PUM

* Por Sandro Villar

Presumo que corro o risco de ser tachado de chulo por causa do título da crônica, mas Deus é testemunha ocular de que não serei nem de longe chulo nessa narrativa. Aliás, este Baixíssimo pede ajuda ao Altíssimo para sair dessa encrenca que é a tentativa de explicar que o título não tem nada a ver com, digamos, ventosidade, traque, gases e flatulências com ou sem odor. Encurtando conversa: nenhuma relação com a “usina de gases” que temos no abdômen. Poxa, dei uma enrolada boa, não expliquei patavina, como certos comentaristas (chamem a Luiza Trajano), e, descaradamente, sigo em frente empurrando com o abdômen, já que a palavra foi citada e merece repeteco.

Que o Brasil é o País das siglas todo mundo está careca de saber ou, no mínimo, calvo de saber. Taí: o PUM lá de cima não sai embaixo, é só uma sigla, mas apresso-me em esclarecer que não se trata, por exemplo, de partido político, tipo Partido Unido Municipal, PUM para os íntimos, quer dizer, filiados. Calma, Zeza Loureiro, não se apoquente, pois vou desembuchar: o PUM em questão nada mais é do que o nome popular de um recinto público de Presidente Prudente, cidade onde carcará costuma voar na vertical. O PUM (desculpem-me: sou compelido a repetir o nome) é muito frequentado, pois lá é local de feiras e exposições. Claro, dona Clara, que citarei por extenso a sigla: PUM quer dizer Parque de Uso Múltiplo, mas o povo resolveu simplificar para PUM e ninguém tem nada com isso, muito menos certos cronistas metidos a besta. O recinto tem um nome oficial, homenagem a um ilustre morador, cujos parentes detestam a sigla.

Até há pouco tempo, a mídia prudentina só se referia ao centro de exposições mencionando a sigla, hoje em dia pouco usada pelos jornalistas. Vai ver alguém deu um toque e a abreviatura já não é tão citada pela reportaiada, como diria o grande Juarez Soares. Convenhamos: pega mal uma repórter de televisão, ao vivo, falando sobre uma festa no PUM. Algumas repórteres ficavam constrangidas.

Mudando de Alexandre Pato para Paulo Henrique Ganso, todos estão convidados a visitar o Parque de Uso Múltiplo, mas atenção pessoal dos rolezinhos: estão proibidos eventos exóticos, como, por exemplo, campeonato de soltar pum no PUM só para fazer jus ao nome fantasia do recinto. Se isso acontecer, aconselho os participantes a colocarem as máscaras que o atores Bryan Cranston e Aaron Paul usaram na série de televisão Breaking Bad. Acho que não será difícil convencer o produtor Vince Gilligan a liberar as máscaras aos interessados.

 

* Sandro Villar é correspondente do Estadão em Presidente Prudente (SP).