diretor da sucursal em Brasília. Na volta ao Rio, em 1991, dirigiu a Agência Globo. Ao se afastar das redações, no final dos anos 1990, Lemos passou à consultoria. Apaixonado por futebol – cobriu Copa do Mundo desde 1958 – e torcedor apaixonado do Fluminense, foi diretor de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 1998 e 2002, ano em que o Brasil foi pentacampeão. Dali fez assessoria para um cartão postal do Rio, o Caminho Aéreo do Pão de Açúcar, até 2004, levando da CBF a fiel escudeira Ana Lúcia Rangel. Depois disso, a convite de Arnaldo Cesar foi, por cinco anos, assessor da presidência da TV Brasil. Belisa Ribeiro tem pronto o livro Jornal do Brasil, história e memória – Os bastidores das edições mais marcantes de um veículo inesquecível, para a editora Record. Ela dirigiu também o documentário em longa-metragem, de mesmo título, com depoimentos de entrevistados ex-JB, que falam de suas lembranças e do fim do jornal. O lançamento do livro e do filme está previsto para março de 2016, quando o JB completaria 125 anos. Em termos de edições marcantes, Lemos foi protagonista. E leva com ele parte da história do jornalismo impresso e radiofônico no Brasil.

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