MediaOn aponta caminhos para o jornalismo

Iniciativa do portal Terra, o 6° MediaOn começou oficialmente na noite de 3ª.feira (4/12), no Itaú Cultural, em São Paulo, com Philip DeBevoise, cofundador da norte-americana Machinima, produtora e canal de entretenimento em vídeo mais popular do youtube, com 2 bilhões de views mensais. O executivo reforçou que o sucesso do canal se deve ao amplo diálogo com seu público, que consome e pauta numa via dupla. Apesar de seu canal se concentrar em games, séries e filmes e o tema do seminário ser ?jornalismo online?, Philip indicava como um modelo de sucesso depende da interatividade e da troca entre o produtor de conteúdo e seu consumidor. Essa também foi a tônica de outros painéis. Com plateia cheia, o segundo dia foi iniciado por Amy Mitchell, vice-presidente e pesquisadora do Pew Research Center?s Project for Excellence in Journalism. Via skype, a acadêmica americana mostrou, com diversos números, a força da transição do consumo de conteúdo via desktop e notebook para smartphones e, principalmente, tablets. No mesmo painel, ainda falaram Pedro Doria, editor-executivo de plataformas digitais do jornal O Globo, e Terence Reis, sócio e diretor da Pontomobi, uma das empresas pioneiras em soluções para conteúdo móvel. Este sublinhou que “maior parte do consumo de notícias será em movimento, de lugares e dispositivos, dispersa ao longo do dia?. Pedro apresentou com entusiasmo o projeto O Globo A Mais para tablets, que elevou o tempo médio de permanência do leitor em todos os produtos digitais da empresa. Ninguém se deteve, porém, na questão que mais assombra os profissionais de imprensa de hoje: como esse entusiasmo por conteúdo digital pode se reverter em receita para os veículos? O painel seguinte não mostrou exatamente como a imprensa vai fazer isso, mas trouxe cases publicitários que têm chamado a atenção pela inventividade e uso de internet e tecnologia. Foram mostradas várias peças de apelo popular, principalmente por Eco Moliterno, diretor de Criação da agência África, e Guilherme Glezes, gerente de Digital Innovation da Nike do Brasil. Em comum, são campanhas que não funcionam isoladamente na tevê ? meio publicitário por excelência e tradição ?, mas precisam trabalhar em mídias cruzadas, com muita força na internet. Roberto Martini, diretor-executivo da Flag Holding, destacou como é importante os comunicadores da atualidade ?resignificarem? o seu trabalho, de modo que afastem de vez o receio das novas tecnologias para que não se tornem, futuramente, sufocados por elas. Milton Jung, âncora da CBN e moderador do painel, trouxe o debate ao plano terreno midiático dizendo esperar dessa troca tecnológica os meios necessários para que o rádio continue se reinventando e sendo relevante jornalisticamente. Apesar disso, mais uma vez, ninguém estava lá para apresentar soluções mágicas para a crise da mídia. O painel seguinte, com Carmela Rios, editora geral do Terra Espanha, e Burt Herman, cofundador do Storify, abordou o interesse público em notícias pelo viés de sua produção e compartilhamento por meio de redes sociais. O americano Burt, em especial, mostrou como o Storify trouxe agilidade à publicação e divulgação de narrativas construídas por várias fontes, que espontaneamente despejam toneladas de bytes nas mídias sociais e podem ser centralizadas de forma coerente em um único aplicativo. Apesar da originalidade do evento, ao ser questionado sobre faturamento, Burt foi sincero: ?Nenhum. Quando lançamos a empresa tivemos alguns investidores e ainda estamos experimentando linguagens e formatos até decidir como faturar?. O último e divertido painel com a presença do repórter da BBC Andrew Jennings; do colunista e comentarista de UOL, CBN e ESPN Juca Kfouri; e do presidente e editor do Grupo Lance Walter de Mattos Jr. teve menos a ver com jornalismo online do que matérias investigativas sobre corrupção no esporte, com destaque para a Fifa, o COI e a CBF. A impressão geral do segundo dia de evento é que todos continuam a tatear sobre o desenvolvimento de formas relevantes, criativas, atraentes e lucrativas de praticar jornalismo voltado aos meios digitais. Muitos sinalizaram que a multiplicação de produtos diversificados, que, ao redor das notícias, também gerem interesse do público, deve ser fator a ser refletido e debatido. Como disse Amy, do Pew Research Center ? e Roberto, da Flag, corroborou ? , as empresas produtoras de conteúdo perderam o trem do desenvolvimento tecnológico para as empresas voltadas a engenharia, programação e computação. Um trabalho que poderiam ter capitaneado ou, no mínimo, trabalhado em simbiose no passado, foi relegado a empresas que hoje crescem exponencialmente e ditam o rumo da produção e do consumo de conteúdo nos novos tempos. Foi curioso ouvir Burt dizer não achar que ?só o fato de algum jornal existir há muito tempo signifique que ele deva necessariamente sobreviver para sempre. Até ele tem de se reinventar? ? a poucos metros dele estava o moderador José Roberto de Toledo, colunista do tradicionalíssimo Estadão. Jornal este que, aliás, anunciou recentemente a união das áreas de Desenvolvimento Tecnológico com a Redação.