O coronavírus e os veículos de comunicação – XVIII

Estudo mostra que 95% dos profissionais tiveram rotina alterada na pademia

Edson Capoano e Pedro Rodrigues Costa

Edson Capoano, jornalista e pesquisador brasileiro atualmente trabalhando como investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, em Portugal, enviou a J&Cia o resumo de um estudo que fez com o português Pedro Rodrigues Costa sobre produção e consumo de informação durante a pandemia de coronavírus. O título do trabalho é Percepção sobre as informações geradas durante a Covid-19, um inquérito online respondido por 365 pessoas, na maioria jornalistas e público consumidor regular de notícias de São Paulo, durante o mês de junho.

Os principais resultados com jornalistas dão conta de que: 

• 95% dos inquiridos tiveram a sua rotina alterada pela pandemia, como trabalhar mais horas por semana, produzir conteúdo de casa e sofrer algum impedimento para realizar trabalho jornalístico;

• 75,7% deles produziram sobre Covid-19, sendo que 6,6% dos respondentes têm especialidade em saúde;

• 77% dos jornalistas indagados conheciam alguém que havia sido contaminado pelo novo coronavírus até o término da recolha de respostas, 30 de junho.

Por parte dos consumidores de informação, o objetivo foi perceber os efeitos da infodemia – disseminação de notícias falsas durante a pandemia, segundo a OMS – enquanto se informam. Os principais resultados são:

• 51,7% das pessoas indagadas dizem sentir-se muito ou totalmente informados sobre o novo coronavírus;

• 41,1% avaliam que o trabalho da imprensa é bom ou ótimo;

• O consumo de notícias do público inquirido aumentou 41,6% durante o mês de junho.

Sobre infodemia:

• 56,2% afirmam ter identificado fake news sobre Covid-19;

• 42,7% atestaram sentir-se muito ou totalmente atordoados com o excesso de informação consumida;

• 61,1% disseram que o consumo de informação sobre Covid-19 gerou emoções negativas, como raiva, medo, tristeza e nojo.

O estudo completo vai ser publicado ainda este ano no e-book Manual de sobrevivência nas redes sociais digitais.

Maristela Crispim, entre um vírus e duas guerras

Em mais uma entrevista ao vivo pelo Instagram, o editor do Portal dos Jornalistas Fernando Soares conversa na próxima segunda-feira (13/7), às 19h, com a diretora da Agência Eco Nordeste Maristela Crispim. O assunto será a parceria colaborativa com as publicações Amazônia Real, #Colabora, Portal Catarinas e Ponte Jornalismo que está monitorando e cobrindo casos de violência doméstica durante a pandemia de coronavírus. O projeto, batizado Um vírus e duas guerras, trará ao longo de 2020 diversas reportagens e dados sobre feminicídio durante o isolamento social.

Internacional

O International Center For Journalists (ICFJ) organizou o Fórum de Reportagem sobre a Crise Global em Saúde, que mantém um grupo no Facebook para discutir a cobertura jornalística da pandemia da Covid-19, através de conexões entre jornalistas, checadores de fatos e especialistas.

O vírus versus nós

Estamos reproduzindo charges sobre a Covid-19 publicadas na exposição O vírus versus nós, em cartaz no site da Associação dos Cartunistas do Brasil. A desta semana é do paulista Rice Araújo, que iniciou no design gráfico aos 12 anos e em 1984 migrou para a criação publicitária, onde desde então tem atuado como diretor de arte e ilustrador em agências de publicidade de São Paulo.

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