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terça-feira, abril 16, 2024

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Para entender a crise da Record e o desmonte da Record News

Vários ingredientes compuseram ao longo dos últimos 14 ou 15 meses a crise do Grupo Record, que desaguou nesta última 2ª.feira (5/11) na demissão de pelo menos 70 pessoas ? embora muitos apostem que o número seja até maior, considerando apenas as vagas fechadas, tendo em vista colegas que estavam em dupla jornada, PJs etc.. Na linha do tempo, os primeiros indícios de que algo maior estava por acontecer na Record News datam de setembro de 2011. E não foi um começo fraco. Os rumores que corriam corredores e redações eram de que a Record News seria fechada ou se transformaria apenas numa repetidora de notícias, o que, de fato, agora se concretiza. À época, a própria empresa os desmentiu, atribuindo-os a concorrentes interessados em minar os negócios do grupo. Mas desde então o clima, particularmente na Record News, nunca mais foi o mesmo e os rumores de que algo ruim aconteceria ressurgiam de tempos em tempos. Houve cortes, como as 30 pessoas demitidas em dezembro de 2011 e algumas outras em fevereiro, quando ninguém mais esperava que isso fosse acontecer. Há quem, combinando um pouco de bom humor com a tristeza desses momentos, jure que a emissora foi atingida nos últimos meses por cinco tsunamis. Isso com relação aos cortes feitos, que, sem alívio na carga de trabalho, representaram um aumento muito grande de esforço coletivo, sobretudo no período de Olimpíadas, de que a Record detinha a exclusividade dos direitos de transmissão. Foi um período em que praticamente 100% da equipe virou direto, sem folgas sequer nos finais de semana. Aliás, essa foi outra característica observada por vários colegas sobre o ambiente na Record. Mesmo com todas as incertezas (ou certezas), não houve descuido ou desmazelo por parte dos profissionais, que, na opinião de um colega que deixou a empresa, ?ralaram muito até o último dia, na mais bela demonstração de dedicação e paixão pela atividade que já vi ao longo de minha carreira?. Talvez isso tenha sido o mais triste, pois, após um final de semana de plantão integral, e convocação geral, para a cobertura das eleições americanas, veio a 2ª.feira negra. Em duas horas, mais exatamente das 10h às 12h, todos os que estavam na lista de demitidos ? e não eram poucos ? cumpriram um triste ritual, percorrendo o circuito ?chefia, ambulatório (para fazer o exame médico de saída, obrigatório por lei), RH e mesa de trabalho, para pegar os pertences pessoais e se retirar ? tudo sob a severa observação dos homens da vigilância, num ambiente para lá de constrangedor, como observou um dos colegas que enfrentou a situação. ?Foi até engraçado, para não dizer outra coisa, pois quem passou pela redação, agora triste e vazia, naquele momento, via fila para falar com a chefia, fila no ambulatório, fila no RH…?. Isso foi o mais cruel, pelo que se depreende dos desabafos ouvidos por este J&Cia: ?Claro que a empresa tem o direito de demitir, de fazer os ajustes que considera necessários para enfrentar um cenário econômico adverso, mas não precisava ser dessa forma, que chega a ser desumana, sobretudo em uma organização que tem influência religiosa?. Praticamente toda a redação da Record News foi demitida. Saíram produtores, assistentes de produção, editores, chefes, entre eles Marco Rombino e Maria das Neves, que acabara de ser promovida. O núcleo que ficou resume-se a 19 profissionais, três deles apresentadores. E serão eles agora que vão administrar o espólio, em que serão estrelas, além do Jornal da Record News, ancorado por Heródoto Barbeiro, as reprises dos telejornais e programas jornalísticos da nave mãe, Record. Entre eles todas as edições regionais dos telejornais, que já estão entrando na programação para preencher os vazios da grade. Com certeza, deve ser uma decisão provisória, até que a emissora consiga se reorganizar com o noticiário, mas até lá não deixa de ser engraçado ver em São Paulo os jornais locais de Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Salvador e vice-versa. O desmonte também atingiu a área comercial, que agora fica toda concentrada na própria Record. Embora tenha sido fortemente influenciada por razões econômicas, tem-se como certo dentro da própria Record, entre a equipe, que o desfecho tem a ver com uma briga de poder entre dois fortes grupos da Iurd ? a Igreja Universal do Reino de Deus ?, sob influência direta também do PRB, partido que deu sustentação a Celso Russomano nas recém-encerradas eleições municipais em São Paulo. O que se comenta é que a vencedora da contenda foi a ala liderada pelo bispo Romualdo Panceiro, que vem a ser um dos homens de confiança de Edir Macedo, presidente do Grupo Record, contra a ala do advogado Marcos Antonio Pereira, atual presidente do PRB e idealizador da Record News, que defendia a continuidade da operação e dos investimentos. Pereira é especialista em Direito Processual Penal, tem 39 anos e é professor universitário. Como executivo do Grupo Record, ocupou a Presidência de Relações Institucionais, sendo apontado como responsável pelo redirecionamento e pela trajetória de recuperação de rentabilidade da organização. As áreas de finanças, administração, jurídica, recursos humanos, tecnologia da informação e logística estiveram sob seus cuidados. Teria sido a linha por ele defendida derrotada no Conselho, na reunião da última 6ª.feira (2/11), quando o Grupo dos Dez, como é conhecido, bateu o martelo pelos cortes e reestruturação.

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